segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
EXPERIMENTA O AMOR DE DEUS
«Da mesma forma que o sol aquece a pele e perpassa todo o corpo,
o amor de Deus quer incidir sobre todos os poros de nosso ser.
O amor de Deus não é algo meramente cognitivo;
ele pode ser experimentado no contacto com a criação,
com o sol que nos ilumina ou o vento que nos acaricia ternamente.
O amor é sem objecto.
Ele simplesmente é.
Este também é um desejo que todos nós temos,
o de sermos simplesmente amor.
Há aquelas pessoas visivelmente cheias de amor, totalmente permeáveis ao amor divino. Elas não estão apaixonadas por outra pessoa, mas irradiam o amor em todo o seu ser. Seu amor está presente no relacionamento com todos aqueles que elas encontram: têm a capacidade de se dirigir a cada um com total benevolência. Seu amor existe para os animais e plantas, para uma estátua ou uma pintura, assim como para a música. Está presente em cada momento. A presença destas pessoas nos faz sentir bem: irradiam amor; suas mãos têm algo de carinhoso. Não é possível descrever o que se passa connosco quando encontramos uma pessoa assim; de alguma maneira nos sentimos aceites, levados a sério, respeitados, amados; nosso coração começa a "degelar"; sentimo-nos livres, não precisamos ocultar nada, podemos ser realmente como somos.»
Anselm Grun, em "Abra seu coração para o amor"
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
O MISTÉRIO DO AMOR DE DEUS
«O mistério do amor de Deus consiste em que os nossos corações ardentes e os nossos ouvidos e olhos receptivos possam descobrir que Aquele que encontrámos na intimidade do nosso ser continue a revelar-se a nós entre os pobres, os doentes, os famintos, os prisioneiros, os refugiados e todas as pessoas que vivem no medo.
Assim percebemos finalmente que a nossa missão não consiste apenas em ir falar do Senhor ressuscitado aos outros, mas também em receber esse testemunho daqueles a quem somos enviados.
Muitas vezes, a missão é vista exclusivamente em termos de dar, mas a verdadeira missão também é receber. Se é verdade que o Espírito de Jesus sopra onde quer, não há ninguém que não possa transmitir esse mesmo Espírito.
Assim percebemos finalmente que a nossa missão não consiste apenas em ir falar do Senhor ressuscitado aos outros, mas também em receber esse testemunho daqueles a quem somos enviados.
Muitas vezes, a missão é vista exclusivamente em termos de dar, mas a verdadeira missão também é receber. Se é verdade que o Espírito de Jesus sopra onde quer, não há ninguém que não possa transmitir esse mesmo Espírito.
A longo prazo, a missão só é possível na medida em que for tanto receber como dar, tanto ser amado como amar. Nós somos enviados aos doentes, aos moribundos, aos deficientes, aos prisioneiros e aos refugiados para lhes levar a boa nova da ressurreição do Senhor.
Em breve, porém, ficaremos queimados, se não conseguirmos receber o Espírito do Senhor daqueles a quem somos enviados.
Esse Espírito, o Espírito de amor, está escondido na sua pobreza, fragilidade e dor. Foi por isso que Jesus disse: «Bem aventurados os pobres, os perseguidos, os que choram.» De cada vez que lhes estendermos a mão, eles, por sua vez – quer tenham consciência disso quer não – abençoar-nos-ão com o Espírito de Jesus, tornando-se assim nossos ministros.
Sem esta troca mútua de dar e receber, missão e ministério tornam-se facilmente manipuladores ou violentos. Quando só um é que dá e o outro recebe, quem dá, em breve, torna-se opressor e quem recebe torna-se vítima. No entanto, quando o que dá recebe e o que recebe dá, o círculo de amor, iniciado na comunidade dos discípulos, pode crescer até abarcar o mundo.»
Henri Nouwen, em “Não nos ardia o coração?”
Em breve, porém, ficaremos queimados, se não conseguirmos receber o Espírito do Senhor daqueles a quem somos enviados.
Esse Espírito, o Espírito de amor, está escondido na sua pobreza, fragilidade e dor. Foi por isso que Jesus disse: «Bem aventurados os pobres, os perseguidos, os que choram.» De cada vez que lhes estendermos a mão, eles, por sua vez – quer tenham consciência disso quer não – abençoar-nos-ão com o Espírito de Jesus, tornando-se assim nossos ministros.
