terça-feira, 10 de novembro de 2009

TUDO CANTA A GLÓRIA DO SENHOR


«Quando rezava, no fundo do meu coração, tudo o que me cercava aparecia sob um aspecto maravilhoso: árvores, ervas, pássaros, terra, água, ar... tudo parecia dizer-me que existem para o homem, que através do Amor de Deus, tudo rezava, tudo cantava a glória do Senhor. Compreendia assim aquilo que a Filocalia chama de consciência, o conhecimento da linguagem da criação, e via como é possível conversar com as criaturas de Deus»

domingo, 8 de novembro de 2009

AQUELE QUE TUDO CRIOU...


"É preciso lembrar-se de Deus em todo tempo, em todo lugar e em todas as coisas.
Se fabricas alguma coisa, deves pensar no Criador de tudo o que existe;
se vês a luz do dia, lembra-te Daquele que criou a luz para ti;
se olhas o céu, a terra e o mar e tudo o que eles contêm,
admira, glorifica Aquele que tudo criou;
se te vestes com uma roupa, pensa Naquele de quem a recebeste e lhe agradece,
a Ele que provê a tua existência.
Em resumo, que todo movimento seja para ti um motivo para celebrar o Senhor:
assim rezarás sem cessar e tua alma estará sempre alegre".

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

EM BUSCA DA PERFEIÇÃO (3ª PARTE)

«A nossa atitude espiritual, o nosso caminho de procura de paz e perfeição, dependem inteiramente do nosso conceito de Deus.
Se formos capazes de acreditar que Ele é verdadeiramente o nosso Pai amoroso, se conseguirmos realmente aceitar a verdade da sua infinita e compassiva preocupação por nós, se acreditarmos que Ele nos ama, não porque somos merecedores, mas porque precisamos do seu amor, podemos então avançar com confiança. Não seremos desencorajados pelas nossas inevitáveis fraquezas e fracassos. Podemos fazer tudo o que Ele nos pede.

Mas se acreditarmos que Ele é um austero e frio legislador, que não tem verdadeiro interesse por nós, um mero governante, um senhor, um juiz e não um pai, teremos grande dificuldade em viver a vida cristã.
Precisamos, por isso, de começar a acreditar que Deus é o nosso Pai; se assim não for, não conseguiremos enfrentar as dificuldades do caminho da perfeição cristã.
Sem fé, o "caminho estreito" é completamente impossível.»

Thomas Merton, em "Vida e Santidade"

terça-feira, 3 de novembro de 2009

EM BUSCA DA PERFEIÇÃO (2ª PARTE)

«"Ser perfeito" não é tanto uma questão de procurar Deus com ardor e generosidade, mas de ser procurado, amado e possuído por Deus, de tal modo que a sua acção em nós nos torna completamente generosos, e nos ajuda a transcender as nossas limitações e a reagir contra a nossa fraqueza.
Tornamo-nos santos, não por dominarmos violentamente a nossa fraqueza, mas por deixarmos que Deus nos dê a força e a pureza do Espírito, em troca da nossa fraqueza e miséria.
Não compliquemos as nossas vidas nem nos frustremos, fixando demasiado a atenção em nós mesmos, esquecendo assim o poder de Deus e ofendendo o Espírito Santo.»

Thomas Merton, em "Vida e Santidade"

domingo, 1 de novembro de 2009

EM BUSCA DA PERFEIÇÃO (1ª PARTE)

«Uma pessoa não se torna perfeita, quando pratica na sua vida um padrão uniforme de perfeição universal, mas quando responde à chamada e ao amor de Deus, realizada nas limitações e circunstâncias da sua vocação particular.
De facto, a nossa procura de Deus não é de modo algum uma questão de O encontrar através de certas técnicas ascéticas. É antes uma pacificação e ordenação de toda a nossa vida pela negação de si mesmo, pela oração e boas obras, para que o próprio Deus, que nos procura mais do que nós O procuramos, possa "encontrar-nos" e "tomar posse de nós".

