domingo, 6 de julho de 2008

Sofrimento e Amor

"Para ser de Deus é necessário não ser de si mesmo. E para deixar de ser de si mesmo, é preciso arrancar-se de si mesmo. Mas este arrancar-se a si é precisamente o que nós chamamos sofrimento.


Todo o sofrimento pode ser entendido - e é esse o sentido que eu posso dar-lhe - como uma morte parcial, um esboço de morte. O sofrimento é o peão avançado da morte ao longo de toda a vida. A morte é a passagem do haver ao ser ou do egoísmo ao amor. Aqui, os termos são permutáveis entre si: o haver, é o egoísmo; o ser, o amor.
«Bem-aventurados os pobres» quer dizer: bem-aventurados aqueles que são e que amam. Tal como Deus. Para ser verdadeiramente, tenho de estar despojado do meu haver. Este despojamento é o sofrimento. E a morte final não é mais do que o fim deste movimento de expropriação que me lança fora de mim para que, não tendo já nada meu, eu seja todo de Deus e de Cristo, pura relação com o Outro e com os outros, o que vem a ser a definição mesma do amor. Mediante o qual eu poderei finalmente entrar no amor." - (François Varillon, em "Alegria de Crer e Viver")

2 comentários:

Maria João disse...

Que Cristo nos ajude a despojarmo-nos e a vermos ao que é que estamos agarrados. Às vezes agarramo-nos a coisas que achamos que o Pai quer e nem Lhe perguntamos se é essa a Sua Vontade... E depois vimos a descobrir, através do sofrimento, que afinal o caminho era outro...

Enfim... Pelo menos que no final consigamos dizer: "Obrigado, Jesus! Andei por caminhos tão sinuosos, mas cheguei à meta, ou seja a Ti e à Vida Eterna que me dás!"


beijos em Cristo e Maria





beijos em Cristo e Maria

Ecclesiae Dei disse...

Muito profundo... gostei

Nada é grave...

"Nada é grave, a não ser perder o amor." [Irmão Roger de Taizé]