quarta-feira, 12 de março de 2008

O que é o sacrifício?

[Em primeiro lugar], reparemos que «sacrifício» não quer dizer «privação»; portanto, não quer dizer «mortificação». (...)

O que é o sacrifício? Vejamos a sua realidade positiva. A sua realidade positiva é o amor, dar-me a mim mesmo aquele a quem amo. O sacrifício é o dom, o dom total de si mesmo. Santo Agostinho escreve-o com todas as letras: o sacrifício não é senão amor. Ora, obediência é o verdadeiro nome do amor pelos homens. É preciso termos coragem de o dizer, mas sem nos deixarmos equivocar sobre o sentido da verdadeira obediência. Quando se trata do amor da criatura para com Deus, não é um amor de igual para igual. É uma amor que se exprime assim: «Quero fazer a tua vontade».(...) [O amor] é a «descentração» de si mesmo. Deixamos de nos considerar como centro de nós mesmos. O homem pode então dizer à mulher que ama: «Agora és tu o meu centro. O meu centro já não está em mim, mas em ti». (...) A essência do amor é fazer a vontade daquele ou daquela a quem se ama. Claro que isto não significa fazer tudo o que apetece ao outro ou satisfazer todos os seus caprichos. (...) Aderir ao amor é aderir ao sacrifício, inevitavelmente. (...)

Deus não é senão amor. Pela obediência, obedeço àquele que amo, respondo ao seu desejo. O sacrifício é uma atitude interior de amor obediente. [E qual é o desejo de Deus?] O desejo de Deus é que sejamos totalmente d`Ele. Estamos a dizer que é impossível. É aqui que intervém Cristo.

Em primeiro lugar, Cristo é um ser sem pecado. Não há n´Ele o menor sinal de egoísmo. É o ser totalmente sem retorno sobre Si mesmo. Podíamos definir Cristo, dizendo que é alguém para-os-outros; Cristo é para os outros. Não é alguém que primeiramente existe e depois dá-se aos outros. A sua própria existência é ser para os outros. Ele só quer o que o Pai quer: «O meu alimento é a fazer a vontade do Pai» (cfr. Jo 4, 34 e 6, 38). Toda a vida de Cristo, todo o Evangelho, é um ímpeto de amor obediente, e obediente até à morte(...).



François Varillon, em "Viver o Evangelho"

3 Comments:

Maria João said...

É bom relembrar isto... Sacrificio é amor. Se passo frio para ajudar alguém, faço-o por amor...

Como dizia a Madre Teresa: não dou banho a um leproso por nenhum dinheiro... mas por amor sim.

beijos em Cristo

Éverton Vidal said...

Também encaro o Sacrifício assim como o texto explica. Mas estaria sendo injusto se nao dissesse que aprendi um pouco mais com a postagem.
Voltarei mais aqui. É raro encontrar um blog falando das belezas da fé cristä como este.
Abçs.
Inté!

Regina Barros said...

Saí de meu país para fazer o caminho até Santiago de Compostela.
Porque o fiz?
Por um chamamento interior. E me entreguei à isso com amor para agradar a Deus. Era o que eu devia fazer dizia o meu coração. Deixei tudo o que dizia respeito à mim nessa vida para isso. Por isso quando cheguei em Santiago me senti imensamente feliz por ter entregue esse sacrifício ao apóstolo. E como podem dizer que sacrifício não é amor?