Thomas Merton, em "Vida e Santidade"

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

VIDA NO ESPÍRITO

«A "vida espiritual" é a vida perfeitamente equilibrada, em que o corpo com as suas paixões e instintos, o espírito iluminado passivamente pela Luz e o Amor de Deus, formam um homem completo, que está em Deus e com Deus, de Deus e para Deus - um homem em quem Deus é tudo em tudo, um homem em quem Deus realiza, sem obstáculos, a Sua própria Vontade.»

Thomas Merton, em "Novas sementes de contemplação"

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O QUE É A LIBERDADE? (2ª parte)

«Toda a verdadeira liberdade é-nos outorgada como um dom sobrenatural de Deus, uma participação na sua própria Liberdade essencial pelo Amor que Ele derrama nos nossos corações, unindo-nos a Ele, primeiro por um acordo total, depois pela união transformante de vontades.

A outra liberdade, a denominada liberdade natural, isto é, a indiferença a respeito das boas e más escolhas, não é senão uma capacidade, uma potencialidade à espera de ser transformada pela graça, a vontade e o amor sobrenatural de Deus.

Todo o bem, toda a perfeição, toda a felicidade se encontram na infinitamente boa, perfeita e abençoada vontade de Deus. E como a verdadeira liberdade significa a capacidade de desejar e escolher sempre, sem errar, sem desfalecer, o que é realmente bom, então, a liberdade só poderá encontrar-se na perfeita união e submissão à vontade de Deus. Se a nossa vontade seguir a sua, alcançará o mesmo fim, gozará da mesma paz e será repleta da infinita felicidade que Lhe é própria.

Por isso, a definição mais simples de liberdade é esta: significa a capacidade de cumprir a vontade de Deus. Ser capaz de resistir à sua vontade é não ser livre. Não existe nenhuma liberdade no pecado.»

Thomas Merton, em "Novas sementes de contemplação"

domingo, 25 de outubro de 2009

O QUE É A LIBERDADE? (1ª parte)

«A faculdade pura e simples de escolher entre o bem e o mal é o grau mais ínfimo da liberdade, e, nele, o único elemento livre é podermos ainda escolher o bem.

Enquanto tivermos liberdade de escolher o mal, não somos livres, porque escolher o mal destrói a liberdade.
Nunca podemos escolher o mal enquanto mal: somente como um bem aparente. Mas se decidimos fazer alguma coisa que nos parece boa, quando realmente não o é, estamos a fazer o que realmente não queríamos fazer, e, por isso, não somos verdadeiramente livres.

A liberdade... não consiste num equilíbrio entre boas e más escolhas, mas em amar e aceitar o que é realmente bom, e odiar e rejeitar o que é mau, de maneira que tudo o que fazemos é bom e faz-nos felizes, e recusamos, rejeitamos e ignoramos tudo o que poderia conduzir-nos à infelicidade, decepção e sofrimento profundo.

Só é verdadeiramente livre o homem que rejeitou tão completamente o mal que se tornou incapaz de o desejar.»

Thomas Merton, em "Novas sementes de contemplação"

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A EXPERIÊNCIA DO ABANDONO

«Exprimo aquilo que a maior parte dos homens sente obscuramente. Sim, entre as pessoas que conheci, as ocasiões que me foram oferecidas, as minhas intuições, existem semelhanças.
O que veio de fora encontra em mim um acordo com o que me foi ordenado de dentro: o eixo, a vocação, o dever, a razão de ser. E é este acordo entre exterior e interior que me dá não a impressão mas a certeza de que existe um Outro ligado a mim, certamente não para me corromper através da felicidade mas, pelo contrário, para me apoiar, para me elevar, para me fazer crescer graças aos obstáculos que doseia. (...)

Quando reflicto na relação destes acontecimentos com as minhas orações, apercebo-me de que a presença do Ser aumenta de densidade na medida em que me desinteresso, que renuncio a mim próprio e, como se diz agora, me esforço para me omitir. (...)

