terça-feira, 30 de dezembro de 2008
NA PROFUNDEZA DO NOSSO DESEJO
«Felipe achou a Natanael, e disse-lhe: Acabamos de achar aquele de quem escreveram Moisés na lei, e os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José.
Perguntou-lhe Natanael: Pode haver coisa bem vinda de Nazaré?
Disse-lhe Felipe: Vem e vê.
Jesus, vendo Natanael aproximar-se dele, disse a seu respeito: Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo!
Perguntou-lhe Natanael: Donde me conheces?
Respondeu-lhe Jesus: Antes que Felipe te chamasse, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira.» (João 1: 45-48)
"É de notar que Jesus se revelou a Natanael como alguém quue não lhe é estranho nem desconhecido, mas como quem já o conhecia duma forma pessoal e íntima. E, sobretudo, que o aprecia e o estima.
«Nunca tu me procurarias se me não tivesses já encontrado» - é uma frase que Pascal põe na boca de Cristo. Mas talvez fosse mais apropriado dizer: «Nunca tu me procurarias, se eu não te tivesse já encontrado», se eu te não tivesse descoberto no mais íntimo de ti mesmo.
Deus é sempre o primeiro a amar. Qualquer movimento de aproximação do homem a Deus é sempre precedido do movimento de Deus em direcção ao homem. Deus já se encontra presente no mais íntimo do desejo humano.
Este encontro de Jesus com Natanael está carregado de sentido. Jesus manifesta-se como alguém com quem já estamos relacionados no mais recôndito de nós mesmos, ainda antes de O conhecermos. Na profundeza do nosso desejo.»
(Eloi Leclerc, em "Vida em Plenitude")
domingo, 28 de dezembro de 2008
A VERDADEIRA FIDELIDADE
A verdadeira fidelidade não consiste em dizer: parece que tudo fracassou, mas em afirmar: é um êxito. Parece que não vai acontecer... mas acontece doutro modo, doutra maneira. Não compreendo como, não compreendo porquê, não me foi dado compreender. Mas eu creio naquilo que o Senhor afirmou...
A exigência de Deus é tremenda, no que diz respeito à fé, à esperança e à confiança.
Os santos são pessoas que aceitaram acreditar sem compreender.»
(Louis Evely, em "Tu és esse homem")
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
UM SANTO NATAL

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
COMO MARIA

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
A LUZ DA LIBERDADE
Aquele que é a luz, quer que a luz resplandeça nos olhos do ser amado. Se te amo, não posso querer que os teus olhos sejam baços. Se te amo, quero que haja luz nos teus olhos e desejo estar junto de ti como um contágio de luz, uma transmissão de existência luminosa.
Um olhar de amor ou amizade, é um olhar de ambição para o outro. Amo-te quer dizer: sou ambicioso em relação a ti, sobretudo não quero dominar-te nem abafar a tua liberdade, desejo despertar-te. Quero que a minha liberdade comungue com a tua, o que não é possível se a tua não existir.(...)
Deus é suscitador de pessoas livres. Ele não pode amar-nos se não vir nos nossos olhos a luz da liberdade.»
(François Varillon, em "Alegria de Crer e Viver")
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
«VÓS TAMBÉM QUEREIS ABANDONAR-ME?»
Então, uns refechavam-se rancorosamente, recusando-se logo, para maior segurança, não descansando enquanto não alcançavam medrosamente os seus covis. «Ele exagera... Impossível! Com que direito exige tudo isto?». E para futuro evitavam encontrá-l`O, ouvi-l`O e pensar no caso.
Sempre foi muito fácil fugir de Deus. Deus não força ninguém. Deus espera. Deus chama com infinita paciência. Mas nada pode contra aqueles que recusam expor-se ao Seu olhar e à Sua voz, aqueles que fingem prudentemente não O terem reconhecido.
«Vós também quereis abandonar-me?»
Porém, outros, ainda que também amedrontados, agitados e aturdidos, continuavam a escutar. E à medida que Ele falava sentiam e compreendiam haverem desde sempre esperado que Alguém lhes exigisse aquelas coisas inauditas, haverem sempre esperado Alguém, para crerem n`Ele, que ousasse exigir-lhes tudo aquilo. Só uma exigência assim total podia corresponder à sua imensa esperança.
Era como que um orvalho que despertasse, de súbito, a parcela mais profunda de nós mesmos: sentia-se que a verdadeira religião não poderia ser senão aquela; que Aquele que exigia a renúncia a tantas coisas era também Aquele que nos podia dispensar delas; que somente Aquele que exigia tudo isto, podia infundir a coragem de nos conformarmos.
O maior sacrifício era a maior libertação. Pois estamos obrigados a confiar absolutamente naquele que de tudo nos despojou...»
(Louis Evely, em "Tu és esse homem")
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
AS BEM-AVENTURANÇAS
O Evangelho é o «Revelador» que faz aparecer na chapa sensível o desenho antes invisível para os nossos olhos.
Deus propõe-Se a nós, manifesta-Se -nos, Deus mostra-nos, enfim, um Rosto - e pede para nós o reflectirmos. Deus mostra-nos o Seu caminho e convida-nos amistosamente a acompanhá-l`O.
Qual tem sido a nossa resposta?
Que teríamos feito, que fizeram aqueles que rodeavam Jesus na montanha?»
(Louis Evely, em "Tu és esse homem")
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
DÁ-NOS O TEU OLHAR

