sexta-feira, 18 de maio de 2007

O Peso do Julgamento

Imaginemos que não temos nehuma necessidade de julgar ninguém. Imaginemos que não temos nenhuma vontade de decidir se alguém é boa ou má pessoa. Imaginemos que somos completamente livres de sentir e ajuizar sobre o tipo de comportamento, seja de quem for. Imaginemo-nos com capacidade para dizer: «Não vou julgar ninguém!»
Imaginemos - não seria isto uma autêntica liberdade interior? Os Padres do deserto do século IV diziam: «Julgar os outros é um fardo pesado.» Eu tive alguns momentos na vida em que me senti livre da necessidade de fazer qualquer juízo de valor acerca dos outros. Senti que me tinha sido tirado um peso dos ombros. Nesses momentos, experimentei um amor imenso por todos os que encontrei, por todos aqueles de quem ouvi algumas coisas e, sobretudo, por aqueles dos quais li algumas coisas.
Uma solidariedade profunda com todos os povos e um profundo desejo de os amar desceram as paredes do meu íntimo e tornaram o meu coração grande como o universo.
Um desses momentos ocorreu depois duma passagem de sete meses por um mosteiro de Trapistas. Vivia tão inundado da bondade de Deus que via essa bondade onde quer que fosse, mesmo atrás das fachadas de violência, destruição e crime. Tive que me coibir de abraçar as mulheres e homens que me venderam géneros alimentícios, flores e um fato novo. É que todos me pareciam santos!
Todos podemos desfrutar destes momentos se estivermos atentos ao movimento do Espírito de Deus dentro de nós. São como amostras de céu, de beleza e de paz. É fácil descartar estes momentos como produto dos nossos sonhos ou da nossa imaginação poética. Mas, quando optamos por pedi-los como uma forma de Deus nos dar umas pancadinhas no ombro e de nos mostrar a verdade mais profunda da existência, gradualmente somos capazes de ultrapassar a necessidade de julgar os outros e a inclinação para ajuizar acerca de tudo e de todos. Então poderemos crescer rumo a uma verdadeira liberdade interior e a uma verdadeira santidade.
Mas, só poderemos pôr de lado o fardo pesado de julgar os outros quando não nos importarmos de suportar o ligeiro peso de ser julgados!

Henri Nouwen, Aqui e Agora

3 comentários:

Maria João disse...

Olá, Paulo. Vi o teu comentário no meu blog e o teu pedido para te explicarmos à Luz das Escrituras a intercessão de santos.

Nem sempre fui cristã, nem sempre segui o exemplo de Cristo. Passei por muitas dúvidas, investiguei tudo e mais alguma coisa, rezei muito a Deus, duvidei dos santos e de Maria, comparei religiões e traduções da Bíblia...

Levou tempo até acreditar na intercessão dos santos e de Maria. Acredito que podemos pedir as coisas logo a Deus Pai. Na Bíblia fala-se, mais do que uma vez, que Jesus é o único mediador entre os homens e o Pai. É verdade. Mas também aparece em vários sítios as pessoas a pedirem para Deus perdoar e não permitir isto ou aquilo. Olha o caso de Moisés ou de Abrãao quando se queimou Godoma e Somorra.

Quanto aqueles que já estão junto de Deus Pai, se fores a 2Rs 13, 20-21 vês que está lá escrito isto: "... um grupo de pessoas ao enterrar um homem tiveram medo dos guerrilheiros moabitas e atiraram com o cadáver para o túmulo de Eliseu. O morto, porém, ao tocar nos ossos de Eliseu, voltou à vida e ergueu-se". Eliseu foi um grande profeta, um santo como dizemos hoje em dia. Através dos seus ossos, ressuscitou.
Os santos podem interceder de alguma forma. Maria também intercedeu nas bodas de Canaa, junto de Jesus. Aqui o interceder não é controlar a situação, é pedir. Só Deus controla a situação e sabe se aceita o pedido ou não, consoante se trata de uma coisa boa ou não. Ele é que faz os milagres. Claro que podemos pedir logo a Ele.

O que eu quis realçar com aquele post é que muitas pessoas agarram-se aos santos e a Maria como se DEus não existisse.

De resto não esqueçamos que Jesus disse que nos enviaria o Espírito Santo e que haveria quem profetizasse. O Espírito Santo continua a agir. "Nos últimos dias, diz o Senhor, derramarei o meu Espírito sobre toda a criatura. Os vossos filhos e as vossas filhas hão-de profetizar, os vossos jovens terão visões ..." (Act 2, 17). A Bíblia é a Palavra de Deus, mas não esqueçamos que nem tudo foi escrito."Há ainda muitas outras coisas que Jesus fez. se elas fossem escritas, uma por uma, penso que o mundo não teria espaço para os livros que se deveriam escrever." (Jo 21, 25) O Espírito Santo viria falar pelos profetas, como se viu no Pentecostes.

Ainda em relação aos santos, está escrito que "E quando Ele abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que tinham sido mortos, por causa da Palavra de Deus e por causa do testemunho que deram" (Ap 6, 9)Eles estão com Deus.



Se precisares, o meu mail é mariajoaogracia@hotmail.com. (É mesmo gracia. Não me enganei no mail)


Continua com essa procura. Não te esqueças do que está escrito em Mt 7, 7-11.

beijos em Cristo
Maria João

Marlene Maravilha disse...

"Tu, porém, porque julgas teu irmão?...pois todos compareceremos perante o tribunal de Deus."
Rom 14.10
E assim é. Lindo e edificante o texto. Bom final de semana!
abraços em Cristo,

Flôr disse...

Nas bodas de Canaã, Maria respondeu... façam o que Ele(Jesus) vos mandar! Maria João, sabes o que respondeu Jesus quando sua mãe lhe pediu pelo vinho em falta? Segundo tu, Maria, intercedeu junto do Filho, mas pergunto, e o que lhe respondeu Jesus?

Beijocas floridas da amiga e irmã Flor

Nada é grave...

"Nada é grave, a não ser perder o amor." [Irmão Roger de Taizé]