domingo, 10 de fevereiro de 2008

Novas Criaturas

«Para nos tornarmos novas criaturas, temos de perder o que agora chamamos de "nós mes­mos". Temos de sair de nós mesmos e entrar em Cristo. A vontade Dele tem de ser a nossa e temos de pensar seus pensamentos; temos de "ter a mente de Cristo", como diz a Bíblia.

As novas cria­turas já estão espalhadas, aqui e ali, por toda a superfí­cie da Terra. Algumas, como eu mesmo admiti, ainda não são reconhecíveis, mas outras podem ser reconhe­cidas. De quando em vez, encontramos uma delas. As próprias vozes e rostos delas são diferentes dos nossos: mais fortes, mais tranquilos, mais felizes, mais radiantes. Elas partem de onde a maioria de nós mal consegue chegar.

Como eu disse, são reconhecíveis; mas você pre­cisa saber o que procurar. Não se assemelham em nada à ideia de "pessoas religiosas" que você formou a partir das suas leituras. Não chamam a atenção para si. Você tende a pensar que está sendo gentil com elas, quando na verdade são elas que estão sendo gentis com você. Amam-no mais do que os outros homens, mas precisam menos de você. (Aliás, temos de superar a vontade de nos sentirmos necessários: em certas pessoas "boazinhas", especialmente mulheres, essa é a tentação mais difícil de vencer.)
Em geral, parecem ter tempo de sobra; fica­mos a pensar de onde vem esse tempo. Depois de reco­nhecer a primeira dessas novas criaturas, você reconhece­rá com muito mais facilidade a segunda.
E tenho a forte suspeita (mas como vou saber com certeza?) de que elas mesmas se reconhecem umas às outras de modo imediato e infalível, por cima de todas as barreiras de cor, sexo, classe social, idade e até mesmo de credo. Nesse senti­do, santificar-se é como entrar numa sociedade secreta. No mínimo, no mínimo, deve ser uma coisa extrema­mente divertida.»



C.S. Lewis, em "Cristianismo puro e simples"

Um comentário:

Ecclesiae Dei disse...

Muito verdadeiro esse texto!
Paz e bem!

Nada é grave...

"Nada é grave, a não ser perder o amor." [Irmão Roger de Taizé]