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
UM ACTO DE AMOR MÚTUO
Face ao Pai, a quem pertence a iniciativa, Ele devia desempenhar um papel, o papel da receptividade filial. Pois não se pode doar a quem não quer receber...
Jesus era o homem livre por excelência, descompromissado com as tradições dos escribas e dos fariseus, contrário à imagem que eles faziam de Deus, crítico dos chefes dos sacerdotes, porque abusavam do seu poder religioso, livre até de si mesmo em sua renúncia pessoal total. Mas, perante Deus, Ele viveu em submissão absoluta...
Sua submissão a Deus é expressa por meio de actos de liberdade...
Os sofrimentos encaminharam Jesus para um consentimento eterno. Um cristão que vive suas provações com espírito de fé e caridade torna-se disponível para com Deus, num grau de profundidade nunca antes experimentado. E assim foi com Cristo: "Embora fosse Filho, aprendeu, contudo, a obediência pelo sofrimento; e, levado à perfeição, tornou-se princípio de salvação para todos" (Hb 5, 8).
A paixão de Jesus nada teve de um castigo infligido a um Inocente, que Deus teria escolhido para sofrer em lugar dos pecadores.
O ancestral desobediente cede lugar ao novo Adão (Rm 5, 12-18) "feito obediente até à morte". A redenção é uma obra de obediência, por meio de amor mútuo: "Por isto o Pai me ama, porque dou minha vida para retomá-la... esse é o preceito que recebi do Pai" (Jo 10, 17s.)» (Pe. François-Xavier Durrwell, em "Cristo Nossa Páscoa")
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
O CÉU COMEÇA AQUI
Daí que «ganhar o céu» vem a ser uma expressão não apenas falsa mas absurda; e a acusação de que o cristão é «mercenário» cai pela base. Não ganhamos o céu mas familiarizamo-nos com ele, habituamo-nos e aclimatamo-nos a ele. Preparamo-nos para ele. E construimo-lo. Todos juntos...
Eu estou convencido de que o céu consistirá em reviver, numa plenitude de luz, os maravilhosos instantes da nossa existência terrena. A cada passo nos deteremos confundidos com a generosidade do nosso Deus e confusos pela nossa inconsciência passada. Reviver um só momento nos lançará em transportes de júbilo e de reconhecimento. Como era belo o mundo e quanto nós grosseiros ao caminhar assim, enjoados e desiludidos, a meio de todas as suas maravilhas!
Deus não soubera que mais inventar para nos alegrar a cada hora, em cada minuto. Procedera como o pai que para fazer sorrir o filho exibe tesouros diante dele e só obtém do tiranozinho insaciável esta resposta:
«Quero mais. Dá-me outras coisas».
A mais espantosa das surpresas que por nós espera no céu será a de não encontramos lá nada de novo.»
(Louis Evely, em "Tu és esse homem")
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
UM AMOR DESCONCERTANTE
“Jesus esperava tudo de todos. Para além das nossas comédias mais enfadonhas, das nossas defesas mais consternadoras – respeitabilidade, seriedade, sobranceria, dignidade ou indignidade, mutismo ou imprecações, Ele adivinhava a criança insuficientemente amada que tinha cessado de crescer porque tinham deixado de crer nela.
O Senhor não se prendia a nenhuma das nossas aparências: sabia que as pessoas são capazes de tudo, tanto para ter boa como para ter má aparência. E que tão digna de dó é uma como outra. É por não termos sido amados, descobertos, incentivados, considerados capazes de melhorar… que nos tornamos tão maus.
Deus existe em cada ser e espera ser adivinhado nele para nele crescer.
Amar um ser é dirigir-lhe o mais forte e imperioso apelo, é alvoroçar nele um ser oculto e mudo que não pode evitar levantar-se à nossa voz; um ser tão novo que era desconhecido até daquele que o contém e todavia tão verdadeiro que não pode deixar de o reconhecer quando o descobre.
Amar alguém é chamá-lo à vida, é convidá-lo a crescer.
E não se tem a coragem de crescer senão para alguém que crê em nós.
Ao nível em que cessaram de crescer é que devemos atingir aqueles que encontramos, ao nível em que foram abandonados e se aprisionaram então a si mesmos, em que principiaram a segregar uma carapaça porque imaginavam estar sós.
Importa que alguém nos ame bem profundamente, bem audaciosamente para nós ousarmos mostrar-nos humildes, bondosos, ternos, simples, vulneráveis.” (Louis Evely, em "Tu és esse homem")
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
A GRANDE ILUMINAÇÃO - Paul Claudel

Paul Claudel nasceu a 6 de agosto de 1868, durante a festa da Transfiguração, em Villeneuve-sur-Fère-en-Tardenois, pequena aldeia do Aisne onde seu tio-avô foi cura. Entretanto, apesar da família de Claudel ter dado vários padres à Igreja, ele “era indiferente e, depois de nossa chegada a Paris”, escreveu o poeta em Ma Conversion (1913), “tornei-me nitidamente estranho às coisas da Fé”.
Não nos surpreende, pois foi o que se passou na segunda metade do século XIX com numerosas famílias burguesas. Claudel acrescenta: “Tinha feito uma boa primeira comunhão, que, como ocorre com a maioria dos jovens, foi ao mesmo tempo o coroamento e o fim das minhas práticas religiosas”.
Mais tarde, porém, acontece a sua fulgurante e repentina conversão. Uma experiência que haveria de dominar toda a sua vida:
"Assim era a infeliz criança que, a 25 de dezembro de 1886, foi a Notre-Dame de Paris para assistir aos ofícios de Natal. (...)
...conduzido e apertado pela multidão, assisti, com um prazer medíocre, à grande missa. Depois, não tendo nada melhor a fazer, voltei para assistir às vésperas. As crianças do coro, vestidas de branco, e os alunos do seminário-menor de Saint-Nicolas-du-Chardonnet, que os ajudavam, estavam a preparar-se para iniciar o canto que mais tarde soube ser o Magnificat.
“Estava misturado ao povo, junto do segundo pilar à entrada do coro, à direita da sacristia. E foi então que se produziu o acontecimento que domina toda a minha vida. Num determinado instante, meu coração foi tocado e acreditei. Acreditei com tal força, com tal adesão de todo o meu ser, com tão poderosa convicção, com tal certeza sem deixar lugar a qualquer espécie de dúvida que, depois, todos os livros, todos os raciocínios, todos os acasos de uma vida agitada, não puderam abalar-me a fé, nem mesmo, para ser mais preciso, tocá-la de leve que fosse.
“Tive de súbito o forte sentimento da inocência, da eterna juventude de Deus, uma revelação inefável.
Tentando, como o fiz várias vezes, reconstituir os minutos que se seguiram a este instante extraordinário, encontro os elementos seguintes que, entretanto, não formam senão um clarão, uma única arma de que a Providência Divina se servia para atingir e abrir enfim o coração de uma pobre criança desesperada: “Como aqueles que crêem são felizes! E se fosse verdade? É verdade! Deus existe, Ele está em toda parte, É alguém, é um Ser tão pessoal como eu. Ele me ama, Ele me chama.
“As lágrimas e os soluços vieram... e o canto tão doce do Adeste
Tinha apenas me retirado. Um novo e terrível ser, com exigências terríveis para o jovem e o artista que eu era, tinha se revelado e não sabia como conciliá-lo com coisa alguma que me cercava.“O estado de um homem que fosse arrancado de um golpe de seu corpo, para ser colocado em um corpo estranho, no meio de um mundo desconhecido, é a única comparação que posso encontrar para exprimir este estado de confusão completa. O que mais repugnava a minhas opiniões e a meus gostos, é que era a verdade e com o que seria necessário que de bom ou de mau grado eu me adaptasse. Ah! Isso não aconteceria sem que tentasse tudo que me fosse possível para resistir”.
Claudel trava então uma "luta contra Deus" que durou quatro anos. Quem estiver interessado em saber como se desenrolou essa luta e outros aspectos da vida e obra deste poeta e dramaturgo, é só clicar aqui:http://www.quadrante.com.br/pages/servicos02.asp?id=193&categoria=Biografia_Testemunho&pg=buscaartigo&campo=paul
Fonte: Quadrantesegunda-feira, 1 de dezembro de 2008
ORAR É MORRER

