segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Onde está o teu tesouro?


Desejo a todos os meus leitores, amigos e companheiros de caminhada: um ano novo repleto de conquistas e vitórias interiores. Peço a Deus que vos abençoe ricamente e vos conceda a Sua graça em abundância. Espero que sejam felizes com Cristo nos vossos corações!


O final do ano é, para a maioria das pessoas, um tempo de balanço e retrospectiva: "Realizei os meus sonhos? Atingi os objectivos que tinha traçado? Concretizei os planos e projectos que tinha delineado? ". Para o novo ano que se aproxima, podem eventualmente traçar novas metas e objectivos; almejar mudanças; tentar viver de acordo com as suas mais profundas convicções ou tentar realizar finalmente velhos sonhos que nunca deixaram de alimentar.

Quais são as tuas metas, objectivos e desejos para 2008? Que "tesouros" procuras e gostarias de encontrar?

É sobre tesouros que fala o último post que publico este ano.
Qual é o tesouro que consideras mais valioso? Qual é o tesouro que mais tentas conservar e proteger? Qual é o teu tesouro mais precisoso e onde ele se encontra?


«Não ajunteis para vós tesouros na terra; onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.» (Mt 6:19-21)

«Tesouros são coisas que tentamos conservar por causa do valor que lhes atribuímos. Podem não ter valor nenhum em si mesmos; no entanto, damos o sangue para protegê-los. (...) Revelamos os nossos tesouros naquilo que tentamos proteger, assegurar, conservar. (...)Examinar os nossos tesouros é na verdade analisar aquilo que valorizamos.

A primeira coisa que Jesus nos diz a respeito dos tesouros é que guardar coisas "sobre a terra" não é uma estratégia inteligente. Os tesouros da terra, pela sua própria natureza, simplesmente não podem conservar-se intactos. (...) A sabedoria de Jesus diz que devemos ajuntar "tesouros no céu" (6:20), onde as forças da natureza e a maldade humana não podem espoliá-los. Ou seja, devemos procurar fazer a diferença na esfera da substância espiritual sustentada e regida por Deus. Devemos investir a nossa vida naquilo que Deus faz, que não pode perder-se. Logicamente, isso significa investir no relacionamento com o próprio Jesus, e por intermédio Dele com Deus. Mas, além disso, e em íntima relação com isso, devemos dedicar-nos ao bem dos outros - daqueles que podemos influenciar e afectar. Esses estão entre os tesouros de Deus.(...)

Há ,creio eu, uma tendência para considerar esse tesouro no céu como algo "para depois". É como o chamado seguro de vida, cujos benefícios só vêm depois da morte. E de facto é fundamental compreender isso, pois somos amigos de Jesus Cristo, temos realmente "uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada nos céus para vós, que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que está preparada para revelar-se no último tempo" (1Pe 1:4-5). Isso é importante.(...)
Mas o tesouro que temos no céu é também algo perfeitamente disponível para nós hoje. Podemos e devemos recorrer a ele segundo as nossas necessidades, pois esse tesouro é nada menos que o próprio Deus e o magnífico convívio no Seu reino; reino que agora mesmo se entrelaça com a nossa vida.(...)A eternidade já começou. Estou hoje mesmo vivendo uma vida que durará para sempre. Do meu tesouro nos céus tiro o que preciso agora para as necessidades presentes.

Se, em função das minhas necessidades nesta vida, eu tivesse de escolher entre ter um bom crédito num banco e ter um bom crédito junto a Deus, eu não hesitaria nem um instante. Abro mão do banco, claro! O "tesouro" que eu ajunto no céu não é apenas o pouco que faço a fim de ir para lá. É o que eu amo lá e também o facto de depositar a minha segurança e felicidade. É Deus "o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações" (Sl 46:1). E, conforme o Apóstolo Paulo por experiência própria nos ensinou, "o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há-de suprir, em Cristo Jesus, cada uma das vossas necessidades" (Fp 4:19). Esse é o constante testemunho do texto bíblico ao Reino no Meio de Nós.

Dallas Willard, em "A Conspiração Divina"

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Nascer de novo

«Há em nós um impulso que nos leva à novidade, à renovação, à liberação do poder criativo. Procuramos despertar em nós mesmos uma força que realmente mude as nossas vidas de dentro para fora. Contudo, o mesmo instinto diz-nos que essa mudança é a recuperação do que temos de mais profundo, mais original, mais pessoal. Nascer de novo não é tornar-se outra pessoa, e sim tornar-nos nós mesmos.» (os grifos são meus)

Thomas Merton, in "Christian Humanism" in Love and Living

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

O Maior Drama da Humanidade

Mensagem do Cardeal- Patriarca de Lisboa, José Policarpo.


«(...)Todas as formas de ateísmo, todas as formas existenciais de negação ou esquecimento de Deus, continuam a ser o maior drama da humanidade, que tiram todo o sentido ao Natal, que é a exultação e o grito de alegria e de esperança que brotou do reencontro do homem com Deus(...)

Abandonaram Deus, enquanto factor decisivo da felicidade humana, esqueceram a mensagem do Natal, esperança definitiva de reencontro de Deus com o homem, que redescobre em Deus o segredo da sua vida, a fonte da sua plenitude(...)

Se Cristo é a Vida, só Ele pode ser o fundamento da esperança verdadeira, que resiste a todas as dificuldades e vicissitudes(...)

Celebrar o Natal exige o reencontro profundo com a primazia de Deus na nossa vida, pede-nos que revejamos as noções de felicidade e de progresso, de sociedade perfeita e de liberdade(...)

A nossa vida descobre-se em Deus. E isso foi-nos tornado possível por aquele Menino que nasceu para nós, O Verbo eterno de Deus feito homem, concluiu José Policarpo, numa mensagem intitulada «A Encarnação do Verbo de Deus é o reacender da esperança». (os grifos são meus)

domingo, 23 de dezembro de 2007

O Melhor Presente do mundo


Então... como é costume dizer-se por estes dias: Desejo do fundo do coração, a todos vós, um Feliz e Santo Natal!
Este post é dedicado a todos os meus visitantes, amigos e irmãos em Cristo. Peço-vos que o leiam com o coração aberto e disponível e gravem no fundo do vosso ser as palavras que mais vos tocarem e enternecerem.

Uma pergunta muito comum por estes dias: Já receberam os vossos presentes?

Para mim, o melhor e mais precioso Presente que alguma vez recebi (incluindo todos os natais da minha infância) foi-me dado por Deus, o meu Amoroso e Ternurento Aba Pai.
Um "Presente" dado com um Amor que "nenhum pensamento o pode conter; nenhum vocábulo o pode exprimir. Ele está além de tudo o que possamos racionalizar ou imaginar " (1).
Ofereceu-me o "Presente" com estas palavras:" Amei o mundo, de tal maneira, que dei o meu Filho unigénito, para que todos aqueles que nele creiam, não pereçam, mas tenham a vida eterna." (parafraseando João 3:16).
Meu irmão e Apóstolo João também me ensinou que é desta forma que se manifesta o Amor de Deus para connosco (1 João 4:9).

O meu coração foi tocado por esse "Presente" divino que me foi entregue na Pessoa de Jesus - o Filho unigénito.
Jesus veio cheio de Amor, Graça e Misericódia à imagem e semelhança do Pai Ternurento e Amoroso. Em Jesus, Aba revela-Se a nós em toda a Sua Plenitude, Verdade e Vida Abundante. (Colossenses 1:19; João 14:6).

Um dia, "ouvi" estas palavras de Jesus: «Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. (...) e tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. (Lucas 11:9; João 14:13).
Então eu pedi em oração: Senhor Jesus, eu quero um coração novo. Quero um coração como o Teu, para amar como Tu me amas, e para amar o próximo com o Amor com que Tu nos amas. (João 13:34-35)
Quero um coração renovado, restaurado e transformado pelo poder, a ternura e a força do Teu Espírito.

Peço-Te um coração purificado e livre do egoísmo; dos maus pensamentos; dos falsos e injustos julgamentos; da mentira; da luxúria; do medo; do rancor; da inveja; da desconfiança; da ira; da autocondenação; da autosuficiência...
É do coração que "(...) procedem os maus pensamentos, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfémias." (Mateus 15:19)

Peço-Te, meu Amado e Amigo Jesus, que pelo Dom da Tua Graça, transformes o meu coração de pedra em coração de carne. Senhor Jesus, "eu quero ser um cristão no meu coração" (2)

Meu Amável e Compassivo Mestre, "ajuda-me a ver as pessoas com os teus olhos. Relembra-me de que sou muito perdoado. Enche-me até extravasar com o Teu Espírito Santo, de modo que possa derramar apenas amor para as pessoas(...)" (3)

Meu Terno e Amoroso Mestre, quero tanto permanecer em Ti e no Teu Amor Sem Limites. Não quero que me digas que "te honro com os lábios, mas que o meu coração está longe de Ti." (Mateus 15:8). "Quero ser um Cristão no meu coração".

