sexta-feira, 12 de setembro de 2008

DEIXAR DEUS SER DEUS

"Pecar é recusar deixar Deus ser Deus.

Arrepender-se é deixar que Deus seja Deus na nossa vida.
A primeira mensagem de Cristo é "arrependei-vos e acreditai na Boa Nova". "Arrependei-vos" quer dizer, "voltai-vos para Mim e tomai consciência do Meu amor para convosco"
Reconhecer que somos pecadores e arrepender-nos é um processo contínuo que dura a vida inteira. Antes da morte não podemos atingir um estágio em que já não precisemos de arrependimento, porque há níveis sobre níveis de consciência dentro de nós, e a cada momento da nossa existência podem revelar-se esses níveis se o permitirmos, e mostrar-nos a profundidade da tendência que há em nós para recusarmos que Deus seja Deus.

Deus é paciente, vai-nos revelando gradualmente o pecado que há em nós. Parece não se preocupar com os nossos erros passados, embora os seus efeitos ainda nos possam causar sofrimento a nós e aos outros. "Embora os vossos pecados sejam como o escarlate, tornar-se-ão brancos como a neve" (Is 1, 18). O que Lhe importa é a direcção que levamos na vida. Se nos voltarmos para Ele - não importa que estejamos longe - Ele aproxima-se para nos receber.

O verdadeiro pecado está em recusar, ou em ter medo de me voltar para Ele, seja porque estou contente com aquilo que sou, seja porque julgo que devo primeiro pôr as minhas coisas em ordem, antes de me virar para Ele. » (George W. Hughes, em "O Deus das supresas")

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

O VERDADEIRO PECADO

"É muito importante compreender o que é o pecado.
O pecado não é, em primeiro lugar, transgressão da lei.
É isso mas não em primeiro lugar.
Toda a Sagrada Escritura, e em especial os Evangelhos e as epístolas de São Paulo
dizem-no muito claramente.

Pecar é virar as costas a Jesus, deixar de ter confiança n´Ele,
não acreditar nas suas promessas e na sua palavra,
duvidar da sua aliança
e não continuar a alimentar-se da sua presença.
Pecar é desligarmo-nos da vida de Jesus,
deixar de viver em comunhão com Ele,
recusar o seu corpo e o seu sangue,
rejeitar a sua palavra.

É evidente que se vai então transgredir a lei,
transgredir todas as leis."

(Jean Vanier, em "A Fonte das Lágrimas")

domingo, 7 de setembro de 2008

Vivos em Jesus

«Para vivermos do Evangelho.
para amarmos os nossos inimigos,
para estarmos próximos dos pobres,
para sermos fiéis no sacramento do matrimónio,
para vivermos com amor,
é preciso estarmos vivos
e só podemos estar vivos se estamos em comunhão com Aquele
que é a própria Vida.


Quando Jesus diz à mulher apanhada em flagrante adultério: "Vai e não tornes a pecar",
diz de facto: "Vai e não Me deixes mais. Permanece no meu amor.
Aceita viver.
Alimenta-te da minha presença, alimenta-te do meu amor, do meu corpo e do meu sangue.
Escolhe o que é bom para ti e te faz viver".


É verdade, é preciso estar atento: há alimentos envenenados,
falsos amigos, maus filmes, maus livros,
formas de viver que pouco a pouco, se não tivermos cuidado,
podem afastar-nos de Jesus e destruir-nos.


É preciso estarmos atentos, pois, de facto,
se não somos seres que estão vivos, seres que estão de pé,
transgredimos a lei.
Se estivermos mortos,
se nos separarmos da fonte da vida,
não transmitiremos aos outros senão a morte.


Então, aprendamos a alimentar-nos bem:
da Palavra de Deus,
do Corpo de Jesus,
da oração
e desse misterioso sacramento da presença de Jesus no pobre.»

(Jean Vanier, em "A Fonte das Lágrimas")

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Fé

"A fé torna-nos capazes de pensarmos como Deus, tanto no que respeita à nossa pessoa como a tudo aquilo com que contactamos. Crer significa, portanto, sintonizar e identificar o nosso pensamento com o de Deus.

