«O pecado é a recusa da vida espiritual, a rejeição da ordem interior e da paz, que vêm da nossa união com a vontade divina.
Numa palavra, o pecado é a recusa da vontade de Deus e do seu amor.
Não é apenas a recusa de fazer esta ou aquela coisa desejada por Deus, ou uma determinação para fazer o que é proibido.
É, mais radicalmente, a recusa de sermos o que somos, uma rejeição da nossa realidade misteriosa, contingente e espiritual, escondida no próprio mistério de Deus.
O pecado é a nossa recusa de sermos aquilo para que fomos criados - filhos de Deus, imagens de Deus.»
Thomas Merton, em "Vida e Santidade"
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
terça-feira, 13 de outubro de 2009
TESTEMUNHAS VIVAS DO AMOR DE DEUS
«Todas as relações humanas, sejam elas entre pais e filhos, maridos e esposas, apaixonados e amigos, sejam elas entre membros duma comunidade, são para serem sinais do amor de Deus pela humanidade com um todo e por cada pessoa em particular. Este é um ponto de vista pouco comum, mas é o ponto de vista de Jesus. Jesus diz: «Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei. É nisso que todos reconhecerão que sois meus discípulos» (Jo 13, 34-35). E como é que Jesus nos ama? Ele diz: «Como o Pai Me amou, assim vos amei Eu» (Jo 15, 9). O amor de Jesus por nós é a plena expressão do amor de Deus por nós, porque Jesus e o Pai são um. «O que Eu vos digo», diz Jesus, «não o digo de Mim mesmo, mas o Pai que está em Mim é que faz as obras. Acreditai que estou no Pai e o Pai em Mim» (Jo 14, 10-11).
Estas palavras, à primeira vista, podem parecer sobremaneira irreais e mistificadoras, mas têm implicações directas e radicais quanto à maneira de vivermos o nosso relacionamento diário.
Jesus revela-nos que somos chamados por Deus a ser testemunhas vivas do amor de Deus. E tornamo-nos essas testemunhas seguindo a Jesus e amando-nos mutuamente com Ele nos ama. O que tem isto a ver com o casamento, a amizade e a comunidade? É que a fonte do amor que sustenta estas relações não são os parceiros em si mesmos mas Deus que junta os parceiros.
Amar-se reciprocamente não é agarrar-se uns aos outros de modo a encontrar segurança num mundo hostil, mas viver em conjunto de tal maneira que todos nos reconheçam como povo que torna o amor de Deus visível no mundo. Não só provém de Deus toda a paternidade e maternidade, mas também toda a amizade, a camaradagem e o matrimónio, bem como a verdadeira intimidade e comunidade.
Quando vivemos como se as relações humanas fossem uma criação dos homens e, portanto, sujeitas às voltas e às mudanças dos regulamentos e costumes humanos, não podemos esperar nada senão uma imensa fragmentação e alienação que, de resto, caracterizam a nossa sociedade. Mas, quando proclamamos e reclamamos constantemente Deus como a fonte de todo o amor, então descobriremos o amor como um dom de Deus ao seu povo.»
Henri Nouwen, em "Aqui e Agora"
Estas palavras, à primeira vista, podem parecer sobremaneira irreais e mistificadoras, mas têm implicações directas e radicais quanto à maneira de vivermos o nosso relacionamento diário.
Jesus revela-nos que somos chamados por Deus a ser testemunhas vivas do amor de Deus. E tornamo-nos essas testemunhas seguindo a Jesus e amando-nos mutuamente com Ele nos ama. O que tem isto a ver com o casamento, a amizade e a comunidade? É que a fonte do amor que sustenta estas relações não são os parceiros em si mesmos mas Deus que junta os parceiros.
Amar-se reciprocamente não é agarrar-se uns aos outros de modo a encontrar segurança num mundo hostil, mas viver em conjunto de tal maneira que todos nos reconheçam como povo que torna o amor de Deus visível no mundo. Não só provém de Deus toda a paternidade e maternidade, mas também toda a amizade, a camaradagem e o matrimónio, bem como a verdadeira intimidade e comunidade.
