domingo, 12 de abril de 2009

UMA SANTA PÁSCOA!!!


“Agora, com a ressurreição de Cristo, o poder da Páscoa irrompeu sobre nós. Agora, encontramos em nós uma força que não é nossa e que nos é dada livremente sempre que dela necessitamos, elevando-nos acima da Lei, dando-nos uma nova Lei que se acha escondida em Cristo: a lei de seu amor misericordioso.

Agora, não mais nos esforçamos por sermos bons porque somos obrigados a isso, porque é um dever, e sim porque é uma alegria agradar ao Senhor que nos deu todo o seu amor! Agora, nossa vida está repleta de sentido!(…)

Para compreender a Páscoa e vivê-la, temos de renunciar ao nosso temor da novidade e da liberdade!”
(Thomas Merton)

quinta-feira, 9 de abril de 2009

ESPERA NO AMOR

«Quando Jesus chama o jovem rico, diz-lhe:
"Uma só coisa te falta: vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e segue-Me".

O jovem não pode.
Jesus não insiste.
Não corre atrás dele para o seduzir ou o convencer ou prometer-lhe
uma coisa diferente da verdade,
uma grande glória ou riqueza... que o tivesse atraído.
Não usa nenhum método de manipulação,
não faz nenhuma publicidade,
respeita demais a nossa liberdade,
ama-nos demais,
é também issso a sua pobreza.

Deus diz: "Se queres... segue-Me. Mas não te obrigo,
não te prometo o sucesso na terra,
mas o céu, que é estar sempre contigo.
Se queres, caminhemos juntos, não te abandonarei".

É certo, não nos abandonará mesmo que nos afastemos d´Ele.
Quando Jesus chamou alguém, mesmo que esse alguém faça disparates,
Jesus não o abandonará, não o criticará,
saberá esperar que ele mude,
saberá esperar o seu regresso.

Nós temos tendência a utilizar as pessoas e, se elas não respondem
à nossa expectativa, mandamo-las embora.
Jesus não manda ninguém embora,
não Se afasta da sua promessa.
Espera no amor.

O que Ele quer é que nós cresçamos na liberdade interior,
que cheguemos a amar livremente,
e pode durar muito,
um longo caminho de crescimento.
É a humildade da ressurreição,
a humildade do nosso crescimento no Espírito Santo.»

(Jean Vanier, em "A Fonte das Lágrimas")

terça-feira, 7 de abril de 2009

TUDO É GRAÇA

"Deus vem ao teu encontro sob a forma de um dom, na Sua graça que te interpela e neste sentido «tudo é graça».
Ele quer que para ti tudo resulte num «capital» de bem e até do próprio mal procura extrair algo de bom. Evidentemente que o mal não pode ser uma graça, mas na Sua omnipotência e infinita misericórdia, Deus pode extrair dele o bem. As consequências do mal podem mesmo dar como fruto uma boa oportunidade de se alcançar a conversão. Então, desse modo, «tudo é graça» e tudo é um talento, porque o Senhor, sempre e em toda a parte, te concede uma oportunidade.

Deves começar a olhar a tua vida de modo diferente, isto é, deves vê-la com os olhos da fé. Só então te aperceberás que Deus te cumula continuamente de dons, apenas nessa altura serás capaz de compreender que toda a tua vida é um conjunto de oportunidades escondidas, em ordem a uma contínua transformação interior. Compreenderás, pois, que tudo é graça."

(Tadeusz Dajczer, em "Meditações sobre a Fé")

domingo, 5 de abril de 2009

DESEJOS DE DEUS

«Os mestres espirituais afirmam que Deus Se revela, Se dá à medida dos nossos desejos.
Se desejamos muito, recebemos muito, pois Deus dá muito.

Ele, o Pai, é sempre magnânimo quando encontra no coração do homem desejo de paz, amor, santidade, comunhão. (...)

Não andes, como dizia S. João da Cruz, a comer do que não mata a fome,
a beber do que não mata a sede.
Ou pior ainda, como dizia o profeta,
a beber da água lodosa, armazenada em cisternas rotas.(...)