Se resolvo esquecer, confiar-me verdadeiramente ao Hospedeiro, encontro-o. É aqui que reconheço a eficácia do dom de si mesmo, da perda inteira de si mesmo. Quando esta perda é total, quando está ligada à felicidade, quando conhecemos a emoção triunfante do abandono, então somos senhores das coisas. E o acontecimento chega, imprevisto, surpreendente e gracioso.
Mas é muito difícil conseguir este abandono total. Somos sempre retidos por um cabelo, por um pequeno nada que se transforma em tudo. É a pobreza que produz riqueza, é o abandono que dá poder. Esta experiência, que fiz frequentemente ao longo da minha vida, de um vínculo entre o abandono de si mesmo e a chegada de circunstâncias favoráveis, creio que todos podem fazê-la e é uma prova singular, embora indizível, da existência desse Outro. (...)

É preciso dizer que a experiência é frequentemente dolorosa. Constato que o Outro se ocupa, sem cessar, a destruir o que eu creio desejar, para realizar o que eu quero mais profundamente do que desejo. Por estes seus atalhos que são, muitas vezes, o contrário do que eu teria escolhido, quebra os meus projectos - até ao dia em que o molde se partirá e eu verei o meu destino, em que saberei, por fim, o meu verdadeiro nome, o meu lugar no conjunto das coisas, o meu papel neste mundo: em resumo, tudo o que ainda ignoro e que sinto confusamente neste noite deliciosa a que chamamos a vida.»

Jean Guitton, em "As minhas razões de crer"

terça-feira, 20 de outubro de 2009

REZAR

«Rezar é abraçar o mundo na sua totalidade, continuando com as raízes no mundo e no tempo. É pôr as mãos em concha para ouvir, decifrar o sentido oculto, adivinhar os acenos e os murmúrios. Depois arregaçar as mangas para a resposta, reunir forças para ser senhor de si próprio. E a partir daí soltar as velas e reorientar a vida na crista das ondas.

Rezar é calar para escutar a música profunda que ecoa em nós.

A salvação é a descoberta e o reconhecimento em nós desta possibilidade de grandeza que torna incapaz a alienação.»

Henrique Manuel, em "Mas Há Sinais..."

domingo, 18 de outubro de 2009

SEGUE O CAMINHO DA HUMILDADE

É na humildade que se encontra a maior liberdade.(...)

É só quando deixamos de prestar atenção aos nossos feitos, à nossa fama e à nossa superioridade, que estamos finalmente livres para servir Deus perfeitamente e por Ele só.

A pessoa que não está despojada, pobre e despida no íntimo da sua alma tenderá insconscientemente a realizar em seu proveito as obras que tem a fazer, mais do que para a glória de Deus. Será virtuosa não porque ame a vontade de Deus, mas porque deseja admirar as suas virtudes pessoais. Mas cada momento do dia irá trazer-lhe alguma frustração que a tornará ríspida e impaciente, e será descoberta na sua impaciência.

Planeou executar actos espectaculares. Não pode imaginar-se sem uma auréola. E, quando os acontecimentos da sua vida diária lhe vão recordando a sua insignificância e mediocridade, fica envergonhado e o orgulho impede-o de engolir uma verdade que não surpreenderia qualquer pessoa sensata.

Thomas Merton, em "Novas sementes de contemplação"

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O QUE É O PECADO?

«O pecado é a recusa da vida espiritual, a rejeição da ordem interior e da paz, que vêm da nossa união com a vontade divina.
Numa palavra, o pecado é a recusa da vontade de Deus e do seu amor.

Não é apenas a recusa de fazer esta ou aquela coisa desejada por Deus, ou uma determinação para fazer o que é proibido.
É, mais radicalmente, a recusa de sermos o que somos, uma rejeição da nossa realidade misteriosa, contingente e espiritual, escondida no próprio mistério de Deus.

O pecado é a nossa recusa de sermos aquilo para que fomos criados - filhos de Deus, imagens de Deus.»