Senhor Jesus, quero tanto "... mais claramente ver-te, mais intensamente amar-te, mais proximamente seguir-te..." (4)

Meu Querido e Adorado Mestre, quero que estas palavras sejam verdade e realidade no meu coração e na minha vida: "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim." (Gálatas 2:20)



(1) Brennan Manning, O Obstinado Amor de Deus, pag 10.

(2) Dallas Willard, A Renovação do Coração, pag 25, verso de um hino tradicional americano de autoria desconhecida (N. da T.)

(3) Brennan Manning, O Obstinado Amor de Deus, pag 58.

(4) Idem, pag 20.

Template Novo!


Os meus visitantes regulares já devem ter reparado na renovação da imagem do blog. Este post serve para agradecer à autora deste belo template: o seu maravilhoso trabalho criativo e artístico; assim como toda a dedicação, paciência e amor que manifestou no desenvolvimento deste magnífico e fantástico template!

Toda esta obra de arte foi realizada pela Márcia Nunes, do http://mamanunestemplatesblogspot.blogspot.com/ , a quem quero agradecer do fundo do coração esta preciosa e estimada prenda de Natal. Bem haja!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

A Cruz e o Perdão


«Se há sabedoria rasa e pouco poder na nossa adoração e ministério, creio que é porque tão poucos de nós se entregaram ao que Paulo chama de morrer diariamente para o egocentrismo em todas as suas formas, incluindo a autopromoção e a autocondenação.

Fui padre franciscano durante 26 anos. Durante esse tempo, compreendi o motivo de o fundador da nossa comunidade, Francisco de Assis, não conseguir comer uma refeição num aposento onde tivessse uma Cruz ou crucifixo pendurada sem que lágrimas rolassem pelo seu rosto. É lembrado como o santo mais jubiloso da história cristã. Isso foi possível porque o foco da atenção de Francisco não estava no sofrimento em si, mas no Cristo sofredor. Francisco sabia que se ele tivesse sido a única pessoa a jamais caminhar sobre a terra, Jesus teria suportado a vergonha da Cruz por ele apenas(....)

O reconhecimento da dor de Cristo não pode estar separada do conhecimento do seu amor. Jesus Cristo crucificado não é meramente algum exemplo heróico para a igreja. É o poder e a sabedoria vivos de Deus, capacitando-nos a estender uma mão de cura a pessoas que nos defraudaram, prejudicaram ou nos voltaram as costas. Quando ouvimos a sua oração pelos seus executores: "Pai, perdoa-lhes pois não sabem o que fazem" (Lucas 23: 34), Ele lentamente transforma o nosso coração de pedra em coração de carne. Ao pé da cruz reconhecemos a nós mesmos como inimigos perdoados de Deus e somos capacitados a estender esse perdão e reconciliação.

Retorcendo-se em agonia na Cruz, Jesus diz: "Eu conheço cada momento de pecado, egocentrismo, desonestidade e amor degradado que tem desfigurado a tua vida, e eu não te julgo indigno de compaixão, perdão e salvação. Agora sê assim com os outros. Não julgues ninguém".

Apenas quando reivindicamos o amor do Cristo crucificado com convicção sentida, esse amor que transcende todos os julgamentos, somos capazes de superar qualquer medo de julgamento. Enquanto continuarmos a viver como se fossemos o que fazemos, como se fossemos o que possuímos, e como se fossemos o que os outros pensam de nós, permaneceremos repletos de julgamentos, opiniões, avaliações e condenações. Permaneceremos viciados à necessidade de colocar as pessoas nos seus lugares.»

Brennan Manning, em "A Assinatura de Jesus"

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

As Bem-Aventuranças

«As Bem-aventuranças ( Mt 5:3-12) não são ensinamentos sobre como ser bem-aventurado(...) Não indicam condições especialmente agradáveis a Deus ou boas para os homens. Na verdade, ali não se diz que ninguém está em boa situação por ser pobre, por chorar, por ser perseguido e assim por diante, ou que as condições listadas são formas recomendáveis de alcançar a felicidade perante Deus ou os homens.
Tão pouco, as bem-aventuranças indicam quem estará por cima "após a revolução". São explicações e exemplos, extraídos do ambiente circundante, da actual acessibilidade do reino via relacionamento pessoal com Jesus. Destacam exemplos para demonstrar que, em Jesus, o divino reino dos céus está verdadeiramente disponível mesmo em circunstâncias de vida absolutamente desesperadoras do ponto de vista humano(...)

As Bem-aventuranças simplesmente não podem ser "boa nova" se forem compreendidas como uma série de instruções para que a pessoa alcance a felicidade. Nesse caso não passariam de um novo legalismo. Não serviriam para abrir as portas do reino - muito pelo contrário. Imporiam um novo tipo de farisaísmo, uma nova forma de fechar a porta - e também novas possibilidades, e bem gratificantes, para a engenharia humana da rectidão(...)

Elas servem para esclarecer a mensagem fundamental de Jesus: a graciosa disponiblidade do governo e da justiça de Deus para toda a humanidade pela fé no próprio Jesus - a pessoa que hoje, livre, está no mundo e no meio de nós(...)Essa evidência do amor e da provisão de Deus prova a todos que nenhuma condição humana exclui a bem-aventurança, que Deus pode estender a mão a qualquer pessoa com o seu amor e a sua libertação(...)

Em geral, muitos daqueles que o mundo considera bem aventurados ou "primeiros" são infelizes ou "últimos" para Deus, e muitos daqueles considerados amaldiçoados ou "últimos" pelo mundo podem muito bem ser bem-aventurados ou "primeiros" para Deus, desde que se arraiguem no reino de Jesus. Muitos, mas não necessariamente todos.
As Bem-aventuranças representam listas dos "últimos" segundo os homens, que, sendo tocados pelos céus, tornam-se "primeiros" segundo Deus. O evangelho do reino afirma que ninguém está excluído da bem-aventurança, pois o divino governo dos céus está ao alcance de todos. Todos podem alcançá-lo, e ele pode alcançar a todos. A forma correcta de encarar as Bem-aventuranças de Jesus é viver como se fosse assim, com relação aos outros e a nós mesmos.

Dallas Willard, em "A Conspiração Divina" (alguns grifos são meus)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

O Reino no Meio de Nós

Jesus veio viver entre nós para mostrar e ensinar a vida para a qual fomos criados. Ele veio com muita mansidão, deu acesso ao governo de Deus com Ele e colocou em marcha uma conspiração de liberdade na verdade entre os homens. Tendo vencido a morte, Ele permaneceu no meio de nós. Confiando na Sua Palavra e na Sua presença, podemos reintegrar o pequeno reino que compõe a nossa vida ao reino infinito de Deus. E essa é a vida eterna. Sob o activo domínio de Deus, as nossas obras tornam-se integrantes da eterna história de Deus. São aquilo que nós e Deus fazemos juntos tornando-nos parte da Sua vida e ele parte da nossa(...)

A realidade do reino de Deus, e todos os meios que esse reino implica, está presente em acto e disponível com e pela pessoa de Jesus. Esse é o Evangelho de Jesus(...) Várias passagens do Novo Testamento deixam bem claro que esse reino não é algo a ser "aceite" agora e desfrutado depois, mas algo em que se pode entrar agora (Mt 5:20; 18:3; Jo 3:3, 5). É algo que já tem cidadãos de carne e osso (Jo 18:36; Fp 3:20) que para lá foram transportados (Cl 1:13) e nele são cooperadores (Cl 4:11).

O Apóstolo Paulo em certa ocasião o define simplesmente como "justiça, e paz, e alegria" de espécie tal que só ocorre "no Espírito Santo" (Rm 14:17). O facto de não ser deste (ou derivado deste) mundo ou "daqui" não significa que não é real ou que não está neste mundo (Jo 18:36). Está, como disse Jesus, continuamente dentro da vida humana( Lc 17:21, cf. Dt 7:21). Na verdade significa que é mais real e está mais presente do que qualquer instituição humana jamais poderia(...)

A capacidade de ver e a prática de ver a Deus e o mundo de Deus desenvolvem-se pelo processo de procurar e cultivar intimidade com Ele. (...)
A vida eterna de que fala Jesus não é conhecimento sobre Deus, mas um relacionamento íntimo e interactivo com Ele. (...)
Deus está em torno de nós em Cristo, cercando-nos por todos os lados, com a sua graça multifacetada e plenamente suficiente. Só o que precisamos fazer é abrir o nosso coração.(Ole Hallesby, citado na revista "Christianity Today, 15 de agosto de 1994, pag 40.)
Os céus gradualmente se abrem para nós à medida que o nosso carácter e o nosso entendimento se sintonizam com as realidades do governo de Deus.(...)
O Reino no Meio de Nós é simplesmente o próprio Deus e o reino espiritual dos seres sobre os quais a Sua vontade está perfeitamente presente - "como no céu".

Dallas Willard, em "Conspiração Divina" (alguns grifos são meus)

A União com Cristo


Muitas vezes olhar para Jesus como igual a nós é algo que parece completamente absurdo. Sua santidade, sua pureza, confrontados com nossa frágil humanidade corrompida, nos faz colocá-lo a uma considerável distância. Unir-se a Jesus não é o mesmo que dividir a vida com outro ser humano. A identificação é difícil. E o que era para gerar integração e união pode se transformar em uma total separação.

