«Jesus, levantando os olhos, viu os ricos deitarem as suas ofertas no cofre; viu também uma pobre viúva lançar ali dois leptos; e disse: Em verdade vos digo que esta pobre viúva deu mais do que todos; porque todos aqueles deram daquilo que lhes sobrava; mas esta, da sua pobreza, deu tudo o que tinha para o seu sustento.» (Lucas 21:1-4)
«Dar, não da minha riqueza mas da minha pobreza, como a viúva de Jerusalém que deu a sua última moeda, esse é o grande desafio do Evangelho. Quando avalio criticamente a minha vida descubro que a minha generosidade surge sempre num contexto de abastança. Dou algum do meu dinheiro, algum do meu tempo, parte da minha energia e alguns dos meus pensamentos sobre Deus aos outros, mas guardo sempre para mim dinheiro, tempo, energia e pensamentos suficientes para a minha própria segurança. Assim nunca dou verdadeiramente a Deus a possibilidade de me demonstrar o Seu Amor sem limites.»
Henri Nouwen, em "A Caminho de Daybreak"
domingo, 14 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
O DESERTO
"Na simbologia bíblica, o deserto é uma etapa no caminho para Deus que todos os que são chamados à fé devem atravessar.
O deserto não é uma pátria, mas somente um percurso, um caminho que conduz ao conhecimento do Amor misericordioso de Deus. Todos aqueles que procuram Deus devem passar por ele, pois a experiência do deserto está estreitamente ligada ao aprofundamento da nossa fé na Sua Misericórdia.
O deserto, por excelência, são os dificeis estados espirituais de aridez e secura, quando Deus pareça ter-te abandonado, quando não sintas a Sua presença e te seja mais difícil crer nela.
A situação do deserto põe a descoberto aquilo que no homem se encontra mais profundamente escondido. (...) É no deserto que o homem se dá conta de que coisas é capaz, da sua fraqueza, da sua condição de pecador, da sua dureza de coração. Aí o homem encontra-se face a face com a aterradora verdade daquilo que é sem a ajuda de Deus.
Normalmente o homem vive de uma maneira superficial, como se vivesse apenas à flor da pele. Só as situações difíceis, as situações de deserto, o constrangem a tomar decisões, revelando, ao mesmo tempo, as camadas mais profundas do bem ou do mal.
O deserto, porém, não só revela a verdade acerca de ti, mas transforma-te interiormente, polarizando as tuas atitudes. O dom do deserto permite-te vencer a tibieza, porque te obriga a fazer opções.
Enquanto fores um cristão tíbio, para quem a vida corre sem problemas e tudo vai bem, a tua situação, vista à luz da fé, é dramática, porque pensas que és tu que solucionas tudo e Deus deixa, assim, de te ser necessário: estás, desse modo, numa condição de ateísmo prático.
A finalidade do deserto é de formar o homem, fortalecer a sua fé, eliminar a sua mediocridade, formar verdadeiros discípulos de Cristo.
No deserto é que vais dar conta de que Deus realmente nunca te abandona. É verdade que no deserto Deus Se oculta mas, na realidade, Ele está particularmente perto de ti. Nunca como nessas ocasiões se encontra tão próximo. Somente espera que Lhe demonstres a tua fé, espera que Lhe estendas os teus braços confiantemente."
Tadeusz Dajczer, em "Meditações sobre a Fé"
O deserto não é uma pátria, mas somente um percurso, um caminho que conduz ao conhecimento do Amor misericordioso de Deus. Todos aqueles que procuram Deus devem passar por ele, pois a experiência do deserto está estreitamente ligada ao aprofundamento da nossa fé na Sua Misericórdia.
O deserto, por excelência, são os dificeis estados espirituais de aridez e secura, quando Deus pareça ter-te abandonado, quando não sintas a Sua presença e te seja mais difícil crer nela.
A situação do deserto põe a descoberto aquilo que no homem se encontra mais profundamente escondido. (...) É no deserto que o homem se dá conta de que coisas é capaz, da sua fraqueza, da sua condição de pecador, da sua dureza de coração. Aí o homem encontra-se face a face com a aterradora verdade daquilo que é sem a ajuda de Deus.
Normalmente o homem vive de uma maneira superficial, como se vivesse apenas à flor da pele. Só as situações difíceis, as situações de deserto, o constrangem a tomar decisões, revelando, ao mesmo tempo, as camadas mais profundas do bem ou do mal.
