domingo, 29 de março de 2009

HISTÓRIAS DOS PADRES DO DESERTO I

Perdoar os Inimigos

Um irmão foi para junto do aba Salviano e manifestou-lhe a intenção de se vingar de alguém que lhe tinha feito mal. E disse: «Façamos juntos uma oração».
Levantaram-se e disseram o Pai Nosso. Mas o aba modificou-o assim: «Não nos perdoeis as nossas dívidas, assim como nós não perdoamos os nossos devedores».
O irmão ripostou: «Assim não, Pai».
- «Sim, sim. Eu não farei outro tipo de oração por ti».
Então, o irmão perdoou ao seu inimigo.

Um irmão foi ao Pai Matoes e lhe disse, "como se explica que os monges de Scete fazem mais do que as Escrituras pedem, amando seus inimigos mais do que a si mesmos?"
Pai Matoes respondeu-lhes, "Eu por mim, ainda não consegui amar aqueles que me amam, como eu me amo a mim mesmo."

Caridade

Um ancião disse: «Tudo o que distribuis como esmola por temor a Deus, não o dês com dureza e frieza, mas olha o pobre com alegria na alma e com um rosto doce, e eleva-o assim acima de ti com honra, sabendo que a oferenda ao pobre é do agrado de Cristo e que o Senhor ama aquele que dá com alegria».

Dizem os que o conheceram, que o aba Agatão, quando tinha de ir fazer compras ao mercado, olhava à sua volta para escolher o vendedor. Se visse uma viúva em dificuldades com o objecto que ele pretendia adquirir, perguntava-lhe: «Por quanto vendes isso?» E dava-lhe o que ela lhe pedia; mas, se não tivesse dinheiro suficiente, dizia-lhe apenas: «Perdoa-me».

Um irmão foi ter com uma viúva para lhe comprar pano. E ela gemia, enquanto estava a servi-lo. O irmão perguntou-lhe: «O que tens tu?» A viúva respondeu: «Foi Deus que te mandou ter comigo para que os meus filhos tenham que comer». O irmão, ao ouvir estas palavras, teve pena dela, e sem que ela desse conta, deixou o pano que tinha pago, junto da viúva.

"Os Padres do Deserto", Marcel Driot

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Nada é grave...

"Nada é grave, a não ser perder o amor." [Irmão Roger de Taizé]