quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Deixar Cristo viver em nós

«Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.» - Gálatas 2, 20

A grande mudança do Evangelho não é "eu deixar de ser eu", mas "eu render-me à vontade do meu novo Senhor", isto é, não mais o meu eu, mas o Cristo que vive em mim(...)
A conversão não implica a despersonalização. A conversão não apaga tudo que vivi e fez de mim o que sou. Mas depois de me render a Cristo, toda a minha vida passa por uma revisão, e muita coisa que eu fazia necessariamente deixo de fazer, e muita coisa que não fazia passo a fazer. Não por obrigação ou culpa, mas por nova orientação da minha vontade; mudou o meu objecto de devoção.
Creio também que as figuras "morte e ressurreição" ou "novo nascimento", que simbolizam o antes e depois da experiência mística-espiritual cristã, não significam que deixei de ser o que sempre fui, mas que passei a viver orientado para outra direcção. Não é que eu mudei; o que mudou foi a maneira como convivo com o que sempre fui, e provavelmente vou continuar sendo.

O extraordinário nisto tudo é que já não sou obrigado a ser o que sempre fui, não estou escravizado a realizar a sina da minha personalidade e cumprir o vaticínio das marcas que a vida deixou em mim.Sou livre. Livre para me reinventar, livre para vir a ser e, inclusive, livre para continuar sendo o que sempre fui, mas relacionando-me de maneira tão diferente comigo mesmo que as pessoas ao meu redor dirão que pareço outra pessoa. Conheci a verdade, e a verdade libertou-me.

Ed René Kivitz - Outra espiritualidade

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Abba


Abba, apelativo coloquial utilizado por criancinhas judias para dirigirem-se aos seus pais e melhor traduzida como "Papá" ou "Paizinho", abriu a possiblidade de uma intimidade jamais sonhada e sem precedentes com Deus. Em qualquer outra religião mundial é impensável dirigir-se ao Todo-Poderoso Deus como "Abba"(...)

A experiência de Abba é a fonte e o segredo do ser de Cristo, da sua mensagem e maneira de viver. Ela pode ser compreendida apenas pelos que compartilham dela. Até que nos encontremos com o Pai de Jesus e o experimentemos como um Papá amoroso e perdoador é impossível compreender o ensino de Jesus a respeito do amor.
A fim de compreender a sua implacável ternura e amor apaixonado por nós, devemos sempre regressar á sua experiência de Abba. Jesus experimentou Deus como terno e amoroso, cortês e gentil, compassivo e perdoador: como riso pela manhã e conforto ao anoitecer(...)
Abba. As conotações desta pequena palavra sempre nos escaparão. Porém, nela sentimos uma intensa intimidade de Jesus com o seu Pai. Tocamos o coração da sua fé. Chegamos a compreender a mente de Cristo(...)

A proclamação do Reino nasceu da urgência no coração de Jesus. Foi crucial Ele ter trazido a Boa Nova do evangelho da graça. Bastaria que as pessoas percebessem o facto de serem amadas: as suas vidas seriam transformadas e um novo reino se levantaria nas suas existências.

Nós não somos apenas convidados, mas de facto chamados a penetrar nessa afectuosa e libertadora experiência de Deus como Abba. O Apóstolo Paulo é muito claro: "Porque não recebestes o espírito da escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adopção de filhos, pelo qual clamamos: «Abba, Pai» " (Romanos 8, 15).

Somos privilegiados de partilhar da intimidade que Jesus desfruta com o seu Pai. Somos chamados a viver e celebrar a mesma liberdade que tornou Jesus tão atraente e autêntico.


Brennan Manning, A assinatura de Jesus

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Renúncia por amor

“Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo”. (Lucas 14, 33)

Jesus nunca negociou a verdade para, desta forma, conseguir mais discípulos. Ele não esconde o facto de que segui-lo implica, sempre, abnegação. Existe uma cruz para cada um que deseja ir após o Salvador. A cruz, marca de vitória no cristianismo, deve ser, também, ainda hoje, um símbolo de abnegação, entrega, serviço e amor. Somente aqueles que compreendem isso podem, de facto, viver uma verdadeira vida cristã. Queremos as bênçãos provenientes da cruz; entretanto, não podemos fugir da renúncia que ela traz para a vida de todo aquele que, por crer, segue Jesus. Ser cristão é carregar as dores do outro para que este possa provar as bênçãos celestiais. Cruz e egoísmo não podem andar juntos. Cruz e egocentrismo se opõem, sempre.

