Onde quer que estejamos, não ficaremos lá senão compreendermos
que a isso fomos chamados por um apelo de Jesus que
nos convida a algo misterioso, de secreto e de muito belo:
a crescer no amor.
Peçamos a Jesus que nos ajude a não termos medo da nossa
pobreza,
a não ter vergonha da nossa pobreza
e a tomar consciência da nossa vocação, da nossa missão.
O apelo de Jesus é sempre diferente
e o seu objectivo é sempre o mesmo;
é um apelo a crescer no amor,
a fazer crescer o amor em nós e no mundo...
Cada apelo é diferente, cada apelo é único,
mas cada um, aí onde está e como é, é chamado a dar a vida.
São Marcos conta como um homem se abeira de Jesus,
e ajoelhando diante d´Ele Lhe pergunta: "Bom Mestre, que
devo fazer para ter a vida eterna?"
Jesus fala-lhe dos mandamentos de Deus e o homem responde:
"Mestre, tudo isso tenho praticado desde a minha juventude".
Então Jesus olhou-o e amou-o...
Prestai bem atenção a esta frase, o texto não diz: "amou-o" mas
sim "olhou-o e amou-o". Os seus olhos devem ter sido tão expressivos!
Então Jesus diz-lhe: "Uma só coisa te falta: vai, vende o que
tens, dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; depois vem
e segue-Me" (Mc 10, 17-22).
"Vem e segue-Me; vamos caminhar juntos,
vais tornar-te Meu amigo.
Ensinar-te-ei, num mundo onde há tento egoísmo, injustiça
e violência, a ser um homem que ama,
um homem de esperança, um homem de paz.
Não tenhas medo, ensinar-te-ei pouco a pouco a viver de tal
forma que todo o teu corpo, todo o teu ser
se tornem um sinal de boa nova".
E, no entanto, o jovem tem medo.
No apelo de Jesus, há algo de muito belo.
Descobrimos que somos amados,
um outro mundo se abre diante de nós.
Mas há também algo de muito exigente:
é preciso aceitar deixar o nosso antigo mundo, vender aquilo
a que dávamos valor.
Jean Vanier, em "A Fonte das Lágrimas"
sexta-feira, 19 de junho de 2009
quinta-feira, 18 de junho de 2009
RECONHECER A SUA VOCAÇÃO (1ª parte)
Deus chama incessantemente
e não devemos pensar que estamos excluídos do seu apelo,
porque nos sentimos demasiado pequenos ou sem importância.
Pois Deus chama em primeiro lugar não os mais sábios,
os mais poderosos ou os mais fortes,
mas sempre os mais pequenos, os mais pobres, os loucos e os
fracos, os desprezados...
A escolha de Deus não é a dos homens.
Ele escolhe primeiro os pobres,
aqueles que reconhecem que são pobres, que não têm tal ou
tal capacidade,
pois a pobreza não é apenas pobreza material,
é sentir-se despojado, ser incapaz,
sentir-se incapaz.
Uma mãe que acaba de perder o filho é uma pobre,
uma mulher abandonada pelo marido é uma pobre,
um homem que perde o trabalho é um pobre,
aquele a quem se diz que tem um cancro é um pobre;
cada um de nós,
quando se sente desarmado, fraco, incapaz e o admite,
é um pobre.
O drama é que nos recusemos a admitir a nossa pobreza,
por medo de sermos rejeitados.
Ensinaram-nos que era necessário ser o melhor, o mais forte,
o mais sólido, aquele que ganha,
pois os pobres, os fracos, os frágeis, os mal amados,
os incapazes são desprezados;
a sociedade põe-nos de parte.
Então, fingimos tanto tempo quanto possível. Pretendemos
ser fortes e capazes, e vivemos da aparência.
Necessitamos de escutar em nós Deus que diz: "Não precisas
de fingir,
não precisas de te esconder,
podes ser tu próprio...
Jean Vanier, em "A Fonte das Lágrimas"
e não devemos pensar que estamos excluídos do seu apelo,
porque nos sentimos demasiado pequenos ou sem importância.
Pois Deus chama em primeiro lugar não os mais sábios,
os mais poderosos ou os mais fortes,
mas sempre os mais pequenos, os mais pobres, os loucos e os
fracos, os desprezados...
A escolha de Deus não é a dos homens.