Quando vivemos como se as relações humanas fossem uma criação dos homens e, portanto, sujeitas às voltas e às mudanças dos regulamentos e costumes humanos, não podemos esperar nada senão uma imensa fragmentação e alienação que, de resto, caracterizam a nossa sociedade. Mas, quando proclamamos e reclamamos constantemente Deus como a fonte de todo o amor, então descobriremos o amor como um dom de Deus ao seu povo.»
Henri Nouwen, em "Aqui e Agora"
domingo, 11 de outubro de 2009
O AMOR DE DEUS
O Amor vem de Deus e leva-nos para Deus para retornar a Ele através de nós e nos levar a todos de volta para Ele na corrente da sua infinita misericórdia.
Assim, todos nós passamos a ser portas e janelas através das quais a luz de Deus se reflecte no interior da sua própria casa.
Quando o amor de Deus está em mim, Deus é capaz de amar-te através de mim e tu és capaz de amar Deus através de mim. Se a minha alma estiver fechada a esse amor, o amor de Deus por ti, o teu amor a Deus e o amor de Deus por Ele próprio em ti e em mim, ficariam privados da expressão particular que encontra através de mim e de mais ninguém.
Porque o amor de Deus está em mim, ele pode chegar a ti desde uma direcção diferente e particular, que se encontraria fechada se Ele não vivesse em mim. E, porque o seu amor está em ti, pode chegar até mim desde uma direcção que não poderia tomar de qualquer outro modo. E porque está em ti e em mim, Deus recebe uma glória maior.
O seu amor exprime-se de mais duas maneiras nas quais não poderia exprimir-se de outro modo; isto é, em mais duas alegrias, que não poderiam existir sem Ele.
Thomas Merton, em "Novas sementes de contemplação"
Assim, todos nós passamos a ser portas e janelas através das quais a luz de Deus se reflecte no interior da sua própria casa.
Quando o amor de Deus está em mim, Deus é capaz de amar-te através de mim e tu és capaz de amar Deus através de mim. Se a minha alma estiver fechada a esse amor, o amor de Deus por ti, o teu amor a Deus e o amor de Deus por Ele próprio em ti e em mim, ficariam privados da expressão particular que encontra através de mim e de mais ninguém.
Porque o amor de Deus está em mim, ele pode chegar a ti desde uma direcção diferente e particular, que se encontraria fechada se Ele não vivesse em mim. E, porque o seu amor está em ti, pode chegar até mim desde uma direcção que não poderia tomar de qualquer outro modo. E porque está em ti e em mim, Deus recebe uma glória maior.
O seu amor exprime-se de mais duas maneiras nas quais não poderia exprimir-se de outro modo; isto é, em mais duas alegrias, que não poderiam existir sem Ele.
Thomas Merton, em "Novas sementes de contemplação"
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
O BEM ACIMA DE TUDO
"Nunca se sabe todo o bem que se faz quando nos pomos a fazer o bem." (G. Courtois)
"Jamais se perde o bem que se faz." (Fenelon)
"Jamais se perde o bem que se faz." (Fenelon)
terça-feira, 6 de outubro de 2009
UMA VIDA AGRADECIDA
Como poderemos viver realmente uma vida em acção de graças?
Quando olhamos para trás e vemos tudo o que nos aconteceu, facilmente dividimos a nossa vida em várias fases, com coisas boas a agradecer e coisas más para esquecer. Mas, como um passado assim dividido, não podemos caminhar livremente em direcção ao futuro. Com tantas coisas para esquecer, o máximo que podemos fazer é coxear rumo ao futuro.
A gratidão espiritual abarca todo o nosso passado, tanto os bons como os maus eventos, tanto os momentos alegres como os tristes.
Do lugar em que nos encontramos, podemos concluir que tudo o que nos aconteceu nos trouxe a este lugar. Recordemos tudo isso como parte do plano de Deus que nos conduz. Isso não quer dizer que tudo o que nos aconteceu no passado seja bom, mas quer dizer que mesmo o mal não aconteceu fora da presença amorosa de Deus.
Os sofrimentos do próprio Jesus foram-lhe causados pelas forças das trevas. Mesmo assim, Ele fala dos seus sofrimentos e morte como o caminho da glória.
É muito difícil colocar todo o nosso passado sob a luz da gratidão. Há muitas coisas de que nos sentimos culpados e envergonhados, muitas coisas que desejaríamos que pura e simplesmente não tivessem acontecido.