Para aceitarmos uma cruz temos, certamente, que passar por um processo de mudança de paradigmas. Não conseguimos renunciar a nada deste mundo sem nos libertarmos do apego às coisas terrenas. A mente secular leva-nos a uma valorização e priorização de coisas que, no reino de Deus, estão em último lugar em importância. Por outro lado, coisas que o mundo despreza, no reino divino são as primeiras em prioridade e valor.
Entendendo estas verdades, podemos nos perguntar: por que sigo Jesus? Será que estou em Cristo pelas bênçãos tão claramente prometidas nas igrejas ou o amo de verdade? Estou disposto a renunciar a tudo pelo Redentor? Sigo-o para servir ou para ser servido? Estas são questões importantíssimas e que devem ser respondidas por cada um de nós, pessoalmente. Não somos salvos pelas nossas obras, mas, pela obra de Cristo. Todavia, todos os que já são salvos passam a fazer obras, por amar Deus e o próximo, obras manifestas pelo serviço e abnegação. Que esta renúncia, tão cara ao mundo, nos seja algo natural, proveniente de um amor intenso e sincero.

Fonte: http://www.devocionais.com.br/

terça-feira, 4 de setembro de 2007

A absoluta importância do motivo

A prova pela qual toda conduta será finalmente julgada é o motivo. Como a água não pode subir mais alto do que o nível da sua fonte, assim a qualidade moral de um acto nunca pode ir mais alto do que o motivo que o inspira. Por esta razão, nenhum acto procedente de um mau motivo pode ser bom, ainda que algum bem possa parecer provir dele. Toda a acção praticada por ira ou despeito, por exemplo, ver-se-á afinal que foi praticada pelo inimigo e contra o reino de Deus. Infelizmente, a natureza da actividade religiosa é tal que muita coisa dela pode ser levada a efeito por razões não boas, como a raiva, a inveja, a ambição, a vaidade e a avareza.

Nesta questão de motivos, como em muitas outras coisas, os fariseus dão-nos claros exemplos. Eles continuam sendo os mais tristes fracassos religiosos do mundo, não por causa de erro doutrinário, nem porque fossem pessoas de vida abertamente dissoluta. Todo o problema deles estava na qualidade dos seus motivos religiosos.
- Oravam, mas para serem ouvidos pelos homens, e deste modo o seu motivo arruinava as suas orações e as tornava não somente inúteis, mas realmente más.
- Contribuíam generosamente para o serviço do templo, mas às vezes o faziam para escapar do seu dever para com os seus pais, e isto era um mal, um pecado.
- Eles condenavam o pecado e se levantavam contra ele quando o viam nos outros, mas o faziam por sua justiça própria e por sua dureza de coração.
Assim era com quase tudo o que faziam. Suas actividades eram cercadas de uma aparência de santidade, e essas mesmas actividades, se realizadas por motivos puros, seriam boas e louváveis. Toda a fraqueza dos fariseus jazia na qualidade dos seus motivos. Que isso não é uma coisa pequena infere-se do facto de que aqueles religiosos formais e ortodoxos continuaram na sua cegueira até que finalmente crucificaram o Senhor da glória sem um pingo de noção da gravidade do seu crime.

