sábado, 7 de janeiro de 2017

A felicidade de Jesus

Não é difícil desenhar o perfil de uma pessoa feliz na sociedade do tempo de Jesus. Seria o caso de um homem adulto e de boa saúde, casado com uma mulher honesta e fecunda, com filhos homens e terras ricas, observante da religião e respeitado em seu povoado. O que mais se podia pedir?

Certamente não era este o ideal ao qual Jesus aspirava. Sem esposa nem filhos, sem terras nem bens, percorrendo a Galileia como um ambulante, sua vida não correspondia a nenhum tipo de felicidade convencional. Sua maneira de viver era provocativa. Se era feliz, o era de maneira contracultural, ao revés do estabelecido.

Na verdade, Ele não pensava muito em sua felicidade. Sua vida girava muito mais em torno de um projeto que o entusiasmava e o fazia viver intensamente. Esse projeto se chamava “Reino de Deus”. Parece que só era feliz quando podia fazer felizes os outros. Sentia-se bem devolvendo às pessoas a saúde e a dignidade que lhes foram arrebatadas injustamente.

Não buscava seu próprio interesse, mas vivia criando novas condições de felicidade para todos. Não sabia ser feliz sem incluir os outros. Propunha a todos critérios novos, mais livres e radicais, para construir um mundo mais digno e feliz.

Acreditava num “Deus feliz”, o Deus Criador que olha com amor entranhável todas as suas criaturas, o Deus amigo da vida e não da morte, mais atento ao sofrimento das pessoas do que a seus pecados.

A partir da fé nesse Deus, rompia os esquemas religiosos e sociais. Não pregava “Felizes os justos e piedosos, porque receberão o prêmio de Deus': Não dizia “Felizes os ricos e poderosos, porque contam com a bênção de Deus”. Seu clamor era desconcertante para todos: “Felizes os pobres, porque Deus será sua felicidade”.

O convite de Jesus vem a dizer isto: “Não busqueis a felicidade na satisfação de vossos interesses, nem na prática interessada de vossa religião. Sede felizes trabalhando de maneira fiel e paciente por um mundo mais feliz para todos”.

Trecho do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, de José Antonio Pagola, Editora Vozes.

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sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

IMPERFEIÇÕES

«Sermos nós próprios é percebermos o caminho da imperfeição.
O que nos mata é essa perseguição da perfeição. Não temos de ser perfeitos. Temos de ser inteiros.
A verdadeira perfeição é a de quem não tem pés e não desiste de andar. Este não desistir de si é o essencial.»
José Tolentino de Mendonça

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Como o Pai de Jesus e Pai Nosso nos vê:

"Deixa-me mostrar-te do que és capaz!
Dentro de ti, quero ensinar-te a ver cada coisa com o seu real tamanho e valor, porque às vezes vês grandes demais problemas pequenos, e não prestas atenção a grandes maravilhas… Como tu!
Quando aprenderás a olhar para ti como se contempla uma maravilha? Quando aprenderás a ver-te como eu te vejo?
Não te olho à procura de perfeições, não existe em mim qualquer moralismo, não te exijo que sejas diferente do que és para gostar de ti e para me encantar ao olhar-te. Basta-me que sejas assim como és. Não compliques…
Se tu soubesses do que és capaz, tirarias finalmente muitos projectos da gaveta do teu Coração e darias passos que antes julgavas maiores do que as pernas. 
Porque se tu soubesses do que és capaz, as tuas pernas cresceriam…"

sábado, 31 de dezembro de 2016

Meu irmão de Dezembro

«Meu irmão de Dezembro, levanta-te, olha em redor e vê que já nasceu o dia, e há de andar por aí uma roda de alegria. Se não souberes a letra, a música ou a dança, não te admires, porque tudo é novo. Olha com mais atenção. Se mesmo assim ainda nada vires, então olha com os olhos fechados, olha apenas com o coração, que há de bater à tua porta uma criança. Deixa-a entrar. Faz-lhe uma carícia. É ela que traz a música e a letra da canção. Ela é a Notícia».
António Couto

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

NASCEMOS...

Enganam-se os que pensam que só nascemos uma vez.
Para quem quiser ver a vida está cheia de nascimentos.

Nascemos muitas vezes ao longo da infância
quando os olhos se abrem em espanto e alegria.
Nascemos nas viagens sem mapa que a juventude arrisca.
Nascemos na sementeira da vida adulta,
entre invernos e primaveras maturando
a misteriosa transformação que coloca na haste a flor
e dentro da flor o perfume do fruto.

Nascemos muitas vezes naquela idade
onde os trabalhos não cessam, mas reconciliam-se
com laços interiores e caminhos adiados.

Enganam-se os que pensam que só nascemos uma vez.
Nascemos quando nos descobrimos amados e capazes de amar.
Nascemos no entusiasmo do riso e na noite de algumas lágrimas.
Nascemos na prece e no dom.
Nascemos no perdão e no confronto.
Nascemos em silêncio ou iluminados por uma palavra.
Nascemos na tarefa e na partilha.
Nascemos nos gestos ou para lá dos gestos.
Nascemos dentro de nós e no coração de Deus.


