domingo, 22 de novembro de 2009

UMA DESINTEGRAÇÃO ATÓMICA

«Deus é um risco total. Abrir-se a Deus é dar um salto mortal.

O amor descentra e liberta. Mas é preciso começar por mergulhar. Por saltar da cama tépida e confortável. Quem perde a sua vida, salva-a. Mas importa, primeiramente, aceitar «perder». É indispensável passar por este despojamento doloroso.

Passar do egoísmo para o amor é quase tão violento como uma desintegração atómica. Coisa parecida.

O que constitui a integridade do átomo é ele ser um sistema fechado onde os electrões giram, continuamente, em redor do seu núcleo.
Tudo salta, tudo estremece, tudo se anima, quando um electrão, por virtude dum inaudito dinamismo, se desprende desta ronda infernal, se interessa por um centro que não é o seu e ingressa no circuito de um outro.

Quando nos pomos a amar, quer dizer a preferir à nossa vontade a vontade de alguém que não somos nós, opera-se uma reviravolta psicológica da mesma ordem.

Mas é este o preço da vida eterna. Porque a vida eterna é amor.»

Louis Evely, em "Sofrimento"

Um comentário:

Manuel Filipe Santos disse...

Lindo texto. Não conhecia o autor.
Publiquei no meu blog, com link para o seu:
http://makeitabetterplaceforus.blogspot.com/

Se não concordar, com alguma coisa, diga que eu altero ou retiro.

Muito obrigado pela partilha.

Grande abraço em Jesus,
Manuel Filipe Santos.

Nada é grave...

"Nada é grave, a não ser perder o amor." [Irmão Roger de Taizé]