Mas, cada vez que temos a coragem de olhar para elas «na sua totalidade» e de as ver como Deus as vê, então a nossa culpa torna-se uma culpa feliz e a nossa vergonha uma vergonha feliz, porque provocam em nós um reconhecimento mais profundo da misericórdia de Deus, uma convicção mais forte de que é Deus quem nos conduz e um empenho mais radical na aceitação da vida ao serviço de Deus.
Desde que todo o nosso passado seja recordado com gratidão, adquirimos a liberdade para ser enviados para o mundo a proclamar a Boa Nova aos outros.
Assim como as negações de Pedro não o paralizaram, mas, uma vez perdoado, se tornaram uma nova fonte de fidelidade, assim também as nossas falhas e traições podem transformar-se em gratidão e capacitar-nos a ser mensageiros de esperança.
Henri Nouwen, em "Aqui e Agora"
Quando olhamos para trás e vemos tudo o que nos aconteceu, facilmente dividimos a nossa vida em várias fases, com coisas boas a agradecer e coisas más para esquecer. Mas, como um passado assim dividido, não podemos caminhar livremente em direcção ao futuro. Com tantas coisas para esquecer, o máximo que podemos fazer é coxear rumo ao futuro.
A gratidão espiritual abarca todo o nosso passado, tanto os bons como os maus eventos, tanto os momentos alegres como os tristes.
Do lugar em que nos encontramos, podemos concluir que tudo o que nos aconteceu nos trouxe a este lugar. Recordemos tudo isso como parte do plano de Deus que nos conduz. Isso não quer dizer que tudo o que nos aconteceu no passado seja bom, mas quer dizer que mesmo o mal não aconteceu fora da presença amorosa de Deus.
Os sofrimentos do próprio Jesus foram-lhe causados pelas forças das trevas. Mesmo assim, Ele fala dos seus sofrimentos e morte como o caminho da glória.
É muito difícil colocar todo o nosso passado sob a luz da gratidão. Há muitas coisas de que nos sentimos culpados e envergonhados, muitas coisas que desejaríamos que pura e simplesmente não tivessem acontecido.
Mas, cada vez que temos a coragem de olhar para elas «na sua totalidade» e de as ver como Deus as vê, então a nossa culpa torna-se uma culpa feliz e a nossa vergonha uma vergonha feliz, porque provocam em nós um reconhecimento mais profundo da misericórdia de Deus, uma convicção mais forte de que é Deus quem nos conduz e um empenho mais radical na aceitação da vida ao serviço de Deus.
Desde que todo o nosso passado seja recordado com gratidão, adquirimos a liberdade para ser enviados para o mundo a proclamar a Boa Nova aos outros.
Assim como as negações de Pedro não o paralizaram, mas, uma vez perdoado, se tornaram uma nova fonte de fidelidade, assim também as nossas falhas e traições podem transformar-se em gratidão e capacitar-nos a ser mensageiros de esperança.
Henri Nouwen, em "Aqui e Agora"
domingo, 4 de outubro de 2009
VERDADEIRAMENTE HUMANOS
Enquanto não compreendermos que, antes de o homem se tornar santo tem de ser primeiro homem, com toda a humanidade e fragilidade da verdadeira condição humana, não seremos capazes de entender o significado da palavra "santo". (...)
Se devemos ser "perfeitos" como Cristo é perfeito, devemos lutar para sermos tão perfeitamente humanos como Ele, de modo que Ele possa unir-nos com o seu divino ser e partilhar connosco a sua filiação do Pai do céu. Assim, a santidade não é uma questão de ser menos humano, antes mais humano do que os outros homens. Isto implica uma maior capacidade de preocupação, sofrimento, compreensão, simpatia e também de humor, alegria e valorização das coisas boas e belas da vida.
Por conseguinte, um pretenso "caminho de perfeição", que simplesmente destrói ou frustra os valores humanos, precisamente porque são humanos, tendo como ideal a atingir a separação dos outros homens, está condenado a não ser mais do que uma caricatura. E tal caricatura de santidade é, sem dúvida, um pecado contra a fé na Incarnação. Evidencia desprezo pela humanidade, pela qual Cristo não hesitou em morrer na cruz.»
