sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

QUE SEGREDO TEM O NATAL?


Pergunto-me, Senhor, que segredo tem o Natal?
Há um milagre que acontece dentro de nós,
só pode ser um milagre, pois é como se a vida se reacendesse.

Contemplando o presépio, percebo que este é um milagre humaníssimo
que Deus suscita aos nossos olhos.
Ele amou-nos tanto que nos deu o Seu próprio Filho.

O milagre do Natal assenta sobre este Dom absoluto, 
que nos faz perceber que só somos na medida em que nos damos,
e que a vida renasce, como dádiva, na ponta dos dedos, no olhar, nas palavras.

José Tolentino Mendonça

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

UM DEUS ENAMORADO DA NOSSA PEQUENEZ

O «sinal» é a humildade de Deus levada ao extremo; é o amor com que Ele, naquela noite, assumiu a nossa fragilidade, o nosso sofrimento, as nossas angústias, os nossos desejos e as nossas limitações. 

A mensagem que todos esperavam, que todos procuravam nas profundezas da própria alma, mais não era que a ternura de Deus: Deus que nos fixa com olhos cheios de afecto, que aceita a nossa miséria, Deus enamorado da nossa pequenez.

Papa Francisco

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A LIÇÃO DA MANJEDOURA


«Deus entra na nossa história não pela via da opulência, mas pela via da humildade.

O sinal de Deus não está num palácio. Está numa manjedoura. (...)

Divino (eis a permanente interpelação) não é o grande caber no grande. Isso qualquer humano consegue. Divino é o infinitamente grande caber no infinitamente pequeno. (...)

Há, aqui, uma inversão de valores, reconhecida, aliás, por Maria no Magnificat: humilhação dos soberbos e exaltação dos humildes (cf. Lc 1, 52).

De facto, Deus inverte o máximo e o mínimo, o maior e o menor, o grande e o pequeno.

O máximo é o que parece mínimo. O maior é o que se apresenta como menor. O verdadeiramente grande é o que nos surge como pequeno.

Quando aprenderemos a lição da manjedoura?»

Graças a: http://theosfera.blogs.sapo.pt/2267552.html

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

SOMENTE PORQUE É NATAL...



Somente porque é Natal
ele veio nascer à minha porta
como se fora eu a sua mãe.
     É de linho o pano que cobre
meus braços, levemente
encurvados, para neles caber
o berço de embalar
o menino sem presépio.
     A pausa do vento
a preparar a neve
lembra-me  o desamparo
de outras crianças, tantas,
a quem a fome quebranta o choro.
     E digo: venham habitar
para sempre o meu poema
como se fossem meus filhos.

     Graça Pires

domingo, 13 de dezembro de 2015

UMA ESTRELA A INQUIETAR O MUNDO



A festa encenada num presépio familiar
como um anúncio excessivo.
Não é fácil rotular a mensagem de um Deus
comprometido com a humanidade,
que precisou das fraquezas do homem
para se cumprir. Não é fácil.
Por isso, em todos os pinheiros,
há, agora, uma estrela a inquietar o mundo.

Graça Pires
De Ortografia do olhar, 1996

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

É NO AMOR QUE NASCEMOS DE DEUS



«A história de Jesus nos diz que não dependemos de nascimentos palacianos ou ditos normais. É no amor que nascemos de Deus e para uma vida bonita.»

domingo, 6 de dezembro de 2015


"Se já pela criação tudo tem o toque de Deus, pela encarnação do Verbo, tudo é confirmado como sua bênção (...)
O Verbo cala-se na boca de uma criança que ainda tem de aprender a falar e na mudez de um condenado que já não tem direito à palavra...»
José Frazão Correia, s,j, in "A Fé vive de afeto"

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

A VINDA DE DEUS


«A vinda de Deus não é apenas o nascimento de uma criança; é a vinda de uma Palavra. Poderia mesmo dizer-se que é a vinda de uma Língua.»

Timothy Radcliffe, in "Ser Cristão para quê?"

domingo, 29 de novembro de 2015

A CRIANÇA É A MENSAGEM



A criança é a mensagem.
Um Deus que entra em nossa vida desde a meninice é o mais crente de nós.
Acredita em recomeços.
Tem fé nos reinícios.
Adere aos nossos renascimentos.
O bebê é Deus dizendo: Faça como eu, recomece sempre que um novo início for a salvação.
Ele não é o outro que vem a nós.
É o menino que vimos crescer.
Não chega. Nasce.
Não se impõe. Entrega-se.
Não reivindica. Serve.
Não esmaga. Mistura-se.
Conta histórias para contar-se entre nós...
Não intimida. Seduz.»



quarta-feira, 25 de novembro de 2015

O DEUS CONNOSCO



«O Deus Connosco não aparece entre nós como um líder valente ou um chefe carismático que motiva em nós a vontade de lutar.
O Deus Connosco não aparece no meio de nós como alguém forte a provocar em nós a capacidade de obedecer.
O Deus Connosco aparece no meio de nós como alguém que quer provocar em nós a Sensibilidade, despertar o que há de mais íntimo em nós.

