terça-feira, 6 de novembro de 2007

A lei e a graça

«Mas agora fomos libertos da lei, havendo morrido para aquilo em que estávamos retidos, para servirmos em novidade de espírito, e não na velhice da letra.» - Romanos 7, 6

«A ninguém devais coisa alguma, senão o amor recíproco; pois quem ama ao próximo tem cumprido a lei(...) O amor não faz mal ao próximo. De modo que o amor é o cumprimento da lei.»- Romanos 13; 8, 10

«Não sou o que eu devo ser. Não sou o que desejo ser. Não sou o que espero ser. Mas posso dizer com verdade: não sou o que eu era. Pela graça de Deus, sou o que sou.»- John Newton

Um dos melhores livros cristãos que li (e continuo a ler) até hoje e que me ajudou a compreender o cerne da mensagem do evangelho, é "Maravilhosa Graça" de Philip Yancey. Muitos de vós já devem ter lido este livro, e espero sinceramente que tenham aprendido lições valiosas e essenciais através dele. Eu aprendi muito com ele, e gostaria de partilhar convosco mais alguns excertos sobre uma questão de crucial importância para todos os seguidores de Cristo.

«Certa vez li que, proporcionalmente, a superfície da terra é mais lisa do que uma bola de bilhar. As alturas do Monte Evereste e as profundezas do Oceano Pacífico são muito impressionantes para aqueles que vivem neste planeta. Mas vistas de Andrómeda, ou mesmo de Marte, essas diferenças não fazem a menor diferença. É assim que agora vejo as mesquinhas diferenças comportamentais entre um grupo cristão e outro. Comparadas com um Deus santo e perfeito, o mais elevado Evereste de regras não passa de um montículo de terra. Não podemos obter a aceitação de Deus escalando; temos de recebê-la como um presente. Jesus proclamou, sem sombra de dúvida, que a lei de Deus é tão perfeita e tão absoluta que ninguém pode alcançar a justiça. E, por outro lado, a graça de Deus é tão grande que não temos de alcançá-la. Tentando provar como merecem o amor de Deus, os legalistas perdem o ponto principal do evangelho, que é o dom de Deus às pessoas que não o merecem. A solução para o pecado é deixar de impor um código cada vez mais restrito de comportamento. É conhecer a Deus

Como já vivi na pele a experiência de viver no seio de uma religião fundamentada em aspectos exteriores e regras de homens, entendo intima e profundamente as palavras de um homem que durante toda a sua vida lutou contra o legalismo.

«Leão Tolstói, que batalhou contra o legalismo toda a sua vida, entendia as fraquezas de uma religião fundamentada nos aspectos exteriores. O título de um dos seus livros fala disso: The Kingdotn of Godls Within You [O reino de Deus está dentro de ti]. De acordo com Tolstói, todos os sistemas religiosos têm a inclinação de promover regras exteriores, ou moralismo. Em contraste, Jesus recusou definir um conjunto de regras que os seus seguidores pudessem então cumprir com um senso de satisfação.

Tolstói traçou um contraste entre o método de Jesus e o de todas as outras religiões:

"A prova da observância dos ensinamentos religiosos exteriores é se a nossa conduta se conforma ou não com os seus decretos (como, por exemplo, guardar o sábado, dar o dízimo ou ser circuncisado). Tal conformidade realmente é possível. A prova da observância dos ensinamentos de Cristo é nossa consciencialização dos fracassos em atingir uma perfeição ideal. O grau em que nos aproximamos dessa perfeição não pode ser visto; tudo o que podemos ver é a extensão do nosso desvio. Um homem que professa uma lei externa é como alguém de pé à luz de uma lanterna fixa num poste. É uma luz que o envolve todo, mas não há mais nenhum lugar para ele andar. Um homem que professa os ensinamentos de Cristo é como um homem que carrega uma lanterna: a luz está diante dele, sempre iluminando um pedaço de chão novo e sempre encorajando-o a caminhar mais. Por outras palavras, a prova da maturidade espiritual não é quanto estamos "puros", mas, sim, a consciencialização da nossa impureza. Essa mesma consciencialização abre a porta para a graça." - Leão Tolstoi».

Philip Yancey, em "Maravilhosa Graça"

Nenhum comentário:

Nada é grave...

"Nada é grave, a não ser perder o amor." [Irmão Roger de Taizé]