sexta-feira, 28 de novembro de 2008
UMA IGREJA VERDADEIRA

O mundo não acreditará em Deus, se não vir uma Igreja verdadeira. O mundo não acreditará na Ressurreição de Cristo, se o levares à Biblioteca Nacional para estudar as fontes da Revelação cristã. Para ele, só há uma prova de que Cristo ressuscitou: é que Ele continua vivo. E só uma prova existe de que Cristo continua vivo e é que Seu amor ainda vive no mundo, vivendo no nosso amor.
Este é o testemunho válido de que o amor de Cristo vive no mundo: que nós vivamos do amor, que nós amemos os outros com um amor que ultrapassa as forças do nosso coração...
O mundo precisa de encontrar uma verdadeira Igreja onde o amor do Cristo ressuscitado seja vivo, um ambiente onde se ame...
Este é o milagre que os cristãos deviam realizar: o milagre do seu amor.
Que onde quer que viva um cristão se construa uma fraternidade e nela se manifeste uma oferta e um apelo de amor...
O mais precioso serviço a prestar a alguém é oferecer-lhe uma imagem dele na qual se possa reconhecer e aceitar-se.
Isto é o que o mundo espera: que realizemos o milagre de nos amarmos assim.
É assim que se procede quando se ama um ser: ama-se tanto que ele ousa tirar a máscara diante de nós e principia a ousar ser bom e meigo, e vulnerável e generoso como nunca tinha sido para com ninguém e tudo isso apenas porque nós o animámos a ser assim...
O mundo converter-se-á quando vir uma verdadeira Igreja onde dois ou três de entre nós, reunindo-se e amando-se, lhe oferecerem a imagem dele mesmo que o mundo reconhecerá como o ideal a que aspira e que em vão procurou em tantas Igrejas...»
(Louis Evely, em "Fraternidade e Evangelho")
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
QUE SIGNIFICA AMAR?
Amar um ser é esperar nele para sempre.
Amar um ser é não o julgar; julgar um ser é identificá-lo com aquilo que dele se conhece. «Agora, conheço-te. Agora julgo-te. Sei aquilo que vales»... Isto representa matar um ser.
Amar um ser é esperar sempre dele algo de novo, algo de melhor.
Se bem leio no Evangelho, poderei concluir da maneira pela qual Jesus saiu ao encontro dos homens e os amou e enriqueceu, que Ele sempre os considerou crianças, crianças que não haviam crescido convenientemente, que não haviam sido suficientemente amadas.
Cristo nunca os identificou com aquilo que tinham feito até então.
Pensai, por exemplo, em Maria Madalena: Cristo esperava dela algo que ninguém tinha conseguido descobrir e amou-a tanto, perdoou-lhe tão generosamente que dela obteve o amor mais puro e mais fiel e, admirados, todos à sua volta comentavam: «Será possível que ela seja assim?! Tínhamo-la julgado, pensávamos conhecê-la, haviamo-la condenado e tudo porque nunca fora convenientemente amada...»
Cristo amou-a com tal perfeição que a tornou aquilo que os outros, pobres e desconfiados, demasiado avarentos de amor, não tinham sido capazes de suscitar nela.
Cristo aguardava, esperava tudo de toda a gente. Fazia surgir, ao Seu redor, vocações, amizades e generosidades; e todos os que supunham conhecer de longa data aqueles personagens, quedavam atónitos: «Como? Zaqueu tornou-se generoso? Maria Madalena tornou-se pura e fiel? Tomé tornou-se crente? Mateus, o publicano, feito Apóstolo? E todos esses pobres, todos esses pecadores se transformaram em apóstolos e santos?... Como é possível?»
Alguém os tinha amado, tinha acreditado neles.
Alguém não havia repetido o que nós dizemos: «Não há nada a fazer dele, nada se conseguirá. Tentei tudo. Não quero tornar a vê-lo. Não volto a escrever. É perder tempo...»
Cristo foi ao encontro de cada um deles, dizendo: «Só porque não foi amado o bastante é que se tornou assim mau. Se o amassem mais, seria melhor. Se tivessem sido mais delicados, mais generosos, mais afectuosos para com ele, ele teria conseguido libertar-se daquela armadura, daquela carapaça de que se revestiu para não sofrer tanto»...
(Louis Evely, em "Fraternidade e Evangelho")
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
AQUI E AGORA
Resta-nos uma derradeira tarefa: desiludir esta esperança, dissipar quanto antes esta ambiguidade que os arrisca a perderem para sempre o Senhor.
Se não tiverdes encontrado Deus na terra, não O encontrareis no céu. O céu não é um mundo diferente, para onde possamos evadir-nos. O reino dos céus já está em nós, e devemos construí-lo com as graças que Deus nos concede.
«A vida eterna consiste em Te conhecer a Ti, o único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a Quem envisate.» (Jo 17, 3).
Aqueles que não principiaram na terra esta vida eterna, aqueles aos quais a presença e o amor de Deus (oferecidos a todo o homem vindo a este mundo) não iluminaram desde aqui, aqueles que na vida nada têm para eternizar - esses não conhecerão o céu.