Actos religiosos praticados por motivos vis são duplamente maus - maus em si mesmos e maus porque praticados em nome de Deus. Isso é equivalente a pecar em nome d'Aquele Ser que é sem pecado, a mentir em nome d'Aquele que não pode mentir, e a odiar em nome d´Aquele cuja natureza é amor. Os cristãos, especialmente os muito activos, frequentemente devem tomar tempo para sondar as suas almas para certificar-se dos seus motivos. Muito cântico é cantado para exibição; muito sermão é pregado para mostrar talento; muita igreja é fundada como uma bofetada nalguma outra igreja. Mesmo a actividade missionária pode tornar-se competitiva, e a conquista de almas pode degenerar, passando a ser uma espécie de plano de vendedor de escovas, para satisfazer a carne. Não se esqueçam, os fariseus eram grandes missionários, e circundavam mar e terra para fazer um converso. Um bom modo de evitar a armadilha da actividade religiosa vazia é comparecer ante Deus sempre que possível com as nossas Bíblias abertas no capítulo 13 de I Coríntios. Esta passagem, conquanto considerada como uma das mais belas da Bíblia, é também uma das mais severas das que se acham nas Escrituras Sagradas.
O apóstolo toma o serviço religioso mais elevado e o consigna à futilidade, a menos que seja motivado pelo amor. Sem amor, profetas, mestres, oradores, filantropos e mártires são despedidos sem recompensas.Para resumir, podemos dizer simplesmente que, à vista de Deus, somos julgados, não tanto pelo que fazemos como por nossas razões para fazê-lo. Não o que, mas por que, será a pergunta importante quando nós cristãos comparecermos no tribunal para prestarmos contas dos actos praticados enquanto no corpo.

Extraído do livro 'A RAIZ DOS JUSTOS' de A.W.Tozer

sábado, 1 de setembro de 2007

O Amor de Jesus

Jesus ama-nos como somos e não como deveríamos ser, já que nenhum de nós é como deveria ser.
A vida do Apóstolo Paulo está ancorada na sua amizade íntima com Jesus. "Para mim o viver é Cristo" (Filipenses 1, 21). Diariamente, Paulo entrega a sua vida a Jesus, confia Nele, louva-O, pede-Lhe aquilo de que precisa, encontra Nele a sua razão de ser e com gratidão aceita o seu amor, sabendo que ele não conhece sombra de mudança.
Ele "amou-me e entregou a si mesmo por mim (Gálatas 2, 20). Nunca deixe que estas palavras sejam interpretadas como mera intelectualização de Paulo. O amor de Jesus Cristo era uma realidade ardente e divina para ele, e a sua vida é incompreensível excepto em termos dele. Paulo teria sido soterrado na história como um zelote desconhecido, não fosse o seu amor imenso e intransigente pela pessoa de Jesus. Se algum de nós abordasse Paulo e quisesse discutir a reforma paroquial ou a adoração contemporânea, ele responderia: "Não tenho nenhuma compreensão de igreja ou de religião excepto em termos do homem sagrado, Jesus, que me amou e entregou-se por mim."

Brennan Manning -"A assinatura de Jesus"

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Cristão verdadeiro

«Um cristão verdadeiro é uma pessoa estranha em todos os sentidos. Ele sente um amor supremo por alguém que ele nunca viu; conversa familiarmente todos os dias com alguém que não pode ver; espera ir para o céu pelos méritos de outro; esvazia-se para que possa estar cheio; admite estar errado para que possa ser declarado certo; desce para que possa ir para o alto; é mais forte quando ele é mais fraco; é mais rico quando é mais pobre; mais feliz quando se sente o pior. Ele morre para que possa viver; renuncia para que possa ter; doa para que possa manter; vê o invisível, ouve o inaudível e conhece o que excede todo o entendimento.»
A.W. Tozer