Sem esta troca mútua de dar e receber, missão e ministério tornam-se facilmente manipuladores ou violentos. Quando só um é que dá e o outro recebe, quem dá, em breve, torna-se opressor e quem recebe torna-se vítima. No entanto, quando o que dá recebe e o que recebe dá, o círculo de amor, iniciado na comunidade dos discípulos, pode crescer até abarcar o mundo.»
Henri Nouwen, em “Não nos ardia o coração?”
domingo, 20 de fevereiro de 2011
OBJECTIVO DA MINHA VIDA
«O objectivo da minha vida é que o meu ego deixe de bloquear a imagem original e genuína de Deus, que existe dentro de mim, e que eu permaneça sempre permeável ao seu Espírito.
Tenho confiança de que a minha vida se tornará uma bênção para outras pessoas, de que eu próprio me tornarei uma bênção, se deixar de circular, de forma egocêntrica, à volta do meu próprio sucesso ou de me fixar no meu próprio resultado. Só então serei verdadeiramente livre. Nessa altura, serei verdadeiramente capaz de amar. (...)
Pressinto que o meu objectivo é ser totalmente eu próprio, ser totalmente aquilo para que Deus me designou, sem utilizar Deus a meu favor e sem querer dar provas de mim a mim mesmo.
O meu objectivo é, portanto, tornar-me aquele que sou com origem em Deus, e gerar frutos, tal como Jesus prometeu àqueles que n´Ele permanecem e junto de quem Ele permanece.
E eu sei que só serei verdadeiramente produtivo quando abandonar o meu ego e me tornar totalmente permeável ao amor. Um amor que brota em mim para correr através de mim na direcção dos outros e os alegrar."
Anselm Grün, em "O Livro das Respostas"
Tenho confiança de que a minha vida se tornará uma bênção para outras pessoas, de que eu próprio me tornarei uma bênção, se deixar de circular, de forma egocêntrica, à volta do meu próprio sucesso ou de me fixar no meu próprio resultado. Só então serei verdadeiramente livre. Nessa altura, serei verdadeiramente capaz de amar. (...)
Pressinto que o meu objectivo é ser totalmente eu próprio, ser totalmente aquilo para que Deus me designou, sem utilizar Deus a meu favor e sem querer dar provas de mim a mim mesmo.
O meu objectivo é, portanto, tornar-me aquele que sou com origem em Deus, e gerar frutos, tal como Jesus prometeu àqueles que n´Ele permanecem e junto de quem Ele permanece.
E eu sei que só serei verdadeiramente produtivo quando abandonar o meu ego e me tornar totalmente permeável ao amor. Um amor que brota em mim para correr através de mim na direcção dos outros e os alegrar."
Anselm Grün, em "O Livro das Respostas"
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
O QUE É QUE ME VALORIZA?
Todas as pessoas têm o seu valor, porque são criaturas de Deus. (...)
Valoriza-me o facto de ser humano, de ter sido criado por Deus e por Ele escolhido.
E valoriza-me o facto de existir em mim qualquer coisa que pertence apenas a mim.
Ninguém sente as coisas da mesma maneira que eu.
Ninguém fala da mesma maneira que eu.
Ninguém respira da mesma maneira que eu.
Não devo ver o meu valor apenas naquilo que eu consigo fazer.
As minhas capacidades fazem parte do meu valor, mas não o esgotam. Apenas têm valor como parte da minha pessoa, que é única, e em que o próprio Deus se revela. (...)
O valor e a dignidade das pessoas consiste no facto de Deus ter criado o Homem à sua imagem e semelhança.
No ser humano resplandece, portanto, o rosto de Deus. É essa a mensagem da Bíblia.
Para os cristãos, isso teve, mais uma vez, outro aprofundamento, devido ao facto de Deus ter encarnado em Jesus de Nazaré.
Se acreditarmos nisso, vemos em cada rosto humano o rosto de Jesus Cristo. (...)
O facto de existir em nós uma vida divina, um espírito divino e um amor divino, constitui a mais profunda das nossas dignidades.
Anselm Grün, em "O Livro das Respostas"
Valoriza-me o facto de ser humano, de ter sido criado por Deus e por Ele escolhido.
E valoriza-me o facto de existir em mim qualquer coisa que pertence apenas a mim.
Ninguém sente as coisas da mesma maneira que eu.
Ninguém fala da mesma maneira que eu.
