segunda-feira, 27 de junho de 2011

DEUS NUNCA SE DECEPCIONA

«Somos moldados por todas as graças que recebemos, por todas as graças que recusámos,
por todos os gestos de amor e todos os gestos de ódio ou de indiferença,
pelos nossos fracassos e os nossos êxitos;
tudo, literalmente tudo se inscreve na nossa carne.

Assim, a experiência do amor de Deus por nós,
experiência que fazemos um dia (...),
não muda a nossa história nem o que nos moldou,
mas muda-nos porque nos revela que Deus nos ama,
tal como somos,
não tais como gostaríamos de ser,
não tais como a sociedade ou os nosso pais gostariam que fôssemos,
mas tais como somos hoje, com as nossas fragilidades, as nossas feridas,
os nosso medos, as nossas qualidades e os nosso defeitos.

Tais como somos hoje, somos amados por Deus.
E, se temos a impressão de que constantemente decepcionamos os outros,
que somos incapazes de corresponder às suas expectativas,
à sua confiança, às esperanças que depositaram em nós;
se temos o sentimento de que há uma distância
entre o que parecemos ser e o que somos na realidade,
entre aquilo que os outros pensam que somos capazes de fazer e o que podemos fazer de facto, então é preciso que saibamos que a Ele, o nosso Deus, jamais O decepcionaremos.
Ele conhece-nos exactamente.
Conhece o estranho mundo de trevas e luz que nos habita,
conhece melhor que nós esta mistura misteriosa que somos,
sabe aquilo de que somos capazes.
Os outros podem ser decepcionados por nós porque formam sonhos a nosso respeito
e nos projectam no ideal;
Deus nunca Se decepciona, porque aquele que ama, é aquele que eu sou hoje;
Deus não vive no futuro nem no passado mas sim no presente.
Ele "é" o presente e vê-me na minha realidade presente.»

Jean Vanier, em "A Fonte das Lágrimas"

quinta-feira, 23 de junho de 2011

PERDOAR

«Não perdoamos para que o outro mude. 
Seria um acto calculista que nada tem a ver com a gratuidade do amor evangélico. 
Perdoamos por causa de Cristo. 
Perdoar é ir ao ponto de renunciar saber o que o outro vai fazer desse perdão.» 


Irmão Roger, de Taizé

terça-feira, 21 de junho de 2011

O CAMINHO DA ESPERANÇA

"Não te deixes desencorajar pelos fracassos. Se procuraste fazer a vontade de Deus, cada fracasso pode ser um êxito aos seus olhos, pois foi esse o modo escolhido por Deus. Repara no exemplo de Jesus na Cruz. (...)

Não digas: «Perdi a inspiração.» Por que haverias de trabalhar sob inspiração? O trabalho de Deus não é de modo algum equiparável à criação poética. Trabalha, impelido pelo amor e pela certeza de que nunca perderás o amor de Deus." 


Francisco Xavier Nguyen Van Thuan

domingo, 19 de junho de 2011

A GRANDEZA DE DEUS

"Ouvi contar esta história. 
Uma criança com toda a naturalidade, voltou-se para Deus e perguntou-lhe:"E tu, o que é que queres ser quando fores grande?"
"Pequeno", respondeu-lhe Deus, também com toda a naturalidade.
Os homens querem ser grandes, mas a grandeza de Deus está em tornar-se pequeno, em dar a vida, em desaparecer pelo bem do outro." 


Vasco Pinto de Magalhães, s.j. in "Não há soluções, há caminhos"

sexta-feira, 17 de junho de 2011

CRÊS VERDADEIRAMENTE?

«Cremos em Deus ou naqueles que nos têm falado d´Ele?

Crer em Deus não significa termos acumulado noções e esclarecimentos sobre o fenómeno religioso, mas sim termos encontrado uma Pessoa. Uma Pessoa viva. Significa ter havido aproximação, contacto, conversão, movimento. Todos os que encontraram Jesus tinham uma religião. Todos acreditavam num Deus que lhes tinham ensinado. E os que seguiram Jesus foram aqueles que se dispuseram a ultrapassar essas ideias tão laboriosamente adquiridas, para aceitar as ideias d´Ele, que eram diferentes. A conversão mais difícil é a que todos somos convidados a realizar: a conversão no interior da nossa religião. 

Tenhamos cautela nós, os Israelitas de hoje, não aconteça termos aperfeiçoado tanto as fórmulas do dogma que nos não interessemos já pelo seu conteúdo. 
Tenhamos cautela, não suceda estarmos tão ao corrente dos sinais que esqueçamos a coisa significada; acreditarmos há tanto tempo que já nem acreditemos; esperarmos tanto por Cristo que já O não esperemos.»

Louis Evely, em "Tu és esse homem"

quarta-feira, 15 de junho de 2011

ACREDITAS?