Thomas Merton, em "Vida e Santidade"
Se devemos ser "perfeitos" como Cristo é perfeito, devemos lutar para sermos tão perfeitamente humanos como Ele, de modo que Ele possa unir-nos com o seu divino ser e partilhar connosco a sua filiação do Pai do céu. Assim, a santidade não é uma questão de ser menos humano, antes mais humano do que os outros homens. Isto implica uma maior capacidade de preocupação, sofrimento, compreensão, simpatia e também de humor, alegria e valorização das coisas boas e belas da vida.
Por conseguinte, um pretenso "caminho de perfeição", que simplesmente destrói ou frustra os valores humanos, precisamente porque são humanos, tendo como ideal a atingir a separação dos outros homens, está condenado a não ser mais do que uma caricatura. E tal caricatura de santidade é, sem dúvida, um pecado contra a fé na Incarnação. Evidencia desprezo pela humanidade, pela qual Cristo não hesitou em morrer na cruz.»
Thomas Merton, em "Vida e Santidade"
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
DEUS HÁ-DE SABER OUVIR-TE
«Quatro séculos depois de Cristo, Santo Agostinho escrevia estas palavras que permanecem mais actuais do que nunca: «Existe uma voz do coração e um idioma do coração. Esta voz interior é a nossa oração quando os nosso lábios se fecham e a nossa alma se abre diante de Deus. Calamo-nos, mas o nosso coração fala; não já aos ouvidos humanos, mas a Deus. Não duvides: Deus há-de saber ouvir-te.»
Irmão Roger de Taizé, em "Em tudo a paz do coração"
Irmão Roger de Taizé, em "Em tudo a paz do coração"
terça-feira, 29 de setembro de 2009
A UNIÃO COM CRISTO
"Não nos servirá de nada fazer do Evangelho uma moral - porque não a poderemos praticar - se não fazemos dele ao mesmo tempo uma mística que consiste na nossa união com Cristo, na nossa inserção na sua pessoa.
Infelizmente muitos dos que se dizem cristãos não chegam a fazer isto e vivem obcecados pelos mandamentos, dos quais defendem ferozmente os princípios sem chegar a praticá-los, não tendo a menor experiência do que é a oração, o olhar de Cristo sobre eles, a familiaridade com Ele, o abandono à sua misericórdia."
(A.M. Besnard)
Infelizmente muitos dos que se dizem cristãos não chegam a fazer isto e vivem obcecados pelos mandamentos, dos quais defendem ferozmente os princípios sem chegar a praticá-los, não tendo a menor experiência do que é a oração, o olhar de Cristo sobre eles, a familiaridade com Ele, o abandono à sua misericórdia."
(A.M. Besnard)
domingo, 27 de setembro de 2009
VIDA DE AMOR
«Toda a vida cristã consiste na procura da vontade de Deus com uma fé amorosa e no cumprimento dessa vontade abençoada, através de um amor fiel. (...)
Quando perdemos de vista o elemento central da santidade cristã, que é o amor, e quando esquecemos que o caminho para cumprir o mandamento cristão do amor não é algo de remoto e esotérico, mas sim algo que está imediatamente diante de nós, então a vida cristã torna-se complicada e muito confusa. Perde a simplicidade e a unidade que Cristo lhe deu no seu evangelho, e torna-se um labirinto de preceitos sem conexão, conselhos, princípios ascéticos, casos morais e até detalhes técnicos legais e rituais. Estas coisas tornam-se dificeis de entender, na medida em que perdem a sua conexão com a caridade que as une e lhes dá uma orientação para Cristo.»
Thomas Merton, em "Vida e Santidade"
Quando perdemos de vista o elemento central da santidade cristã, que é o amor, e quando esquecemos que o caminho para cumprir o mandamento cristão do amor não é algo de remoto e esotérico, mas sim algo que está imediatamente diante de nós, então a vida cristã torna-se complicada e muito confusa. Perde a simplicidade e a unidade que Cristo lhe deu no seu evangelho, e torna-se um labirinto de preceitos sem conexão, conselhos, princípios ascéticos, casos morais e até detalhes técnicos legais e rituais. Estas coisas tornam-se dificeis de entender, na medida em que perdem a sua conexão com a caridade que as une e lhes dá uma orientação para Cristo.»