O deserto, porém, não só revela a verdade acerca de ti, mas transforma-te interiormente, polarizando as tuas atitudes. O dom do deserto permite-te vencer a tibieza, porque te obriga a fazer opções.
Enquanto fores um cristão tíbio, para quem a vida corre sem problemas e tudo vai bem, a tua situação, vista à luz da fé, é dramática, porque pensas que és tu que solucionas tudo e Deus deixa, assim, de te ser necessário: estás, desse modo, numa condição de ateísmo prático.
A finalidade do deserto é de formar o homem, fortalecer a sua fé, eliminar a sua mediocridade, formar verdadeiros discípulos de Cristo.
No deserto é que vais dar conta de que Deus realmente nunca te abandona. É verdade que no deserto Deus Se oculta mas, na realidade, Ele está particularmente perto de ti. Nunca como nessas ocasiões se encontra tão próximo. Somente espera que Lhe demonstres a tua fé, espera que Lhe estendas os teus braços confiantemente."
Tadeusz Dajczer, em "Meditações sobre a Fé"
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
A GLÓRIA DE DEUS
"Cada um de nós tem que cumprir esta missão, deixar que toda a glória de Deus se manifeste através de si. (...)
Cristo em pessoa é que é o nosso Mestre. Cristo é mistério. Nós não podemos possuir nunca a verdade de Cristo; o que podemos é pedir-Lhe para sermos possuídos por Ele, pela sua verdade e pelo seu amor, "que estão para lá do nosso alcance".
Quando Ele estabelece a sua morada em nós, não somos nós que O deixamos entrar na nossa vida, mas somos nós que Lhe devolvemos a casa, porque Ele é o Senhor de tudo e ama tudo o que criou."
George W. Hughes, em "O Deus das surpresas"
Cristo em pessoa é que é o nosso Mestre. Cristo é mistério. Nós não podemos possuir nunca a verdade de Cristo; o que podemos é pedir-Lhe para sermos possuídos por Ele, pela sua verdade e pelo seu amor, "que estão para lá do nosso alcance".
Quando Ele estabelece a sua morada em nós, não somos nós que O deixamos entrar na nossa vida, mas somos nós que Lhe devolvemos a casa, porque Ele é o Senhor de tudo e ama tudo o que criou."
George W. Hughes, em "O Deus das surpresas"
domingo, 7 de fevereiro de 2010
DAR TUDO
Eu mendigava de porta em porta,
pelo caminho da aldeia,
quando um carro de ouro surgiu à distância
e parecia um sonho esplêndido.
Perguntei a mim mesmo quem seria esse Rei de todos os reis.
Minhas esperanças subiram ao céu.
Eu pensava: terminaram os meus dias nefastos.
E tive esperança de esmolas espontâneas e de riquezas soltas na areia.
O carro parou onde eu estava.
Ele me olhou e disse sorrindo.
Eu senti que afinal chegara o dia da minha felicidade.
E de repente estendeu-me a mão direita, perguntando:
"Que tens para mim?"
Ah, teu gesto real de estender a mão direita a um mendigo!
Confuso, perplexo, meti a mão na sacola
e, devagar, retirei um pequeno grão de trigo, que lhe ofereci.
Mas, à tardinha, foi enorme a minha surpresa.
Esvaziando a minha sacola,
vi um grão de ouro entre os de trigo.
Chorei lágrimas amargas e lamentando-me dizia:
"Por que não lhe dei tudo?"
Rabindranath Tagore
pelo caminho da aldeia,
quando um carro de ouro surgiu à distância
e parecia um sonho esplêndido.
Perguntei a mim mesmo quem seria esse Rei de todos os reis.
Minhas esperanças subiram ao céu.
Eu pensava: terminaram os meus dias nefastos.
E tive esperança de esmolas espontâneas e de riquezas soltas na areia.
O carro parou onde eu estava.
Ele me olhou e disse sorrindo.
Eu senti que afinal chegara o dia da minha felicidade.
E de repente estendeu-me a mão direita, perguntando:
"Que tens para mim?"
Ah, teu gesto real de estender a mão direita a um mendigo!
Confuso, perplexo, meti a mão na sacola
e, devagar, retirei um pequeno grão de trigo, que lhe ofereci.
Mas, à tardinha, foi enorme a minha surpresa.