Ele escolhe primeiro os pobres,
aqueles que reconhecem que são pobres, que não têm tal ou
tal capacidade,
pois a pobreza não é apenas pobreza material,
é sentir-se despojado, ser incapaz,
sentir-se incapaz.
Uma mãe que acaba de perder o filho é uma pobre,
uma mulher abandonada pelo marido é uma pobre,
um homem que perde o trabalho é um pobre,
aquele a quem se diz que tem um cancro é um pobre;
cada um de nós,
quando se sente desarmado, fraco, incapaz e o admite,
é um pobre.
O drama é que nos recusemos a admitir a nossa pobreza,
por medo de sermos rejeitados.
Ensinaram-nos que era necessário ser o melhor, o mais forte,
o mais sólido, aquele que ganha,
pois os pobres, os fracos, os frágeis, os mal amados,
os incapazes são desprezados;
a sociedade põe-nos de parte.
Então, fingimos tanto tempo quanto possível. Pretendemos
ser fortes e capazes, e vivemos da aparência.
Necessitamos de escutar em nós Deus que diz: "Não precisas
de fingir,
não precisas de te esconder,
podes ser tu próprio...
Jean Vanier, em "A Fonte das Lágrimas"
terça-feira, 16 de junho de 2009
HISTÓRIAS DOS PADRES DO DESERTO III
CARIDADE
Um ancião disse: «Tudo o que distribuis como esmola por temor a Deus, não o dês com dureza e frieza, mas olha o pobre com alegria na alma e com um rosto doce, e eleva-o assim acima de ti com honra, sabendo que a oferenda ao pobre é do agrado de Cristo e que o Senhor ama aquele que dá com alegria».
Dizem os que o conheceram, que o aba Agatão, quando tinha de ir fazer compras ao mercado, olhava à sua volta para escolher o vendedor.
Se visse uma viúva em dificuldades com o objecto que ele pretendia adquirir, perguntava-lhe: «Por quanto vendes isso?» E dava-lhe o que ela lhe pedia;
mas, se não tivesse dinheiro suficiente, dizia-lhe apenas: «Perdoa-me».
Um irmão foi ter com uma viúva para lhe comprar pano.
E ela gemia, enquanto estava a servi-lo.
O irmão perguntou-lhe: «O que tens tu?»
A viúva respondeu: «Foi Deus que te mandou ter comigo para que os meus filhos tenham que comer».
O irmão, ao ouvir estas palavras, teve pena dela, e sem que ela desse conta, deixou o pano que tinha pago, junto da viúva.
"Os Padres do Deserto" - Marcel Driot
Um ancião disse: «Tudo o que distribuis como esmola por temor a Deus, não o dês com dureza e frieza, mas olha o pobre com alegria na alma e com um rosto doce, e eleva-o assim acima de ti com honra, sabendo que a oferenda ao pobre é do agrado de Cristo e que o Senhor ama aquele que dá com alegria».
Dizem os que o conheceram, que o aba Agatão, quando tinha de ir fazer compras ao mercado, olhava à sua volta para escolher o vendedor.
Se visse uma viúva em dificuldades com o objecto que ele pretendia adquirir, perguntava-lhe: «Por quanto vendes isso?» E dava-lhe o que ela lhe pedia;
mas, se não tivesse dinheiro suficiente, dizia-lhe apenas: «Perdoa-me».
Um irmão foi ter com uma viúva para lhe comprar pano.
E ela gemia, enquanto estava a servi-lo.
O irmão perguntou-lhe: «O que tens tu?»
A viúva respondeu: «Foi Deus que te mandou ter comigo para que os meus filhos tenham que comer».
O irmão, ao ouvir estas palavras, teve pena dela, e sem que ela desse conta, deixou o pano que tinha pago, junto da viúva.
"Os Padres do Deserto" - Marcel Driot
domingo, 14 de junho de 2009
A FÉ CONSISTE EM DIZER-LHE "SIM!"
«Contrariamente ao que muitos pensam, a fé que move montanhas é uma fé débil, pobre, muito pequena... Jesus diz mesmo: «Se tiveres fé como um grão de mostarda...».(...)
Como é que "super-homens" da fé nos poderiam falar de Deus? A sua fé ser-nos-ia inacessível. Os insucessos dos Discípulos ensinaram-nos.
