
Perdoar do fundo do coração é muito difícil. Quase impossível. Jesus disse aos discípulos:«(Se o teu irmão) te ofender sete vezes ao dia e sete vezes te vier dizer: "Arrependo-me", perdoar-lhe-ás» (Lucas 17, 4)
Muitas vezes digo: «perdoo-te»; mas o meu coração continua aborrecido ou ressentido. Quero continuar a ouvir a história que me prove que, ao fim e ao cabo, tenho razão; quero continuar a ouvir desculpas e justificações; quero ter a satisfação de receber em troca algum louvor - nem que seja só por ter perdoado!
No entanto, o perdão de Deus é incondicional; brota de um coração que não reclama nada para si, de um coração completamente vazio de egoísmo. É o seu divino perdão que tenho de praticar na minha vida quotidiana. É um chamamento a passar por cima de todos os argumentos que dizem que o perdão é pouco prudente, pouco saudável e nada prático. Desafia-me a passar por cima de todas as minhas necessidades de gratidão e de atenção. Por fim, exige que me sobreponha àquela parte do meu eu que se sente ferida e agravada e que deseja manter o controlo e impor algumas condições a quem me pediu perdão.
Este «passar por cima» é a autêntica lei do perdão. Talvez seja mais «trepar» que «passar». Muitas vezes tenho que trepar acima do muro de argumentos negativos que levantei entre mim e aquele que amo e não me retribui o amor. É um muro de receio de ser utilizado ou ferido outra vez. É um muro de orgulho e de vontade de controlar. Mas cada vez que subo a esse muro, entro na casa onde o Pai habita e abraço aí o meu irmão com um amor autêntico e misericiordioso.
Henri Nouwen, O Regresso do Filho Pródigo
A primeira e geralmente única pessoa a ser curada pelo perdão é a pessoa que perdoa... Quando genuinamente perdoamos, libertamos um prisioneiro e então descobrimos que o prisioneiro que libertamos éramos nós.
A única coisa mais difícil do que o perdão é não perdoar.
Philip Yancey, Maravilhosa Graça






