quarta-feira, 21 de novembro de 2007

O Caminho da Cruz

A palavra profética convoca incessantemente a igreja de volta à pureza do evangelho e ao escândalo da Cruz. Em suas numerosas cartas, Paulo reforça que seguir a Jesus é tomar a estrada principal até o Calvário. Entulhando as laterais da estrada para o Calvário jazem os esqueletos dos nossos egos, os cadáveres das nossas fantasias de controle e os estilhaços de justiça-própria, espiritualidade auto-indulgente e ausência de liberdade(...)
A Cruz, a assinatura de Jesus, é a expressão última do amor de Deus pelo mundo.
Ser cristão é ser como Cristo. Perder a vida de algum modo a fim de encontrá-la. O cristianismo prega não apenas um Deus crucificado, mas também homens e mulheres crucificados. "Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo" (Gl 6:14). Não há discipulado sem Cruz. Não sou seguidor de Jesus se vivo com ele em Belém e Nazaré e não no Getsemani e no Calvário.

Brennan Manning, em "A assinatura de Jesus"

2 comentários:

Luis Carlos disse...

Olá Paulo,

Se Jesus se deixou crucificar, foi para pôr um ponto final nas religiões dos sacrifícios dos fiéis. Mas a igrejas cristãs continuam nessa toada da cruz, do sacrifício, do Calvário, em vez do Amor, da Alegria, da Paz.

Perder o ego, é perder a minha individualidade, passando a ser um humano amorfo e formatado pelas crenças de outros, incapaz de pensar de per si.

Jesus sempre utilizou o seu ego, por isso mesmo dizia coisas de si mesmo, verdadeiramente egoístas, ele nunca se deixou dominar por ninguém, nem seguiu o caminho de alguém, se ele disse para o seguirem, foi por que encontrou muitos seguidores cegos, estes após anos na companhia de Jesus não conseguiam ainda pensar pela sua própria cabeça, e Jesus entristecia-se com essa situação.

Por isso, ponto final, nos crucificados, nas cruzes, nos sacrifícios, na mutilação mental, no seguidismo cego, nos calvários, já chega dessas paranóias que têm moldado o mundo insano, onde hoje nós vivemos.

Até já,
Luís Carlos

Paulo Costa disse...

Caro Luís,

Creio que o "evangelho" em que crê diverge profundamente do evangelho bíblico(aquele em que acredito).
De facto, Jesus ao oferecer-se como sacrifíco pelos pecados da humanidade, tornou desnecessários e inúteis quaisquer sacrifícios realizados com o intuito de obter o perdão de pecados ou a aprovação de Deus.
Não sou da opinião que perder o ego é perder a minha individualidade. Não é isso que Jesus requer de nós. Creio que "perder o ego", esvaziar-se de si próprio, é fundamental para nos encontramos verdadeiramente com Deus e com a nossa mais profunda essência. «Há dentro de nós uma chama sagrada coberta pelas cinzas do consumismo, da busca desenfreada de bens materiais, da compra, do negócio e do interesse. As cinzas de uma vida distraída das coisas essenciais. É preciso remover tais cinzas e despertar a chama sagrada. E então irradiaremos. Seremos como o Sol.» - Leonardo Boff
Jesus negou-se a si mesmo para fazer a vontade do Seu Pai. Foi para isso que Ele veio até nós - para fazer a Vontade do Pai. Jesus não dizia coisas de si mesmo. Leia com atenção:"Em verdade, em verdade vos digo que o Filho de si mesmo nada pode fazer, senão o que vir o Pai fazer; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente." - João 5, 19
"Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma; como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não procuro a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.
Se eu der testemunho de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro." -Joaõ 5, 30-31
De facto, Jesus não queria seguidores cegos. Ele queria que a principal motivação dos seus discípulos para segui-lo fosse um amor sincero, profundo, verdadeiro, desinteressado. Ele queria fé autêntica, entrega total e amor sem limites.
Jesus convidou-nos a trilhar um caminho estreito e apertado, com muitas dificuldades e obstáculos. Contudo, garantiu-nos que estaria sempre connosco e que nos ajudaria a vencer o mundo como Ele venceu.
Também não sou apologista de sacrifícios físicos extremos e mutilações em nome da fé. Não é isso que Jesus nos pede. Creio que esse tipo de atitudes e comportamentos não são fruto do espírito de Cristo.
Jesus também não quer que O sigamos cegamente; sem um correcto conhecimento e discernimento da Verdade. Ele quer discípulos que vivam em harmonia e coerência com aquilo que Ele ensinou e viveu.
Mas, sabe o que é que tem "moldado o mundo insano, onde hoje nós vivemos"? Não é a renúncia do ego, mas a sua satisfação egóista! Negar o ego, não é negar a nossa individualidade(Deus ama a diversidade, a criatividade, a singularidade), mas irradicar o egóismo, o egocentrismo, a auto-suficiência, a justiça-própria, o desejo de poder, glória, reconhecimento, admiração...

Um abraço fraterno!

Nada é grave...

"Nada é grave, a não ser perder o amor." [Irmão Roger de Taizé]