"A nossa fé na palavra de Deus está ao nível da nossa fé no Seu Amor. 
Não cremos verdadeiramente que Deus nos fala porque não cremos verdadeiramente que Deus nos ama. 
Um santo é um homem que acredita que Deus o ama. 
«Nós conhecemos o Amor e acreditamos nele!». 
Aquele que crê que Deus o ama, sabe que Deus lhe fala.

Deus nunca deixou de ser revelação, como nunca deixou de ser amor. 
A alegria de Deus consiste em revelar-se. 
Deus é amor, logo é comunicação de Si, confidência, palavra. 
Revelação de Si a quem quiser ouvi-l´O. 
Deus só tem alegria em confiar-se, em dar-se." 


Louis Evely, em "Tu és esse homem"

sábado, 11 de junho de 2011

DEIXAR DEUS SER DEUS

"Pecar é recusar deixar Deus ser Deus.

Arrepender-se é deixar que Deus seja Deus na nossa vida.A primeira mensagem de Cristo é "arrependei-vos e acreditai na Boa Nova". "Arrependei-vos" quer dizer, "voltai-vos para Mim e tomai consciência do Meu amor para convosco"
Reconhecer que somos pecadores e arrepender-nos é um processo contínuo que dura a vida inteira. Antes da morte não podemos atingir um estágio em que já não precisemos de arrependimento, porque há níveis sobre níveis de consciência dentro de nós, e a cada momento da nossa existência podem revelar-se esses níveis se o permitirmos, e mostrar-nos a profundidade da tendência que há em nós para recusarmos que Deus seja Deus.

Deus é paciente, vai-nos revelando gradualmente o pecado que há em nós. Parece não se preocupar com os nossos erros passados, embora os seus efeitos ainda nos possam causar sofrimento a nós e aos outros. "Embora os vossos pecados sejam como o escarlate, tornar-se-ão brancos como a neve" (Is 1, 18). O que Lhe importa é a direcção que levamos na vida. Se nos voltarmos para Ele - não importa que estejamos longe - Ele aproxima-se para nos receber.

O verdadeiro pecado está em recusar, ou em ter medo de me voltar para Ele, seja porque estou contente com aquilo que sou, seja porque julgo que devo primeiro pôr as minhas coisas em ordem, antes de me virar para Ele. » 

George W. Hughes, em "O Deus das surpresas"

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A CONSCIÊNCIA DE SER AMADO

"... O ponto de partida para entrar em oração é o de exercitar na fé a consciência de ser amado por Deus. Ser amado significa imensas coisas, mas baste-nos isto para já: é ser desejado, querido, acolhido e escolhido, aceite e respeitado, cada um como é com todas as suas qualidades e com todos os seus defeitos.


Deus acolhe cada um assim mesmo como é e não como deveria ser, pois o que cada um devia ser mas não é nem sequer existe. Deus não ama o que não existe. 
Se Deus amasse esse ser ideal, perfeito, criava-o porque amar e criar são acções simultâneas em Deus. Só existe de facto a realidade do que cada um é no presente com suas grandezas e misérias.
É a esse homem real que Deus ama, respeita, acolhe e escolhe, com predilecções que a nossa inteligência não pode sequer entender.
A consciência de ser amado por Deus vai ganhando corpo quando se insiste na oração e na contemplação silenciosa da vida de Jesus Cristo." 


 Luís Rocha e Melo S. J. , em "Se tu soubesses dom de Deus"

domingo, 29 de maio de 2011

SÓ EXISTE UM INFERNO

«Só existe um inferno e talvez já o tenhais conhecido: é o lugar onde nada se espera, onde não se ama absolutamente ninguém e de ninguém se atende absolutamente nada, onde se não tem confiança em ninguém... 


Isto é a tentação. A nossa tentação. De todos. É o pecado infernal que nos assediará até ao fim dos nossos dias: a instalação definitiva no canto (onde nos deixarão em paz, onde acabaremos por não sofrer mais, por não escutar mais nenhum apelo, onde a dilacerante comunicação será, por fim, cortada. Extinta). 
Isto é Inferno. Ter perdido o gosto de amar - para não sofrer mais.» 


Louis Evely

quinta-feira, 26 de maio de 2011

BONDADE DIVINA

«Deus não nos ama por causa das nossas virtudes. Ama-nos apesar de nós!

Somente depois de se ficar profundamente maravilhado e penetrado pela prodigiosa bondade de Deus para connosco, é possível deixarmo-nos vencer por ela de modo a começar a imitá-la.»




Louis Evely

domingo, 8 de maio de 2011

SÓ O AMOR É DIGNO DE FÉ

O filósofo Jean Guitton, na sua obra "As minhas razões de crer", coloca uma questão pertinente: "Que se passaria em mim se a minha fé diminuísse e se desvanecesse; se, como dizem as pessoas, «perdesse a fé»? (...)