A terra é o local onde o céu se constrói.
Deus não nos convida a passarmos para o outro mundo. Deus fez-Se convidado para o nosso mundo. Resgatou-o, lançou nele forças infinitas, a nós confiadas, para nós o transformarmos e, um dia, coroará a Sua e nossa obra, eternizando-a.
Deus não reside num outro mundo. Deus entrou neste mundo e nunca mais saiu dele. Cristo não Se retirou. Está connosco todos os dias.
Na Ascensão, Cristo não partiu: desapareceu...
Uma partida gera uma ausência; um desaparecimento inaugura uma presença oculta.
Pela Ascensão, Cristo torna-se invisível. É plenamente glorificado na Sua Humanidade, entra na partilha da Omnipotência do Pai e, por isso, fica em mais íntima relação com cada um de nós.
Longe de nos abandonar, de nos deixar orfãos, adquire aquela eficácia infinita que Lhe permite inundar tudo com a Sua presença: «Subiu ao céu a fim de encher tudo com a Sua presença» (Ef. 4, 10)
Que alegria! Deus está na terra connosco e jamais nos abandonará porque a Sua presença espiritualizada atingirá uma intensidade e uma extensão que Sua presença carnal seria incapaz de obter. Era vantajoso para nós que Ele partisse de forma visível a fim de O encontramos por todo o sempre, em toda a parte, dum modo invisível.» (Louis Evely, em "Tu és esse homem")
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
PROPRIEDADE DE DEUS
Só Deus nos continuará a amar, ainda que percamos todas as nossas qualidades, porque Ele não ama as nossas qualidades mas a nós. Só Deus nos suportará sempre.
Só Ele sabe o que de nós espera e todas as pessoas que fez depender de nós e os gestos que de nós atende.
Quando nos desprezamos a nós próprios, desprezamos todos estes projectos, todos estes desejos de Deus em nós, toda aquela alegria que Deus havia esperado de nós, toda a esperança que depusera em nós.
Estamos perante o essencial da religião: acreditar que aquilo que eu faço interessa a Deus. O verdadeiro ateísmo consiste em pensar o contrário, resignar-se ao contrário. Uma vida ateia é uma vida na qual tudo se passa, tudo se sente, tudo se enfrenta e tudo se sofre como se não acreditássemos naquela verdade. Quantos ateus entre nós?
Cada um de nós é propriedade de Deus. Uma propriedade que Deus nos confiou. Quase nunca sabemos para que serve, pois geralmente Deus cuida de no-lo ocultar. E é normal que nos interroguemos com frequência: para que poderá servir, para quem poderá ser verdadeiramente útil a nossa vida? A fé consiste em crer que Deus a considera útil, necessária ao Seu plano, indispensável à Sua alegria. » (Louis Evely, em "Tu és esse homem")
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
QUE AMA DEUS EM NÓS?
Não o nosso valor, certamente. Se por acaso tirássemos tal conclusão, chegaríamos à oração (cheia de reconhecimento, note-se) do fariseu, da qual sabemos o que Jesus pensava. (...)
Não é pelos nossos pecados que somos amados por Deus. «Ele estava indignado com a dureza dos seus corações», como com a resistência que nós opomos ao Seu apelo.
Amou Maria Madalena, mas Maria Madalena mudou desde o primeiro encontro.
E o jovem rico que se afastou perante as Suas exigências, não se tornou Seu amigo.
Deus ama... aqueles a quem pode dar mais, aqueles que esperam mais d`Ele, os que Lhe são mais abertos, Lhe «pesam» mais, se Lhe abandonam.
Sejam puros como João ou maculados como a Madalena ou Zaqueu, pouco Lhe importa.
Aquilo que conta aos Seus olhos é que se queiram apoiar n`Ele, não viver senão por Ele.
Deus ama a humildade, a abertura, a frescura daqueles que, suficientemente honestos para se considerarem pouco amáveis, são todavia suficientemente simples para acreditar que são amados e para tudo esperarem, alegremente, d`Ele.» (Louis Evely, em "Tu és esse homem")
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
ACREDITAS NO SEU AMOR?
Não se trata simplesmente de admitir que Deus ama a humanidade. Trata-se, isso sim, de acreditar que este amor é verdadeiro e, portanto, concreto, orientado pessoalmente para cada um de nós. (...)
A fé no amor de Deus consiste em crer que Ele Se interessa apaixonadamente por cada um de nós, pessoalmente. E constantemente.(...)
Quando eu chegar a acreditar que Ele até a mim ama - a mim, este ser insuportável, cujo peso só eu avalio - conhecerei a medida do Seu amor inverosímil.
Os santos são aqueles que poderão exclamar: «Eu conheci o amor que Deus tinha por mim e acreditei nele».
No Julgamento, isto em primeiro lugar nos será perguntado:
Acreditaste que Deus te amava, a ti?
Acreditaste que Deus esperou por ti, te conheceu, te desejou, a ti, dia após dia?»
(Louis Evely, em "Tu és esse homem")
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
O Espírito Vivificante