Mas o princípio para o qual Deus nos chamou para viver é baseado na comunhão com Ele e com o próximo – não necessariamente como um relacionamento humano, que se torna mais fácil de acordo com a empatia. Por isso, necessitamos de um total desprendimento do que somos para nos unirmos a Ele.

Essa união se concretizada, é tão intensa que nos fará assumirmos a forma de Cristo.
Para tanto, seu convite a nós é: Negue-se a si mesmo”. Jesus deseja unir-se ao homem porque o homem foi criado para ser um com Deus. Não somos aquilo pelo qual fomos criados para ser, e o processo de restauração envolve perdas que gerarão ganhos não necessariamente imediatos.

O negar-se a si mesmo pode implicar em uma nova mentalidade diante da vida. Começaremos a ver as coisas com os olhos de Cristo; não de baixo para cima, mas de cima para baixo. Explico: na comunhão com Cristo até os conceitos de vitória e derrota se modificam completamente.

Um rei surrado, humilhado e pendurado numa cruz parece absurdamente derrotado. Seus seguidores sendo massacrados por leões nas arenas romanas não parecem estar triunfando. As pessoas que ainda hoje seguem os ensinamentos de Cristo podem em várias situações parecer fracassadas. A questão é que a vitória, humanamente falando, não vai além do que os olhos vêem. As vitórias proporcionadas por Deus têm um eco eterno.

João Eduardo Cruz, em "Como o Nascer do Sol" (os grifos são meus)



«Quanto mais deixamos que Deus assuma o controle sobre nós, mais autênticos nos tornamos - pois foi ele quem nos fez. Ele inventou todas as diferentes pessoas que eu e você tencionávamos ser (...) É quando me viro para Cristo e me rendo à sua personalidade que pela primeira vez começo a ter minha própria e real personalidade.» - C.S. Lewis

«Ser cristão é viver em Cristo e a partir de Cristo como filho bem amado de Deus Pai.» - Jovens Redentoristas

«Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.» - Gálatas 2, 20

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

A Fuga de Deus

«(...) A nossa civilização está presentemente nos estágios avançados daquilo que Max Picard definiu como "a fuga de Deus". A ideia de um mundo de Deus, mundo que tudo envolve e tudo permeia, que toca cada aspecto da nossa vida, onde podemos estar sempre completamente à vontade e em segurança, independentemente do que aconteça na dimensão visível do universo, é comumente considerada ridícula. Não é difícil enxergar a forma concreta e opressora que a fuga de Deus assume hoje. Não há, por exemplo, nenhuma especialidade das actividades humanas em que a relação com Deus faça obrigatoriamente parte da teoria ou da prática a ser dominada para que a pessoa seja considerada competente. Isso vale para a química e a administração pública, mas também para a educação, a enfermagem, o trabalho policial e muitas vezes, surpreendentemente, para o próprio ministério cristão. Vale para o casamento e a criação dos filhos. Basta observar como as pessoas são ensinadas, avaliadas ou julgadas competentes em qualquer um desses campos: você se verá frente a frente com o panorama da fuga de Deus(...)

Em qualquer área na qual as pessoas devam ser inteligentes e bem informadas, até o cristão mais ponderado e devoto achará difícil fazer uma apresentação convincente da relevância de Deus e do seu mundo espiritual para a "vida real"(...)

Quando essa estratégia de abordagem do "mundo real" triunfa entre aqueles que professam Cristo, eles podem então até ter fé na fé, mas terão pouca fé em Deus. Pois Deus e o seu mundo simplesmente não são "reais" para eles. Podem acreditar na crença, mas não serão capazes de confiar em Deus - como muitas pessoas da nossa sociedade que amam o amor, mas na prática são incapazes de amar gente de carne e osso. Podem acreditar na oração, considerá-la realmente uma coisa boa, mas serão incapazes de orar acreditando e, portanto, dificilmente vão chegar a orar de verdade.
Pessoalmente convenci-me de que muitas pessoas que crêem em Jesus não acreditam na realidade em Deus. Dizendo isso não quero condenar ninguém, mas tentar explicar por que a vida dos crentes está hoje como está, muitas vezes seguindo na direcção contrária daquilo que eles sinceramente pretendem.»

Dallas Willard, em "A conspiração divina" (os grifos são meus)

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Metanóia vs Paranóia

«A palavra bíblica para conversão é metanóia, que significa uma transformação radical do eu interior. Descobrimos que um relacionamento pessoal com Jesus Cristo não pode mais ser contido num código de faça e não faça. Ele torna-se, como escreveu Jeremias, uma aliança escrita nas tábuas de carne do coração e gravada no coração mais profundo do nosso ser.
A conversão abre-nos para uma nova agenda, novas prioridades, uma diferente hierarquia de valores.

"O oposto de conversão é aversão. O outro lado da metanóia é paranóia. A paranóia é normalmente compreendida em termos psicológicos. É caracterizada por medo, suspeita, fuga da realidade. A paranóia resulta comumente em elaboradas alucinações e auto-ilusão. No contexto bíblico a paranóia implica mais do que desequilíbrio emocional ou mental. Ela diz respeito a uma atitude de ser, uma postura do coração. A paranóia espiritual é uma fuga de Deus e do nosso verdadeiro eu.
É uma tentativa de escapar da responsabilidade pessoal. É a tendência de evitar o custo do discipulado e buscar uma rota de fuga das exigências do evangelho. A paranóia de espírito é uma tentativa de negar a realidade de Jesus de tal modo que racionalizamos o nosso comportamento e escolhemos o nosso próprio caminho." - John Heagle, On the Way».( os grifos são meus)

Fonte: Brennan Manning, em "A assinatura de Jesus"

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

"A Hora de Falar Acabou"


"Não percas de vista o final da vida. Não esqueças o teu propósito e destino como criatura de Deus. O que tu és à vista Dele é o que tu és, e nada mais. Lembra-te que quando deixares esta terra não poderás levar contigo nada que recebeste - sinais efémeros de honra, paramentos do poder -, mas apenas o que te foi dado: um coração pleno enriquecido por honesto serviço, amor, sacrifício e coragem." - Francisco de Assis

Para Francisco, o discipulado - seguir a Cristo - não era apenas a coisa mais importante da vida - era a única coisa. Era literalmente uma questão de vida ou morte: sou o que sou aos olhos de Deus e nada mais. O discipulado exige que coloquemos de lado os acessórios, paremos de fazer jogos de palavras e cheguemos á essência das coisas.
Para o seguidor de Jesus a essência está em viver pela fé e não pela religião. Viver pela fé consiste em constantemente redefinir e reafirmar a nossa identidade com Jesus, medindo-nos a partir do padrão que é Ele - não medindo a Ele a partir dos nossos dogmas eclesiásticos e heróis locais.
Jesus é a luz do mundo. Na sua luz descobrimos que não é mera retórica o que Jesus exige, mas renovação pessoal, fidelidade à Palavra e conduta criativa. Como disse Emile Leger quando deixou a sua mansão em Montreal para viver numa colónia de leprosos em África: "A hora de falar acabou."


Brennan Manning, em "A assinatura de Jesus"

domingo, 9 de dezembro de 2007

Viver como Jesus viveu

John Poulton, escreveu: "A pregação mais eficaz provém daqueles que vivem conforme aquilo que dizem. Eles próprios são a mensagem. Os cristãos têm de ser semelhantes àquilo que falam. A comunicação acontece fundamentalmente a partir da pessoa, não de palavras ou ideias. É no mais íntimo das pessoas que a autenticidade se faz entender; o que agora se transmite com eficácia é, basicamente, a autenticidade pessoal".
Havia um professor universitário hindu na Índia que, certa vez, sabendo que um dos seus alunos era cristão, disse-lhe: "Se vocês, cristãos, vivessem como Jesus Cristo viveu, a Índia estaria aos seus pés amanhã mesmo".
Eu penso que a Índia já estaria aos seus pés hoje mesmo, se os cristãos vivessem como Jesus viveu. Oriundo do mundo islâmico, o Reverendo Iskandar Jadeed, árabe e ex-muçulmano, disse: "Se todos os cristãos fossem cristãos — isto é, semelhantes a Cristo —, hoje o islã não existiria mais". - Ed René Kivitz

«Se de facto vivessemos uma vida de imitação à sua, o nosso testemunho seria irresistível. Se ousássemos viver além da preocupação connosco; se recusássemos recuar diante da possibilidade de sermos vulneráveis; se não assumíssemos coisa alguma para além de uma atitude compassiva em relação ao mundo; se fossemos uma contracultura ao desejo insano da nossa nação pelo orgulho da posição, do poder e dos bens materiais; se preferíssemos ser fiéis a sermos bem-sucedidos, as muralhas da indiferença contra Jesus ruiriam. Um punhado de nós seria talvez ignorado pela sociedade; mas, centenas, milhares, milhões desses servos poderiam abalar o mundo. Cristaõs cheios do compromisso autêntico e da generosidade de Jesus seriam o sinal mais espectacular da história da raça humana. O chamado de Jesus é revolucionário. Se o implementássemos, mudaríamos o mundo em poucos meses.» - Brennan Manning, em "A assinatura de Jesus"

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

A Igreja em que acredito (3ª parte)

Repudio a igreja dos sacerdotes de templo, a casta que se considera superior à “reles gente”, os insubstituíveis da relação de Deus com o Seu povo, homens vaidosos e inchados que quase sempre se tornam um dos extremos da mediocridade: inúteis ou mercenários. A igreja dos sacerdotes de templo é aquela em que os peritos do culto querem mandar e perceber mais que o Espírito Santo quando se trata da relação do Homem com Deus. O cumprimento das normas substitui facilmente a Verdade, os ritos ocupam o lugar do Amor e a função do sacerdote esgota toda a acção da comunidade.