O mundo criado à nossa volta é como que a expressão de uma voz que nos fala. Se a nossa fé é fraca essa voz produz em nós a dispersão, afasta-nos de Deus e leva a centrarmo-nos em nós próprios. Mas, quando a fé cresce, dá-se o processo inverso: o mundo exterior começa a falar-nos de Deus, a atrair-nos para Ele, torna-se sinal da Sua presença. Além disso, ajuda-nos a entrar em contacto com Ele e transforma-se num lugar de encontro com Deus.

É a fé que te torna capaz de ultrapassar as aparências, de distinguir a causa primeira das causas segundas e de ver que aquilo que se passa em teu redor, não é fruto do poder dos homens. A fé permite-te descobrir os sinais de Deus na Criação, oferece-te a possibilidade de acolheres os acontecimentos como expressão da Vontade de Deus e de os ver como uma passagem de Deus na tua vida" (Tadeusz Dajczer, em "Meditações sobre a fé")

domingo, 31 de agosto de 2008

AUTO-REALIZAÇÃO EM CRISTO

"Cada um de nós somente encontra a sua realização quando ama.
Cada um de nós só é plenamente homem pelo amor.


A auto-realização de cada um de nós tem o seu cumprimento na medida em que nos abrimos a Cristo, na medida em que deixamos que Ele ame em nós, que viva em nós. Se te abrires totalmente a Cristo poderias também dizer como São Paulo: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim» (Gl 2, 20). E Cristo tem mesmo este desejo extraordinário: quer amar cada um de nós com especial amor, quer tantos rostos quantos os homens sobre a terra.


A nossa auto-realização encontra a sua concretização mediante a vida em verdade e pela resposta ao chamamento de Deus ao amor.
Sem uma vida vivida em verdade não se pode sequer falar de amor no sentido sobrenatural. Esse amor, de facto, é o amor do próprio Cristo em nós. E Ele vive em nós, na medida em que, vendo-nos na verdade, isto é, reconhecendo a nossa fraqueza, nós O invocamos, na medida em que queiramos que Ele seja a nossa vida.» (Tadeusz Dajczer, em "Meditações sobre a Fé")

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Jesus Vive! (2ª parte)

«O actual carácter ressurrecto de Jesus como "Espírito que dá vida" significa que posso enfrentar qualquer coisa. Não estou sozinho. "Oro também para que [...] vocês conheçam [...] a incomparável grandeza do seu poder para connosco..." (Ef 1:18-19).

Como o Espírito do Senhor, que dá vida, manifesta-se em "dias difíceis"?

Na nossa disposição de permanecer firmes, na nossa recusa de fugir e nos esconder num comportamento autodestrutivo. O poder da ressurreição capacita-nos a entrar num confronto selvagem com emoções indomadas, a aceitar a dor... por mais atroz que possa ser. E, durante esse processo, descobrimos que não estamos sós, que podemos permanecer firmes na consciência do actual estado ressurrecto de Jesus e assim nos tornamos discípulos mais plenos, mais profundos, mais ricos.

"Este mistério, [...] Cristo em vocês, [é] a esperança da glória" (Cl 1:27).

A esperança sabe que, se forem evitadas as grandes provações, grandes feitos permanecem por fazer e aborta-se a possibilidade da alma ser grande. O pessimismo e a derrota jamais são fruto do Espírito que dá vida, mas antes revelam que não estamos conscientes do actual estado ressurrecto.» (Brennan Manning, em "O Obstinado Amor de Deus")

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

JESUS VIVE! (1ª parte)

"O Poder transformador da Palavra reside no Senhor ressurrecto, que sustenta esse poder. Permita-me dizer outra vez: o poder dinâmico do Evangelho flui da ressurreição. Quando pela fé aceitamos plenamente que Jesus é quem afirma ser, experimentamos o Cristo ressurecto. A Escritura apresenta somente duas alternativas: ou crês na ressurreição e crês em Jesus de Nazaré, ou não crês na ressurreição nem crês em Jesus de Nazaré.


Para mim, a exigência mais radical da fé cristã reside em criar coragem para dizer "sim" ao carácter ressurrecto de Jesus Cristo." (Brennan Manning, em "O Obstinado Amor de Deus")

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Sê testemunha incondicional

"A boa notícia passa a má notícia quando é anunciada sem paz e alegria. Qualquer um que proclama o Perdão e o Amor curativo de Jesus com um coração amargo e ressentido dá um falso testemunho. Jesus é o salvador do mundo. Nós não somos.