quarta-feira, 12 de novembro de 2008
TOCAR EM CRISTO

segunda-feira, 10 de novembro de 2008
"BASTA-TE A MINHA GRAÇA"

quarta-feira, 5 de novembro de 2008
UM AMIGO FIEL

segunda-feira, 3 de novembro de 2008
HUMILDADE

Hoje, publico mais um excerto do livro "Como o Nascer do Sol", do meu grande amigo e discípulo de Cristo, João Eduardo Cruz. Já visitaram o seu magnífico blogue? Não gosto muito de lhe chamar blogue, mas sim o Jardim deslumbrante, encantador e luminoso de uma alma sensível, profunda, poética e comprometida com Cristo. Eis o caminho para lá: http://www.jardimdaalma.blogspot.com/
– É preciso ter humildade para ser alegre quando todos estão zangados.
– É preciso ter humildade para ter paz quando todos querem guerra.
– É preciso ter humildade para não desanimar quando todos estão desistindo.
– É preciso ter humildade para “fazer o bem sem olhar a quem” quando tantos nos enganam.
– É preciso ter humildade para ser bom quando o mundo é mau.
– É preciso ter humildade para ser fiel a Deus quando todos o abandonam.
– É preciso ter humildade para ser manso quando todos te chamam de covarde.
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
ENTREGA-TE TOTALMENTE AO AMOR
Sem amor, a personalidade volta-se para si mesma e se escraviza. (...)
Sem amor, a força de vontade é quase sempre pouco mais que uma confusa demonstração egocêntrica do nosso carácter. Ela aponta para si mesma. Não serve aos propósitos mais altos de nos ligar aos outros e à vida. E o que não leva à vida, leva à morte. Não existe meio-termo.
Sem amor, a vontade torna-se mecânica e perde a espontaneidade.
Sem amor, a vontade torna-se racionalista e moralista.
Sem amor, a vontade substitui a imaginação por diligência.
Sem amor, a vontade torna-nos aborrecidamente previsíveis e desprovidos de vitalidade.»
(David G. Benner, em "Desejar a vontade de Deus")
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
AMOR: MOTIVAÇÃO SUPREMA
O motivo por trás de tudo que Jesus fez foi o amor de Deus e o desejo de conhecer e fazer a vontade do seu Pai. As disciplinas espirituais de Jesus só eram significativas à luz da primazia do seu relacionamento com o Pai. Eram veículos de comunhão, ambientes de intimidade...
Para Jesus, o amor e a vontade nunca se separavam. O amor era o motivo da sua obediência a Deus (Jo 14, 31), como Ele instava para que estivesse por trás da nossa (Jo 14, 23).
Ele tinha prazer em fazer a vontade de Deus e, ao agir assim, era exemplo perfeito da maneira como a satisfação se origina da entrega ao amor perfeito. Ele era também a perfeita expressão da maneira como o amor de Deus se realiza na pessoa que deseja e faz a vontade de Deus. (1 Jo 2, 3-5).
Só o amor fortaleceu Jesus para preferir a vontade de Deus à sua, quando enfrentou a agonia da morte. É a isso a que Paulo se referia quando exortou os cristãos de Éfeso a fazer a vontade de Deus de coração (Ef 6, 6).
É provável que as disciplinas espirituais que surgem simplesmente como actos de vontade sejam egoístas e legalistas. Deus deseja acções exteriores que brotem de desejos interiores de relacionamento e intimidade; de facto, é esse o seu desejo para nós. Foi isso que o Pai encontrou no coração de Jesus. E esse é o motivo da disposição espiritual que na nossa vida encontramos em Jesus quando o seguimos e vivemos em seu Espírito.»
(David G. Benner, em "Desejar a vontade de Deus")
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
UMA VIDA QUE BROTA DO ESPÍRITO
A vida que Jesus veio trazer é uma vida que não depende da força de vontade. Brota do Espírito de Deus e activa e transforma nosso espírito. É uma vida baseada em infusão - o Espírito de Deus infunde meu espírito; os desejos mais profundos, os anseios e os sonhos de Deus tornam-se meus. É esse o caminho - e o único caminho - para a liberdade e a satisfação de preferir a vontade de Deus à minha.» - David G. Benner, em "Desejar a vontade Deus"
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
O ESSENCIAL
Só a experiência de Deus feita em profundidade poderá manter o cristão de hoje firme na sua fé, capaz de responder aos desafios do mundo contemporâneo e dar-lhe, ao mesmo tempo, sentido para a vida e alegria de viver. (...)
Oxalá se tome consciência do essencial e de que falta tempo para ele: amar gratuitamente, descer ao centro da alma e procurar por lá uma palavra de vida eterna que dê sentido a tudo o que se faz.» Luís Rocha e Melo, s.j., em "Se tu soubesses o dom de Deus"
(1) O «centro da alma» é expressão conhecida pelos nossos antepassados. Santa Teresa de Ávila emprega-a com frequência. Os psicólogos de hoje designam a mesma realidade por «eu profundo»; a Bíblia fala, no mesmo sentido, do «coração».
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
A QUE DEUS ORAS?

segunda-feira, 20 de outubro de 2008
DEIXA QUE EU TE MOLDE (4ª folha)

sexta-feira, 17 de outubro de 2008
É PRECISO CHORAR O DESAMOR (3ªfolha)

quarta-feira, 15 de outubro de 2008
DESCE À PORTA DA TUA CASA E ABRE O COFRE (2ª folha)

