domingo, 27 de janeiro de 2008

Cinco dimensões ou estágios da vida eterna

1. Confiança e fé em Jesus, o "Filho do homem", aquele que foi ungido para nos salvar(...) Essa confiança é uma realidade, e é ela mesma uma verdadeira manifestação da vida "das alturas", não das capacidades humanas normais. É, como diz Hb 11:1, "a convicção de factos que não se vêem". Qualquer um que verdadeiramente possui essa confiança tem absoluta certeza de estar "lá dentro" .

2. Mas essa confiança na pessoa de Jesus leva naturalmente ao desejo de ser seu aprendiz na vida do reino de Deus. (...) A condição de aprendiz de Jesus significa viver no seu mundo, ou seja, colocar em prática os seus ensinamentos(Jo 8:31). E isso gradualmente integra toda a nossa existência no glorioso mundo da vida eterna. Tornamo-nos "verdadeiramente [...] livres" (Jo 8:36).

3. A abundância de vida que se alcança quando se é discípulo de Jesus, "permanecendo na sua palavra", naturalmente conduz à obediência. O ensinamento que recebemos e a experiência de vivê-lo leva-nos a amar Jesus e ao seu Pai com a plenitude do nosso ser: o coração, a alma, o entendimento e a força (corporal). E assim aprendemos a amar essa obediência a ele, mesmo quando não compreendemos ou até mesmo quando não "gostamos" do que ele exige.
"Se me amais" , disse Jesus, "guardareis os meus mandamentos" (Jo 14:15) (...)

4. A obediência, com a vida de disciplina que exige, conduz à completa transformação interior do coração e da alma. E, num processo circular, essa mesma transformação sustenta a obediência. A condição permanente do discípulo passa então a ser a de "amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio" (Gl 5:22-23; comparar com 2Pe 1:2-11). E é amor autêntico até ao nosso âmago mais profundo. Essas virtudes são chamadas de "frutos do Espírito", pois não são consequências directas do nosso esforço, mas são-nos incutidas à medida que passamos a admirar e imitar Jesus, fazendo todo o necessário para aprender a obedecer-lhe.

5. Por fim, vem o poder para fazer as obras do reino. Uma das declarações mais chocantes de Jesus (...) foi esta: "Aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e outras maiores fará" (Jo 14:12). É normal que nos sintamos assombrados e incapazes diante desta afirmação. Mas tenhamos em mente que o mundo em que vivemos precisa desesperadamente que essas obras sejam feitas(...) [Mas] grande poder exige grande carácter para que seja uma bênção, não uma maldição, e esse carácter é algo que precisamos adquirir gradualmente.

(...) É intenção de Deus que no seu reino tenhamos todo o poder que pudermos colocar a serviço do bem. Na verdade, o seu objectivo final no desenvolvimento do carácter humano é dar-nos o poder de fazer o que queremos. E, quando estivermos plenamente desenvolvidos à imagem de Jesus, quando tivermos plenamente em nós o "sentimento" de Cristo, é justamente isso que irá acontecer - para grande alegria e alívio do próprio Deus, sem dúvida.

Deus passa a agir connosco sempre que nos nossos actos confiamos Nele. Isso explica porque Jesus disse que o menor no reino dos céus é maior do que João Baptista - não, logicamente, maior em si mesmo, mas porque um poder maior age com ele. O maior não é inerente, dependente da nossa essência, mas relacional. Por isso, C. S. Lewis escreve que a nossa fé não é uma questão de ouvir aquilo que Cristo disse há tanto tempo e "tentar realizá-lo". Antes "o verdadeiro Filho de Deus está do seu lado. Ele está começando a transformar você no mesmo tipo de coisa que Ele é. Está começando, por assim dizer, a «injectar» a Sua vida e o Seu pensamento, em você; começando a transformar o soldado de chumbo num homem vivo. A parte que você não gosta disso é aquela que ainda é chumbo. (os grifos são meus)


Dallas Willard, em "A Conspiração Divina"

Um comentário:

danieldliver disse...

É maravilhoso ter o entendimento gradualmente aberto para o maior empreendimento do mundo: seguir Jesus e participar da natureza divina!

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