Deus vem visitar-nos para despertar em nós o carinho, a ternura, os sentimentos da nossa mais profunda humanidade.
Essa é a sua ideia… converter-nos, antes de tudo, à sensibilidade, à ternura, à doçura dos gestos, das palavras e das intenções.»

domingo, 15 de novembro de 2015

CÂNTICO



Ele disse: 

«lava a tua casa retira os móveis todos 
aí quero dançar» 


assim o Senhor dança nos salões vazios: 

semelhante a um turíbulo
espalha o seu perfume


não fechei as portas

abri as janelas: os ladrões evitam
a casa iluminada


fiz tapetes de flores

pus grinaldas na entrada
pois é muito grande a festa de Um só convidado


espero nas traseiras e ceio no umbral

o Senhor ocupa-me
e a casa toda é sua


sirvo na bandeja as mais frescas iguarias

os frutos colhidos
nos dias de canseira


o Senhor dorme no leito e eu estou acordado

o Senhor levanta-se
e eu não posso dormitar


a água sai pura

das suas lavagens
lavo-me na água que o Senhor usou


de manhã o Senhor veste-se

com a roupa que lhe trago
come do que tenho – e assim eu empobreço


visto o meu Senhor e eu o alimento

assim fico sem nada
e Ele me sustém


que eu nunca me atrase à chamada do Senhor

não vá Ele mostrar-me
não precisar de mim


que eu não seja dos que perdem

primaveras e outonos
que não seja contado entre os ignorantes


enquanto o Senhor dança o meu coração exulta: 

que Deus este que não para
de se mover por mim!


Carlos Poças Falcão

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O DEUS VIVO

«Livra-me de ser um limite para o teu amor.»


«Nós crentes excluímos Deus, o Deus vivo, da nossa vida. Tornámo-lo uma referência do passado, uma história já conhecida, um guião lido, bem guardado na dobra do presente, uma espécie de arqueologia privada para um uso monótono. (...)

Muitas vezes é isto a nossa religiosidade. Dizemos: Deus é isto, o seu nome é aquilo. E Deus tem de ficar ali encaixado, submisso. E passamos o tempo da nossa vida a dizer a Deus: «Tu não podes», «Tu não podes». 
Este é o ponto fundamental da nossa conversão. Verificar, no fundo de mim, se dou espaço para que Deus continue a dizer, para que Deus continue a estar, para que Deus vá onde Ele quiser e não onde eu acho que Ele deve ir…»

José Tolentino Mendonça, in Pai-nosso que estais na terra

domingo, 8 de novembro de 2015

VIDA PARTILHADA

«Alimentamo-nos uns dos outros. Somos uns para os outros, na escuta e na palavra, no silêncio e no riso, no dom e no afeto, um alimento necessário, pois é de vida (e de vida partilhada) que as nossas vidas se alimentam.»

José Tolentino Mendonça, in Pai-nosso que estais na terra

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

«Todas as vidas são pão, mas nem todas são Eucaristia, isto é, oferta radical de si, entrega, doação, serviço. 
Todas as vidas chegam ao fim, mas nem todas vão até ao fim no parto dessa vitalidade (humana e divina) que trazem inscritas.»

José Tolentino Mendonça, in Pai-nosso que estais na terra




sábado, 31 de outubro de 2015

A FONTE DO PERDÃO

«Deus é a fonte e o mestre do perdão, e é à sua imagem e semelhança que aprendemos a perdoar (…)

O que dizemos acerca de Deus são sempre aproximações. Porque, verdadeiramente, só sabemos o que Deus é, tornando-nos naquilo que Deus é. Ora, o perdão é um dos lugares de excelência, onde experimentamos aquilo que Deus é. (...)

A única coisa que Deus nos pede é que nos lembremos do perdão.

O perdão não é uma coisa que eu crio em mim. É uma coisa que eu deixo Deus fazer em mim. Deixar que Deus venha à minha história e que a sua lógica se faça minha. Para conseguir perdoar, eu tenho de abrir a minha relação com o outro à presença de um terceiro que é Deus. E tentar que seja, de facto, a maneira de ver de Deus aquilo que predomina. »

José Tolentino Mendonça, in Pai-nosso que estais na terra

INDAGAÇÕES SOBRE O CARPINTEIRO

“A árvore é força vertical da natureza, da terra em direcção ao céu. Tem a postura da espécie humana. Por isso o cego que Jesus curou em Bet...