Ele e Jesus, que à janela da casa observava a cena e dizia: "Veio hoje a salvação a esta casa!"
Percebi tratar-se de Zaqueu, o cobrador de impostos de que fala S. Lucas no capítulo 19 do evangelho. Zaqueu era judeu mas trabalhava para o inimigo, cobrava impostos para os ocupantes, os romanos. Cobrava até muito mais do que o imperador exigia, e assim enriquecera. Tirava dinheiro aos pobres para se manter nas boas graças dos poderosos, vivia às custas de uns e em função de outros. Um dia, que havia de virar para sempre a sua vida, Jesus foi a sua casa. E este encontro mudou completamente as suas relações com os outros. Decidiu restituir generosamente tudo o que tinha cobrado a mais e, quanto ao resto da sua fortuna, dar metade aos pobres. Não passou muito tempo até os ter a todos à porta de sua casa!
Era esta a cena que a gravura mostrava: Zaqueu feliz a abrir o cofre, perante os olhares ainda incrédulos da população. Sob a gravura uma legenda dizia:"DESCE À PORTA DA TUA CASA E ABRE O COFRE"
Gostei de imaginar Zaqueu tão preocupado com as pessoas que tinha à porta de casa que nem tinha tempo para se lembrar da sua própria conversão. Mas esta, no fundo, era nada mais do que a sua falta de tempo para se preocupar consigo. Antes vivia para si, à custa dos pobres e em função dos poderosos. Agora vivia simplesmente para os outros.
Fiquei a pensar que também à nossa porta Deus põe tantas pessoas! Achei mesmo que é entregando-nos a elas que acabamos por nos mudar a nós próprios. Como se, para se ser melhor, a solução não fosse pensar em quaisquer estratégias de autoconversão mas apenas abrir os olhos e tomar como missão pessoal o bem daqueles que Deus já colocou à nossa porta. "Desce à porta de tua casa e abre o teu cofre" (Nuno Tovar de Lemos, s.j. , em "O Príncipe e a Lavadeira")
domingo, 12 de outubro de 2008
SÓ O AMOR CONVERTE (1ª folha)
É esse tesouro encontrado no velho sótão que vou partilhar convosco nos próximos dias. Esse Manual de Conversão que é uma resposta a uma questão fundamental: Como é que se faz para se ser melhor?
Preparem-se para uma viagem fantástica e revolucionária. Se se deixarem envolver e aderirem de espírito e coração abertos, é algo que pode mudar alguns paradigmas e crenças.
«Abri a primeira folha. A legenda dizia assim: "SÓ O AMOR CONVERTE"
Na gravura via-se Jesus à mesa, numa casa respeitável e – em primeiro plano – uma mulher cheia de colares e pulseiras. Tinha os cabelos despenteados e beijava demoradamente os pés do Senhor. A gravura retratava uma cena que S. Lucas descreve no capítulo 7 do seu evangelho.
Jesus tinha sido convidado para um jantar de gente piedosa, em casa do fariseu Simão. Inesperadamente, a meio do jantar, a porta abre-se e entra aquela mulher de perfume barato que todos bem conheciam da rua. Entra a chorar. Aproxima-se de Jesus, beija-lhe os pés, unge-os com perfume, lava-os com as suas lágrimas. Todos se indignam: "Como se atreve uma mulher desta espécie...?" Jesus não. Deixa-se tocar, não esconde o pé, deixa-se beijar. Não faz censuras, não dá lições de moral. No fim diz-lhe: "Vai em paz." Poder-lhe-ia ter dito "não voltes a pecar" mas nem era preciso. Bastou-lhe dizer "Os teus pecados estão perdoados. Vai em paz." Ela foi-se em paz, mudada.
Tocou-me o facto de que aquela noite tenha mudado por completo a vida desta mulher, enquanto que Simão, depois daquela noite, ficou apenas ainda mais igual a si próprio. Porque é que um mudou e o outro não? Também Simão esteve com o Senhor. Esteve até mais tempo. Foi até ele que O convidou para jantar!Pensei que a razão era bastante simples. A mulher amou, ele defendeu-se do amor. A mulher aproximou-se de Jesus com uma enorme sede de amar e ser amada. Simão aproximou-se de Jesus para ter umas conversas interessantes e respeitáveis.
Ele e os seus amigos estavam realmente interessados na pessoa de Jesus, mas no fundo estavam agarrados às suas seguranças, ao seu estatuto social, à respeitabilidade da imagem que tinham criado para si próprios. Ela já não tinha nada a perder. Nem estatuto social, nem respeitabilidade, nem imagem de si própria.
Simão esperava de Jesus uma noite bem passada. Ela esperava de Jesus um momento de amor a partir do qual pudesse reconstruir a sua vida toda. Ela mudou, ele não.
Espanta que Jesus, o Salvador, não tenha aproveitado a oportunidade para recordar àquela mulher alguns princípios básicos de bons costumes. Estou convencido de que não o fez por uma razão muito simples: depois de sabidas todas as teorias, a única coisa que, de fundo, nos faz mudar é o amor.
"Só o amor converte", dizia a legenda, o amor dos outros e sobretudo o amor infinito e incondicional de Deus. Cair do alto das nossas seguranças e das nossas defesas para amar e se deixar amar, este é o maior segredo da mudança. » Nuno Tovar de Lemos, s.j. , em "O Príncipe e a Lavadeira"
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
ENCONTRAR A ALEGRIA (2ª PARTE)
No entanto, temos uma hipótese de escolha, não tanto em relação às circunstâncias da nossa vida, quanto em relação à maneira como reagimos a essas circunstâncias. (...)
É importante darmo-nos conta de que em cada momento da nossa vida temos a oportunidade de escolher a alegria. A vida tem muitas facetas. Há sempre facetas tristes e alegres na realidade que vivemos. E, por isso, temos sempre a possibilidade de viver o momento presente, como causa de ressentimento ou como causa de alegria. É na escolha que reside a nossa verdadeira liberdade. E esta liberdade, em última análise, é a liberdade de amar.
É capaz de ser uma boa ideia perguntarmos a nós mesmos como é que desenvolvemos a nossa capacidade de optar pela alegria. Talvez possamos reservar alguns momentos no final do nosso dia, para ver como é que o passámos - seja o que for que tenha acontecido - e agradecer a oportunidade de o ter vivido. Se assim o fizermos, aumentaremos a capacidade do nosso coração para optar pela alegria. E, ao construirmos um coração mais alegre, tornar-nos-emos, sem nenhum esforço extraordinário, fonte de alegria para os outros. Assim como a tristeza origina tristeza, assim a alegria origina alegria.» - Henri Nouwen, em "Aqui e Agora"
terça-feira, 7 de outubro de 2008
ENCONTRAR A ALEGRIA
É frequente descobrirmos a alegria no meio da tristeza. Eu recordo os tempos mais tristes da minha vida como sendo oportunidades em que tomei maior consciência de alguma realidade espiritual muito maior que eu próprio, uma realidade que me permitiu viver a dor com esperança. Atrevo-me mesmo a dizer: «A minha angústia foi precisamente o lugar onde encontrei a alegria». Seja como for, nada acontece automaticamente na vida espiritual. A alegria não é algo que acontece assim sem mais nem menos. Temos de escolher a alegria e continuar a escolhê-la todos os dias. É uma escolha baseada no conhecimento de que encontramos em Deus o nosso refúgio e segurança e de que nada, nem sequer a morte, nos pode separar de Deus.» - Henri Nouwen, em "Aqui e Agora"
domingo, 5 de outubro de 2008
DEUS AMA-TE