Thomas Merton, em "Vida e Santidade"
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
AS MINHAS TREVAS
«Jesus Cristo, luz do meu coração, não permitas que as minhas trevas falem comigo.»
Ao escrever esta oração, Santo Agostinho teve a seguinte intuição: quando as nossas próprias trevas atraem a nossa atenção, logo surge uma contenda interior com aquilo que nos faz mal, em nós mesmos. Aonde é que isso poderá conduzir? A lado nenhum.»
Irmão Roger, de Taizé, em "Em tudo a paz do coração"
Ao escrever esta oração, Santo Agostinho teve a seguinte intuição: quando as nossas próprias trevas atraem a nossa atenção, logo surge uma contenda interior com aquilo que nos faz mal, em nós mesmos. Aonde é que isso poderá conduzir? A lado nenhum.»
Irmão Roger, de Taizé, em "Em tudo a paz do coração"
terça-feira, 22 de setembro de 2009
LEMBRAR-SE DE DEUS
"É preciso lembrar-se de Deus em todo tempo, em todo lugar e em todas as coisas. Se fabricas alguma coisa, deves pensar no Criador de tudo o que existe; se vês a luz do dia, lembra-te Daquele que criou a luz para ti; se olhas o céu, a terra e o mar e tudo o que eles contêm, admira, glorifica Aquele que tudo criou; se te vestes com uma roupa, pensa Naquele de quem a recebeste e lhe agradece, a Ele que provê a tua existência. Em resumo, que todo movimento seja para ti um motivo para celebrar o Senhor: assim rezarás sem cessar e tua alma estará sempre alegre".
Excerto do livro "Relatos de um Peregrino Russo"
Excerto do livro "Relatos de um Peregrino Russo"
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
O PESO DO JULGAMENTO

Henri Nouwen (24 de Janeiro de 1932 - 21 de Setembro de1996)
Passam hoje 13 anos sobre a morte de Henri Nouwen.
Passam hoje 13 anos sobre a morte de Henri Nouwen.
Convido-vos a ler a homenagem que lhe prestei há precisamente um ano: http://seguirjesus.blogspot.com/2008/09/henri-nouwen.html
«Imaginemos que não temos nenhuma necessidade de julgar ninguém. Imaginemos que não temos nenhuma vontade de decidir se alguém é boa ou má pessoa. Imaginemos que somos completamente livres de sentir e ajuizar sobre o tipo de comportamento, seja de quem for. Imaginemos-nos com a capacidade para dizer: «Não vou julgar ninguém!»
Imaginemos - não seria isto uma autêntica liberdade interior? Os Padres do deserto do século IV diziam: «Julgar os outros é um fardo pesado.» Eu tive alguns momentos na vida em que me senti livre da necessidade de fazer qualquer juízo de valor acerca dos outros. Senti que me tinha sido tirado um peso dos ombros. Nesses momentos, experimentei um amor imenso por todos os que encontrei, por todos aqueles de quem ouvi algumas coisas e, sobretudo, por aqueles dos quais li algumas coisas. Uma solidariedade profunda com todos os povos e um profundo desejo de os amar desceram as paredes do meu íntimo e tornaram o meu coração grande como o universo.
Um desses momentos ocorreu depois duma passagem de sete meses por um mosteiro de Trapistas. Vivia tão inundado da bondade de Deus que via essa bondade onde quer que fosse, mesmo atrás das fachadas de violência, destruição e crime. Tive que me coibir de abraçar as mulheres e homens que me venderam géneros alimentícios, flores e um fato novo. É que todos me pareciam santos!
Todos podemos desfrutar destes momentos se estivermos atentos ao movimento do Espírito de Deus dentro de nós. São como amostras do céu, de beleza e de paz. É fácil descartar estes momentos como produto dos nosso sonhos ou da nossa imaginação poética. Mas, quando optamos por pedi-los como uma forma de Deus nos dar umas pancadinhas no ombro e de nos mostrar a verdade mais profunda da existência, gradualmente somos capazes de ultrapassar a necessidade de julgar os outros e a inclinação para ajuizar acerca de tudo e de todos. Então poderemos crescer rumo a uma verdadeira liberdade interior e a uma verdadeira santidade.
Mas, só poderemos pôr de lado o fardo pesado de julgar os outros quando não nos importamos de suportar o ligeiro peso de ser julgados!»
