quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Um Objectivo Claro


Teremos nós um objectivo claro na vida? Para os atletas cujo objectivo é a obtenção da medalha olímpica tudo o resto é secundário. A maneira de comer, dormir, estudar e treinar, tudo é determinado por esse objectivo claro.

Isto é tão verdade na vida espiritual, como o é na vida dos desportistas de competição. Sem um objectivo definido, estaremos sempre distraídos e gastaremos as nossas energias em coisas secundárias. «Tem os olhos postos no prémio», dizia Martin Luther King ao seu povo. O que é o nosso prémio? É a vida divina, a vida eterna, a vida com e em Deus. Jesus propôs-nos essa meta, esse prémio celeste. Disse a Nicodemos: «... Deus amou de tal modo o mundo que lhe entregou o seu Filho para que quem acreditar Nele não pereça mas tenha a vida eterna» (Jo 3, 16).

Não é fácil manter os olhos fixos na vida eterna, especialmente num mundo que continua a dizer-nos que há coisas mais imediatas e urgentes em que concentrar a atenção. Raramente há um dia que não distraia a nossa atenção da meta e no-la faça parecer vaga e nebulosa. Mas, mesmo assim, sabemos por experiência que, sem um objectivo claro, a nossa vida se fragmenta em muitas tarefas e obrigações que nos esvaziam e nos deixam com uma sensação de exaustão e inutilidade.

Como manter então o objectivo claro, como fixar o nosso olhar no prémio? Através da disciplina da oração; a disciplina que nos ajuda a trazer Deus de volta, para o centro da nossa vida, quantas vezes for preciso. Mesmo assim, continuaremos a cair em distracções, continuaremos constantemente ocupados com muitos assuntos urgentes, mas, quando programamos um pouco de tempo e espaço para voltar para Deus que nos oferece a vida eterna, gradualmente chegamos à conclusão de que as muitas coisas que temos que fazer, dizer ou reflectir já não nos distraem, mas, em vez disso, nos conduzem para mais perto da nossa meta. É importante, no entanto, que a nossa meta seja clara. A oração mantém a meta clara e se, porventura, o objectivo se tornar vago, a oração volta a dar-lhe definição.



Henri Nouwen, em "Aqui e Agora"

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