Acredito numa Igreja de Discípulos, aquela em que a atitude fundante de todas as opções e escolhas é a escuta orante e sem preconceitos da Palavra do Mestre, fonte permanente de Sabedoria, novidade e apelos de mudança. A Igreja dos Discípulos é aquela em que ninguém se considera superior a ninguém e as comunidades se estruturam de maneira fraterna. O único Mestre é Jesus Cristo e a única Sabedoria que se procura é a do Espírito Santo. Os irmãos que estão especialmente capacitados para explicar o Mistério da Fé e as maravilhas do Amor de Deus fazem-no como um serviço alegre e um Carisma comunitário para o bem de todos, e não como forma de superioridade ou domínio sobre os outros.

Acredito numa Igreja de Profetas, na dinâmica comunitária daqueles que estão implicados na Palavra que proclamam e celebram, aqueles que assumem a totalidade das consequências da sua Fé, da sua Esperança e do seu Amor. A Igreja dos Profetas é aquela que dá à luz gente capaz de morrer por Cristo, é a Igreja indomável diante dos poderes do mundo, contexto comunitário de amadurecimento pessoal de homens e mulheres que não se deixam domesticar pelas “falinhas mansas” de todos os anti-evangelhos de rosto sedutor que por aí andam.

Rui Santiago, Derrotar Montanhas

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

A Igreja em que acredito (2ª parte)

Repudio a igreja dos falsos profetas, aqueles que ousam pôr na boca palavras que ainda não lhes passaram pelo Coração, os que vivem à custa de um Deus que não amam nem servem.
A igreja dos falsos profetas é o submundo apodrecido dos que se servem daquele Deus a Quem dizem servir, os que usam o Seu Nome para procurar os seus próprios interesses, consolações e riquezas, os que não estão implicados nas palavras que debitam, quase sempre iguais, nem são para ninguém Palavra Viva das palavras que dizem!

Acredito numa Igreja de Pobres e Pequenos, aqueles que são capazes de perceber que a Vida é a sua maior riqueza, os que não têm os dias sempre cheios demais para dar importância quotidiana à Palavra de Deus, os que não estão sempre a pensar no que podem ganhar ou perder em cada opção que haja a tomar.
A Igreja dos Pobres e Pequenos é aquela em que as comunidades não querem possuir nem dominar, onde cada um está disponível para partilhar com os outros o que tem, sabe e é. Os Pobres são aqueles que não se recusam a aderir aos projectos de Cristo por medo do que possam perder ou ter que deixar em seu Nome. Os Pequenos são os que não precisam de ser grandes para se sentirem felizes, porque já têm maturidade suficiente para perceber que a única grandeza verdadeira é a do Coração, porque só essa é eterna. A “grandeza” que empequenece os outros à sua volta é uma mentira, nada mais que uma pequenez aumentada até ao ponto de oprimir outros. A verdadeira grandeza é aquela que engrandece os que estão ao lado.
Na Igreja dos Pobres e Pequenos todos são profundamente Ricos e Grandes, porque recupera-se o gosto pelas coisas simples e o maravilhamento pelas belezas não maquilhadas da Vida e da Criação. A Palavra de Deus e o Espírito Santo não deixam que se embruteça o Coração com a brutidade da presunção e da vaidade.

Acredito numa Igreja de Caminhantes, os caminhantes da Liberdade, como aquele povo que se viu livre do Egipto pelo Amor de predilecção de Deus.
A Igreja dos Caminhantes é aquela em que as comunidades são espaços pessoais de libertação, em que acontece a destruição interior de todos os “faraós” opressores e a marcha da Liberdade pelo “deserto” das dúvidas e da procura até à “Terra Prometida” que é saborear um Novo Sentido para viver, pleno, largo, sereno, perene, fonte de paz e fonte de fortaleza.

Rui Santiago, Derrotar Montanhas

A Igreja em que acredito

Repudio a igreja dos fariseus, aqueles que se consideram a medida perfeita de Deus e dos Homens, os que se têm a si próprios como critério para falar de Deus e avaliar os outros. A igreja dos fariseus é a forma mais subtil de ser Anticristo, muitas vezes até em seu Nome! Os fariseus são os que substituíram o Coração por uma régua, trocaram os olhos por microscópios, as mãos por algemas, e quando falam vemos-lhes a língua bifurcada dentro da boca, se estivermos atentos. Fazem mal a toda a gente, a começar por si próprios, porque são o oposto da imagem e semelhança de Deus revelada em Jesus Cristo.

Acredito numa Igreja de Pecadores e Imperfeitos, aqueles para quem Deus pode ainda ser Graça, aqueles que se sentem tantas vezes pisados e desprezados pelos “puros e perfeitos” que já há uns anos também maltrataram o Mestre. A Igreja dos Pecadores e Imperfeitos é aquela em que as comunidades não conhecem divisões entre puros e impuros, aquelas em que, sem ingenuidades nem mediocridades, cada um é aceite tal como é e amado pela Verdade que procura no seu Coração. Para os Pecadores as iniciativas amorosas de Deus são sempre Graça e de graça, e não pagamentos divinos dos seus méritos. Para os Imperfeitos aos olhos dos que se consideram “perfeitos”, a Salvação é o Dom maior e mais admirável do nosso Deus, e não a recompensa eterna pelas suas virtudes. A Igreja dos Pecadores e dos Imperfeitos é aquela em que Deus tem espaço para ser Graça, e todos têm espaço para serem acolhidos sem se sentirem julgados.

Rui Santiago, Derrotar Montanhas

sábado, 1 de dezembro de 2007

Os primeiros cristãos

"Eles caminham com toda a humildade, e bondade e a falsidade não é encontrada entre eles, e amam-se mutuamente. Não desprezam a viúva e não entristecem o órfão. Aquele que tem distribui liberalmente com o que não tem. Se vêem um estranho, trazem-no sob o seu tecto, e regozijam-se com relação a ele como se fosse seu próprio irmão: pois chamam a si mesmos de irmãos, não pelo sangue, mas pelo Espírito de Deus; mas quando um dos seus pobres passa deste para outro mundo, e qualquer deles o vê, provê para o seu sepultamento segundo a sua capacidade; e se ouve de algum dos seus que está preso ou oprimido pelo nome do seu Messias, todos provêem para as suas necessidades, e se for possível ele ser livrado, eles o livram. E se há entre eles alguém pobre e necessitado, e eles não têm em abundância as coisas necessárias, jejuam dois ou três dias para poderem suprir o necessitado com o alimento necessário". (Aristides - filósofo que descreveu os cristãos em 125 d.C.)





«(...) E o Pai brada:"Vais à igreja todos os domingos e lês a Bíblia,
mas o corpo do meu Filho está partido!
Memorizas versículo e capítulo e honras todas as tradições,
mas o corpo do meu Filho está partido!
Recitas o credo e defendes a ortodoxia,
mas o corpo do meu Filho está partido!
Remetes-te de volta à tradição e progrides em direcção a uma renovação,
mas o corpo do meu filho está partido!»
Brennan Manning, em "A assinatura de Jesus" (adaptado)

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Esperança para os egoístas


“Ah. Vive mal quem só vive para si.”(Alfred de Musset)