sexta-feira, 3 de outubro de 2008
TODOS TÊM NECESSIDADE DE TI
bem mais os que o ignoram do que os que o sabem.
O faminto julga andar em procura do pão e tem fome de ti;
o sedento imagina que quer água e tem sede de Ti;
o doente tem a ilusão de desejar a saúde e o seu mal é a tua ausência.
Quem neste mundo procura o belo,
procura-te a Ti, sem o saber, a Ti que és a beleza íntegra e perfeita;
o que nos seus pensamentos persegue o verdadeiro,
busca-te a Ti que és a única verdade digna de ser conhecida;
e o que estende os braços para a paz,
levanta-os em direcção a Ti que és a única paz onde podem repousar os corações.
Eles chamam Ti sem saber que te chamam
e o seu grito é indizivelmente mais doloroso que o nosso.»
(G. Papini, em "História de Cristo")
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
DESPOJAR-SE (2ª Parte)
No fundo, ocorre um mistério trágico: o nosso «eu» tende a converter-se em «deus». Isto é: o nosso «eu» reclama e exige culto, amor, admiração, dedicação e adoração a todos os níveis, que só a Deus são devidos.(...)
Quando o interior do homem está liberto de interesses, propriedades e desejos, Deus pode estar nele sem dificuldade. Ao contrário, na medida em que o nosso interior está ocupado pelo egoísmo, não há já lugar para Deus. É um território ocupado.
Assim chegamos a compreender que o primeiro mandamento é idêntico à primeira bem-aventurança: quanto mais pobres, desprendidos e desinteressados somos, «mais» Deus é Deus em nós. Quanto mais somos «deus» para nós mesmos, «menos» Deus é Deus em nós. O plano está, pois, muito claro: «importa que Ele cresça e «eu» diminua» (Jo. 3, 30).» (Ignacio Larrañaga, em "Mostra-me o Teu Rosto")
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
DESPOJAR-SE

sexta-feira, 26 de setembro de 2008
NO SEIO DE DEUS

quarta-feira, 24 de setembro de 2008
AMIGO DO POBRE

domingo, 21 de setembro de 2008
HENRI NOUWEN
Passam hoje 12 anos sobre a morte de Henri Nouwen. Recentemente, tive o privilégio de ler uma biografia dele: "O Profeta Ferido - Um retrato de Henri J. M. Nouwen" - Michael Ford.
Fiquei a conhecer um pouco melhor um dos meus autores espirituais predilectos. Os livros de Henri Nouwen são para mim um tesouro espiritual inestimável, que costumo partilhar convosco através de algumas passagens e alguns trechos seleccionados dos livros que vou lendo.
Hoje, escolhi algumas passagens da biografia que li recentemente; mais concretamente passagens alusivas ao aniversário da sua morte.
No seu elogio fúnebre, Jean Vanier, disse:
"Por vezes, eu senti em Henri o coração ferido de Cristo, a angústia de Cristo. De facto, Deus não é um Deus seguro, lá no céu, que diz a toda a gente o que deve fazer, mas um Deus angustiado e sedento de amor; um Deus que não é compreendido, um Deus que tem sido rotulado pelas pessoas. O nosso Deus é um amante, um amante ferido. É este o mistério de Cristo, o amante ferido. E Henri também o é - esteja ele onde estiver - um amante ferido, sedento de amor, sedento de anunciar o amor.(...)
Muitas pessoas hão-de chorar porque havia qualquer coisa de profético em Henri. Ele aceitava a dor, optava por caminhar através da dor, pois é esse o caminho de todos nós. Escolher a cruz, caminhar através da cruz, pois nunca descobriremos a ressurreição, a menos que caminhemos através da cruz, a menos que, algures, nos deixemos despojar."
Sue Mosteller prestou-lhe a seguinte homenagem:
«Basta-nos olhar à nossa volta, nesta igreja, para ver como ele estendeu pontes entre nós, estabelecendo a união: ricos e pobres (...), de ambientes, culturas e confissões religiosas diferentes. Henri congregou-nos a todos. Cada um de nós o conheceu e o escutou, e todos dissemos: «É bom. Dá-nos mais.» Lemos os seus livros e dissemos: «É bom, dá-nos mais.» Agora ele deixou-nos e chegou a hora de assumirmos a responsabilidade da espiritualidade que nos legou.(...) Henri foi enviado a transmitir-nos: não tenhais medo da vossa dor, optai por amar quando as relações são difíceis, optai por acreditar quando a esperança fraqueja, ajudai-vos uns aos outros, ultrapassai os sentimentos de amargura e ressentimento para entrar em união uns com os outros, perdoai-vos uns aos outros do fundo do coração, porque Deus está perto e chama «Amado» a cada um de nós. Esta chamada a sair da nossa adolescência espiritual é o legado de Henri.»
(Michael Ford in "O Profeta Ferido - um retrato de Henri J. M. Nouwen")
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
DEUS NUNCA SE DECEPCIONA
por todos os gestos de amor e todos os gestos de ódio ou de indiferença,
pelos nossos fracassos e os nossos êxitos;
tudo, literalmente tudo se inscreve na nossa carne.
Assim, a experiência do amor de Deus por nós,
experiência que fazemos um dia (...),
não muda a nossa história nem o que nos moldou,
mas muda-nos porque nos revela que Deus nos ama,
tal como somos,
não tais como gostaríamos de ser,
não tais como a sociedade ou os nosso pais gostariam que fôssemos,
mas tais como somos hoje, com as nossas fragilidades, as nossas feridas,
os nosso medos, as nossas qualidades e os nosso defeitos.
Tais como somos hoje, somos amados por Deus.
E, se temos a impressão de que constantemente decepcionamos os outros,
que somos incapazes de corresponder às suas expectativas,
à sua confiança, às esperanças que depositaram em nós;
se temos o sentimento de que há uma distância
entre o que parecemos ser e o que somos na realidade,
entre aquilo que os outros pensam que somos capazes de fazer e o que podemos fazer de facto, então é preciso que saibamos que a Ele, o nosso Deus, jamais O decepcionaremos.
Ele conhece-nos exactamente.
Conhece o estranho mundo de trevas e luz que nos habita,
conhece melhor que nós esta mistura misteriosa que somos,
sabe aquilo de que somos capazes.
Os outros podem ser decepcionados por nós porque formam sonhos a nosso respeito
e nos projectam no ideal;
Deus nunca Se decepciona, porque aquele que ama, é aquele que eu sou hoje;
Deus não vive no futuro nem no passado mas sim no presente.
Ele "é" o presente e vê-me na minha realidade presente.»
(Jean Vanier, em "A Fonte das Lágrimas")
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
PORTA DE ESPERANÇA