Deseja Deus, suspira por Ele,
anseia por contemplá-l`O,
anseia por viveres em maior e mais plena comunhão com Ele.
Esse desejo será ouvido por Deus,
será escutado pelo Senhor.
E Ele, no seu amor,
dar-Se-á na medida dos teus desejos.

Procura Deus,
abre-te a Ele, anseia por Ele.
Acalenta, alimenta o desejo do amor divino.
Nem tu sonhas onde Ele te poderá conduzir,
se desejares muito,
com verdade e sinceridade.

Alimenta no teu ser,
no teu interior,
esse desejo incessante de intimidade e de comunhão.
E Deus, mais cedo ou mais tarde,
virá ao te encontro,
te encherá da sua presença,
cumulará os teus desejos.

Se desejas muito o teu Deus,
já O vais possuindo à medida do teu desejo." -

Dário Pedroso, s.j., em "Sinfonias do Amor" (adaptado)

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O OBJECTIVO DA MINHA VIDA

"O objectivo da minha vida é que o meu ego deixe de bloquear a imagem original e genuína de Deus, que existe dentro de mim, e que eu permaneça sempre permeável ao seu Espírito.

Tenho confiança de que a minha vida se tornará uma bênção para outras pessoas, de que eu próprio me tornarei uma bênção, se deixar de circular, de forma egocêntrica, à volta do meu próprio sucesso ou de me fixar no meu próprio resultado. Só então serei verdadeiramente livre. Nessa altura, serei verdadeiramente capaz de amar. (...)

Pressinto que o meu objectivo é ser totalmente eu próprio, ser totalmente aquilo para que Deus me designou, sem utilizar Deus a meu favor e sem querer dar provas de mim a mim mesmo.

O meu objectivo é, portanto, tornar-me aquele que sou com origem em Deus, e gerar lucros, tal como Jesus prometeu àqueles que n´Ele permanecem e junto de quem Ele permanece.

E eu sei que só serei verdadeiramente produtivo quando abandonar o meu ego e me tornar totalmente permeável ao amor. Um amor que brota em mim para correr através de mim na direcção dos outros e os alegrar."

(Anselm Grün, em "O Livro das Respostas")

quarta-feira, 1 de abril de 2009

MESTRE, ONDE MORAS?

Jesus voltou-Se e, notando que eles O seguiam, perguntou-lhes: «Que pretendeis?»
Eles disseram-Lhe: «Rabi - que quer dizer Mestre - onde Moras?»
Ele respondeu-lhes: «Vinde e vereis.»
Foram, pois, e viram onde Morava e ficaram com Ele nesse dia.
Eram as quatro da tarde. (Jo 1, 38-39)

"Parecem palavras sem importância maior; atrás delas, porém, esconde-se o essencial. A questão básica é a saber o que queremos ou, como se diz com mais precisão em grego: o que procuramos. "O que procuras?", pergunta Jesus a cada um que pretende segui-lo. (...)

Os discípulos perguntam por sua vez: "Onde moras?"
Este é o chamamento: morar com Jesus, ficar com Ele, estar na casa dele.
Jesus toma posse de sua propriedade. Ele nos acolhe em sua casa.
A Jesus não interessa a casa terrena, e sim, a morada com Deus. Em Jesus, Deus armou a sua tenda em nosso meio. Em Jesus podemos morar na casa de Deus.

Jesus convida os discípulos: "Vinde e vereis".

Não basta ouvir apenas o que os outros têm a dizer de Jesus. Ser discípulo significa viver a sua própria experiência com Jesus. Nós mesmos precisamos ver. Não podemos deixar que os outros vejam por nós. "

(Anselm Grün, em "Jesus - Porta para a Vida")

terça-feira, 31 de março de 2009

HISTÓRIAS DOS PADRES DO DESERTO II

Milagres e Visões

Um certo eremita persistiu nos seus propósitos durante trinta anos. E um dia, pensou para consigo: «Estou aqui há tantos anos e ainda não tive nenhuma visão nem fiz nenhum milagre como os Padres que foram monges antes de mim.» E viu-se tentado a abandonar aquela vida. Foi então que lhe disseram: «Que milagre queres tu fazer que seja tão extraordinário como a paciência e a coragem que Deus te deu, e que te permitem perseverar durante tanto tempo?»

