sábado, 4 de abril de 2015
SÁBADO SANTO
«O sábado santo não é apenas um dia imenso: é um dia que nos imensa. Aparentemente, representa uma espécie de intervalo entre as palavras finais de Jesus, pronunciadas na sexta-feira santa, “tudo está consumado”, e a insurreição da vida que, na manhã da Páscoa, ele mesmo protagoniza. […] O silêncio do sábado santo é o nosso silêncio que Jesus abraça. O silêncio dos impasses, das travessias, dos sofrimentos, das íntimas transformações. Jesus abraça o silêncio desta sôfrega indefinição que somos entre já e ainda não.»
José Tolentino Mendonça
sexta-feira, 3 de abril de 2015
ERA UMA VEZ O AMOR...

«Salvou os outros e não conseguiu salvar-Se a Si mesmo», comentava-se junto Daquele crucificado, sem perceber nada da sua história.
Na verdade, a história mais simples do mundo, mas por vezes complicamos tanto a simplicidade do mundo! Comprometemos a transparência da vida com o nosso excesso de razões!
No entanto, aquela história, a de Jesus, conta-se assim: «Era uma vez o Amor...».
O amor, essa entrega de nós para lá do cálculo e da retenção, a ponto de não conseguirmos viver para nós próprios.
O amor, essa descoberta de que ou nos salvamos com os outros (porque aceitamos o risco de viver para os outros) ou gastamos inutilmente o nosso tesouro.
O que se comentava junto da cruz, naquele dia, não era um insulto, mas o maior dos elogios feitos a Jesus.
Compreender isso é, de alguma maneira, acolher o sentido verdadeiro da Páscoa.
José Tolentino Mendonça
quinta-feira, 2 de abril de 2015
COMO RESISTIR A ESTE AMOR?
«...Os perdões arrogantes geram revolta; os reticentes esmagam; os sem amor não conseguem libertar nem salvar. Só o verdadeiro perdão, fruto de um amor puríssimo, pode fazer brotar uma nascente de vida no coração do infiel e regenerar quem fracassou no amor fazendo-o renascer para ele.
Também para Deus, e antes de mais para Deus, perdoar é amar, amar com um amor tal que faça surgir na escuridão e na impureza da alma um amor inteiramente novo que a purifica, transforma e encaminha para uma perfeição também inteiramente nova.
Pensemos no olhar de Cristo sobre Pedro quando este acabou de negá-lo... Não foi, como toda a certeza, um olhar de censura ou de cólera. Foi, o que é muito mais terrível, um olhar de amor, de amor intenso, exprimindo uma ternura mais solícita, mais calorosa e mais envolvente que nunca.
Pedro não pôde resistir-lhe; partiu-se-lhe o coração e soltaram-se-lhe as lágrimas, ao mesmo tempo amargas e doces. Simultaneamente, pela ação conjugada do olhar de Jesus e do Espírito de Cristo operando nele, um amor novo apoderou-se de todo o seu ser. De tal modo que, poucos dias depois da sua negação, ele ousou afirmar sem hesitações: «Tu sabes que eu sou deveras teu amigo». E Pedro não mente: esse amor novo que o olhar do seu Mestre fez jorrar nele levá-lo-á ao dom da sua vida numa cruz, depois de uma existência passada a pregar às multidões o amor com que Deus nos ama.»
Henri Caffarel, em "Nas Encruzilhadas do Amor"
quarta-feira, 1 de abril de 2015
O AUGE DO AMOR
«Na cruz, o Cristo encontra-se no ápice do poder... exactamente porque Ele se encontra no auge do amor! Ele mostra, então, que o verdadeiro poder é o amor e que nada é possível contra o amor.
Não é possível impedir o Cristo de amar: "Perdoai-lhes porque eles não sabem o que fazem..." Até ao último instante, Ele é o mais forte. E Ele é o mais forte, na extrema fraqueza!»
Jean-Yves Leloup, em "Amar... apesar de tudo"
sábado, 14 de março de 2015
A FÉ É CLARAMENTE NOTURNA
«A fé tem a ver com a noite. A luz só se vê à noite, como as estrelas. As estrelas brilham no céu noturno. A luz da fé brilha na noite. A fé é um lugar sem certezas. A fé é um lugar de abertura. A fé é uma forma de hospitalidade radical.
Para mim, as grandes imagens bíblicas da fé são as da luta de Jacob com o anjo (quando ele, no amanhecer ainda escuro, ao atravessar um riacho, luta com o próprio Deus sem saber que está a lutar com Deus; mas essa imagem do combate noturno, agónico, um bocado imperceptível mas que nos fere e deixa depois no nosso corpo a ferida, é a imagem mais prodigiosa do que é a fé no Antigo Testamento) e a do percurso que as mulheres fazem de manhãzinha, com o dia ainda muito escuro, a caminho de um sepulcro que encontram vazio.
A fé tem necessariamente esse lado noturno de indagação e de expectativa. A fé é uma expectativa. E é nesse sentido a imagem do salto no escuro.»
José Tolentino Mendonça
quarta-feira, 11 de março de 2015
VENHA O TEU ANJO
Venha o teu Anjo tocar o peso da nossa vida
e descobrir neste cerco o que ainda não vemos:
a beleza completamente acesa
Venha o teu Anjo dizer-nos que é possível
uma existência respirar iluminada
por aquilo que espera
Venha o teu Anjo convencer-nos
que é da esperança que nos vem o fogo,
e que em cada um dos nossos instantes
o eterno pode habitar
Venha o teu Anjo aproximar em nós
o barro da estrela
o coração adiado da sua órbita viva
o meu pão do pão de todos
a alegria voltada para fora
da alegria voltada para dentro
José Tolentino Mendonça
sábado, 7 de março de 2015
CAMINHAR CONTRA A «CORRENTE»
«Não devemos deixar-nos arrastar para as águas turvas do cinismo, da passividade e da amargura. Contudo, também não devemos pôr os óculos cor-de-rosa do otimismo ilusório.