sábado, 25 de agosto de 2007

Carta do Irmão Roger, de Taizé


No seu Evangelho, numa fulgurante intuição, São João exprime quem é Deus em três palavras: «Deus é amor.» Basta compreendermos estas três palavras para podermos ir longe, muito longe.
O que nos cativa nestas palavras? É encontrar nelas esta certeza luminosa: Deus não enviou Cristo à terra para condenar quem quer que seja, mas para que todo o ser humano se saiba amado e possa encontrar um caminho de comunhão com Deus.
Mas por que razão há pessoas que o amor deslumbra, que se sabem amadas, realizadas? Por que razão há outras que julgam ser desprezadas?
Se cada um de nós compreendesse: Deus acompanha-nos mesmo na nossa solidão mais insondável. Ele diz a cada um de nós: «És precioso aos meus olhos, eu estimo-te e amo-te.» Sim, Deus só pode dar o seu amor, aí se encontra todo o Evangelho.
O que Deus nos pede e nos oferece é que recebamos a sua infinita misericórdia.
Que Deus nos ama é uma realidade por vezes pouco acessível. Mas quando descobrimos que o seu amor é antes de tudo perdão, o nosso coração encontra sossego e acaba por transformar-se.
Eis que nos tornamos capazes de confiar a Deus o que perturba o nosso coração: encontramos então uma fonte onde buscar nova vitalidade.
Estaremos bem conscientes? Deus confia tanto em nós que dirige a cada um de nós um chamamento. O que é esse chamamento? É o convite a amar como ele nos ama. E não há amor mais profundo do que ir até ao dom de si próprio, por Deus e pelos outros.
Quem vive de Deus escolhe amar. E um coração decidido a amar pode irradiar uma bondade sem limites.
Para quem procura amar com confiança, a vida enche-se de uma beleza serena.
Quem procura amar e dizê-lo através da sua vida é levado a interrogar-se sobre uma das questões mais prementes: como aliviar as penas e o tormento daqueles que estão próximo ou longe?
Mas o que é amar? Será partilhar o sofrimento dos mais maltratados? Sim.
Será ter uma bondade infinita de coração e esquecer-se de si próprio por causa dos outros, de forma desinteressada? Sim, certamente.
E ainda: o que é amar? Amar é perdoar, viver reconciliados. E a reconciliação é sempre uma Primavera da alma.


Irmão Roger, de Taizé

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Jesus: o centro da nossa fé

«Não somos agentes de viagem entregando folhetos turísticos de lugares que nunca visitamos. Somos exploradores de fé de um país sem fronteiras, país que descobrimos, pouco a pouco, não ser um lugar, mas uma pessoa. A nossa fé inclui as nossas crenças, mas também as transcende, pois a realidade de Jesus Cristo nunca pode ser confinada dentro de formulações doutrinárias.
A pergunta, portanto, não é mais: Jesus de facto é semelhante a Deus?, mas: Deus de facto é semelhante a Jesus? Esse é o sentido tradicional da declaração de que Jesus é a Palavra de Deus. Não é Deus que nos revela Jesus, é Jesus que nos revela Deus. Não podemos deduzir nada sobre Jesus do que pensamos que sabemos a respeito de Deus; devemos deduzir tudo a respeito de Deus do que sabemos sobre Jesus.»

Brennan Manning, A Assinatura de Jesus

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Continua a viver onde Deus está

Viver uma vida disciplinada é viver de tal modo que queres estar apenas onde Deus está contigo. Quanto mais aprofundares a vivência da tua vida espiritual, tanto melhor discernirás a diferença entre viver com Deus e viver sem Deus, e mais fácil será saíres dos locais onde Deus deixa de estar contigo. Aqui o maior desafio reside na fidelidade, que deve ser vivida nas escolhas de cada momento. Quando a tua comida, bebida, trabalho, divertimento, conversa ou escrita deixam de ser para glória de Deus, deves parar imediatamente, por que já não estás a viver para a glória de Deus, começas a viver para tua própria glória. Assim, separas-te de Deus e prejudicas-te.
A tua principal preocupação deve ser sempre se estás ou não a viver com Deus. Possuis conhecimento interno suficiente para responder a esta pergunta. Cada vez que fazes alguma coisa orientada pela tua necessidade de aceitação, de afirmação ou de afecto, e de cada vez que fazes alguma coisa que aumenta estas carências sabes que não estás com Deus. Elas nunca serão satisfeitas; apenas aumentam quando lhes cedes. Mas cada vez que fizeres alguma coisa para glória de Deus, conhecerás a paz de Deus no teu coração e lá encontrarás descanso.