Esvaziando a minha sacola,
vi um grão de ouro entre os de trigo.
Chorei lágrimas amargas e lamentando-me dizia:
"Por que não lhe dei tudo?"
Rabindranath Tagore
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
DAR A VIDA
«Jesus tinha duas idéias centrais: o Reino dos Céus e a justiça na terra. Por causa desta segunda idéia, os sacerdotes o mataram.
Jesus percebeu o Reino dos Céus no coração dos homens - um mundo de beleza, de verdade, de intensidade - e se dispôs a morrer por isto, pois acreditava que só o seu martírio nos faria entender a importância deste Reino.
Jesus podia ter salvado a si mesmo, simplesmente demonstrando aos sacerdotes que Ele não estava pedindo nenhum poder terreno para si. Mas, se recusando a morrer, seu sacrifício não seria total; Jesus sabia que apenas as palavras e os ensinamentos não bastam.
Então resolveu entregar-se à crucificação, certo que a morte gravaria os seus ensinamentos nos discípulos -para sempre. Demonstrando sua coragem de não fugir dos perseguidores, conseguiria mantê-los unidos, fiéis ao que Ele viera ensinar.
Tenho plena certeza do que estou dizendo, assim como estou certo que a decisão de morrer deve ter sido aceite por Jesus depois de uma intensa luta consigo mesmo. Ele morreu, e a idéia do Reino dos Céus nunca mais se perdeu na escuridão.»
Kahlil Gibran, em "Cartas de amor do Profeta"
Jesus percebeu o Reino dos Céus no coração dos homens - um mundo de beleza, de verdade, de intensidade - e se dispôs a morrer por isto, pois acreditava que só o seu martírio nos faria entender a importância deste Reino.
Jesus podia ter salvado a si mesmo, simplesmente demonstrando aos sacerdotes que Ele não estava pedindo nenhum poder terreno para si. Mas, se recusando a morrer, seu sacrifício não seria total; Jesus sabia que apenas as palavras e os ensinamentos não bastam.
Então resolveu entregar-se à crucificação, certo que a morte gravaria os seus ensinamentos nos discípulos -para sempre. Demonstrando sua coragem de não fugir dos perseguidores, conseguiria mantê-los unidos, fiéis ao que Ele viera ensinar.
Tenho plena certeza do que estou dizendo, assim como estou certo que a decisão de morrer deve ter sido aceite por Jesus depois de uma intensa luta consigo mesmo. Ele morreu, e a idéia do Reino dos Céus nunca mais se perdeu na escuridão.»
Kahlil Gibran, em "Cartas de amor do Profeta"
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
A LUZ DA LIBERDADE EM CRISTO
«A verdadeira unidade não é a unicidade mas a riqueza dum pluralismo soldado pelo amor. Uma sinfonia é feita duma pluralidade de notas que não têm valor senão em relações que mantêm umas com as outras. Mas cada nota deve manter-se ela mesma e querer que as outras sejam elas mesmas, porque, se ela desaparecesse, o acorde já não seria um: ficaria mais pobre.
O ideal da orquestra não é que haja só violões. O violão deve querer que o violoncelo seja plenamente violoncelo, a flauta plenamente flauta e que essa diferença, essa riqueza e essa diversidade dos instrumentos constituam uma orquestra verdadeiramente una.
O amor quer que o outro seja e que seja verdadeiramente outro. Não um reflexo de si, não um satélite, mas uma outra liberdade. Deus quer - é o seu próprio ser, o seu acto simples, eterno - que o outro seja, que os outros sejam. E este querer é eficaz, como todo o querer divino.
Aquele que é a luz, quer que a luz resplandeça nos olhos do ser amado. Se te amo, não posso querer que os teus olhos sejam baços. Se te amo, quero que haja luz nos teus olhos e desejo estar junto de ti como um contágio de luz, uma transmissão de existência luminosa.
Um olhar de amor ou amizade, é um olhar de ambição para o outro. Amo-te quer dizer: sou ambicioso em relação a ti, sobretudo não quero dominar-te nem abafar a tua liberdade, desejo despertar-te. Quero que a minha liberdade comungue com a tua, o que não é possível se a tua não existir.(...)
Deus é suscitador de pessoas livres. Ele não pode amar-nos se não vir nos nossos olhos a luz da liberdade.» - François Varillon, em "Alegria de Crer e Viver"
O ideal da orquestra não é que haja só violões. O violão deve querer que o violoncelo seja plenamente violoncelo, a flauta plenamente flauta e que essa diferença, essa riqueza e essa diversidade dos instrumentos constituam uma orquestra verdadeiramente una.