Ninguém respira da mesma maneira que eu.
Não devo ver o meu valor apenas naquilo que eu consigo fazer.
As minhas capacidades fazem parte do meu valor, mas não o esgotam. Apenas têm valor como parte da minha pessoa, que é única, e em que o próprio Deus se revela. (...)
O valor e a dignidade das pessoas consiste no facto de Deus ter criado o Homem à sua imagem e semelhança.
No ser humano resplandece, portanto, o rosto de Deus. É essa a mensagem da Bíblia.
Para os cristãos, isso teve, mais uma vez, outro aprofundamento, devido ao facto de Deus ter encarnado em Jesus de Nazaré.
Se acreditarmos nisso, vemos em cada rosto humano o rosto de Jesus Cristo. (...)
O facto de existir em nós uma vida divina, um espírito divino e um amor divino, constitui a mais profunda das nossas dignidades.
Anselm Grün, em "O Livro das Respostas"
domingo, 13 de fevereiro de 2011
NA CASA DE DEUS
«Na casa de Deus há muitas moradas. Há lugar para todos - um lugar único e especial. Se acreditarmos profundamente que somos preciosos aos olhos de Deus, então seremos capazes de descobrir também a valia dos outros e o lugar único que ocupam no coração de Deus.
Não é possível entrar em competição para ver quem é que ganha o amor de Deus.
O amor de Deus é um amor que abraça a todos - cada um na sua própria unicidade.
Só quando reivindicamos o nosso lugar no amor de Deus é que podemos experimentar o abraço total desse mesmo e incomparável amor e sentirmo-nos em segurança, não só em relação a Deus mas também em relação a todos os irmãos e irmãs.»
Henri Nouwen, Viver é ser amado
Não é possível entrar em competição para ver quem é que ganha o amor de Deus.
O amor de Deus é um amor que abraça a todos - cada um na sua própria unicidade.
Só quando reivindicamos o nosso lugar no amor de Deus é que podemos experimentar o abraço total desse mesmo e incomparável amor e sentirmo-nos em segurança, não só em relação a Deus mas também em relação a todos os irmãos e irmãs.»
Henri Nouwen, Viver é ser amado
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
«ENTRAI PELA PORTA ESTREITA!"
"Sem esforço, sem trabalho e sem renúncia não se pode experimentar a felicidade.
É o que quer dizer a expressão do Evangelho: "Entrai pela porta estreita!"
Deus dá a cada um a sua graça, mas só a pode receber quem se despojar e arranjar espaço no seu interior para a acolher."
Vasco Pinto de Magalhães, s.j. in "Não há soluções, há caminhos"
É o que quer dizer a expressão do Evangelho: "Entrai pela porta estreita!"
Deus dá a cada um a sua graça, mas só a pode receber quem se despojar e arranjar espaço no seu interior para a acolher."
Vasco Pinto de Magalhães, s.j. in "Não há soluções, há caminhos"
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
AUTO-REALIZAÇÃO EM CRISTO
"Cada um de nós somente encontra a sua realização quando ama.
Cada um de nós só é plenamente homem pelo amor.
A auto-realização de cada um de nós tem o seu cumprimento na medida em que nos abrimos a Cristo, na medida em que deixamos que Ele ame em nós, que viva em nós. Se te abrires totalmente a Cristo poderias também dizer como São Paulo: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim» (Gl 2, 20). E Cristo tem mesmo este desejo extraordinário: quer amar cada um de nós com especial amor, quer tantos rostos quantos os homens sobre a terra.
A nossa auto-realização encontra a sua concretização mediante a vida em verdade e pela resposta ao chamamento de Deus ao amor.
Sem uma vida vivida em verdade não se pode sequer falar de amor no sentido sobrenatural. Esse amor, de facto, é o amor do próprio Cristo em nós. E Ele vive em nós, na medida em que, vendo-nos na verdade, isto é, reconhecendo a nossa fraqueza, nós O invocamos, na medida em que queiramos que Ele seja a nossa vida.»
Cada um de nós só é plenamente homem pelo amor.
A auto-realização de cada um de nós tem o seu cumprimento na medida em que nos abrimos a Cristo, na medida em que deixamos que Ele ame em nós, que viva em nós. Se te abrires totalmente a Cristo poderias também dizer como São Paulo: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim» (Gl 2, 20). E Cristo tem mesmo este desejo extraordinário: quer amar cada um de nós com especial amor, quer tantos rostos quantos os homens sobre a terra.