Henri Nouwen, A Voz Íntima do Amor

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Regressa sempre ao ponto sólido

Tens que acreditar na resposta afirmativa que te é devolvida quando perguntas «Amas-me?» Deves escolher este sim mesmo quando não o sentes.Sentes-te esmagado por distracções, fantasias, pelo perturbante desejo de te lançares no mundo do prazer. Mas sabes de antemão que não será aí que vais descobrir uma resposta para a tua dúvida mais profunda. Tal como essa resposta não está em voltar a analisar minuciosamente acontecimentos passados ou na culpa ou recriminação. Tudo isso apenas contribui para te exaurir e fazer abandonar a rocha sobre a qual está construída a tua casa.Tens de confiar nesse ponto sólido, no local onde podes dizer sim ao amor de Deus mesmo quando não o sentes. Neste momento nada sentes a não ser vazio e falta de força para escolher. Mas continua a repetir «Deus ama-me e o amor de Deus basta». Tens que escolher uma e outra vez esse local sólido e regressar a ele após cada fracasso.

Henri Nouwen, A Voz Íntima do Amor

domingo, 12 de agosto de 2007

Essências do verdadeiro Cristão

"O ideal cristão mudou e inverteu tudo, de forma que, como é dito no evangelho: «Aquilo que tem muito valor entre os homens é detestável aos olhos de Deus». O ideal já não é a grandeza de um faraó ou de um imperador romano, nem a beleza de um grego ou a riqueza da Fenícia, mas a humildade, a pureza, a compaixão e o amor. O herói não é rico, mas o mendigo Lázaro; não Maria Madalena nos seus dias de beleza, mas no dia do seu arrependimento; não os que adquirem riquezas, mas os que as abandonam; não os que moram em palácios, mas os que vivem em catacumbas e cabanas; não os que dominam sobre os outros, mas os que não admitem nenhuma autoridade além da de Deus." - Leon Tolstoi

"Aprendi que seguir a Jesus não significa resolver todos os pro­blemas humanos - o próprio Cristo não tentou fazer isto -, mas, ao contrário, reagir como Ele mesmo fez, contra toda a razão, para dispen­sar graça e amor àqueles que menos mereciam." - Philip Yancey

"Cristo diz: «Quero tudo o que é teu. Não quero uma parte do teu tempo, uma parte do teu dinheiro e uma par­te do teu trabalho: quero-te a ti! Não vim para atormen­tar o teu ser natural, vim para matá-lo. As meias-medidas não me bastam. Não quero cortar um ramo aqui e outro ali; quero abater a árvore inteira. Não quero ras­par, revestir ou obturar o dente; quero arrancá-lo. En­trega-me todo o teu ser natural, não só os desejos que te parecem maus, mas também os que se afiguram inocen­tes - o aparato inteiro. Em lugar dele, dar-te-ei um ser novo. Na verdade, dar-te-ei a mim mesmo: o que é meu se tornará teu»." - C.S.Lewis

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Para pensar...

«O que somos (nosso ego ou identidade pessoal) é, em parte, re­sultado da Criação (a imagem de Deus) e, em parte, resultado da Queda (a imagem estragada). O ego que devemos negar, rejeitar e crucificar é o caído, tudo o que dentro de nós for incompatível com Jesus Cristo (daí os seus mandamentos: "negue-se a si mesmo" e então "siga-me"). O ego que devemos afirmar e valorizar é o criado, tudo o que em nós for compatível com Jesus Cristo (daí a sua afir­mativa de que se perdermos a nossa vida mediante a negação própria a encontraremos). A verdadeira autonegação (a negação de nosso ego falso e caído) não é a estrada para a autodestruição, mas o caminho da autodescoberta.» - John Stott

“A entrega sem reflexão é fanatismo em acção, mas a reflexão sem entrega é a paralisia de toda acção”.- John Mackay

“Uma grande parte de nossas dúvidas e de nossos temores provém de sombrias percepções do que seja a real natureza do Evangelho de Cristo... a raiz de uma religião feliz é um claro , preciso e bem definido conhecimento de Jesus Cristo”. - J.C. Ryle