Nós mesmos comunicamos aos outros os tesouros de Deus muito mais pela nossa pobreza aceite. Lamentamo-nos por não termos "uma fé para transportar montanhas", imaginando que deveríamos ser campeões da religião.
Não, a nossa pobreza é já um tesouro, porque o nosso tesouro é a nossa confiança em Deus. Dizendo "sim" ao Senhor nas coisas mais simples, deixamo-l`O actuar em nós. (...)
A fé não está no limite dos nossos esforços.
Pobres, abrimo-nos a Deus e Deus fará tudo por nós.
A fé consiste em dizer-Lhe "sim!". (...)
Em que consiste esta fé tão pequena e tão poderosa?
Trata-se de abrir a nossa porta à vida de Deus.
Trata-se de consentir em deixar passar Deus por nós para encontrar os outros. »
Paul-Dominique Marcovits, em "Mestre, explica-nos!"
Como é que "super-homens" da fé nos poderiam falar de Deus? A sua fé ser-nos-ia inacessível. Os insucessos dos Discípulos ensinaram-nos.
Nós mesmos comunicamos aos outros os tesouros de Deus muito mais pela nossa pobreza aceite. Lamentamo-nos por não termos "uma fé para transportar montanhas", imaginando que deveríamos ser campeões da religião.
Não, a nossa pobreza é já um tesouro, porque o nosso tesouro é a nossa confiança em Deus. Dizendo "sim" ao Senhor nas coisas mais simples, deixamo-l`O actuar em nós. (...)
A fé não está no limite dos nossos esforços.
Pobres, abrimo-nos a Deus e Deus fará tudo por nós.
A fé consiste em dizer-Lhe "sim!". (...)
Em que consiste esta fé tão pequena e tão poderosa?
Trata-se de abrir a nossa porta à vida de Deus.
Trata-se de consentir em deixar passar Deus por nós para encontrar os outros. »
Paul-Dominique Marcovits, em "Mestre, explica-nos!"
sexta-feira, 12 de junho de 2009
SEGUIR CRISTO

Tu, que desejas seguir Cristo, perguntas-te como descobrir a vontade do seu amor. Ouve ressoar em ti o eco da sua voz: vem, dar-te-ei onde repousar o teu coração, vem e segue-me! (...)
Para quem quer seguir Cristo, acontece que, à primeira vista, o sim e o não se debatem. É como a luta de um contra o outro. Toda a escolha pressupõe uma triagem entre várias possibilidades e está na natureza humana desejar ter tudo, sem renunciar a nada.(...)
Ninguém é naturalmente construído para um sim para toda a vida. Todos nós somos pobres em Cristo. Todos nós podemos dizer: a minha fé é pequena, mas o Espírito Santo está aqui, Ele conduz-me até ao fim, permitir-me-á viver uma bela e vasta aventura de confiança em Deus.
E eis que um dia supreendemo-nos a seguir Cristo: um sim tinha sido depositado pelo Espírito de Deus nas profundezas do ser. Deixar esse sim subir do fundo de si mesmo torna possível comprometer-te para toda a vida. Este sim é o mesmo que a Virgem Maria disse a Deus: seja feita a vossa vontade. (...)
Tu que procuras seguir Cristo, lembra-te: Ele é luz na tua obscuridade, Ele ama-te como se fosses único. Aí está o seu segredo.
Jesus Ressuscitado,
Tu és o Senhor de toda a vida,
também queremos estar sempre perto de ti.
Não nos deixes abandonar-Te nunca na berma do nosso caminho.
E, quando descobrimos as nossas fragilidades,
é então que se revelam os nossos recursos escondidos,
uma força interior,
um entusiasmo vindo de Ti.
Irmão Roger de Taizé, em "Oração: Frescura duma fonte"
quarta-feira, 10 de junho de 2009
A RELAÇÃO COMIGO PRÓPRIO
Não devemos dar ouvidos à auto-suficiência, mas sim à vontade de Deus, ou seja, não devemos ficar pelos nossos desejos e necessidades, mas pesquisar profundamente em nós até encontrarmos o ponto em que possamos ficar em harmonia com a vontade de Deus. Este é também o ponto em que entramos em contacto com a nossa realidade essencial, com o nosso ser mais interior. Há diversas vozes dentro de nós. Uma delas é a voz superficial que São Bento relaciona com a própria vontade: «Agora, eu quero ir ali, quero ter isto, preciso disto sem falta, ou não quero aquilo que me irrita...»