«Sorrateiro como uma serpente ele sai da jaula facilmente. É feio, me envergonha, mas na maioria das vezes eu o amo ardentemente. É o que me distancia do meu Senhor. Ego, Ego, que grita mais alto que o Santo Espírito de Deus o qual então se recolhe no fundo da minha mente para não desrespeitar o meu livre arbítrio.
Ego, que me faz acreditar que eu posso comandar meu caminhar vacilante pela vida, crendo que sou capaz de chegar sozinho a algum lugar. Ego, que teima em reinar no coração de quem não aprendeu que é feliz aquele que permite que todas as coisas possam convergir para Deus.O difícil é alimentá-lo. É insaciável. Rouba-nos a paz, a alegria – tesouros tão preciosos da vida, colocados de lado em troca do ouro de tolo, chamado Ego.
Escravos dos aplausos, prisioneiros dos elogios. Jesus deseja nos libertar disso: “maior é o que serve”. Arrebentando com o poderoso Ego humano “como ovelha muda ele se entregou”, deixando que todas as coisas convergissem para o Pai, ninguém foi mais feliz que Jesus.
Matar o Ego. Aprender a viver é esquecer de si mesmo “quem perder a sua vida a achará”. Preciso urgentemente jogá-lo em um abismo que o deixe adormecido por todos os anos da minha existência. Não suporto mais sua fome de sucesso, poder e prestígio, e não quero saciá-la. Tenho fome de vida que é muito mais importante, pois traduzo vida como um prazer indescritível que, logicamente, não pode ser encontrado em mim ou no mundo, mas na fonte de todo o prazer: o Criador do maravilhoso projeto chamado “existência”.
Ah! De que me serve o Ego, se tudo que fizer sempre terminará em mim e eu sou absolutamente nada? Caminho para o nada se estiver sozinho. Se no trono da minha vida me vejo sentado, desconfio do meu reinado, pois não sei o que realmente quero ou o que deveria querer.Não preciso do Ego, não preciso do Eu governo, mas do Tu governas; não do Eu me amo, mas do Tu me amas. Não preciso viver para mim, mas para Ti ó Deus.»
João Eduardo Cruz, em "Como o Nascer do Sol"

terça-feira, 27 de novembro de 2007

O Renascer da Esperança


Livro: Como o Nascer do Sol
Autor: João Eduardo Cruz
Editora: Premius





O meu amigo e irmão, João Eduardo Cruz, lançou recentemente este livro que fala de esperança. É um livro escrito com enorme sensiblidade, sabedoria e experiência e vivência da fé cristã. O Eduardo escreve sobre uma esperança verdadeira, fiel, segura e infalível fundamentada nas escrituras sagradas e que brota da Fonte da vida eterna - o Senhor Jesus Cristo.
O autor utiliza uma linguagem poética, sensível, afectuosa, acessível que fala ao coração(tocou profundamente o meu) e é um bálsamo para a alma.

O Pastor Armando Bispo da Cruz( autor do prefácio do livro) expressou de uma forma muito bela e sensível a essência e o espírito da obra:
«Raros são os livros capazes de transportar o leitor para além do produto intelectual do autor. Pesquisa, informação, bons argumentos e boa didáctica podem facilmente produzir uma obra literária que encanta o cérebro, mas que nem sempre atinge o mais profundo da nossa alma.
Falar com propriedade sobre esperança requer mais do que uma lógica literária, é preciso ter vivido a angústia do desespero, ter encontrado em algo ou alguém as respostas que calam a alma e, acima de tudo, a humildade de descrever a experiência na esperança de ajudar os que ainda não acreditam na possibilidade de um novo dia.
O autor além da sua sensibilidade marcante e quase poética, demonstra um profundo e inspirador relacionamento com o Cristo Vivo em cuja pessoa encontramos a base de toda esperança.
Uma sociedade marcada pelo medo e pelo desespero acaba produzindo monstros capazes de matar nossos sonhos e nos distanciar cada vez mais da esperança de uma vida melhor. Como o Nascer do Sol, é uma obra do coração para o coração, repleta de teologia prática alinhada com os valores do reino daquele que veio para dar esperança ao ferido, ao solitário, ao medroso, ao crente e ao descrente de tudo.
A linguagem afetiva e quase poética nos convida, capítulo por capítulo, a perceber a possibilidade concreta de conhecer e receber Cristo em nós, a esperança Eterna!»

Visitem o blog do meu amigo( basta clicar sobre o seu nome); e, para adquirirem o livro, é este o link:Premius

Em breve, se Deus quiser, irei postar alguns trechos do livro para o conhecerem melhor.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O Rosto humano de Deus(2ªparte)

«Jesus introduziu profundas alterações no modo pelo qual vemos a Deus. Principalmente, trouxe Deus para mais perto.
Para os judeus que conheciam um Deus distante, inefável, Jesus trouxe a mensagem de que Deus se importa com a relva dos campos, alimenta os pardais, conta os cabelos da cabeça de uma pessoa. Se eu ficasse entregue a mim mesmo, acabaria tendo uma noção muito diferente de Deus. Meu Deus seria estático, imutável; eu não imaginaria Deus “indo” e “vindo”. Meu Deus controlaria todas as coisas com poder, extinguindo a oposição rápida e decisivamente. Como um garoto muçulmano contou ao psiquiatra Robert Coles: “Alá diria ao mundo, a todos: ‘Deus é grande, muito grande’ [...] Ele obrigaria todos a crer nele, e, se alguém se recusasse, morreria — isso é o que aconteceria se Alá viesse aqui”.

Por causa de Jesus, entretanto, tenho de ajustar as minhas noções instintivas acerca de Deus. (Talvez isso estivesse no cerne de sua missão?) Jesus revela um Deus que nos busca, um Deus que dá lugar à nossa liberdade mesmo quando isso custa a vida do Filho, um Deus vulnerável. Acima de tudo, Jesus revela um Deus que é amor.

Por nós mesmos, algum de nós chegaria à noção de um Deus que ama e deseja ser amado?

Os que foram criados na tradição cristã podem não alcançar o choque da mensagem de Jesus, mas na verdade o amor nunca foi uma maneira normal de descrever o que acontece entre seres humanos e o seu Deus. Por uma única vez o Alcorão aplica a palavra amor a Deus. Aristóteles declarou bruscamente: “Seria extravagante alguém declarar que ama a Zeus” — ou que Zeus amasse um ser humano, da mesma forma. Em fascinante contraste, a Bíblia cristã afirma “Deus é amor” e cita o amor como o motivo principal de Jesus vir ao mundo: “Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em que Deus enviou o seu Filho unigénito ao mundo, para que por meio dele vivamos”. (I João 4, 9)»

Philip Yancey, em "O Jesus que eu nunca conheci"

domingo, 25 de novembro de 2007

O Rosto humano de Deus

Jesus é o revelador da natureza da Divindade(João 14, 9). Jesus é a completa expressão de Deus. Através dele como através de ninguém mais, Deus falou e agiu. Quem o encontrava era encontrado, julgado e salvo por Deus. É disso que os apóstolos davam testemunho. Neste Homem, na sua vida, morte ressurreição eles haviam experimentado Deus em acção.
Pois "Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo"( II Coríntios 5, 19). Deus investiu-se por completo no Homem Jesus de Nazaré. Nele toda a sua plenitude habita. O que Deus é, Cristo é. "Quem crê em mim crê, não em mim, mas naquele que me enviou" (João 12, 44). Jesus revela Deus sendo integralmente transparente para Ele. O que havia estado estado oculto em mistério está claro em Jesus - que Deus é amor. Nenhum homem ou mulher jamais amou como Jesus Cristo.


«Jesus foi experimentado como o momento revolucionário na história da humanidade. Ele transcendeu tudo o que fora dito e feito anteriormente. Ele era, em todos os sentidos, o definitivo, a última palavra. Seu Espírito era o Espírito de Deus. Seus sentimentos eram os sentimentos de Deus. O que ele defendia e representava era exatamente o mesmo que Deus defendia e representava. Nenhuma avaliação mais elevada era possível» - Albert Nolan

A pergunta, portanto, não é mais: Jesus de facto é semelhante a Deus?, mas: Deus de facto é semelhante a Jesus? Esse é o sentido tradicional da declaração de que Jesus é a Palavra de Deus. “Não é Deus que nos revela Jesus, é Jesus que nos revela Deus”. Não podemos deduzir nada sobre Jesus do que pensamos que sabemos a respeito de Deus; devemos deduzir tudo a respeito de Deus do que sabemos sobre Jesus.
Como aconteceu com Abraão, as imagens anteriores que tínhamos de Deus ficam para trás.

Brennan Manning, em "A assinatura de Jesus"

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

O Caminho da Cruz

A palavra profética convoca incessantemente a igreja de volta à pureza do evangelho e ao escândalo da Cruz. Em suas numerosas cartas, Paulo reforça que seguir a Jesus é tomar a estrada principal até o Calvário. Entulhando as laterais da estrada para o Calvário jazem os esqueletos dos nossos egos, os cadáveres das nossas fantasias de controle e os estilhaços de justiça-própria, espiritualidade auto-indulgente e ausência de liberdade(...)
A Cruz, a assinatura de Jesus, é a expressão última do amor de Deus pelo mundo.
Ser cristão é ser como Cristo. Perder a vida de algum modo a fim de encontrá-la. O cristianismo prega não apenas um Deus crucificado, mas também homens e mulheres crucificados. "Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo" (Gl 6:14). Não há discipulado sem Cruz. Não sou seguidor de Jesus se vivo com ele em Belém e Nazaré e não no Getsemani e no Calvário.

Brennan Manning, em "A assinatura de Jesus"

terça-feira, 20 de novembro de 2007

A cruz e o ego

“Então, disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me” — (Mateus 16:24).