Henri Nouwen, em "Aqui e Agora"
Imaginemos - não seria isto uma autêntica liberdade interior? Os Padres do deserto do século IV diziam: «Julgar os outros é um fardo pesado.» Eu tive alguns momentos na vida em que me senti livre da necessidade de fazer qualquer juízo de valor acerca dos outros. Senti que me tinha sido tirado um peso dos ombros. Nesses momentos, experimentei um amor imenso por todos os que encontrei, por todos aqueles de quem ouvi algumas coisas e, sobretudo, por aqueles dos quais li algumas coisas. Uma solidariedade profunda com todos os povos e um profundo desejo de os amar desceram as paredes do meu íntimo e tornaram o meu coração grande como o universo.
Um desses momentos ocorreu depois duma passagem de sete meses por um mosteiro de Trapistas. Vivia tão inundado da bondade de Deus que via essa bondade onde quer que fosse, mesmo atrás das fachadas de violência, destruição e crime. Tive que me coibir de abraçar as mulheres e homens que me venderam géneros alimentícios, flores e um fato novo. É que todos me pareciam santos!
Todos podemos desfrutar destes momentos se estivermos atentos ao movimento do Espírito de Deus dentro de nós. São como amostras do céu, de beleza e de paz. É fácil descartar estes momentos como produto dos nosso sonhos ou da nossa imaginação poética. Mas, quando optamos por pedi-los como uma forma de Deus nos dar umas pancadinhas no ombro e de nos mostrar a verdade mais profunda da existência, gradualmente somos capazes de ultrapassar a necessidade de julgar os outros e a inclinação para ajuizar acerca de tudo e de todos. Então poderemos crescer rumo a uma verdadeira liberdade interior e a uma verdadeira santidade.
Mas, só poderemos pôr de lado o fardo pesado de julgar os outros quando não nos importamos de suportar o ligeiro peso de ser julgados!»
Henri Nouwen, em "Aqui e Agora"
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
O INFERNO
«O inferno é a solidão onde o amor já não pode entrar. (...)» (François Varillon)
Deus ama incondicionalmente a todos nós, sem exclusão. Ele quer a salvação de todos, sem excepção.
François Varillon escreveu: «Eu rezo por todos os homens sem excepção, incluindo Judas e todos os que foram monstruosos neste mundo... porque, de facto, eu espero a sua salvação. Se a não esperasse, não rezaria... Mas esta fé e esta esperança implicam precisamente que o amor com que os homens são amados seja um amor tomado a sério. Que é um amor a sério? É um amor que não anula a liberdade humana, mas fundamenta-a. O amor não seria amor se manipulasse a liberdade com o fim de obter a todo o custo a reciprocidade. (...)
O amor já não é amor se disser: vou obrigar-te, finalmente, a que me ames. Não se pode obrigar ninguém a amar. Constrangir a amar não é amar.
Num livro admirável, Jean Lacroix escreveu uma frase que é talvez uma das mais profundas que se escreveram nestes últimos anos:
«Amar é prometer e comprometer-se a nunca empregar, em relação ao ser amado, os meios do poder. Recusar qualquer poder é expor-se à recusa, à incompreensão, à infidelidade».
Em Deus, o amor não é senão amor, portanto, um amor que se proíbe absolutamente de fazer uso do poder. O seu amor é verdadeiramente oferecido, e isso implica que se torne um amor acolhido. Quem poderá garantir que o amor realmente dado, ou oferecido, nunca será um amor livremente recusado? Se se pretender que uma tal garantia existe, deixa de haver amor. Porque não se pode encontrar essa garantia senão no uso do poder. A única garantia possível seria que Deus nos obrigasse a amá-l`O!
Na verdade, a recusa do amor é qualquer coisa particularmente assustadora. Está no limite do pensável. Ou, se preferirem, não se pode pensar senão como limite. Pelo contrário, o que está para além do que se pode pensar, para além de todo o limite, é que Deus possa deixar de amar. Não há mal-amados de Deus. Mas a liberdade do homem - que constitui a sua grandeza - é tal que o amor incondicionalmente oferecido pode ver-se incondicionalmente recusado. (...)
Quando se acredita verdadeiramente na grandeza do homem, acredita-se também que a eventualidade da condenação está inscrita, como recusa incondicional do amor, na própria estrutura da sua liberdade.