Quando nós mergulhamos suficientemente em nós, em espírito de oração, descobrimos uma outra voz que se identifica com o nosso ser interior. É a voz de Deus. É a vontade de Deus.
A vontade de Deus não é algo estranho que nos abafa, é antes a expressão mais genuína daquilo que a nossa vida, a nossa liberdade, a nossa sinceridade querem. Só quando nós vivemos da vontade de Deus, da nossa verdade interior, é que a nossa vida vale a pena. A ligação com o nosso ser puro é condição para podermos experimentar Deus.
Quanto mais pesquisarmos a fundo em nós, mais reconheceremos que não vivemos em nós mesmos mas em Deus; que Deus nos chamou para formar a sua imagem em nós. E o nosso chamamento interior só é verdadeiro quando sentimos esta imagem de Deus em nós, quando escutamos o apelo da sua vontade a nosso respeito.
Anselm Grün, em "Bento de Núrsia - Mestre da Espiritualidade"
Quando nós mergulhamos suficientemente em nós, em espírito de oração, descobrimos uma outra voz que se identifica com o nosso ser interior. É a voz de Deus. É a vontade de Deus.
A vontade de Deus não é algo estranho que nos abafa, é antes a expressão mais genuína daquilo que a nossa vida, a nossa liberdade, a nossa sinceridade querem. Só quando nós vivemos da vontade de Deus, da nossa verdade interior, é que a nossa vida vale a pena. A ligação com o nosso ser puro é condição para podermos experimentar Deus.
Quanto mais pesquisarmos a fundo em nós, mais reconheceremos que não vivemos em nós mesmos mas em Deus; que Deus nos chamou para formar a sua imagem em nós. E o nosso chamamento interior só é verdadeiro quando sentimos esta imagem de Deus em nós, quando escutamos o apelo da sua vontade a nosso respeito.
Anselm Grün, em "Bento de Núrsia - Mestre da Espiritualidade"
terça-feira, 9 de junho de 2009
A RELAÇÃO COM DEUS
A nossa vida só se torna pura quando está ligada a Deus, a nós mesmos e àqueles que nos rodeiam.
Muitos psicólogos pensam que as doenças do nosso tempo se devem à falta de ligações. Muitas pessoas não estão ligadas a nada: nem a Deus nem aos outros. São incapazes de estabelecer relacionamentos. (...)
Quando o homem tem dificuldade em se relacionar, a sua vida fica desorientada, ele perde o seu centro, o seu ponto de apoio.
No primeiro degrau trata-se da relação com Deus. Ela é o pressuposto para a nossa vida. Só nos podemos tornar puros, quando todos os nossos pensamentos e sentimentos estão ligados a Deus. (...)
Em tudo devemos estar ligados a Deus. Deus olha para nós. Vivemos sempre à frente dos seus olhos. Ele fita-nos com amor infinito, mas que também nos examina e nos chama à verdade interior. (...)
São Bento acredita que Deus está presente nos nossos pensamentos. Nós podemos encontrá-Lo se prestarmos atenção aos nossos pensamentos e sentimentos. Tudo o que se move no nosso coração tem a ver com Deus e com a nossa relação com Deus.
Anselm Grün, em "Bento de Núrsia - Mestre da Espiritualidade"
Muitos psicólogos pensam que as doenças do nosso tempo se devem à falta de ligações. Muitas pessoas não estão ligadas a nada: nem a Deus nem aos outros. São incapazes de estabelecer relacionamentos. (...)
Quando o homem tem dificuldade em se relacionar, a sua vida fica desorientada, ele perde o seu centro, o seu ponto de apoio.
No primeiro degrau trata-se da relação com Deus. Ela é o pressuposto para a nossa vida. Só nos podemos tornar puros, quando todos os nossos pensamentos e sentimentos estão ligados a Deus. (...)
Em tudo devemos estar ligados a Deus. Deus olha para nós. Vivemos sempre à frente dos seus olhos. Ele fita-nos com amor infinito, mas que também nos examina e nos chama à verdade interior. (...)
São Bento acredita que Deus está presente nos nossos pensamentos. Nós podemos encontrá-Lo se prestarmos atenção aos nossos pensamentos e sentimentos. Tudo o que se move no nosso coração tem a ver com Deus e com a nossa relação com Deus.