Nós somos chamados a testemunhar, sempre com as nossas vidas e, por vezes, com as nossas palavras, as grandes coisas que Deus fez por nós. Mas esse testemunho deve ser proveniente de um coração que está disposto a dar sem receber nada em troca. Quanto mais confiarmos no amor incondicional de Deus por nós, tanto mais nos sentiremos capazes de proclamar o Amor de Jesus sem quaisquer condições internas ou externas." (Henri Nouwen)

Nota: este texto é uma tradução pessoal do original em Inglês a partir de pequenas meditações diárias de Henri Nouwen que me são enviadas pelo site:http://www.henrinouwen.org/

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Sinais visíveis do Amor de Deus

"Toda a vida de Jesus foi um testemunho do amor de seu Pai, e Jesus convida os seus seguidores a praticar esse testemunho em seu nome. Nós, os seguidores de Jesus, somos enviados a este mundo para sermos sinais visíveis do amor incondicional de Deus.

Assim, nós não somos em primeiro lugar julgados por aquilo que dizemos, mas por aquilo que nós vivemos. Quando as pessoas dizem de nós: "Veja como eles se amam uns aos outros", elas captam um vislumbre do Reino de Deus que Jesus anunciou e são atraídos para ele como por um íman.

Num mundo tão dilacerado pela rivalidade, raiva e ódio, temos a vocação privilegiada de podermos ser sinais visíveis dum Amor que pode colmatar todas as divisões e curar todas as feridas." (Henri Nouwen)


Nota: este texto é uma tradução pessoal do original em Inglês a partir de pequenas meditações diárias de Henri Nouwen, que me são enviadas pelo site:http://www.henrinouwen.org/

domingo, 17 de agosto de 2008

Ardentes de Amor

«Muitas vezes, nós estamos preocupados com a pergunta: "Como podemos ser testemunhas em nome de Jesus? O que é suposto dizer ou fazer para que as pessoas aceitem o amor que Deus lhes oferece?"

Estas perguntas são mais expressões do nosso receio do que do nosso amor. Jesus mostra-nos o caminho para sermos testemunhas. Ele estava tão cheio do amor de Deus, tão ligado com a vontade de Deus, tão ardente de zelo para com o Reino de Deus, que Ele não poderia fazer outra coisa senão testemunhar esse Amor. Onde quer que Ele passou e quem quer que Ele tenha conhecido, um Poder emanou dele e curou todos que o tocaram.(Vê: Lucas 6, 19).
Se queremos ser testemunhas como Jesus, nossa única preocupação deve ser a de sermos testemunhas vivas e comprometidas com o amor de Deus como Jesus foi.» (Henri Nouwen)

Nota: este texto é uma tradução pessoal do original em Inglês a partir de pequenas meditações diárias de Henri Nouwen que me são enviadas pelo site:http://www.henrinouwen.org/

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

COMO CRIANÇAS

«As qualidades positivas da criança - franqueza, dependência confiante, espírito lúdico, simplicidade, sensibilidade aos sentimentos - impedem-nos de nos fechar para as novas ideias, para as surpresas do Espírito e para as oportunidades arriscadas de crescimento. A minha criança interior é o filho de Aba, bem firme nos seus braços, tanto na luz quanto na sombra.
Considere as palavras de Frederick Buechener:

"Somos criança, talvez, no exacto momento em que sabemos que é na qualidade de crianças que Deus nos ama - não porque tenhamos merecido o Seu amor, nem apesar da nossa indignidade; não porque tenhamos tentado, nem porque reconhecemos a inutilidade das nossas tentativas; mas simplesmente porque Ele escolheu nos amar. Somos crianças porque Ele é o nosso Pai; e todos os nossos esforços, frutíferos e infrutíferos, de fazer o bem, de falar a verdade, de entender, são os esforços de crianças que, mesmo com toda a precocidade, são ainda crianças, uma vez que, antes de O amarmos, Ele nos amou, como filhos, por meio de Jesus Cristo, Nosso Senhor." » (Brennan Manning, em "O Obstinado Amor de Deus")

domingo, 10 de agosto de 2008

ALGUÉM AMADO POR CRISTO

«Deus criou-nos para a união com Ele. Esse é o propósito original da nossa existência. E Deus é definido como Amor (1 Jo 4:16). Viver com a percepção de quanto somos amados é o eixo em torno do qual gira a vida cristã. Ser amados é a nossa identidade,o âmago da nossa existência.(...)


