terça-feira, 20 de novembro de 2007

A cruz e o ego

“Então, disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me” — (Mateus 16:24).

«O que é um “cristão”? Alguém que sustenta ser membro de alguma igreja terrena? Não. Alguém que crê num credo ortodoxo? Não. Alguém que adopta um certo modo de conduta? Não. O que, então, é um cristão? Ele é alguém que renunciou a si mesmo e recebeu a Cristo Jesus como Senhor (Colossenses 2:6). Ele é alguém que toma o jugo de Cristo sobre si e aprende dEle que é “manso e humilde de coração”. Ele é alguém que foi “chamado à comunhão do seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor” (1 Coríntios 1:9): comunhão em Sua obediência e sofrimento agora, em Sua recompensa e glória no futuro sem fim. Não há tal coisa como pertencer a Cristo e viver para agradar a si mesmo. Não cometa engano neste ponto, “E qualquer que não tomar a sua cruz e não vier após mim não pode ser meu discípulo” (Lucas 14:27), disse Cristo. E novamente Ele declarou, “Mas aquele (ao invés de negar a si mesmo) que me negar diante dos homens (não “para” os homens: é a conduta, o caminhar, que está aqui em causa), também eu o negarei diante do meu Pai, que está nos céus” (Mateus 10:33).

O grande alvo, fim e tarefa posta diante do Cristão é seguir a Cristo seguir o exemplo que Ele nos deixou (1 Pedro 2:21), e Ele “não agradou a si mesmo” (Romanos 15:3). E há dificuldades no caminho, obstáculos na estrada, dos quais o principal é o ego. Portanto, este deve ser “negado”. Este é o primeiro passo para se “seguir” a Cristo.» - Arthur W. Pink, "A cruz e o ego" (site: Monergismo)

7 comentários:

Maria João disse...

Ora ái está!

É preciso carregar a cruz. Mas,com a ajuda de Cristo e dos outros irmãos em Cristo, não custa tanto.

beijos em Cristo

Luis Carlos disse...

Olá Paulo,

Ao contrário do que se diz desta passagem de Mateus, eu digo que ela é uma proposta para fazer "abanar" a estrutura mental dos discípulos e apóstolos, por que ela é contra-natura.

O negar-se a si mesmo, tem levado a uma quantidade enorme de doenças mentais, quase toda a doença mental tem como cerne esta frase, e eu não acredito que Jesus a tenha dito com o propósito de eu não gostar de mim, de não me amar.

Jesus não quer seguidores cegos, e esta é uma proposta para ver quem de entre eles é seu cego seguidor,

Jesus sabe que cada um tem o seu caminho, esta proposta vem em sentido contrário, ninguém irá fazer o que Jesus fez, todos nós somos originais assim como Jesus.

Esta proposta de Jesus é impossível de concretizar, e ele sabe disso, mas interpretações levaram-na para que, quem acredita em Jesus tenha que concretizar esta proposta impossível, os efeitos estão à vista nas demências sacrificiais, acompanhados de sofrimentos, e por obediências vindas não sabem de onde.

Até já,
Luís Carlos

Paulo Costa disse...

Caro Luís, com todo o respeito pelas suas crenças e interpretações, não acredito que Jesus tenha pronunciado a frase "negar-se a si mesmo" como uma forma de "abanar" a estrutura mental dos seus discípulos ou que tivesse como objectivo lhes ensinar ou ordenar a fazer algo contrário ao que Ele realmente queria que eles fizessem e que lhes fosse prejudicial.
Estou convencido que divergimos no entendimento que temos do "negar-se a si mesmo".Talvez estas palavras possam ajudá-lo a entender:
«A grande mudança do Evangelho não é "eu deixar de ser eu", mas "eu render-me à vontade do meu novo Senhor", isto é, não mais o meu eu, mas o Cristo que vive em mim(...)
A conversão não implica a despersonalização. A conversão não apaga tudo que vivi e fez de mim o que sou. Mas depois de me render a Cristo, toda a minha vida passa por uma revisão, e muita coisa que eu fazia necessariamente deixo de fazer, e muita coisa que não fazia passo a fazer. Não por obrigação ou culpa, mas por nova orientação da minha vontade; mudou o meu objecto de devoção.

O extraordinário nisto tudo é que já não sou obrigado a ser o que sempre fui, não estou escravizado a realizar a sina da minha personalidade e cumprir o vaticínio das marcas que a vida deixou em mim.Sou livre. Livre para me reinventar, livre para vir a ser e, inclusive, livre para continuar sendo o que sempre fui, mas relacionando-me de maneira tão diferente comigo mesmo que as pessoas ao meu redor dirão que pareço outra pessoa. Conheci a verdade, e a verdade libertou-me.»
Ed René Kivitz

Claro que Jesus não disse esta frase com o intuito de deixarmos de gostar de nós próprios ou de não nos amarmos. Jesus quer o melhor para nós, quer que nos tornemos verdadeiramente humanos.
Jesus quer misericórdia, perdão, amor e união... não lhe agradam "demências sacrificiais" ou sofrimento auto-infligido.

Um abraço!
Volte sempre!

Edimar Suely disse...

Olá,

Passei para conhecer seu maravilhoso espaço e amei. Voltarei outras vezes. Desejo um lindo feriado e muita paz.

Smack!

Edimar Suely
edi_suely.blig.ig.com.br

danieldliver disse...

Fantásticos estes posts sobre Cruz. A respeito, recomendo a leitura de "A Renovação do Coração", de Dallas Willard, o qual tenho citado no meu blog. Shallom!

danieldliver disse...

["Calvino batizou de "autonegação" a transformação global da personalidade, termo que usou para sintetizar toda a vida cristã. Jamais deve ser confundido com auto-rejeição, nem deve ser pensada como um ato doloroso e trabalhoso, repetido de tempos em tempos em razão de grande resistência interna. Trata-se de uma condição global, organizada, da vida no reino de Deus, mais bem descrita como "morte do eu" ]- Dallas Willard, A Renovação do Coração, Ed. Mundo Cristão, p. 76.

danieldliver disse...

Paulo, eu comprei o "obstinado amor" e percebi que se trata de uma compilação de outras obras do autor. Você já viu o livro de Manning lançado pela editora palavra?

Nada é grave...

"Nada é grave, a não ser perder o amor." [Irmão Roger de Taizé]