Perguntaram a um ancião: «Como é que alguns dizem: “Temos visões de anjos?”» Ele respondeu: «Feliz aquele que não cessa de ver as suas falhas!»

Salvação

Um irmão interrogou um aba: «Diz-me uma coisa: como posso eu ser salvo?» O ancião respondeu-lhe: «Senta-te na tua cela. Se tiveres fome, come, se tiveres sede, bebe. Mas não digas mal de ninguém».

Benevolência

Reuniu-se um conselho para o qual se convidou o aba Moisés. Mas ele recusava-se a participar. O padre enviou alguém a dizer-lhe: «Vem, porque está toda a gente à tua espera».
Então, ele levantou-se e partiu. Pegou numa bilha furada, encheu-a de água, e levou-a às costas.
Os outros, que foram ao seu encontro, disseram-lhe: «O que é isso, Pai?»
O ancião respondeu: «Os meus pecados esvaem-se atrás de mim e eu não os vejo, e venho hoje aqui para julgar o erro de outro!»
Ouvindo isto, não disseram nada ao irmão e perdoaram-no.

"Os Padres do Deserto" - Marcel Driot

domingo, 29 de março de 2009

HISTÓRIAS DOS PADRES DO DESERTO I

Perdoar os Inimigos

Um irmão foi para junto do aba Salviano e manifestou-lhe a intenção de se vingar de alguém que lhe tinha feito mal. E disse: «Façamos juntos uma oração».
Levantaram-se e disseram o Pai Nosso. Mas o aba modificou-o assim: «Não nos perdoeis as nossas dívidas, assim como nós não perdoamos os nossos devedores».
O irmão ripostou: «Assim não, Pai».
- «Sim, sim. Eu não farei outro tipo de oração por ti».
Então, o irmão perdoou ao seu inimigo.

Um irmão foi ao Pai Matoes e lhe disse, "como se explica que os monges de Scete fazem mais do que as Escrituras pedem, amando seus inimigos mais do que a si mesmos?"
Pai Matoes respondeu-lhes, "Eu por mim, ainda não consegui amar aqueles que me amam, como eu me amo a mim mesmo."

Caridade

Um ancião disse: «Tudo o que distribuis como esmola por temor a Deus, não o dês com dureza e frieza, mas olha o pobre com alegria na alma e com um rosto doce, e eleva-o assim acima de ti com honra, sabendo que a oferenda ao pobre é do agrado de Cristo e que o Senhor ama aquele que dá com alegria».

Dizem os que o conheceram, que o aba Agatão, quando tinha de ir fazer compras ao mercado, olhava à sua volta para escolher o vendedor. Se visse uma viúva em dificuldades com o objecto que ele pretendia adquirir, perguntava-lhe: «Por quanto vendes isso?» E dava-lhe o que ela lhe pedia; mas, se não tivesse dinheiro suficiente, dizia-lhe apenas: «Perdoa-me».

Um irmão foi ter com uma viúva para lhe comprar pano. E ela gemia, enquanto estava a servi-lo. O irmão perguntou-lhe: «O que tens tu?» A viúva respondeu: «Foi Deus que te mandou ter comigo para que os meus filhos tenham que comer». O irmão, ao ouvir estas palavras, teve pena dela, e sem que ela desse conta, deixou o pano que tinha pago, junto da viúva.

"Os Padres do Deserto", Marcel Driot

sexta-feira, 27 de março de 2009

VIVER A VERDADE

"E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará ." (João 8, 32)


"Quem permanece na palavra de Jesus reconhece a verdade e está na verdade. Está em contacto com a realidade. (...)

A verdade dá ao ser humano clareza a respeito de si próprio. O homem se reconhece na verdade, a sua existência se ilumina. E isso quer dizer liberdade para ele. Não se trata da liberdade política ou da liberdade do espírito. Com essa frase, João quer dizer: quem conhece Jesus, vendo por meio dele o Deus verdadeiro, está livre do apego às aparências do mundo.(...)