Anselm Grün, em "Bento de Núrsia - Mestre da Espiritualidade"
domingo, 7 de junho de 2009
UM CORAÇÃO LÍMPIDO E PURO

"A oração torna o coração puro. É este o começo da santidade. A santidade não é um luxo reservado a alguns: é um dom simples oferecido a vós e a mim.
Onde começa a santidade? Nos nossos corações. É por isso que temos necessidade da oração contínua para manter o coração puro e assim ele tornar-se-á sacrário do Deus vivo. (...)
Deixar o amor de Deus tomar posse do coração, de forma total e absoluta, torna-se para o coração como uma segunda natureza. Que o coração não deixe entrar nada nele que seja contrário ao amor de Deus; que se esforce continuamente por aumentar este amor de Deus ao procurar agradar-Lhe em tudo e não Lhe recusando o que Ele pede; que aceite, como vindo da mão de Deus, tudo o que lhe acontece; que tome a firme decisão de nunca cometer uma falta deliberada e conscientemente, mas se cair, que peça perdão e se levante imediatamente. Um coração assim reza continuamente.
O conhecimento de Deus produz o amor e o conhecimento de si próprio faz-se na humildade. A humildade é apenas a verdade. O que é que possuímos que não tenhamos já recebido? - pergunta São Paulo. Se recebi tudo, que bem é que tenho de mim mesmo? Se estamos convencidos disto, nunca ergueremos a cabeça com orgulho. Se fordes humildes, nada vos tocará, nem o louvor nem o opróbrio, porque vós sabeis o que sois. Se vos culpam, não desanimareis. Se vos proclamam santo, não vos colocareis a vós próprios num pedestal. O conhecimento de nós próprios faz-nos ajoelhar.
Mudai os vossos corações...
Não há conversão sem mudança de coração:
mudar de lugar não é solução;
mudar de actividade não é solução.
A solução é mudar os nossos corações.
E como os mudamos?
Rezando.
Madre Teresa de Calcutá, em "Oração: Frescura duma fonte"
sexta-feira, 5 de junho de 2009
ABRIR-SE AO AMOR DE DEUS
Existe um mistério dentro do homem, que, por um lado, deseja e tem uma imensa saudade de Deus e do amor, e é isso que no fundo nos define, nós somos esse desejo de infinito. Mas, por outro lado, o envolvimento imediato, a pressa, a ansiedade, o pecado, todas estas coisas desordenadas dentro de nós próprios, parece que afogam a nossa identidade mais essencial.(...)
A conversão é quando a pessoa descobre qual é, afinal, a sua maior verdade e vê que não lhe está a dar espaço na sua vida. Quando se decide a abrir-se ao amor de Deus, quando é capaz de ajudar os outros a descobrirem por sua vez esta verdade. E então somos também capazes de mudar o mundo, porque Deus está connosco.
Vasco Pinto de Magalhães, em "Onde há crise, há esperança"
A conversão é quando a pessoa descobre qual é, afinal, a sua maior verdade e vê que não lhe está a dar espaço na sua vida. Quando se decide a abrir-se ao amor de Deus, quando é capaz de ajudar os outros a descobrirem por sua vez esta verdade. E então somos também capazes de mudar o mundo, porque Deus está connosco.
Vasco Pinto de Magalhães, em "Onde há crise, há esperança"
quarta-feira, 3 de junho de 2009
A PORTA ESTREITA - Caminho da Purificação (2ª parte)
Franz Kafka conta a história de um homem que queria atravessar os portões de um castelo. Mas o porteiro impedia-o. Ele esperou diante da porta até ficar velho e doente. Quando estava a morrer, o porteiro fechou o portão dizendo: «Este portão era destinado só a ti.»
Há muitas pessoas que, durante toda a sua vida, não atravessam a porta que as conduz à vida. Preferem outras. Ou então têm medo de atravessar a porta estreita. Elas receiam os esforços, o ter de incomodar o porteiro até que ele as deixe passar. A porta estreita não é a porta do trabalho, mas porta que está destinada só para mim. Para atravessar esta porta preciso de me desfazer das ilusões que fiz de mim.
O caminho espiritual, como São Bento o entende, liberta-me de todo o lastro que eu transporto comigo, para poder entrar pela porta estreita para o caminho da purificação, o caminho que me conduz à pureza, o caminho no qual eu me torno eu próprio. Este caminho conduz-me à plenitude.
