domingo, 27 de julho de 2008

Um com Deus

«O máximo que o ser humano pode alcançar, de acordo com Evágrio, é tornar-se um com Deus na oração. Se o homem se torna um com Deus na oração, então ele será transformado na imagem intacta que Deus havia feito dele, então ele se torna verdadeiramente livre. Evágrio expressa esse estado de coisas do seguinte modo: "Quando um homem se despiu do velho homem e vestiu o novo homem, que é uma criação do amor, ele reconhecerá na hora da oração que seu estado se assemelha a uma safira, que brilha clara e luzente como o céu".

Na oração o ser humano se torna um com Deus, mas também com a imagem original de Deus nele. Segundo Evágrio, a vocação do homem consiste em "unir-se com Deus em conhecimento amoroso". E conclui seu livro 'Gnostikos' sobre o homem sábio e livre: "Não cesses de transformar tua imagem, para que se torne cada vez mais semelhante ao arquétipo".

Se na oração sou transformado mais e mais na imagem de Deus, então sou verdadeiramente livre. Então não existe mais ser humano que tem poder sobre mim, o mundo perdeu sua influência sobre mim. Então posso respirar livremente, experimento a Deus como fonte interior que me permeia, me vivifica. É a essa liberdade interior que se refere S. Bento quando fala do coração dilatado (dilatato corde), que o monge alcança por seu caminho espiritual. O coração dilatado é o coração livre. Ele está livre para dedicar-se a toda pessoa. A dilatação impede que o coração se prenda a alguma coisa. O coração dilatado assemelha-se ao coração trespassado de Jesus na cruz, ao qual toda pessoa tem acesso, no qual toda pessoa se sente acolhida, porque ali flui o amor divino, que é sem fim e sem limites." (Anselm Grün, em "Caminhos para a Liberdade")

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