Acima de tudo, devemos rejeitar todo o tipo de droga sob a forma de ideologias que oferecem respostas simplistas ou receitas radicais de má qualidade para reparação instantânea.
Devemos simplesmente manter-nos a caminho e fazer todos os possíveis por nos deixarmos governar mais pela nossa consciência do que pelas circunstâncias. Naturalmente, isto significará muitas vezes caminhar sozinhos contra a corrente, sem quaisquer perspetivas de «êxito» visível, e parecer excêntricos ridículos aos olhos dos «sábios deste mundo». Mas, se não quisermos tomar esse caminho, não será o sinal de que temos lido em vão o Evangelho da cruz?»
Tomás Halik, in A Noite do Confessor
quarta-feira, 4 de março de 2015
IRRADIAR ESPERANÇA
«A fé, que pode ser aliada da humanidade na luta contra o mal da violência e contra o sofrimento e o cinismo, não deve multiplicar explicações espalhafatosas: deve irradiar esperança. A esperança é o presente que Deus deu à sua criação; é a capacidade de perceber a realidade como estando permanentemente em aberto.»
Tomás Halik, in A Noite do Confessor
domingo, 1 de março de 2015
FAZER JEJUM DAS PALAVRAS
Senhor, ajuda-nos a fazer jejum das palavras.
Das palavras desnecessárias, ruidosas, poluídas.
Das palavras dúplices e opulentas, das palavras que atropelam,
das palavras injustas, das palavras que divergem e atraiçoam, das palavras que separam.
Ajuda-nos a jejuar das palavras que Te escondem,
das palavras onde o amor não emerge, das palavras confusas, ressentidas, atiradas como pedras, das palavras que muralham a comunicação, das palavras que nada mais permitem senão palavras.
E que nesse jejum abramos mais o coração àquele silêncio onde os encontros verdadeiros se insinuam.
José Tolentino Mendonça, in Um Deus Que Dança
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
VIVER SEGUNDO A LÓGICA DO PERDÃO
«Se quisermos que o nosso mundo seja curado, já não nos podemos apoiar na lógica de "assim como tu me fizeste, também eu te faço a ti". Devemos aprender a lógica de "assim como Deus me fez, também eu te faço a ti" - o caminho do perdão e da reconciliação.»
Tomás Halik,in A Noite do Confessor
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
VAMOS À AVENTURA
«O que é totalmente alheio a muitos é a experiência de se apaixonar por Deus. Para eles, a religião é um exercício intelectual entranhado na consciência individual, e não uma resposta a um Deus que estende a mão para dizer "Vamos à aventura!"».
Tim Muldoon, citado por George Aschenbrenner, S.J.
sábado, 21 de fevereiro de 2015
UMA TERNURA INFINITA
«Quando aprenderemos que o Poder do nosso Deus não é uma omnipotência à moda dos mitos pagãos mas uma ternura infinita que não desiste de nós?»
Rui Santiago Cssr, in Estou em Crer
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
UMA MULHER SIMPLES
“Conheci uma mulher simples que não se fazia perguntas sobre Deus: ela amava além da pergunta sobre Deus. Então Deus existia”.
Clarice Lispector
domingo, 15 de fevereiro de 2015
JESUS
«Foi baptizado em água doce, amou a pesca, andou com pescadores, encheu-lhes as redes (...)
Pediu ao ofendido que oferecesse a outra face, colocando o ofensor em risco de ridículo, mas ao mesmo tempo estabelecendo um limite para a prova: duas, e não mais, são as faces. Não escreveu, não ditou, as suas palavras faziam a viagem das abelhas sobre as pétalas abertas das orelhas. (...)
Salvou uma mulher condenada à lapidação pedindo aos seus acusadores que o primeiro dentre eles, desde que puro de pecados, se chegasse à frente com a primeira pedra. Sabia que os homens atiram com prazer as segundas.
Nascesse hoje, e seria num barco de imigrados, atirado ao mar juntamente com a mãe à vista da costa de Puglia ou da Calábria.(...)
Depois dele o tempo reduziu-se a um entretanto, a um parêntesis de vigília entre a sua morte e a sua nova vida. Depois dele ninguém é residente, mas todos são refugiados à espera de um visto. Somos nós, bem nutridos do ocidente, a coluna de estrangeiros em fila para lá do último guichet.»
Erri De Luca, in Caroço de Azeitona
Subscrever:
Mensagens (Atom)
INDAGAÇÕES SOBRE O CARPINTEIRO
“A árvore é força vertical da natureza, da terra em direcção ao céu. Tem a postura da espécie humana. Por isso o cego que Jesus curou em Bet...
-
A Vilma do blog - Coisas de mim , desafiou-me para falar das características que mais me marcam na pessoa de Jesus. É com prazer e alegria q...
-
O psiquiatra Augusto Cury estudou a vida, personalidade e inteligência de Cristo durante bastante anos. Dos seus estudos e investigações res...
-
“A árvore é força vertical da natureza, da terra em direcção ao céu. Tem a postura da espécie humana. Por isso o cego que Jesus curou em Bet...