Anselm Grün, em "Bento de Núrsia - Mestre da Espiritualidade"
Há muitas pessoas que, durante toda a sua vida, não atravessam a porta que as conduz à vida. Preferem outras. Ou então têm medo de atravessar a porta estreita. Elas receiam os esforços, o ter de incomodar o porteiro até que ele as deixe passar. A porta estreita não é a porta do trabalho, mas porta que está destinada só para mim. Para atravessar esta porta preciso de me desfazer das ilusões que fiz de mim.
O caminho espiritual, como São Bento o entende, liberta-me de todo o lastro que eu transporto comigo, para poder entrar pela porta estreita para o caminho da purificação, o caminho que me conduz à pureza, o caminho no qual eu me torno eu próprio. Este caminho conduz-me à plenitude.
Anselm Grün, em "Bento de Núrsia - Mestre da Espiritualidade"
terça-feira, 2 de junho de 2009
A PORTA ESTREITA - Caminho da Purificação (1ª parte)
São Bento, na sua famosa Regra , não deseja impor nada duro e difícil aos monges. Quando a vida numa comunidade monástica parece por vezes dura, então ele encoraja: «Não te deixes perturbar pelo medo e não fujas do caminho da purificação; no início ele pode parecer estreito. Mas quem progride na vida monástica e na fé, verá o seu coração tornar-se largo, enquanto percorre o caminho dos mandamentos de Deus na alegria indizível do amor» (Prólogo 48)
O caminho da purificação, no qual nos tornamos puros e completos, está em conformidade com «o caminho estreito» de que falava Jesus (Mt 7, 13). O caminho largo é o caminho que todos percorrem. O caminho estreito é o caminho em que vivo todas as minhas vocações pessoais, em que vou crescendo na imagem que Deus pensou para mim. Para encontrar o meu próprio caminho tenho de atravessar a porta estreita que me foi destinada para chegar à plenitude.
Anselm Grün, em "Bento de Núrsia - Mestre da Espiritualidade"
O caminho da purificação, no qual nos tornamos puros e completos, está em conformidade com «o caminho estreito» de que falava Jesus (Mt 7, 13). O caminho largo é o caminho que todos percorrem. O caminho estreito é o caminho em que vivo todas as minhas vocações pessoais, em que vou crescendo na imagem que Deus pensou para mim. Para encontrar o meu próprio caminho tenho de atravessar a porta estreita que me foi destinada para chegar à plenitude.
Anselm Grün, em "Bento de Núrsia - Mestre da Espiritualidade"
domingo, 31 de maio de 2009
VIDA ESPIRITUAL
«A vida espiritual é uma vida guiada pelo mesmo Espírito que guiou Jesus Cristo. O Espírito é o sonho de Cristo em nós, o poder divino de Cristo em nós, a fonte misteriosa de nova vitalidade pela qual tomamos consciência de que não somos nós que vivemos, mas é Cristo que vive em nós (cf. Gl 2, 20).
De facto, levar uma vida espiritual significa tornarmo-nos Cristos vivos. Não é suficiente envidar todos os esforços para imitar Cristo; não é suficiente recordar Jesus aos outros; nem sequer sentirmo-nos inspirados pelas palavras e acções de Jesus Cristo. Não, a vida espiritual apresenta-nos uma exigência muito mais radical: ser Cristos vivos aqui e agora, no tempo e na história. (...)
Pelo Espírito de Cristo e através dele, tornamo-nos Cristos para os outros, vivendo em todos os lugares e em todos os tempos. Pelo Espírito de Cristo e através dele, chegamos a conhecer tudo aquilo que Jesus conhecia, e somos capazes de fazer tudo o que Ele fez.»
Henri Nouwen, em "O esvaziamento de Cristo"
De facto, levar uma vida espiritual significa tornarmo-nos Cristos vivos. Não é suficiente envidar todos os esforços para imitar Cristo; não é suficiente recordar Jesus aos outros; nem sequer sentirmo-nos inspirados pelas palavras e acções de Jesus Cristo. Não, a vida espiritual apresenta-nos uma exigência muito mais radical: ser Cristos vivos aqui e agora, no tempo e na história. (...)