José Tolentino Mendonça

domingo, 25 de dezembro de 2016

A CRIANÇA É A MENSAGEM



A criança é a mensagem.
Um Deus que entra em nossa vida desde a meninice é o mais crente de nós.
Acredita em recomeços.
Tem fé nos reinícios.
Adere aos nossos renascimentos.

O bebé é Deus dizendo: «Faça como eu, recomece sempre que um novo início for a salvação.»
Ele não é o outro que vem a nós.
É o menino que vimos crescer.
Não chega. Nasce.
Não se impõe. Entrega-se.
Não reivindica. Serve.
Não esmaga. Mistura-se.
Conta histórias para contar-se entre nós...
Não intimida. Seduz.

sábado, 24 de dezembro de 2016

TÃO DIVINO QUE ATÉ QUIS SER HUMANO



Está quase a chegar aquele primeiro dia «inteiro e limpo, onde emergimos da noite».
Sophia tem mesmo razão: «A casa de Deus está assente no chão».

É por isso que o Natal é o dia que não tem fim. 

É o dia que jamais anoitece e em que até o frio nos aquece.
É o dia em que os céus se abriram, em que os anjos saíram e melodias se ouviram.

O silêncio de Deus, que gemeu em Belém, continua a crepitar nos pobres também.
Quem não os ouve a eles, como pode ouvi-Lo, a Ele?

Aquele Menino é tão divino que até quis ser humano. Aquele Menino é tão humano que só pode ser divino.

O Deus que está naquele Menino humaniza-Se e diviniza-nos. Ele não nos retira humanidade. Pelo contrário, é a Sua divindade que deposita em nós humanidade. (...)

O Natal é o dia em que o futuro nasceu e até justiça choveu. (...)

Deus veio ao mundo. Acampou na terra para eliminar o ódio e acabar com a guerra.
Trouxe, como única veste, a paz e é imensa a alegria que a todos nos traz.

Veio em forma de criança. Haverá quem fique indiferente a tanta esperança?

Naquele dia, colocaram-No numa manjedoura, perto do chão. Mas, desde então, a Sua morada passou a ser o nosso coração!

sábado, 3 de dezembro de 2016

O Milagre da Vida


«É quando nos expomos ao exagero do Amor e à loucura da Esperança que nos pomos a jeito para levar com o Milagre da Vida em cheio na cara!»
Rui Santiago Cssr, in Ora Vê

terça-feira, 29 de novembro de 2016

No princípio era o amor...


«Deus diz: "Antes de nasceres, já te tinha sonhado". Quando compreendermos que Deus nos amou primeiro, mesmo antes de nós O amarmos, nos enchemos de assombro. A contemplação não é mais do que esta disposição em que a pessoa é agarrada toda inteira na surpresa do amor.
Todos nós temos feridas, mas há sobretudo, em cada um, o mistério da presença de Deus.»
Madre Teresa de Calcutá

sábado, 26 de novembro de 2016

O essencial...


"O essencial é ter encontrado Deus, e ter lealmente tentado, em vida, fazer com que Ele reine em nós, neste pequeno fragmento de ser." 

[Pierre Teilhard de Chardin]

domingo, 20 de novembro de 2016

O que conta...


O que conta, em cada Hora, 
é a Lei inscrita nos nossos corações pelo punho do Espírito 
com a grafia de Jesus.

[Rui Santiago Cssr, in "Ora Vê"]

quinta-feira, 17 de novembro de 2016


«Quero que saibais que somos a respiração e a fragrância de Deus. 
Somos Deus em folha, em flor e muitas vezes em fruto.»

[Kahlil Gibran, in "O Jardim do Profeta"]

domingo, 13 de novembro de 2016

O ESSENCIAL




«Só quando o coração do homem tiver encontrado esse manancial eterno de riquezas divinas, poderá renunciar, perfeitamente, aos bens que dividem os homens entre si.

É preciso que descubra a força do amor que encontra a sua origem em Deus.

É preciso que descubra o amor infinito de Deus por todos os homens, e que depositem nele toda a sua confiança.

É preciso que expurgue a religião de todos e qualquer elemento de hipocrisia, é preciso que viva o essencial da mensagem de Jesus: a abertura ao Espírito Santo, a compaixão pelos fracos e aflitos, pelos inimigos, a renúncia a todo o julgamento ou condenação dos outros.»

Jean Vanier

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Vive de tal maneira...

Vive de tal maneira que a tua vida seja uma explicação do Evangelho de Jesus.

«Durante a Jornada Mundial da Juventude que decorreu na cidade polaca de Cracóvia nos últimos dias de Julho, um jovem perguntou ao Papa Francisco o que deveria dizer a um amigo ateu.
Francisco respondeu: “Escuta, a última coisa que deves fazer é dizer algo. Começa a fazer e ele verá o que fazes e perguntar-te-á; e quanto ele te perguntar, tu dizes”».

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

INDAGAÇÕES SOBRE O CARPINTEIRO

“A árvore é força vertical da natureza, da terra em direcção ao céu. Tem a postura da espécie humana. Por isso o cego que Jesus curou em Bet...