A nossa auto-realização encontra a sua concretização mediante a vida em verdade e pela resposta ao chamamento de Deus ao amor.
Sem uma vida vivida em verdade não se pode sequer falar de amor no sentido sobrenatural. Esse amor, de facto, é o amor do próprio Cristo em nós. E Ele vive em nós, na medida em que, vendo-nos na verdade, isto é, reconhecendo a nossa fraqueza, nós O invocamos, na medida em que queiramos que Ele seja a nossa vida.»
Tadeusz Dajczer, em "Meditações sobre a Fé"
domingo, 6 de fevereiro de 2011
FERIDAS QUE CURAM
"Ninguém escapa de ser ferido. Somos todos pessoas feridas, física, emocional, mental ou espiritualmente. A questão principal não é "como podemos esconder nossas feridas", assim não temos de nos sentir envergonhados, mas "como podemos colocá-las a serviço de outros".
Quando nossas feridas deixam de ser uma fonte de vergonha e passam a uma fonte de cura, tornamo-nos pessoas feridas que curam.
Jesus é o enviado de Deus que, mesmo ferido, cura. Por meio de suas feridas somos curados. O sofrimento e a morte de Jesus trouxeram alegria e vida. Sua humilhação trouxe glória; sua rejeição, uma comunidade de amor.
Como seguidores de Jesus, também podemos permitir que as nossas feridas tragam a cura aos outros."
Henri Nouwen, em "Pão para o caminho"
Quando nossas feridas deixam de ser uma fonte de vergonha e passam a uma fonte de cura, tornamo-nos pessoas feridas que curam.
Jesus é o enviado de Deus que, mesmo ferido, cura. Por meio de suas feridas somos curados. O sofrimento e a morte de Jesus trouxeram alegria e vida. Sua humilhação trouxe glória; sua rejeição, uma comunidade de amor.
Como seguidores de Jesus, também podemos permitir que as nossas feridas tragam a cura aos outros."
Henri Nouwen, em "Pão para o caminho"
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
DAR A VIDA
"Para uma vida ser bela, não é indispensável possuirmos capacidades extraordinárias ou sermos muito dotados: existe felicidade no dom humilde de nós próprios."
Irmão Roger, de Taizé, em "Viver em tudo a Paz do Coração
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
SÓ LEVAMOS O QUE DEMOS
"... A morte onde cada um entra absolutamente só, levando consigo unicamente o que se deu.
O que não se deu fica aí e apodrece pouco a pouco; mas o que se deu é transformado em ser e vai com a pessoa para a eternidade.
Porque o nosso ser constrói-se com o que damos..."
François Varillon, em "Alegria de Crer e Viver
domingo, 30 de janeiro de 2011
REGRESSA SEMPRE AO PONTO SÓLIDO
«Tens que acreditar na resposta afirmativa que te é devolvida quando perguntas «Amas-me?» Deves escolher este sim mesmo quando não o sentes.
Sentes-te esmagado por distracções, fantasias, pelo perturbante desejo de te lançares no mundo do prazer. Mas sabes de antemão que não será aí que vais descobrir uma resposta para a tua dúvida mais profunda. Tal como essa resposta não está em voltar a analisar minuciosamente acontecimentos passados ou na culpa ou recriminação. Tudo isso apenas contribui para te exaurir e fazer abandonar a rocha sobre a qual está construída a tua casa.
Tens de confiar nesse ponto sólido, no local onde podes dizer sim ao amor de Deus mesmo quando não o sentes. Neste momento nada sentes a não ser vazio e falta de força para escolher. Mas continua a repetir «Deus ama-me e o amor de Deus basta».
Tens que escolher uma e outra vez esse local sólido e regressar a ele após cada fracasso.
Henri Nouwen, A Voz Íntima do Amor
Sentes-te esmagado por distracções, fantasias, pelo perturbante desejo de te lançares no mundo do prazer. Mas sabes de antemão que não será aí que vais descobrir uma resposta para a tua dúvida mais profunda. Tal como essa resposta não está em voltar a analisar minuciosamente acontecimentos passados ou na culpa ou recriminação. Tudo isso apenas contribui para te exaurir e fazer abandonar a rocha sobre a qual está construída a tua casa.