Pelo Espírito de Cristo e através dele, tornamo-nos Cristos para os outros, vivendo em todos os lugares e em todos os tempos. Pelo Espírito de Cristo e através dele, chegamos a conhecer tudo aquilo que Jesus conhecia, e somos capazes de fazer tudo o que Ele fez.»
Henri Nouwen, em "O esvaziamento de Cristo"
quinta-feira, 28 de maio de 2009
CONSTRÓI SOBRE A ROCHA

«Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha. E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa; contudo não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. Mas todo aquele que ouve estas minhas palavras, e não as põe em prática, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia. E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa, e ela caiu; e grande foi a sua queda.» (Mateus 7, 24-27)
A parábola da casa na rocha é utilizada num sermão de João Crisóstomo, como prova da sua tese: «Ninguém te pode magoar a não ser tu mesmo.» Aquele que constrói a sua casa na rocha não pode ser prejudicado pelas tormentas interiores e exteriores. As tormentas de emoções que correm para ele não o magoam. As pessoas que lutam contra ele, que o difamam, que intrigam contra ele, não têm qualquer poder sobre ele. A sua casa permanece de pé. O seu fundamento não está em ser amado pelos homens, mas por Cristo. (...)
Jesus está convencido de que as tormentas e marés não nos podem fazer mal se nós tivermos construído a nossa casa na rocha das suas palavras. (...)
Quando construímos a nossa casa em Cristo, encontramos o caminho para a verdadeira vida, então aprendemos a ter prazer na vida, sempre e em todo o lado, mesmo nas tormentas que nos assaltam, mesmo nas marés de emoções que se abatem sobre nós diariamente. Cristo, como fundamento da casa da nossa vida, oferece-nos segurança e liberdade, tranquilidade e serenidade, em todos os contratempos da vida.
Anselm Grün, em "Bento de Núrsia - Mestre da Espiritualidade"
terça-feira, 26 de maio de 2009
OUSA CONTAR ABERTAMENTE A TUA HISTÓRIA
«Sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.» (Romanos 8, 28)
«Os anos que te antecedem, recheados de conflitos e sofrimento, serão a seu tempo recordados como o caminho que te conduziu à tua nova vida. Mas enquanto essa nova vida não te pertencer completamente, as tuas recordações continuarão a fazer-te sofrer. Quando revives acontecimentos dolorosos do passado, podes sentir-te vítima deles. Mas existe uma maneira de contares a tua história sem sentir dor e nessa altura também te sentirás menos pressionado a contá-la. Aperceber-te-ás que o teu lugar deixou de ser lá: o passado já era, o sofrimento deixou-te, já não precisas de regressar para o aliviar, já não dependes do teu passado para te identificares.
Há duas maneiras de contar a tua história. Uma consiste em contá-la de forma compulsiva e premente, regressando continuamente a ela por que encaras o teu presente sofrimento como consequência das tuas experiências passadas. Mas existe outra maneira. Podes contar a tua história de um ponto onde ela já não te domina. Podes falar dela com algum distanciamento e encará-la como caminho para a liberdade de que actualmente gozas. Verás, então, que desapareceu a compulsão de contar a tua história. De uma perspectiva de vida em que agora te encontras e com o distanciamento que agora possuis, o teu passado já não te ensombra. Perdeu o peso e pode ser recordado como o modo que Deus encontrou para te ajudar a ter compaixão pelo próximo e a compreendê-lo.»
Henri Nouwen, em "A Voz Íntima do Amor"
«Os anos que te antecedem, recheados de conflitos e sofrimento, serão a seu tempo recordados como o caminho que te conduziu à tua nova vida. Mas enquanto essa nova vida não te pertencer completamente, as tuas recordações continuarão a fazer-te sofrer. Quando revives acontecimentos dolorosos do passado, podes sentir-te vítima deles. Mas existe uma maneira de contares a tua história sem sentir dor e nessa altura também te sentirás menos pressionado a contá-la. Aperceber-te-ás que o teu lugar deixou de ser lá: o passado já era, o sofrimento deixou-te, já não precisas de regressar para o aliviar, já não dependes do teu passado para te identificares.