«O que é um “cristão”? Alguém que sustenta ser membro de alguma igreja terrena? Não. Alguém que crê num credo ortodoxo? Não. Alguém que adopta um certo modo de conduta? Não. O que, então, é um cristão? Ele é alguém que renunciou a si mesmo e recebeu a Cristo Jesus como Senhor (Colossenses 2:6). Ele é alguém que toma o jugo de Cristo sobre si e aprende dEle que é “manso e humilde de coração”. Ele é alguém que foi “chamado à comunhão do seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor” (1 Coríntios 1:9): comunhão em Sua obediência e sofrimento agora, em Sua recompensa e glória no futuro sem fim. Não há tal coisa como pertencer a Cristo e viver para agradar a si mesmo. Não cometa engano neste ponto, “E qualquer que não tomar a sua cruz e não vier após mim não pode ser meu discípulo” (Lucas 14:27), disse Cristo. E novamente Ele declarou, “Mas aquele (ao invés de negar a si mesmo) que me negar diante dos homens (não “para” os homens: é a conduta, o caminhar, que está aqui em causa), também eu o negarei diante do meu Pai, que está nos céus” (Mateus 10:33).

O grande alvo, fim e tarefa posta diante do Cristão é seguir a Cristo seguir o exemplo que Ele nos deixou (1 Pedro 2:21), e Ele “não agradou a si mesmo” (Romanos 15:3). E há dificuldades no caminho, obstáculos na estrada, dos quais o principal é o ego. Portanto, este deve ser “negado”. Este é o primeiro passo para se “seguir” a Cristo.» - Arthur W. Pink, "A cruz e o ego" (site: Monergismo)

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Proposta radical

«E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim.» - Mateus 10, 38

«Em seguida dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me.» - Lucas 9, 23

«Quem não leva a sua cruz e não me segue, não pode ser meu discípulo.» - Lucas 14, 27


«Não quero negar em momento algum que a pessoa de Jesus Cristo representa uma enorme ajuda para seus seguidores. Mas Ele traz consigo um desafio radical também. Tornei-me cristão não porque a fé cristã é atractiva, mas porque é verdadeira.» (John Stott)

«Estar crucificado implica três coisas: Primeiro, o crucificado tem os olhos sempre voltados para uma só direcção; segundo, ele não pode voltar atrás; terceiro, ele não tem mais planos próprios. » (A.W. Tozer, citando a frase de outro cristão)

«Gostamos de vitórias sem esforços: crescimento sem crise, cura sem dores e ressurreição sem a cruz.» - (Henri Nouwen)

«Desde o dia em que Jesus apareceu em cena desenvolvemos vastos sistemas teológicos, organizámos igrejas de alcance mundial, enchemos bibliotecas de brilhante erudição cristã, envolvemo-nos em controvérsias devastadoras e embarcámos em cruzadas, reformas e avivamentos. Ainda assim há pouquíssimos de nós com desatino suficiente para fazer a louca troca de tudo por Jesus; apenas um remanescente com a confiança de arriscar tudo no evangelho da graça; apenas uma minoria que cambaleia com a delirante alegria do homem que encontrou um tesouro enterrado.» - (Brennan Manning, em " O Evangelho Maltrapilho")

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Gravidade e Graça

Simone Weil concluiu que duas grandes forças governavam o universo: a gravidade e a graça. A gravidade leva um corpo a atrair outros corpos, de modo que aumenta continuamente, absorvendo mais e mais do universo em si mesmo. Alguma coisa igual a esta mesma força opera nos seres humanos. Nós também queremos nos expandir, adquirir, inchar significativamente. O desejo de "sermos como deuses", afinal, levou Adão e Eva a se rebelarem.
Emocionalmente, Weil concluiu: nós, humanos, operamos por meio de leis tão fixas quanto a lei de Newton. "Todos os movimentos naturais da alma são controlados por leis análogas às da gravidade física. A graça é a única exceção." Muitos de nós continuamos presos no campo gravitacional do amor-próprio e, assim, "tapamos as fissuras pelas quais a graça poderia passar"(...)

"Qual é a aparência de um cristão cheio de graça?".
A vida cristã, eu creio, não se centraliza principalmente em ética ou regras, mas, antes, envolve uma nova maneira de ver. Eu escapo da força da "gravidade" espiritual quando começo a ver a mim mesmo como um pecador que não pode agradar a Deus por nenhum método de autodesenvolvimento ou autoengrandecimento.
Então posso voltar para Deus para buscar ajuda de fora: a graça. E, para o meu próprio espanto, aprendo que um Deus santo já me ama apesar dos meus defeitos. Consigo escapar da força da gravidade novamente quando reconheço que os meus semelhantes também são pecadores amados por Deus. Um cristão cheio de graça é aquele que olha para o mundo por meio de "lentes tingidas de graça"(...)

Deus precisa de pessoas humildes (o que geralmente significa pessoas humilhadas) para realizar a sua obra. Qualquer coisa que nos faça sentir superiores às outras pessoas, qualquer coisa que nos tente a exibir um senso de superioridade é gravidade, e não graça(...)
Quando me sinto tentado a afastar-me horrorizado dos pecadores, das pessoas "diferentes", lembro do que deve ter sido para Jesus viver na terra. Perfeito, sem pecado, Jesus tinha todo o direito de ficar enojado com o comportamento daqueles que o cercavam. Mas não. Ele tratou pecadores notórios com misericórdia, e não com julgamentos.
Aquele que foi tocado pela graça não vai mais olhar para aqueles que se desviaram como "aquela gente ruim" ou "aquela pobre gente que precisa da nossa ajuda".
Nem devemos procurar sinais de "merecimento de amor". A graça ensina-nos que Deus nos ama pelo que Ele é, e não pelo que nós somos. Categorias de merecimento não valem nada.
Em sua autobiografia, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche falou da sua capacidade de "sentir o cheiro" das partes mais ocultas de cada alma, especialmente a "abundante sujeira escondida no fundo do carácter". Nietzsche foi um mestre da não-graça. Nós somos chamados para fazer o oposto, para sentir o cheiro dos resíduos do valor oculto.

Philip Yancey, em "Maravilhosa Graça"

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Deixa fluir a Graça de Deus

Estar vivo é estar incompleto. E estar incompleto é carecer da graça. A honestidade mantém-nos em contacto com a nossa carência e com a verdade de que somos pecadores salvos. Há uma belíssima transparência nos discípulos honestos que nunca usam uma máscara e não fingem ser nada além do que são. Ser honestos connosco não nos torna inaceitáveis para Deus.
A honestidade não nos distancia de Deus, mas leva-nos de arrasto para Ele - como nenhuma outra coisa consegue fazer - e deixa-nos abertos de forma renovada para o fluir da graça. Embora Jesus chame cada um de nós para uma vida mais perfeita, não somos capazes de fazê-lo pelos nosso próprios esforços. Estar vivo é estar incompleto; estar incompleto é carecer da graça. É através da graça apenas que qualquer um de nós pode ousar esperar tornar-se mais como Cristo.

Brennan Manning, em "O Evangelho Maltrapilho"

domingo, 11 de novembro de 2007

O Dom da Graça

Quanto tempo será necessário até que descubramos que não somos capazes de ofuscar a Deus com as nossas realizações?
Quando reconheceremos que não precisamos e não temos como comprar o favor de Deus?
Quando reconheceremos que não temos de forma alguma os requisitos necessários e aceitaremos alegremente o dom da graça?
Quando iremos apreender a empolgante verdade de Paulo: "sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus" (Gálatas2, 16)?

Oração
Senhor Jesus, somos ovelhas tolas
que ousaram pôr-se de pé na Tua presença
e tentar subornar-Te com os nossos ridículos portfolios.
De repente, caímos na realidade.
Sentimos muito e pedimos que nos perdoes.
Dá-nos a graça de admitir que somos maltrapilhos,
de abraçar a nossa condição de alquebrados,
de celebrar a Tua misericórdia
quando estivermos no nosso momento de maior fraqueza,
de depender da Tua misericórdia não importa o que façamos.
Querido Jesus, concede que deixemos de nos exibir
e de tentar receber atenções,
que coloquemos a Verdade em prática de modo sereno e sem afectação,
que deixemos dissiparem-se as desonestidades da nossa vida,
que aceitemos as nossas limitações,
que nos apeguemos ao evangelho da graça
e nos deleitemos no Teu amor.
Amén.

Brennan Manning, em «O Evangelho Maltrapilho»

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Sem máscaras


Quando olha bem no íntimo
Através do teu sorriso
O que será que Deus vê?
Bem além da tua lógica
Bem atrás de toda a estética
O que será que Deus vê?
Um coração aflito, um espírito ferido
E uma alma já cansada de representar
Alguém desconfiado, sem um verdadeiro amigo
Com quem possa se abrir sem se envergonhar
Quando Deus te investiga
Bem no âmago da vida
Lá no teu eu verdadeiro
É que Ele quer por inteiro
Transformar a tua essência
Num baptismo de alegria
Verdadeiramente livre te fazer


Poema extraído de "outra espiritualidade" de Ed René Kivitz e atribuído a uma canção de Alisson.


«Se tiveres consciência do que és interiormente, não te importarás com o que os homens dizem de ti; pois enquanto os homens vêem as aparências exteriores, Deus vê o teu coração. Os homens vêem as tuas obras, mas Deus vê os teus motivos.» - Thomas Kempis

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Para reflectir...