Tens de confiar nesse ponto sólido, no local onde podes dizer sim ao amor de Deus mesmo quando não o sentes. Neste momento nada sentes a não ser vazio e falta de força para escolher. Mas continua a repetir «Deus ama-me e o amor de Deus basta».
Tens que escolher uma e outra vez esse local sólido e regressar a ele após cada fracasso.
Henri Nouwen, A Voz Íntima do Amor
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
CORAÇÃO DE ÁGUIA
«Considero-me como débil passarinho coberto de leve plumagem. Não sou águia; só tenho dela os olhos e o coração, mas apesar da minha extrema pequenez, atrevo-me a olhar fixamente para o Sol divino, o Sol do amor, e o meu coração sente em si todas as aspirações da águia.
O passarinho quisera voar até esse brilhante sol que fascina seus olhos. Que será dele? Morrerá de dor vendo-se impotente? Oh não! O passarinho nem sequer chega a afligir-se. Com um abandono audaz quer continuar a olhar fixamente para o seu divino sol. Nada o assusta, nem o vento nem a chuva. Se nuvens escuras vêm ocultar o Astro do Amor, o passarinho não muda de lugar; sabe que além das nuvens o seu Sol continua a brilhar, que o seu esplendor não poderá eclipsar-se nem um só momento» (1)
Somos apenas um pardal, mas temos coração de águia. Este é o mistério terrível e contraditório do homem: sentir-se, ao mesmo tempo, pardal e águia; ter um coração de águia e asas de pardal.
Que fazer? Sei que não posso voar tão alto. Nem tentarei. Nem sequer baterei as asas; entregar-me-ei às asas do vento; o vento é Deus. O resto fá-lo Ele. Sei que sou um pardal, mas sei também que, com uma grande paz, me entrego a Deus. Ele pode emprestar-me poderosas asas de águia. Haverá alguma coisa impossível para Ele?
Sei que sou um montão de ruínas e desolação; mas sei também que, se me entrego a Deus, Ele pode transformar-me numa mansão deslumbrante. Ele é Poder e Graça.»
Ignacio Larrañaga, em "Mostra-me o Teu Rosto"
(1) Santa Teresa do Menino Jesus
domingo, 23 de janeiro de 2011
AMAS-ME?
A afirmação simples «Deus é Amor» tem implicações de longo alcance a partir do momento em que começarmos a viver a nossa vida baseados nessa afirmação. Se Deus, que me criou, é amor e só amor, sou amado mesmo antes que qualquer ser humano me ame.
Quando era criança, perguntava constantemente ao meu pai e à minha mãe: «Gostas de mim?» Fazia esta pergunta tão frequente e persistentemente que se tornou uma fonte de irritação para os meus pais. Embora me garantissem centenas de vezes que me amavam, eu nunca parecia completamente satisfeito com as suas respostas e continuava a fazer-lhes a mesma pergunta. Agora, muitos anos depois, compreendo que pretendia uma resposta que eles não me podiam dar. Eu queria que eles me amassem com um amor eterno. E sei que o caso era esse, porque a minha pergunta «Gostas de mim?» era sempre acompanhada duma outra pergunta. «E tenho que morrer?» De alguma forma, já devia saber na altura que, se os meus pais me amassem com um amor total, ilimitado e incondicional, nunca morreria. Por isso mesmo, continuava a importuná-los com a estranha esperança de eu constituir uma excepção à regra que diz que toda a gente há-de morrer um dia.
Muita da nossa energia está resumida na pergunta: «Amas-me?,... Gostas de mim?»
Quando era criança, perguntava constantemente ao meu pai e à minha mãe: «Gostas de mim?» Fazia esta pergunta tão frequente e persistentemente que se tornou uma fonte de irritação para os meus pais. Embora me garantissem centenas de vezes que me amavam, eu nunca parecia completamente satisfeito com as suas respostas e continuava a fazer-lhes a mesma pergunta. Agora, muitos anos depois, compreendo que pretendia uma resposta que eles não me podiam dar. Eu queria que eles me amassem com um amor eterno. E sei que o caso era esse, porque a minha pergunta «Gostas de mim?» era sempre acompanhada duma outra pergunta. «E tenho que morrer?» De alguma forma, já devia saber na altura que, se os meus pais me amassem com um amor total, ilimitado e incondicional, nunca morreria. Por isso mesmo, continuava a importuná-los com a estranha esperança de eu constituir uma excepção à regra que diz que toda a gente há-de morrer um dia.
