quinta-feira, 7 de agosto de 2008

GRATUIDADE

«Deus é o Manancial onde tudo nasce e tudo se consuma. É o poço inesgotável de toda a vida e graça. Tudo dispõe e dispensa segundo o seu beneplácito. No dinamismo geral da Sua economia, uma só direcção existe: a de dar. (...)

As relações com Ele não são da natureza das nossas relações humanas. Nas nossas inter-relações há contratos de compra e venda, trabalho e salário, mérito e prémio. Na relação com Deus nada disso existe. Há apenas oferta, graças, dádiva. Ele é doutra natureza: Ele e nós estamos em órbitas diferentes.(...)

Ninguém pode questionar a Deus, dizendo: Que é isso, Senhor? A este que trabalhou uma hora, estás a pagar-lhe o mesmo salário que a este outro que carregou com o peso do dia? Ele vai responder: O que dei a este e a esse não é salário mas presente, e do que é meu posso fazer o que achar conveniente.

Neste reino, continua Deus, não existe o verbo pagar nem o verbo ganhar. Aqui nada se paga porque nada se ganha. Tudo se recebe. Tudo é oferta e graça.(...)

Se as almas que empreendem a subida para Deus(...) não começarem por dar-se conta e aceitar com paz a natureza gratuita e desconcertante de Deus, vão afundar-se muitas vezes na mais completa confusão. A observação da vida levou-me à conclusão de que a razão mais frequente do abandono da oração é esta: na vida com Deus, a muitos, por vezes, tudo lhes parece tão sem sentido, tão sem lógica, tão sem proporcionalidade, que acabam por ter a impressão de que tudo é irreal, irracional... e deixam tudo.

Quem quiser alistar-se entre os combatentes de Deus, tem de começar por aceitar esta realidade primária: Deus é assim: gratuidade.» - Ignacio Larrañaga, em "Mostra-me o Teu Rosto"

Um comentário:

Maria João disse...

Na missão que tive com os sem-abrigo vivemos muito este pedido de Jesus: dar de graça o que recebemos de graça

Que Ele nos ajude sempre seguir este lema.


beijos em Cristo e Maria

Nada é grave...

"Nada é grave, a não ser perder o amor." [Irmão Roger de Taizé]