"O cristianismo consiste primariamente não naquilo que fazemos para Deus, mas no que Deus faz por nós- as coisas maravilhosas e grandiosas que Ele concebeu e alcançou para nós em Cristo Jesus" - Brennan Manning, em «O impostor que vive em mim»

"A vida é uma dança na direcção de Deus, começo a pensar. E a dança não é tão graciosa quanto desejaríamos. Enquanto deslizamos e rodopiamos, com nossos passos ensaiados, Deus atrapalha os nossos pés, pisa os nossos dedos e raspa nos nossos sapatos. Então, aprendemos a dançar com Aquele que nos criou. E é uma dança díficil de aprender, porque os Seus passos são estranhos" - Donald Miller

"Para sermos perfeitamente o que Deus quer que sejamos, é-nos preciso ser com toda a verdade nós mesmos. Mas, para sermos nós mesmos, de verdade, temos que encontrarmo-nos em Cristo - o que só pode acontecer se nos perdermos Nele. É esta a nossa grande vocação" - Thomas Merton, em «Espiritualidade, Contemplação e Paz»

terça-feira, 6 de novembro de 2007

A lei e a graça

«Mas agora fomos libertos da lei, havendo morrido para aquilo em que estávamos retidos, para servirmos em novidade de espírito, e não na velhice da letra.» - Romanos 7, 6

«A ninguém devais coisa alguma, senão o amor recíproco; pois quem ama ao próximo tem cumprido a lei(...) O amor não faz mal ao próximo. De modo que o amor é o cumprimento da lei.»- Romanos 13; 8, 10

«Não sou o que eu devo ser. Não sou o que desejo ser. Não sou o que espero ser. Mas posso dizer com verdade: não sou o que eu era. Pela graça de Deus, sou o que sou.»- John Newton

Um dos melhores livros cristãos que li (e continuo a ler) até hoje e que me ajudou a compreender o cerne da mensagem do evangelho, é "Maravilhosa Graça" de Philip Yancey. Muitos de vós já devem ter lido este livro, e espero sinceramente que tenham aprendido lições valiosas e essenciais através dele. Eu aprendi muito com ele, e gostaria de partilhar convosco mais alguns excertos sobre uma questão de crucial importância para todos os seguidores de Cristo.

«Certa vez li que, proporcionalmente, a superfície da terra é mais lisa do que uma bola de bilhar. As alturas do Monte Evereste e as profundezas do Oceano Pacífico são muito impressionantes para aqueles que vivem neste planeta. Mas vistas de Andrómeda, ou mesmo de Marte, essas diferenças não fazem a menor diferença. É assim que agora vejo as mesquinhas diferenças comportamentais entre um grupo cristão e outro. Comparadas com um Deus santo e perfeito, o mais elevado Evereste de regras não passa de um montículo de terra. Não podemos obter a aceitação de Deus escalando; temos de recebê-la como um presente. Jesus proclamou, sem sombra de dúvida, que a lei de Deus é tão perfeita e tão absoluta que ninguém pode alcançar a justiça. E, por outro lado, a graça de Deus é tão grande que não temos de alcançá-la. Tentando provar como merecem o amor de Deus, os legalistas perdem o ponto principal do evangelho, que é o dom de Deus às pessoas que não o merecem. A solução para o pecado é deixar de impor um código cada vez mais restrito de comportamento. É conhecer a Deus

Como já vivi na pele a experiência de viver no seio de uma religião fundamentada em aspectos exteriores e regras de homens, entendo intima e profundamente as palavras de um homem que durante toda a sua vida lutou contra o legalismo.

«Leão Tolstói, que batalhou contra o legalismo toda a sua vida, entendia as fraquezas de uma religião fundamentada nos aspectos exteriores. O título de um dos seus livros fala disso: The Kingdotn of Godls Within You [O reino de Deus está dentro de ti]. De acordo com Tolstói, todos os sistemas religiosos têm a inclinação de promover regras exteriores, ou moralismo. Em contraste, Jesus recusou definir um conjunto de regras que os seus seguidores pudessem então cumprir com um senso de satisfação.

Tolstói traçou um contraste entre o método de Jesus e o de todas as outras religiões:

"A prova da observância dos ensinamentos religiosos exteriores é se a nossa conduta se conforma ou não com os seus decretos (como, por exemplo, guardar o sábado, dar o dízimo ou ser circuncisado). Tal conformidade realmente é possível. A prova da observância dos ensinamentos de Cristo é nossa consciencialização dos fracassos em atingir uma perfeição ideal. O grau em que nos aproximamos dessa perfeição não pode ser visto; tudo o que podemos ver é a extensão do nosso desvio. Um homem que professa uma lei externa é como alguém de pé à luz de uma lanterna fixa num poste. É uma luz que o envolve todo, mas não há mais nenhum lugar para ele andar. Um homem que professa os ensinamentos de Cristo é como um homem que carrega uma lanterna: a luz está diante dele, sempre iluminando um pedaço de chão novo e sempre encorajando-o a caminhar mais. Por outras palavras, a prova da maturidade espiritual não é quanto estamos "puros", mas, sim, a consciencialização da nossa impureza. Essa mesma consciencialização abre a porta para a graça." - Leão Tolstoi».

Philip Yancey, em "Maravilhosa Graça"

domingo, 4 de novembro de 2007

Assume a vitória


Ainda tens medo de morrer. O medo está relacionado com o receio de não seres amado. As tuas perguntas: «Amas-me?» e «Tenho que morrer?» estão profundamente ligadas. Interrogavas-te quando eras criança e ainda te interrogas.

À medida que te capacitas de seres completa e incondicionalmente amado, também te apercebes que não tens que temer a morte. O amor é mais forte que a morte; o amor de Deus já te envolvia antes de teres nascido e permanecerá após a tua morte.Jesus chamou-te desde o momento da tua concepção no ventre da tua mãe. É a tua vocação para receber e dar amor.

Mas sentes desde o princípio a força da morte. Ela atacou-te durante todo o teu amadurecimento. Tens sido fiel à tua vocação, ainda que muitas vezes te tenhas sentido esmagado pelas trevas. Sabes agora que essas forças soturnas não terão nenhum poder final sobre ti. É a vitória de Jesus que te chamou. Ele venceu por ti as forças da morte para que tu pudesses viver em liberdade.

Tens que assumir essa vitória e não viver como se a morte ainda te controlasse. A tua alma conhece essa vitória, mas a tua mente e as tuas emoções ainda não a aceitaram completamente. Continuam a lutar. Neste aspecto continuas a ser uma pessoa de pouca fé. Confia na vitória e deixa que as tuas emoções e a tua mente se convertam gradualmente à verdade. Experimentarás nova alegria e nova paz à medida que deixares essa verdade chegar a cada canto do teu ser. Não te esqueças: a vitória foi conquistada, as forças da morte já não governam, o amor é mais forte do que a morte.

Henri Nouwen, em " A voz íntima do amor"

sábado, 3 de novembro de 2007

Capacita-te de que és bem-vindo

O que mais receias é não ser bem-vindo. Isto está ligado ao receio inato que trazes desde o nascimento, o receio de não seres bem recebido nesta vida, e o teu medo da morte, medo de não seres bem recebido na vida depois desta. É o medo arraigado de que teria sido melhor se não tivesses nascido.
Aqui enfrentas o cerne da batalha espiritual. Irás ceder às forças das trevas, que afirmam não seres bem-vindo a esta vida, ou és capaz de confiar na voz daquele que veio não para te condenar mas para te libertar do medo? Tens que escolher a vida. Em cada momento tens que confiar na voz que afirma: «Eu amo-te. Eu plasmei-te no seio da tua mãe» (Salmo 139, 13).

Tudo o que Jesus te está a dizer pode ser resumido nestas palavras «acredita que és bem-vindo». Jesus oferece-te a sua vida mais íntima com o Pai. Ele quer que saibas tanto quanto Ele e faças tudo o que Ele faz. Ele quer que a sua casa seja a tua. Sim, Ele quer preparar um lugar para ti na casa do seu Pai.

Tem sempre presente que os teus sentimentos de seres indesejável não provêm de Deus e não falam verdade. O Príncipe das Trevas crê que a tua vida é um erro e que não há lugar para ti. Mas sempre que deixas estes pensamentos afectarem-te, enveredas pelo caminho da autodestruição. Por isso tens que continuar a desmascarar a mentira e a pensar, falar e agir de acordo com a verdade de seres muito, muito bem-vindo.

Henri Nouwen, em "A voz íntima do amor"

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Henri Nouwen e o seu amigo Adam


O autor cristão com mais textos publicados no meu blog, é o sacerdote Henri Nouwen. Creio que os textos que postei são muito apreciados e têm tocado o coração de alguns visitantes deste cantinho. Mas, quem é o homem por detrás dessas reflexões espirituais sobre Deus e a vida cristã? Convido-vos a conhecer um pouco melhor este sacerdote através das palavras de outro autor cristão sobejamente conhecido - Philip Yancey( foi através deste autor que li pela primeira vez algo sobre Henri Nouwen).