Há duas maneiras de contar a tua história. Uma consiste em contá-la de forma compulsiva e premente, regressando continuamente a ela por que encaras o teu presente sofrimento como consequência das tuas experiências passadas. Mas existe outra maneira. Podes contar a tua história de um ponto onde ela já não te domina. Podes falar dela com algum distanciamento e encará-la como caminho para a liberdade de que actualmente gozas. Verás, então, que desapareceu a compulsão de contar a tua história. De uma perspectiva de vida em que agora te encontras e com o distanciamento que agora possuis, o teu passado já não te ensombra. Perdeu o peso e pode ser recordado como o modo que Deus encontrou para te ajudar a ter compaixão pelo próximo e a compreendê-lo.»
Henri Nouwen, em "A Voz Íntima do Amor"
domingo, 24 de maio de 2009
RECONHECE A TUA IMPOTÊNCIA
«Existem em ti lugares onde estás completamente impotente. Desejas tanto curar-te, lutar contra as tuas tentações e controlar-te. Mas não consegues fazê-lo sozinho. Sempre que tentas, ficas com menos coragem. Assim, deves reconhecer a tua impotência. Este é o primeiro passo dado pelos Alcoólicos Anónimos e o tratamento de todas as dependências. Talvez possas encarar o teu conflito deste modo. A tua necessidade inexaurível de afecto é uma dependência. Governa a tua vida e vitimiza-te.
Começa simplesmente por admitir que não te podes curar a ti mesmo. Precisas de admitir a tua impotência para que Deus te possa curar. Mas não se trata de facto de um problema de antes e depois. O teu desejo de reconhecer a tua impotência já engloba o início da rendição à acção de Deus em ti. Quando te sentes incapaz de detectar a presença curativa de Deus, o reconhecimento da tua impotência é demasiado assustador. É um salto sem rede.
A tua predisposição para te libertares do desejo de controlar a tua vida revela uma certa confiança. Quanto mais renuncias à tua obstinada necessidade de manter o poder tanto mais entrarás em contacto com Aquele que tem o poder de te curar e guiar. E quanto mais contactares com esse poder divino tanto mais fácil será confessar a ti próprio e aos outros a tua impotência básica.
Umas das maneiras de te apegares a um poder imaginário é esperar alguma coisa de gratificações externas e de acontecimentos futuros. Enquanto continuares a fugir de onde estás e te abstraíres a tua cura total não ocorrerá. Uma semente só floresce mantendo-se no terreno onde foi plantada. Quando se escava continuamente o local onde a semente foi colocada para verificar o seu crescimento ela nunca dará fruto.
Pensa em ti mesmo como uma pequena semente semeada em solo fértil. Tudo o que precisas fazer é manter-te aí e confiar que o solo contém tudo o que precisas para crescer, crescimento esse que ocorre mesmo quando não o sentes. Fica sossegado, reconhece a tua fragilidade e confia que um dia saberás quanto recebeste.»
Henri Nouwen, em "A Voz Íntima do Amor"
Começa simplesmente por admitir que não te podes curar a ti mesmo. Precisas de admitir a tua impotência para que Deus te possa curar. Mas não se trata de facto de um problema de antes e depois. O teu desejo de reconhecer a tua impotência já engloba o início da rendição à acção de Deus em ti. Quando te sentes incapaz de detectar a presença curativa de Deus, o reconhecimento da tua impotência é demasiado assustador. É um salto sem rede.
A tua predisposição para te libertares do desejo de controlar a tua vida revela uma certa confiança. Quanto mais renuncias à tua obstinada necessidade de manter o poder tanto mais entrarás em contacto com Aquele que tem o poder de te curar e guiar. E quanto mais contactares com esse poder divino tanto mais fácil será confessar a ti próprio e aos outros a tua impotência básica.
Umas das maneiras de te apegares a um poder imaginário é esperar alguma coisa de gratificações externas e de acontecimentos futuros. Enquanto continuares a fugir de onde estás e te abstraíres a tua cura total não ocorrerá. Uma semente só floresce mantendo-se no terreno onde foi plantada. Quando se escava continuamente o local onde a semente foi colocada para verificar o seu crescimento ela nunca dará fruto.
Pensa em ti mesmo como uma pequena semente semeada em solo fértil. Tudo o que precisas fazer é manter-te aí e confiar que o solo contém tudo o que precisas para crescer, crescimento esse que ocorre mesmo quando não o sentes. Fica sossegado, reconhece a tua fragilidade e confia que um dia saberás quanto recebeste.»
Henri Nouwen, em "A Voz Íntima do Amor"
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