Jean Guitton afirma que o famoso padre jesuíta Teilhard Chardin colocou a si mesmo esta questão, e respondeu, «que se deixasse de crer em Deus, no Deus cristão, e mesmo em Deus pura e simplesmente, continuaria a crer no Mundo.»

Quanto a mim, se eu «perdesse a fé», estaria em plena sintonia com Jean Guitton, pois «seria no amor ou, para ser mais exacto, no que existe de absoluto no amor, que eu creria.»

Faço minhas suas palavras: «Se eu tivesse vergado sob o peso do desespero e privado de toda a esperança encontraria, nesta loucura possível do amor, força suficiente para dar ainda alguns passos na estrada da dor.
Dito de outra forma, a ideia que me daria forças face à perda de tudo, seria a ideia de que existe talvez, algures, um ser capaz de amar com um amor infinito.
E então, mesmo que esse ser fosse único, parece-me que valeria a pena o mundo ser aceite, e que teria uma razão de ser, e que o homem teria uma razão para viver e também para morrer.(...)

Também me revejo nas palavras do padre Valensin citado na referida obra de J. Guitton:
«Se na hora da minha morte visse claramente que me espera o nada e que todas as crenças estão repletas de ilusão, não lamentaria absolutamente nada ter-me enganado toda a vida e ter crido na verdade do cristianismo, pois era o amor infinito que estaria errado por não existir, e não eu por ter acreditado nele.»

Por fim, para melhor exprimir tudo o que tentou dizer sobre esta questão, Jean Guitton recorre às palavras de São João Maria Vianney, que dizia: «Se na hora da morte me aperceber de que Deus não existe, terei sido bem enganado, mas não lamentarei o facto de ter passado a vida inteira a crer no amor.»

Jean Guitton, em "As minhas razões de crer"

sábado, 30 de abril de 2011

CONFIA NA VOZ INTERIOR

«Desejas realmente converter-te? Estás disposto a modificar-te? Ou continuas agarrado ao teu velho modo de vida com uma mão enquanto com a outra pedes aos outros que te ajudem a mudar?
A conversão não é com certeza algo que possas encontrar por ti mesmo. Não se trata de um exercício da própria vontade. Tens que confiar na voz interior que mostra o caminho. Tu conheces essa voz. Ouve-la com frequência. Mas depois de ouvir com clareza o que ela te pede começas a fazer perguntas, a fabricar objecções e a pedir a opinião de todos. Assim deixas-te enredar por inúmeros pensamentos, sentimentos e ideias muitas vezes contraditórias e perdes contacto com o Deus que habita dentro de ti. E acabas por te tornar dependente de todas as pessoas que reuniste em torno de ti.
Só dando constantemente ouvidos a essa voz interior conseguirás converter-te a uma nova vida de liberdade e alegria.»

Henri Nouwen, em "A Voz Íntima do Amor"

domingo, 24 de abril de 2011

RESSURREIÇÃO


«Cada vez que somos capazes de romper com as nossas rotinas, as nossas resignações, as nossas condescendências, as nossas alienações em relação à ordem estabelecida ou à nossa individualidade acanhada. (...)
Cada vez que damos algo de novo à forma humana, Cristo está vivo, a criação prossegue em nós, por nós, através de nós. A Ressurreição realiza-se todos os dias


R. Garaudy

sexta-feira, 22 de abril de 2011

«O AMOR SUPORTA TUDO»



«Na cruz, o Cristo encontra-se no ápice do poder... exactamente porque Ele se encontra no auge do amor! 
Ele mostra, então, que o verdadeiro poder é o amor e que nada é possível contra o amor.


Não é possível impedir o Cristo de amar: "Perdoai-lhes porque eles não sabem o que fazem..." 
Até ao último instante, Ele é o mais forte. E Ele é o mais forte, na extrema fraqueza!»


Jean-Yves Leloup, em "Amar... apesar de tudo"

quinta-feira, 21 de abril de 2011

AMOR E SACRIFÍCIO

«Todo o verdadeiro amor gera o sacrifício mas nem todo o sacrifício gera o amor. Deus não é sacrifício. Deus é Amor. E porque é Amor tornou-Se Sacrifício. Jubiloso. (...)


A educação cristã é, primariamente, educação para a Paternidade de Deus e não para o Sacrifício; para o amor de Deus por nós e não para o nosso amor por Deus; para aquilo que Deus fez por nós e não para o que nós fazemos por Deus

Louis Evely

INDAGAÇÕES SOBRE O CARPINTEIRO

“A árvore é força vertical da natureza, da terra em direcção ao céu. Tem a postura da espécie humana. Por isso o cego que Jesus curou em Bet...