Muita da nossa energia está resumida na pergunta: «Amas-me?,... Gostas de mim?»
À medida que envelhecemos, vamos desenvolvendo muitas maneiras mais subtis e sofisticadas de fazer esta pergunta. Dizemos: «Confias em mim, preocupas-te comigo, aprecias-me, és-me fiel, apoias-me, dirás bem de mim?»... e assim por diante.
Muita da nossa dor vem da nossa experiência de não ter sido bem amados.
O grande desafio espiritual é descobrir, com o passar do tempo, que o amor limitado, condicional e temporal que recebemos dos pais, cônjuges, filhos, professores, colegas e amigos, é um reflexo do amor ilimitado, incondicional e eterno de Deus.
Se conseguirmos dar esse grande salto de fé, então chegaremos a compreender que a morte já não é o fim mas a entrada para a plenitude do Amor Divino.»
Henri Nouwen, em "Aqui e Agora"
O grande desafio espiritual é descobrir, com o passar do tempo, que o amor limitado, condicional e temporal que recebemos dos pais, cônjuges, filhos, professores, colegas e amigos, é um reflexo do amor ilimitado, incondicional e eterno de Deus.
Se conseguirmos dar esse grande salto de fé, então chegaremos a compreender que a morte já não é o fim mas a entrada para a plenitude do Amor Divino.»
Henri Nouwen, em "Aqui e Agora"
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
UMA DESINTEGRAÇÃO ATÓMICA
«Deus é um risco total. Abrir-se a Deus é dar um salto mortal.
O amor descentra e liberta. Mas é preciso começar por mergulhar. Por saltar da cama tépida e confortável. Quem perde a sua vida, salva-a. Mas importa, primeiramente, aceitar «perder». É indispensável passar por este despojamento doloroso.
Passar do egoísmo para o amor é quase tão violento como uma desintegração atómica. Coisa parecida.
O que constitui a integridade do átomo é ele ser um sistema fechado onde os electrões giram, continuamente, em redor do seu núcleo.
Tudo salta, tudo estremece, tudo se anima, quando um electrão, por virtude dum inaudito dinamismo, se desprende desta ronda infernal, se interessa por um centro que não é o seu e ingressa no circuito de um outro.
Quando nos pomos a amar, quer dizer a preferir à nossa vontade a vontade de alguém que não somos nós, opera-se uma reviravolta psicológica da mesma ordem.
Mas é este o preço da vida eterna. Porque a vida eterna é amor.»
Louis Evely, em "Sofrimento"
O amor descentra e liberta. Mas é preciso começar por mergulhar. Por saltar da cama tépida e confortável. Quem perde a sua vida, salva-a. Mas importa, primeiramente, aceitar «perder». É indispensável passar por este despojamento doloroso.
Passar do egoísmo para o amor é quase tão violento como uma desintegração atómica. Coisa parecida.
O que constitui a integridade do átomo é ele ser um sistema fechado onde os electrões giram, continuamente, em redor do seu núcleo.
Tudo salta, tudo estremece, tudo se anima, quando um electrão, por virtude dum inaudito dinamismo, se desprende desta ronda infernal, se interessa por um centro que não é o seu e ingressa no circuito de um outro.
Quando nos pomos a amar, quer dizer a preferir à nossa vontade a vontade de alguém que não somos nós, opera-se uma reviravolta psicológica da mesma ordem.
Mas é este o preço da vida eterna. Porque a vida eterna é amor.»
Louis Evely, em "Sofrimento"
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
DEUS É AMOR
«Em que consiste o amor?
Na reconciliação do homem com Deus em Jesus Cristo.
A cisão do homem com Deus, com os outros homens,
com o mundo e consigo mesmo,
chegou ao fim.
A origem é-lhe de novo oferecida. (...)
Ninguém sabe o que é o amor, excepto na auto-revelação de Deus.
Portanto, o amor é a revelação de Deus.»
Dietrich Bonhoeffer
Na reconciliação do homem com Deus em Jesus Cristo.
A cisão do homem com Deus, com os outros homens,
com o mundo e consigo mesmo,
chegou ao fim.
A origem é-lhe de novo oferecida. (...)
Ninguém sabe o que é o amor, excepto na auto-revelação de Deus.
Portanto, o amor é a revelação de Deus.»
Dietrich Bonhoeffer
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