Sempre que o Evangelho parece dizer que Deus toma por sua conta a condenação dos homens,, que é Ele quem pronuncia a sentença de condenação (Mt 13, 41; 25, 41), quer dizer que Deus mesmo nada pode, senão sofrer perante uma liberdade que se fecha ao amor.
O castigo não procede de Deus, vem do interior, como aquele que fecha as persianas e nesse mesmo instante fica privado da luz do sol. Isto significa ainda que o acto criador, que é eterno, não pode deixar de incluir esta eventualidade; é o grande risco do acto criador.»
François Varillon, em "Alegria de crer e viver"
Deus ama incondicionalmente a todos nós, sem exclusão. Ele quer a salvação de todos, sem excepção.
François Varillon escreveu: «Eu rezo por todos os homens sem excepção, incluindo Judas e todos os que foram monstruosos neste mundo... porque, de facto, eu espero a sua salvação. Se a não esperasse, não rezaria... Mas esta fé e esta esperança implicam precisamente que o amor com que os homens são amados seja um amor tomado a sério. Que é um amor a sério? É um amor que não anula a liberdade humana, mas fundamenta-a. O amor não seria amor se manipulasse a liberdade com o fim de obter a todo o custo a reciprocidade. (...)
O amor já não é amor se disser: vou obrigar-te, finalmente, a que me ames. Não se pode obrigar ninguém a amar. Constrangir a amar não é amar.
Num livro admirável, Jean Lacroix escreveu uma frase que é talvez uma das mais profundas que se escreveram nestes últimos anos:
«Amar é prometer e comprometer-se a nunca empregar, em relação ao ser amado, os meios do poder. Recusar qualquer poder é expor-se à recusa, à incompreensão, à infidelidade».
Em Deus, o amor não é senão amor, portanto, um amor que se proíbe absolutamente de fazer uso do poder. O seu amor é verdadeiramente oferecido, e isso implica que se torne um amor acolhido. Quem poderá garantir que o amor realmente dado, ou oferecido, nunca será um amor livremente recusado? Se se pretender que uma tal garantia existe, deixa de haver amor. Porque não se pode encontrar essa garantia senão no uso do poder. A única garantia possível seria que Deus nos obrigasse a amá-l`O!
Na verdade, a recusa do amor é qualquer coisa particularmente assustadora. Está no limite do pensável. Ou, se preferirem, não se pode pensar senão como limite. Pelo contrário, o que está para além do que se pode pensar, para além de todo o limite, é que Deus possa deixar de amar. Não há mal-amados de Deus. Mas a liberdade do homem - que constitui a sua grandeza - é tal que o amor incondicionalmente oferecido pode ver-se incondicionalmente recusado. (...)
Quando se acredita verdadeiramente na grandeza do homem, acredita-se também que a eventualidade da condenação está inscrita, como recusa incondicional do amor, na própria estrutura da sua liberdade.
Sempre que o Evangelho parece dizer que Deus toma por sua conta a condenação dos homens,, que é Ele quem pronuncia a sentença de condenação (Mt 13, 41; 25, 41), quer dizer que Deus mesmo nada pode, senão sofrer perante uma liberdade que se fecha ao amor.
O castigo não procede de Deus, vem do interior, como aquele que fecha as persianas e nesse mesmo instante fica privado da luz do sol. Isto significa ainda que o acto criador, que é eterno, não pode deixar de incluir esta eventualidade; é o grande risco do acto criador.»
François Varillon, em "Alegria de crer e viver"
domingo, 13 de setembro de 2009
ENSINA-ME
Ensina-me a empreender um novo início,
a destruir os esquemas de ontem,
a deixar de dizer «não posso» quando posso,
«não sou» quando sou,
«estou bloqueado» quando estou totalmente livre.
Rabbi Nachman Di Braslav
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
ABRIR-SE A DEUS
Quando somos capazes de exprimir a Deus
tudo o que sobrecarrega a nossa vida
e mantém em nós a angústia de um julgamento,
as nossas regiões obscuras começam a clarear.
Saber-se escutado, compreendido, perdoado por Deus,
é uma das fontes da paz...
que traz consigo mesma a cura do coração.
Irmão Roger de Taizé, em "Em tudo a paz do coração"
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