quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A GRANDE ILUMINAÇÃO - Paul Claudel

Paul Claudel (1868-1955) :grande poeta e dramaturgo francês do século XX. Sua obra, profundamente marcada pela sua repentina conversão ao catolicismo, muitas vezes gira em torno de um dos principais temas do cristianismo: a acção da graça e a correspondência humana.


Paul Claudel nasceu a 6 de agosto de 1868, durante a festa da Transfiguração, em Villeneuve-sur-Fère-en-Tardenois, pequena aldeia do Aisne onde seu tio-avô foi cura. Entretanto, apesar da família de Claudel ter dado vários padres à Igreja, ele “era indiferente e, depois de nossa chegada a Paris”, escreveu o poeta em Ma Conversion (1913), “tornei-me nitidamente estranho às coisas da Fé”.
Não nos surpreende, pois foi o que se passou na segunda metade do século XIX com numerosas famílias burguesas. Claudel acrescenta: “Tinha feito uma boa primeira comunhão, que, como ocorre com a maioria dos jovens, foi ao mesmo tempo o coroamento e o fim das minhas práticas religiosas”.

Mais tarde, porém, acontece a sua fulgurante e repentina conversão. Uma experiência que haveria de dominar toda a sua vida:

"Assim era a infeliz criança que, a 25 de dezembro de 1886, foi a Notre-Dame de Paris para assistir aos ofícios de Natal. (...)
...conduzido e apertado pela multidão, assisti, com um prazer medíocre, à grande missa. Depois, não tendo nada melhor a fazer, voltei para assistir às vésperas. As crianças do coro, vestidas de branco, e os alunos do seminário-menor de Saint-Nicolas-du-Chardonnet, que os ajudavam, estavam a preparar-se para iniciar o canto que mais tarde soube ser o Magnificat.

“Estava misturado ao povo, junto do segundo pilar à entrada do coro, à direita da sacristia. E foi então que se produziu o acontecimento que domina toda a minha vida. Num determinado instante, meu coração foi tocado e acreditei. Acreditei com tal força, com tal adesão de todo o meu ser, com tão poderosa convicção, com tal certeza sem deixar lugar a qualquer espécie de dúvida que, depois, todos os livros, todos os raciocínios, todos os acasos de uma vida agitada, não puderam abalar-me a fé, nem mesmo, para ser mais preciso, tocá-la de leve que fosse.
“Tive de súbito o forte sentimento da inocência, da eterna juventude de Deus, uma revelação inefável.

Tentando, como o fiz várias vezes, reconstituir os minutos que se seguiram a este instante extraordinário, encontro os elementos seguintes que, entretanto, não formam senão um clarão, uma única arma de que a Providência Divina se servia para atingir e abrir enfim o coração de uma pobre criança desesperada: “Como aqueles que crêem são felizes! E se fosse verdade? É verdade! Deus existe, Ele está em toda parte, É alguém, é um Ser tão pessoal como eu. Ele me ama, Ele me chama.

“As lágrimas e os soluços vieram... e o canto tão doce do Adeste , aumenta ainda mais a minha emoção. Emoção bem doce, mas a que se misturava um sentimento de espanto e quase de horror. Porque as minhas convicções filosóficas não estavam destruídas. Deus as havia deixado desdenhosamente onde estavam, e eu nada via a mudar nelas; a religião católica me parecia continuar o mesmo tesouro de anedotas absurdas, seus padres e fiéis me inspiravam a mesma aversão que ia até o ódio e o desgosto. O edifício de minhas opiniões e de meus conhecimentos permanecia de pé e nada via de falho nele.
Tinha apenas me retirado. Um novo e terrível ser, com exigências terríveis para o jovem e o artista que eu era, tinha se revelado e não sabia como conciliá-lo com coisa alguma que me cercava.“O estado de um homem que fosse arrancado de um golpe de seu corpo, para ser colocado em um corpo estranho, no meio de um mundo desconhecido, é a única comparação que posso encontrar para exprimir este estado de confusão completa. O que mais repugnava a minhas opiniões e a meus gostos, é que era a verdade e com o que seria necessário que de bom ou de mau grado eu me adaptasse. Ah! Isso não aconteceria sem que tentasse tudo que me fosse possível para resistir”.

Claudel trava então uma "luta contra Deus" que durou quatro anos. Quem estiver interessado em saber como se desenrolou essa luta e outros aspectos da vida e obra deste poeta e dramaturgo, é só clicar aqui:http://www.quadrante.com.br/pages/servicos02.asp?id=193&categoria=Biografia_Testemunho&pg=buscaartigo&campo=paul

Fonte: Quadrante

2 comentários:

barbara disse...

mtoo bom isso aqui!!!

H K Merton disse...

Uma biografia, um exemplo de vida, uma linda fonte de inspiração... E mais! Não pude deixar de identificar-me. Ser cristão é maravilhar-se mais e mais a cada novo dia... Obrigado, Paulo, querido irmão!

Nada é grave...

"Nada é grave, a não ser perder o amor." [Irmão Roger de Taizé]