Quando preciso buscar uma identidade externa a mim, sou então atraído pelo acúmulo de riquezas, poder e honra. Posso também encontrar o meu centro gravitacional nos relacionamentos. Quando extraio vida e significado de qualquer outra fonte que não o facto de eu ser amado, estou espiritualmente morto. (...)


"Quem sou eu?", perguntou Thomas Merton, ao que ele mesmo respondeu: "Sou alguém amado por Cristo".» (Brennan Manning, em "O Obstinado Amor de Deus")

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

GRATUIDADE

«Deus é o Manancial onde tudo nasce e tudo se consuma. É o poço inesgotável de toda a vida e graça. Tudo dispõe e dispensa segundo o seu beneplácito. No dinamismo geral da Sua economia, uma só direcção existe: a de dar. (...)

As relações com Ele não são da natureza das nossas relações humanas. Nas nossas inter-relações há contratos de compra e venda, trabalho e salário, mérito e prémio. Na relação com Deus nada disso existe. Há apenas oferta, graças, dádiva. Ele é doutra natureza: Ele e nós estamos em órbitas diferentes.(...)

Ninguém pode questionar a Deus, dizendo: Que é isso, Senhor? A este que trabalhou uma hora, estás a pagar-lhe o mesmo salário que a este outro que carregou com o peso do dia? Ele vai responder: O que dei a este e a esse não é salário mas presente, e do que é meu posso fazer o que achar conveniente.

Neste reino, continua Deus, não existe o verbo pagar nem o verbo ganhar. Aqui nada se paga porque nada se ganha. Tudo se recebe. Tudo é oferta e graça.(...)

Se as almas que empreendem a subida para Deus(...) não começarem por dar-se conta e aceitar com paz a natureza gratuita e desconcertante de Deus, vão afundar-se muitas vezes na mais completa confusão. A observação da vida levou-me à conclusão de que a razão mais frequente do abandono da oração é esta: na vida com Deus, a muitos, por vezes, tudo lhes parece tão sem sentido, tão sem lógica, tão sem proporcionalidade, que acabam por ter a impressão de que tudo é irreal, irracional... e deixam tudo.

Quem quiser alistar-se entre os combatentes de Deus, tem de começar por aceitar esta realidade primária: Deus é assim: gratuidade.» - Ignacio Larrañaga, em "Mostra-me o Teu Rosto"

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Humildade

"O homem para se enaltecer deve ajoelhar-se." (Papini)

"A humildade é o fundamento de todas as virtudes." (S.Agostinho)

"O que o homem é diante de Deus, isso vale e nada mais." (S.Francisco de Assis)

"Encontrei a Deus no dia em que perdi a mim mesmo de vista." (S.Teresa)

"É tâo bonito descascar batatas por amor de Deus como edificar catedrais." (G. Larigaudie)

"Ali onde me deixei a mim mesmo, encontrei Deus." (J. Tauler)

«A humildade é a base para reconhecer os sinais de Deus. Por falta de humildade,
criamos um Deus à nossa semelhança, segundo a nossa própria inteligência.
É por isso que Jesus nos pede para renunciarmos a nós mesmos, para que a sua
Palavra, que é Verdade e Vida, nos possa levar ao encontro do verdadeiro Deus,
aquele que nos criou à sua semelhança.

-A humildade é a estrela que nos guia ao encontro do Salvador.
-A humildade é a rainha de todas as virtudes, porque é através dela que se irá
conquistar todas as outras.»
- Nelson Viana

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Santidade

"A santidade não está nesta ou naquela prática, mas consiste numa disposição de coração que nos faz humildes e pequenos nos braços de Deus, conscientes da nossa debilidade e confiados até à audácia na sua bondade de Pai." (S. Teresa de Lisieux)

"A vida de cada santo é a vida de Jesus Cristo, é um Evangelho novo." (J.P. de Caussade)

"Na excelência da vida santa requerem-se estes três predicados: constante em relação a si, contemplativo em relação a Deus, brilhante quanto ao próximo." (S. António de Lisboa, Sermões)

"Ser santo é teimar em ser feliz só com Deus e nunca sem Deus."

INDAGAÇÕES SOBRE O CARPINTEIRO

“A árvore é força vertical da natureza, da terra em direcção ao céu. Tem a postura da espécie humana. Por isso o cego que Jesus curou em Bet...