Para João, Jesus é aquele que abre os olhos das pessoas para a verdadeira realidade, para a realidade de Deus. Ele liberta o homem do apego à realidade externa. Ele o coloca em contacto com o verdadeiro eu. E o verdadeiro eu é livre.

Não é só a verdade que nos liberta, mas, em útima análise, também a fé.
Quem crê está verdadeiramente livre. Ele não depende da opinião dos homens. Ele enxerga mais além. Ele vê o essencial. Ele é simples. É totalmente ser.

E aquele que é puro exisitir já não precisa orientar-se pelo que os outros pensam dele. Não precisa agarrar-se aos bens, à fama, à aparência. Ele descansa no ser.
Ele está no momento presente, na verdade e na liberdade. Ninguém o determina. Ele está simplesmente aí. Puro ser é simultaneamanente verdade e liberdade."

(Anselm Grün, em "Jesus - Porta para a Vida")

quinta-feira, 26 de março de 2009

SEMPRE PRESENTE


"Na tarde da sua ressurreição, Jesus aproxima-se de dois dos seus discípulos que se dirigem para a aldeia de Emaús. Mas eles não se apercebem que é o Ressucitado que caminha a seu lado.(ver Lucas 24, 13-35).

Há momentos na vida em que se dissipa a consciência de que o Ressuscitado nos acompanha, pelo Espírito Santo.

Reconhecido ou ignorado, Ele está presente, mesmo nos momentos em que nada nos deixa pressenti-lo."

(Irmão Roger, de Taizé, em "Viver em tudo a Paz do Coração")

terça-feira, 24 de março de 2009

AMADURECER NA FÉ (2 ªParte)

«Os silêncios pertencem à sabedoria de Deus, incompreensível para a inteligência que só vê o horizonte.
Se Deus acudisse com frequência para resolver situações de sofrimento ou se manifestasse sempre de maneira sensível, como consolador das horas más, bem podíamos cruzar os braços nesta criação inacabada cujos acabamentos nos são também confiados.


Há milagres e graças extraordinárias que Deus faz e dá quando entende, na sua infinita sabedoria, que isso é o bem maior e mais universal, sobretudo nos humildes começos de um projecto de salvação ou quando pretende acordar para ela a consciência adormecida dos homens.

De resto, o chamamento à fé é proclamado à sombra de sinais evidentes, o que o torna tão difícil quanto libertador e responsabilizador.

Na obscuridade do silêncio, agravada por situações de sofrimento que levam o salmista a perguntar «meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste? As palavras do meu clamor não são por vós ouvidas» (Salmos 22, 1), o grande pedagogo da fé vai levando quem se entrega a uma fé mais pura. É a pedagogia pascal. Dela há-de jorrar vida em abundância - a vida eterna.»

(Luís Rocha e Melo, s.j., em "Se tu soubesses o dom de Deus")

domingo, 22 de março de 2009

AMADURECER NA FÉ (1ªparte)

«O Deus revelado em Jesus Cristo e já antes manifestado pelos profetas não é Deus que acuda de imediato a todas as angústias dos homens, não fosse Ele desresponsabilizar os humanos ao substituir-se a eles nas lutas da vida que são chamados a combater.

Não é de estranhar que o Deus de muita gente seja a esperança de remédio para tudo, pois a fé como relação gratuita de amor não aparece por geração espontânea. Educa-se na pedagogia de Jesus.

Deus não se zanga com ninguém por causa da imperfeição da sua fé. Nascemos assim; somos chamados a um caminho de perfeição mas ainda não chegámos a ela.

Nada mais normal que a primeira noção sobre Deus seja a de um «Deus-solução-para-tudo». Mas não é assim que Ele se revela.

No silêncio, onde nada acontece nem a voz da consolação se faz sentir, Deus é o grande pedagogo do amor que faz passar de uma relação infantil e interesseira à relação madura e responsável. Não chama apenas à fé, chama também ao amadurecimento da fé que é interpelada a crescer como o grão da mostarda (Lc 17, 5-6).»