O amor quer que o outro seja e que seja verdadeiramente outro. Não um reflexo de si, não um satélite, mas uma outra liberdade. Deus quer - é o seu próprio ser, o seu acto simples, eterno - que o outro seja, que os outros sejam. E este querer é eficaz, como todo o querer divino.
Aquele que é a luz, quer que a luz resplandeça nos olhos do ser amado. Se te amo, não posso querer que os teus olhos sejam baços. Se te amo, quero que haja luz nos teus olhos e desejo estar junto de ti como um contágio de luz, uma transmissão de existência luminosa.
Um olhar de amor ou amizade, é um olhar de ambição para o outro. Amo-te quer dizer: sou ambicioso em relação a ti, sobretudo não quero dominar-te nem abafar a tua liberdade, desejo despertar-te. Quero que a minha liberdade comungue com a tua, o que não é possível se a tua não existir.(...)
Deus é suscitador de pessoas livres. Ele não pode amar-nos se não vir nos nossos olhos a luz da liberdade.» - François Varillon, em "Alegria de Crer e Viver"
domingo, 31 de janeiro de 2010
UMA FOLHA NÃO É UM LIVRO...
«Quando Jesus fala de perdão corta o mal pela raiz. Ensina-nos a relativizar o nosso eu. Sugere que nos desviemos uns milímetros do centro do mundo e seremos menos atingidos pelas setas que se desprendem do quotidiano. Sugere-nos que vejamos melhor os outros.
Uma folha não é um livro nem um degrau é uma escada.
Não se define um amigo ou um estranho, por meia dúzia de palavras que disse a nosso respeito, ou mesmo por alguma atitude reprovável que acerca de nós tenha tomado.
O cristianismo não defende uma moral de patetas pseudo-insensíveis à realidade que os circunda. Convida a uma atitude inteligente e pacífica que saiba relativizar as limitações dos outros, mesmo quando as consequências incidem sobre a nossa pessoa.
Acredito cada vez mais que quem não entendeu isto dificilmente chegará a viver a experiência da Paz. E nunca descobrirá a profundidade e até a beleza do perdão.
Uma folha não é um livro nem um degrau é uma escada.
Henrique Manuel, em "Mas Há Sinais..."
Uma folha não é um livro nem um degrau é uma escada.
Não se define um amigo ou um estranho, por meia dúzia de palavras que disse a nosso respeito, ou mesmo por alguma atitude reprovável que acerca de nós tenha tomado.
O cristianismo não defende uma moral de patetas pseudo-insensíveis à realidade que os circunda. Convida a uma atitude inteligente e pacífica que saiba relativizar as limitações dos outros, mesmo quando as consequências incidem sobre a nossa pessoa.
Acredito cada vez mais que quem não entendeu isto dificilmente chegará a viver a experiência da Paz. E nunca descobrirá a profundidade e até a beleza do perdão.
Uma folha não é um livro nem um degrau é uma escada.
Henrique Manuel, em "Mas Há Sinais..."
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
SÓ NO AMOR...
«Só no amor do outro como outro, na passagem da esfera inteira do eu para o tu, é que o homem se encontra no caminho que vai do homem à humanidade. (...)
O homem só se comprova, só chega a si mesmo no encontro; é no acontecimento do olhos nos olhos que a verdade nasce, e que se revela espontaneamente, de modo livre, por graça, a profundidade do ser humano.»
Hans Urs von Balthasar, em "Só o Amor é Digno de Fé"
O homem só se comprova, só chega a si mesmo no encontro; é no acontecimento do olhos nos olhos que a verdade nasce, e que se revela espontaneamente, de modo livre, por graça, a profundidade do ser humano.»
Hans Urs von Balthasar, em "Só o Amor é Digno de Fé"
domingo, 24 de janeiro de 2010
MARÉS E MARINHEIROS

«A vida hoje afastou-nos da natureza: as paisagens urbanas, com as suas florestas de betão, encerram a vida entre paredes eficazes, super-cómodas, é certo, mas o ar que respiramos por alguma razão se chama “ar condicionado”.
O que acredito é que precisamos de amplitude, de campos vastos a perder de vista, de viagens mais profundas que as da rotina. Precisamos perceber o silêncio das coisas, cúmplice do silêncio da nossa alma.