Bem-aventurados os misericordiosos. Aprendi a verdade dessa beatitude com Henri Nouwen, sacerdote que ensinava na Universidade de Harvard. No auge da carreira, Nouwen mudou-se de Harvard para uma comunidade chamada Daybreak, perto de Toronto, a fim de assumir as tarefas exigidas por sua amizade com um homem chamado Adam. Nouwen agora serve não aos inte­lectuais, mas a um jovem considerado por muitos uma pessoa inútil que deveria ter sido abortada.

Nouwen descreve seu amigo:

«Adam é um homem de 25 anos de idade que não consegue falar, não consegue vestir-se, nem tirar a roupa, não pode andar sozinho, não pode comer sem ajuda. Ele não chora nem ri. Apenas às vezes faz contato com os olhos. As costas são deformadas. Os movimentos dos braços e das pernas são distorcidos. Ele sofre de severa epilepsia e, apesar de pesada medicação, raros dias se passam sem ataques do grande mal. Às vezes, quando fica subitamente rígido, emite um gemido imenso. Em algumas ocasiões já vi uma grande lágrima rolar por sua face.
Levo cerca de hora e meia para acordar Adam, dar-lhe medicação, carregá-lo até ao seu banho, lavá-lo, barbeá-lo, escovar seus dentes, levá-lo à cozinha, dar-lhe o café da manhã, colocá-lo na sua cadeira de rodas e levá-lo até ao lugar onde passa a maior parte do dia com exercícios terapêuticos.»

Numa visita a Toronto, observei-o na sua rotina com Adam, e devo admitir que tive uma dúvida passageira quanto a ser aquele o melhor emprego da sua vida. Eu ouvira Henri Nouwen falar e lera muitos dos seus livros. Ele tinha muita coisa a oferecer. Outra pessoa não poderia assumir a tarefa servil de cuidar de Adam? Quando cautelosamente mencionei o assunto com o próprio Nouwen, ele me informou que eu interpretara de todo erradamente o que estava acontecendo. “Não estou desistindo de nada”, ele insistiu. Sou eu, não o Adam, quem recebe os principais benefícios de nossa amizade.”
Então Nouwen começou a enumerar para mim todos os benefícios que obtivera. As horas passadas com Adam, disse, deram-lhe uma paz interior tão satisfatória que fez com que a maioria de suas outras tarefas intelectuais parecessem enfadonhas e superficiais por contraste. No começo, quando se assentava com esse homem-criança desamparado, percebia como a busca do sucesso na academia e no ministério cristão era obsessiva e marcada pela rivalidade e pela competição. Adam lhe ensinara que “o que nos torna humanos não está na nossa mente mas no nosso coração, não é a nossa capacidade de pensar, mas a nossa capacidade de amar”.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

O Amor é...

O amor é muito poderoso, é um bem imenso e perfeito; só o amor torna leves os pesados fardos e suaves os lugares mais duros. Suporta todas as dificuldades como se nada fossem, e torna todo o amargor doce e agradável. O amor a Jesus é nobre e inspira-nos grandes obras; exorta-nos sempre a procurar a perfeição(...)
Nada é mais doce do que o amor, nada é mais forte, nada é maior, nada é mais amplo, nada mais agradável, nada mais completo ou melhor no céu como na terra; porque o amor nasce de Deus, e apenas em Deus pode recair, acima de todas as coisas criadas.

O amor voa, corre e salta de alegria; é livre e ilimitado. O amor dá tudo por tudo, recaindo n' Aquele que está acima de todas as coisas, de Quem provém e flui todo o bem. O amor não olha às dádivas, volta-se para o Autor de todas as boas dádivas. O amor não conhece limites, transcende ardentemente todas as barreiras. O amor não sente o peso dos fardos, não dá pelo trabalho, tenta coisas para além das suas forças; para o amor nada parece impossível, pois sente-se capaz de fazer todas as coisas. Por isso o amor faz grandes coisas; é forte e eficiente; ao passo que aquele a quem o amor falta desfalece e perde-se.

O amor é vigilante e, embora repouse, nunca dorme; pode estar cansado, mas nunca exausto; aprisionado, mas nunca a ferros; alarmado, mas nunca temeroso; como uma chama viva e uma tocha ardente, segue em frente e transcende todos os obstáculos.

Thomas H. Kempis, em "A imitação de Cristo"

domingo, 28 de outubro de 2007

Maravilhosa Graça!

«Durante algum tempo, coloquei de lado as crenças da minha infância até que Deus, de forma maravilhosa, se revelou a mim como um Deus de amor e não de ódio, de liberdade e não de regras, de graça e não de julgamento.» - Philip Yancey, em "Maravilhosa Graça"

Esta frase de Philip Yancey ilustra o que tem sido a minha busca de Deus e a minha trajectória espiritual. Ilustra não apenas a minha busca de Deus, mas a forma como Ele se revelou( e tem vindo a revelar-Se) a mim. Estou convicto que Deus procurou-me sempre, esperou sempre por mim, esteve sempre presente. Ao longo do caminho da minha busca, desviei-me muitas vezes, extraviei-me, fugi para "terras longínquas" de escuridão, atravessei longos desertos e senti a alma ressequida, sedenta da Água Viva e Pura da Verdade. Conheci vários "deuses", ou melhor, várias imagem de Deus. Imagens distorcidas, desfocadas, talhadas e moldadas à imagem dos homens. Até que... "Deus, de forma maravilhosa, se revelou a mim como um Deus de amor e não de ódio, de liberdade e não de regras, de graça e não de julgamento."

«Quando frequentei a faculdade cristã, observei pessoas que seguiam as regras e não conseguiam encontrar-se com Deus. E também pessoas que transgrediam as regras e não se encontraram com Deus. O que me preocupa, contudo, são as pessoas que ainda crêem que não conseguiram alcançar Deus porque transgrediram as regras. Elas nunca ouviram a melodia do evangelho da graça.» - Philip Yancey, em "Maravilhosa Graça"

Não frequentei nenhuma faculdade cristã como o Philip, mas compreendo e sinto o que significam as suas palavras. Porque vivi a experiência de frequentar instituições religiosas e conhecer pessoas "que seguiam as regras e não conseguiam encontrar-se com Deus. E também pessoas que transgrediam as regras e não se encontraram com Deus." Muitas dessas pessoas continuam a ser vítimas de um legalismo por vezes duro e insensível, e acreditam que se não seguirem as regras não terão a aprovação de Deus e não serão amadas por Ele; outras, optaram por transgredir as regras, mas não encontraram a Verdadeira Liberdade que vem do conhecimento profundo, íntimo e pessoal da Verdade...É triste saber que muitas dessas pessoas acreditam que não conseguiram alcançar Deus, porque transgrediram as regras.

Todas estas pessoas talvez nunca tenham ouvido "a melodia do evangelho da graça". Se ouviram: muitas das que transgrediram as regras, provavelmente profundamente decepcionadas consigo mesmas e com o deus que lhes deram a conhecer, não quiseram escutar... a Palavra não penetrou nos seus corações magoados e endurecidos. As que continuaram a seguir as regras talvez tenham pensado que "a liberdade em Cristo é o caminho mais difícil. É relativamente fácil deixar de matar, mas é difícil amar; é fácil evitar a cama do vizinho, mas é difícil manter um casamento vivo; é fácil pagar impostos, mas é difícil servir aos pobres. Quando vivo em liberdade, tenho de me manter aberto ao Espírito Santo para receber sua orientação. Estou mais consciente em relação ao que tenho negligenciado do que a respeito do que tenho realizado. Não posso esconder-me por trás de uma máscara de comportamento, como os hipócritas fazem, nem posso esconder-me por trás de comparações fáceis com outros cristãos." - Philip Yancey, em Maravilhosa Graça

E o que diz "a melodia do evangelho da graça"? Nas palavras de P. Yancey:" NÃO HÁ NADA QUE POSSAMOS FAZER PARA DEUS NOS AMAR MAIS. NÃO HÁ NADA QUE POSSAMOS FAZER PARA DEUS NOS AMAR MENOS."

Somos amados gratuita e imerecidamente por Deus. Somos amados e justificados, graças a Deus. É pela sua Graça, pelo Seu AMOR INCONDICIONAL." Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigénito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." - João 3, 16

"A graça deixa de ser graça se Deus for compelido a outorgá-la em presença do mérito humano [...]. A graça deixa de ser graça se Deus for compelido a retirá-la em presença do demérito humano [...]. Graça é tratar alguém sem a mínima menção de merecimento, qualquer que seja, mas exclusivamente de acordo com a infinita bondade e com o soberano propósito de Deus" ( A grandiosidade de Deus, citado por Jerry Bridges em Transforming grace, p. 33).

"Graça é o favor livre e imerecido de Deus demonstrado a pecadores culpados que somente merecem condenação. É o amor de Deus demonstrado aos indignos desse amor. É Deus descendo e alcançando pessoas em estado de rebelião contra ele" (Jerry Bridges, Transforming grace).

Nada é grave...

"Nada é grave, a não ser perder o amor." [Irmão Roger de Taizé]