Thomas Merton, em "Vida e Santidade"

terça-feira, 13 de outubro de 2009

TESTEMUNHAS VIVAS DO AMOR DE DEUS

«Todas as relações humanas, sejam elas entre pais e filhos, maridos e esposas, apaixonados e amigos, sejam elas entre membros duma comunidade, são para serem sinais do amor de Deus pela humanidade com um todo e por cada pessoa em particular. Este é um ponto de vista pouco comum, mas é o ponto de vista de Jesus. Jesus diz: «Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei. É nisso que todos reconhecerão que sois meus discípulos» (Jo 13, 34-35). E como é que Jesus nos ama? Ele diz: «Como o Pai Me amou, assim vos amei Eu» (Jo 15, 9). O amor de Jesus por nós é a plena expressão do amor de Deus por nós, porque Jesus e o Pai são um. «O que Eu vos digo», diz Jesus, «não o digo de Mim mesmo, mas o Pai que está em Mim é que faz as obras. Acreditai que estou no Pai e o Pai em Mim» (Jo 14, 10-11).

Estas palavras, à primeira vista, podem parecer sobremaneira irreais e mistificadoras, mas têm implicações directas e radicais quanto à maneira de vivermos o nosso relacionamento diário.

Jesus revela-nos que somos chamados por Deus a ser testemunhas vivas do amor de Deus. E tornamo-nos essas testemunhas seguindo a Jesus e amando-nos mutuamente com Ele nos ama. O que tem isto a ver com o casamento, a amizade e a comunidade? É que a fonte do amor que sustenta estas relações não são os parceiros em si mesmos mas Deus que junta os parceiros.

Amar-se reciprocamente não é agarrar-se uns aos outros de modo a encontrar segurança num mundo hostil, mas viver em conjunto de tal maneira que todos nos reconheçam como povo que torna o amor de Deus visível no mundo. Não só provém de Deus toda a paternidade e maternidade, mas também toda a amizade, a camaradagem e o matrimónio, bem como a verdadeira intimidade e comunidade.

Quando vivemos como se as relações humanas fossem uma criação dos homens e, portanto, sujeitas às voltas e às mudanças dos regulamentos e costumes humanos, não podemos esperar nada senão uma imensa fragmentação e alienação que, de resto, caracterizam a nossa sociedade. Mas, quando proclamamos e reclamamos constantemente Deus como a fonte de todo o amor, então descobriremos o amor como um dom de Deus ao seu povo.»

Henri Nouwen, em "Aqui e Agora"

domingo, 11 de outubro de 2009

O AMOR DE DEUS

O Amor vem de Deus e leva-nos para Deus para retornar a Ele através de nós e nos levar a todos de volta para Ele na corrente da sua infinita misericórdia.

Assim, todos nós passamos a ser portas e janelas através das quais a luz de Deus se reflecte no interior da sua própria casa.

Quando o amor de Deus está em mim, Deus é capaz de amar-te através de mim e tu és capaz de amar Deus através de mim. Se a minha alma estiver fechada a esse amor, o amor de Deus por ti, o teu amor a Deus e o amor de Deus por Ele próprio em ti e em mim, ficariam privados da expressão particular que encontra através de mim e de mais ninguém.

Porque o amor de Deus está em mim, ele pode chegar a ti desde uma direcção diferente e particular, que se encontraria fechada se Ele não vivesse em mim. E, porque o seu amor está em ti, pode chegar até mim desde uma direcção que não poderia tomar de qualquer outro modo. E porque está em ti e em mim, Deus recebe uma glória maior.
O seu amor exprime-se de mais duas maneiras nas quais não poderia exprimir-se de outro modo; isto é, em mais duas alegrias, que não poderiam existir sem Ele.

Thomas Merton, em "Novas sementes de contemplação"

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O BEM ACIMA DE TUDO

"Nunca se sabe todo o bem que se faz quando nos pomos a fazer o bem." (G. Courtois)

"Jamais se perde o bem que se faz." (Fenelon)

INDAGAÇÕES SOBRE O CARPINTEIRO

“A árvore é força vertical da natureza, da terra em direcção ao céu. Tem a postura da espécie humana. Por isso o cego que Jesus curou em Bet...