Precisamos da liberdade leve dessas horas inapreensíveis que passamos junto ao mar.
Há um poeta que diz: “Deus anda à beira d’água”. Não me admiro nada. A imensidão, o nome límpido, a alegria azul do mar são lugares onde Deus deixou o Seu toque.
Os caminhos marítimos para os outros continentes estão descobertos.
O que acredito é que precisamos de amplitude, de campos vastos a perder de vista, de viagens mais profundas que as da rotina. Precisamos perceber o silêncio das coisas, cúmplice do silêncio da nossa alma.
Precisamos da liberdade leve dessas horas inapreensíveis que passamos junto ao mar.
Há um poeta que diz: “Deus anda à beira d’água”. Não me admiro nada. A imensidão, o nome límpido, a alegria azul do mar são lugares onde Deus deixou o Seu toque.
Os caminhos marítimos para os outros continentes estão descobertos.
Falta, talvez, (re)descobrir o caminho marítimo para o porto secreto de cada coração.
José Tolentino Mendonça
José Tolentino Mendonça
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
RECEBER E VIVER A VERDADE
«O cristão não reflecte ao jeito dum filósofo que inventa, de certo modo, a sua verdade e a propõe a outras pessoas. O cristão não inventa a verdade, recebe-a. (...)
O cristianismo não é uma filosofia, a Revelação não se situa no plano da explicação das coisas: ilumina o nosso caminhar até Deus, o que é totalmente diferente.
A Revelação diz-nos qualquer coisa sobre Deus e qualquer coisa sobre o homem, na medida em que isso é necessário à verdade da nossa relação viva, real, com Deus.»
François Varillon, em "Alegria de Crer e Viver"
O cristianismo não é uma filosofia, a Revelação não se situa no plano da explicação das coisas: ilumina o nosso caminhar até Deus, o que é totalmente diferente.
A Revelação diz-nos qualquer coisa sobre Deus e qualquer coisa sobre o homem, na medida em que isso é necessário à verdade da nossa relação viva, real, com Deus.»
François Varillon, em "Alegria de Crer e Viver"
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
SOU EU, NÃO TEMAS
Sou eu, não temas. Não me ouves quebrar
em ti todos os meus sentidos?
O meu sentir que asas veio a encontrar,
voa, branco, à volta da tua face sem ruídos.
Não vês a minha alma de silêncio vestida
mesmo frente a ti aparecida?
Não amadurece minha oração em flor
no teu olhar como numa árvore de suave odor?
Eu sou o teu sonho, se sonhador fores.
Sou a tua vontade, se velar quiseres
e apodero-me da magnificência sem par
e arredondo-me como um silêncio estelar
sobre a estranha cidade do tempo a passar.
Rainer Maria Rilke (1875-1926)
In «O Livro de Horas»,
em ti todos os meus sentidos?
O meu sentir que asas veio a encontrar,
voa, branco, à volta da tua face sem ruídos.
Não vês a minha alma de silêncio vestida
mesmo frente a ti aparecida?
Não amadurece minha oração em flor
no teu olhar como numa árvore de suave odor?
Eu sou o teu sonho, se sonhador fores.
Sou a tua vontade, se velar quiseres
e apodero-me da magnificência sem par
e arredondo-me como um silêncio estelar
sobre a estranha cidade do tempo a passar.