segunda-feira, 15 de setembro de 2008
O GRANDE SEGREDO

sexta-feira, 12 de setembro de 2008
DEIXAR DEUS SER DEUS
Arrepender-se é deixar que Deus seja Deus na nossa vida.
A primeira mensagem de Cristo é "arrependei-vos e acreditai na Boa Nova". "Arrependei-vos" quer dizer, "voltai-vos para Mim e tomai consciência do Meu amor para convosco"
Reconhecer que somos pecadores e arrepender-nos é um processo contínuo que dura a vida inteira. Antes da morte não podemos atingir um estágio em que já não precisemos de arrependimento, porque há níveis sobre níveis de consciência dentro de nós, e a cada momento da nossa existência podem revelar-se esses níveis se o permitirmos, e mostrar-nos a profundidade da tendência que há em nós para recusarmos que Deus seja Deus.
Deus é paciente, vai-nos revelando gradualmente o pecado que há em nós. Parece não se preocupar com os nossos erros passados, embora os seus efeitos ainda nos possam causar sofrimento a nós e aos outros. "Embora os vossos pecados sejam como o escarlate, tornar-se-ão brancos como a neve" (Is 1, 18). O que Lhe importa é a direcção que levamos na vida. Se nos voltarmos para Ele - não importa que estejamos longe - Ele aproxima-se para nos receber.
O verdadeiro pecado está em recusar, ou em ter medo de me voltar para Ele, seja porque estou contente com aquilo que sou, seja porque julgo que devo primeiro pôr as minhas coisas em ordem, antes de me virar para Ele. » (George W. Hughes, em "O Deus das supresas")
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
O VERDADEIRO PECADO
O pecado não é, em primeiro lugar, transgressão da lei.
É isso mas não em primeiro lugar.
Toda a Sagrada Escritura, e em especial os Evangelhos e as epístolas de São Paulo
dizem-no muito claramente.
Pecar é virar as costas a Jesus, deixar de ter confiança n´Ele,
não acreditar nas suas promessas e na sua palavra,
duvidar da sua aliança
e não continuar a alimentar-se da sua presença.
Pecar é desligarmo-nos da vida de Jesus,
deixar de viver em comunhão com Ele,
recusar o seu corpo e o seu sangue,
rejeitar a sua palavra.
É evidente que se vai então transgredir a lei,
transgredir todas as leis."
(Jean Vanier, em "A Fonte das Lágrimas")
domingo, 7 de setembro de 2008
Vivos em Jesus
para amarmos os nossos inimigos,
para estarmos próximos dos pobres,
para sermos fiéis no sacramento do matrimónio,
para vivermos com amor,
é preciso estarmos vivos
e só podemos estar vivos se estamos em comunhão com Aquele
que é a própria Vida.
Quando Jesus diz à mulher apanhada em flagrante adultério: "Vai e não tornes a pecar",
diz de facto: "Vai e não Me deixes mais. Permanece no meu amor.
Aceita viver.
Alimenta-te da minha presença, alimenta-te do meu amor, do meu corpo e do meu sangue.
Escolhe o que é bom para ti e te faz viver".
É verdade, é preciso estar atento: há alimentos envenenados,
falsos amigos, maus filmes, maus livros,
formas de viver que pouco a pouco, se não tivermos cuidado,
podem afastar-nos de Jesus e destruir-nos.
É preciso estarmos atentos, pois, de facto,
se não somos seres que estão vivos, seres que estão de pé,
transgredimos a lei.
Se estivermos mortos,
se nos separarmos da fonte da vida,
não transmitiremos aos outros senão a morte.
Então, aprendamos a alimentar-nos bem:
da Palavra de Deus,
do Corpo de Jesus,
da oração
e desse misterioso sacramento da presença de Jesus no pobre.»
(Jean Vanier, em "A Fonte das Lágrimas")
INDAGAÇÕES SOBRE O CARPINTEIRO
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