(Luís Rocha e Melo, s.j., em "Se tu soubesses o dom de Deus")

quinta-feira, 19 de março de 2009

O CRISTÃO

«O cristão não é alguém que "tem" a verdade, alguém mais inteligente, mais amante do que os outros. O cristão não é melhor do que um outro homem, mas tem alguém em sua vida. Tem o Cristo, aquele que sopra no sopro de cada um dos seus dias.

Mas, mesmo que o receba como um beijo, como uma presença, não é por isso que o cristão é melhor... Ele poderá ser melhor somente porque alguém de melhor marcha com ele, está nele!»


(Jean-Yves Leloup, em "Amar... apesar de tudo")

terça-feira, 17 de março de 2009

TORNAR-SE «O AMADO» (2ª parte)

«Tornar-se amado significa deixar que a verdade do «ser amado» incarne em tudo o que pensamos, dizemos ou fazemos.

Ora, isso comporta um longo e penoso processo de apropriação ou, melhor ainda, de incarnação. Enquanto o «ser amado» pouco mais for que um belo pensamento ou uma ideia sublime a pairar suspensa na minha vida e que se limita a evitar que eu caia na depressão, nada muda realmente. O que é necessário é tornar-me amado nos lugares comuns da minha existência diária e, pouco a pouco, colmatar o vazio que existe entre o que sei que sou e as inumeráveis realidades específicas da minha vida quotidiana.

Tornar-se «amado» significa aplicar esta mesma realidade, que me é revelado do alto, à ordinariedade do que sou e, por conseguinte, do que penso, digo e faço hora a hora. (...)

Estou totalmente convencido de que a origem e a finalidade da nossa existência tem tudo a ver com a maneira como pensamos, falamos e actuamos na vida de todos os dias.
Se a nossa mais profunda convicção for a de que somos «os amados» e se a nossa maior alegria e paz consistirem em reivindicar essa verdade, a consequência lógica é que isso tem que se tornar visível e palpável na forma como comemos e bebemos, falamos e amamos, nos distraímos e trabalhamos.

Quando as mais profundas correntes da nossa vida já não têm repercussão à superfície das ondas, então a nossa vitalidade acabará eventualmente por se esgotar e nós acabaremos por fraquejar e por nos aborrecermos, mesmo quando estamos ocupados.»

(Henri Nouwen, em "Viver é ser amado")

domingo, 15 de março de 2009

TORNAR-SE «O AMADO» (1ª parte)

«Caro amigo, o «ser amado» é a origem e a plenitude da vida do Espírito. Digo isto porque, logo que conseguimos algum vislumbre desta verdade, iniciamos uma viagem na procura da sua plenitude e não descansamos senão nessa mesma verdade. A partir do momento em que assumimos a verdade de que somos «amados», somos logos confrontados com uma chamada interior a tornarmo-nos naquilo que já somos.
Tornar-se «o amado»: é essa a viagem espiritual que temos a fazer.
As palavras de Agostinho: «A minha alma não descansa enquanto não repousar em Ti, ó Deus» caracteriza bem esta viagem.

O facto de estar sempre numa constante procura de Deus, sempre numa tensão contínua para descobrir a plenitude do Amor, sempre com o desejo ardente de chegar à verdade completa, diz-me que já me foi dado saborear alguma coisa de Deus, do Amor e da Verdade. E, com efeito, de alguma forma, só posso procurar alguma coisa quando já a tiver encontrado. Como poderia procurar a beleza e a verdade a não ser que essa mesma beleza e verdade já fossem conhecidas no mais profundo do meu coração? (...)

Na profundidade dos meandros da mente e do coração está escondido o tesouro que procuramos. Conhecemos o seu valor e sabemos que contém o dom que mais desejamos: uma vida mais forte do que a morte.»

(Henri Nouwen, em "Viver é ser amado")

INDAGAÇÕES SOBRE O CARPINTEIRO

“A árvore é força vertical da natureza, da terra em direcção ao céu. Tem a postura da espécie humana. Por isso o cego que Jesus curou em Bet...