Rainer Maria Rilke (1875-1926)
In «O Livro de Horas»,
domingo, 17 de janeiro de 2010
FELIZ
Feliz aquele que cedo se levanta para procurar a Sabedoria
Encontra-a sentada à sua porta
Feliz aquele que se consagra ao inútil e ao gratuitoEntra na liberdade na casa de Deus
Feliz aquele que perde o tempo de simplesmente existirEncontra o Autor do sétimo dia
Feliz aquele que mergulha nas raízes do seu serSente a Fonte a brotar em si
Feliz aquele que se reconhece mendigo de AbsolutoDá o nome à fome do seu grito
Feliz aquele que descobre o seu rosto interior
Tropeça na alegria
Feliz aquele que até esquece os seus pecadosConhece o repouso do Amor
Feliz aquele que olha o outro como Deus o vê
Torna-se aquilo que contempla
Jacques Gauthier
Encontra-a sentada à sua porta
Feliz aquele que se consagra ao inútil e ao gratuitoEntra na liberdade na casa de Deus
Feliz aquele que perde o tempo de simplesmente existirEncontra o Autor do sétimo dia
Feliz aquele que mergulha nas raízes do seu serSente a Fonte a brotar em si
Feliz aquele que se reconhece mendigo de AbsolutoDá o nome à fome do seu grito
Feliz aquele que descobre o seu rosto interior
Tropeça na alegria
Feliz aquele que até esquece os seus pecadosConhece o repouso do Amor
Feliz aquele que olha o outro como Deus o vê
Torna-se aquilo que contempla
Jacques Gauthier
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
A REVOLUÇÃO DO AMOR
O eixo da revolução moral cristã é o amor (Jesus o classificou como o sinal pelo qual o discípulo seria reconhecido). O perigo espreita em nossas tentativas subtis de minimizar, racionalizar e justificar nossa moderação a esse respeito. Oferecer a outra face, caminhar a milha extra, não devolver os insultos, reconciliar-se um com o outro e perdoar setenta vezes sete vezes não são caprichos arbitrários do Salvador. Ele não prefaciou o Sermão do Monte com "seria bom se...". O novo mandamento estrutura a nova aliança no seu sangue. Tão central é o preceito do amor que Paulo o chamou cumprimento da Lei.
Segundo John McKenzie, "a razão demanda moderação no amor, como em todas as coisas; a fé, aqui, destrói a moderação. A fé não tolera um amor moderado por um companheiro humano mais do que tolera um amor moderado entre Deus e o homem". O mandamento do amor é o completo código moral do cristão. Thomas Merton declarou que um "bom" cristão que abriga ódio no coração por qualquer pessoa ou grupo étnico é objectivamente um apóstata da fé.
Brennan Manning, em "Convite à Loucura"
Segundo John McKenzie, "a razão demanda moderação no amor, como em todas as coisas; a fé, aqui, destrói a moderação. A fé não tolera um amor moderado por um companheiro humano mais do que tolera um amor moderado entre Deus e o homem". O mandamento do amor é o completo código moral do cristão. Thomas Merton declarou que um "bom" cristão que abriga ódio no coração por qualquer pessoa ou grupo étnico é objectivamente um apóstata da fé.
Brennan Manning, em "Convite à Loucura"
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
SÊ VERDADEIRAMENTE HUMANO
«Receais que eu seja humano, demasiado humano? Desconfiai desse receio; por essa via, podereis derivar para o desumano, acreditando que assim vos aproximais de mim, ou mesmo que falais em meu lugar.
Engano total.
Se quiserdes estar próximos de mim,
tornai-vos tão humanos quanto possível.
É essa a vossa maior proximidade.
Porque a minha distância está para além de toda a distância que vos é dado criar ou compreender.
Permanecei, pois, no vosso lugar.
É aí que Eu estou.»
Maurice Bellet
Engano total.
Se quiserdes estar próximos de mim,
tornai-vos tão humanos quanto possível.
É essa a vossa maior proximidade.
Porque a minha distância está para além de toda a distância que vos é dado criar ou compreender.
Permanecei, pois, no vosso lugar.
É aí que Eu estou.»
Maurice Bellet
domingo, 10 de janeiro de 2010
A PRESENÇA DE DEUS ENTRE NÓS
«Deus vem buscar o homem.
A beleza não é mais do que Deus que vem buscar o homem.
Tudo aquilo que é beleza no mundo é como uma encarnação.
Em tudo aquilo que nos dá o puro sentimento do belo, há presença real de Deus.
A beleza é esta presença de Deus entre nós.»
Simone Weil
A beleza não é mais do que Deus que vem buscar o homem.
Tudo aquilo que é beleza no mundo é como uma encarnação.
Em tudo aquilo que nos dá o puro sentimento do belo, há presença real de Deus.
A beleza é esta presença de Deus entre nós.»
Simone Weil
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INDAGAÇÕES SOBRE O CARPINTEIRO
“A árvore é força vertical da natureza, da terra em direcção ao céu. Tem a postura da espécie humana. Por isso o cego que Jesus curou em Bet...
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A Vilma do blog - Coisas de mim , desafiou-me para falar das características que mais me marcam na pessoa de Jesus. É com prazer e alegria q...
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O psiquiatra Augusto Cury estudou a vida, personalidade e inteligência de Cristo durante bastante anos. Dos seus estudos e investigações res...
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