«O pecado não é um lapso lamentável de padrões convencionais; a sua essência é a hostilidade para com Deus (Romanos 8:7), manifesta em rebeldia activa contra Ele. O pecado tem sido descrito em termos de "livrar-se do Senhor Deus" a fim de colocarmos a nós mesmos no seu lugar, num espírito altivo de "poderosidade divina". Emil Brunner resume esse pensamento muito bem, ao dizer: "Pecado é desafio, arrogância, desejo de ser igual a Deus. . . Asserção da independência humana contra Deus. . . Constituição da razão au­tónoma, moralidade e cultura".» - John Stott

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Salvos pelo Amor de Deus

« O cristão não tem outra Lei senão Cristo. Sua “Lei” é a vida nova que lhe foi conferida em Cristo. A nossa Lei não está escrita em livros, e sim nas profundezas do nosso coração; não pela mão de seres humanos, mas pelo dedo de Deus. O nosso dever agora não é apenas obedecer, e sim viver. Não temos de nos salvar, somos salvos por Cristo. Devemos viver para Deus em Cristo, não só como quem procura a salvação, mas como quem está salvo.»

« Não é a observância obrigatória que nos preserva do pecado, mas algo de muito maior: é o amor. E esse amor não é algo que desenvolvamos apenas com as nossas próprias forças. É um dom sublime da misericórdia divina, e o facto de que vivemos na consciência dessa misericórdia e desse dom é a maior fonte de crescimento para o nosso amor e a nossa santificação. Esse dom, essa misericórdia, esse amor ilimitado de Deus por nós, foi derramado sobre nós como resultado da vitória de Cristo. Saborear esse amor é partilhar da sua vitória. Ter consciência da nossa liberdade, exultar na nossa libertação da morte, do pecado, da Lei, é cantar o aleluia que glorifica realmente a Deus neste mundo e no mundo que há-de vir.»

domingo, 5 de agosto de 2007

Sobre a Oração


«A oração não nos cega ao mundo, mas transforma a nossa visão do mundo, e passamos a vê-lo, assim como a ver todos os homens e toda a história da humanidade, à luz de Deus. Orar em "espírito e verdade" permite-nos entrar em contacto com aquele amor infinito, aquela liberdade impenetrável que está por trás das complexidades e dificuldades da existência humana.»

Thomas Merton

«Na oração aconchegamo-nos nos braços do Pai, nas suas mãos amorosas. A nossa mente, os nossos pensamentos, a nossa imaginação podem saltar de um lugar para o outro; podemos até mesmo cair no sono; porém estamos essencialmente escolhendo permanecer durante esse tempo na intimidade com o nosso Pai, entregando-nos a Ele, recebendo o seu amor e cuidado, deixando que Ele desfrute de nós à vontade.»

Brennan Manning

terça-feira, 31 de julho de 2007

A Negação de Pedro


«Mas Pedro, respondendo, disse-lhe: Ainda que todos se escandalizem de ti, eu nunca me escandalizarei. Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que esta noite, antes que o galo cante três vezes negar-me-ás. Respondeu-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de modo algum te negarei. E o mesmo disseram todos os discípulos.» - Mateus 26, 33-35

O Apóstolo Pedro construira todo o seu relacionamento com Cristo no pressuposto de que era capaz de agir da forma adequada. É por isso que foi tão difícil para ele encarar a sua negação ao Senhor. A sua força, a sua lealdade e a sua fidelidade eram bens fornecidos por ele ao discipulado. A falácia na mente de Pedro era a seguinte: ele cria que o seu relacionamento dependia da sua consistência em produzir as qualidades pelas quais ele achava que havia conquistado a aprovação do Senhor. Muitos de nós enfrentamos o mesmo problema. Projectamos no Senhor o nosso padrão mensurado de aceitação. Toda a nossa compreensão Dele está baseada num toma-lá-dá-cá de amor permutado. Ele nos amará se formos bons, éticos e diligentes. Mas nós trocamos as perspectivas: tentamos viver de modo a que Ele nos ame em vez de viver porque ele nos amou.

Brennan Manning- O Evangelho Maltrapilho




INDAGAÇÕES SOBRE O CARPINTEIRO

“A árvore é força vertical da natureza, da terra em direcção ao céu. Tem a postura da espécie humana. Por isso o cego que Jesus curou em Bet...