segunda-feira, 17 de outubro de 2016

O MAL


Perguntou-me: "Se Deus existe, porque permite o mal?"

Respondi-lhe: "Se tu existes, porque permites o mal em ti?"

[Raúl Aceves]

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

VIVER COM ATENÇÃO

"O risco diário é uma vida adormecida, incapaz de colher chegadas e inícios, amanheceres e nascentes, de ver a existência como uma mãe à espera, grávida de luz; uma vida distraída e sem atenção.
Viver com atenção. Mas a quê? Atentos às pessoas, às suas palavras, aos seus silêncios, às perguntas mudas, a cada oferta de ternura, à beleza de ser vida grávida de Deus."
[Ermes Ronchi]

domingo, 9 de outubro de 2016

Sob o olhar de Deus



"Aprender a amar é: aceitar, respeitar, ser paciente, tolerante, misericordioso e, não menos importante, aprender a rir-se de si mesmo. Só o que é reconhecido e aceite pode ser redimido. Esta aceitação, rompendo com os mecanismos defensivos e protetores, dispõe-nos para nos colocarmos com serenidade e confiança sob o olhar de Deus, tal como somos, por inteiro, sem nenhuma necessidade de dissimular. 
Precisamos da ternura e da compaixão infinita de Deus para aprender a olhar-nos com essa mesma ternura e compaixão. Esta é a grande dádiva daquele que irrompe na nossa vida sempre e como nunca esperávamos. Ele é inesperado! Oxalá se gravasse em nós, de uma vez por todas, que a perfeição de Deus e, portanto, a nossa perfeição, não é a impecabilidade senão a misericórdia!"

Carlos Maria Antunes, in "Atravessar a própria solidão"

terça-feira, 4 de outubro de 2016



"Há almas nas quais Deus vive sem que elas disso se apercebam..." 

[Christian Bobin]

domingo, 2 de outubro de 2016

A certeza do perdão...

«Cristo não nos quer ébrios de culpabilidade, mas cheios de perdão e de confiança. (...)
O coração do ser humano é por vezes muito severo porque não se deixa revestir pela compaixão de Deus. Deus nunca é um algoz da consciência humana. Em sua bondade, embeleza e tece a nossa vida com o fio do seu perdão. Deus esconde o nosso passado no coração de Cristo e ocupa-se do nosso futuro. A certeza do perdão é a realidade do Evangelho mais extraordinária, mais inacreditável, mais generosa - é a libertação incomparável.»

Irmão Roger, de Taizé, in "Oração: Frescura de uma Fonte"

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Sem misericórdia, ainda é noite

"Para os cristãos, a grande mentira é ver os outros sem misericórdia; é fechar os olhos à bondade da sua humanidade e sobrecarregá-los com o peso dos seus pecados.

Não veremos correctamente as pessoas, se não for com misericórdia.

Não verei correctamente um velho mendigo a pedir à beira da estrada, enquanto não o vir como um futuro cidadão do Reino. (...)

Um dia, um rabino perguntou aos seus discípulos:

«Como se pode dizer que a noite terminou e o dia está de volta?»

Um discípulo sugeriu:

«Quando se pode ver claramente que um animal, à distância, é um leão e não um leopardo.»

«Não», disse o rabino.

Um outro disse: «Quando se pode ver que uma árvore tem figos e não pêssegos?»

«Não», disse o rabino, «é quando se pode olhar para a face de outra pessoa e ver que aquela mulher ou aquele homem é vossa irmã ou vosso irmão. Porque enquanto não forem capazes de o fazer, seja qual for o tempo do dia, ainda é noite»."

Timothy Radcliffe, in "Ser Cristão para quê?"

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Deus ama-me exactamente como sou

Henri Caffarel conta uma história passada em Itália em fins do séc. XVIII, num convento em construção na encosta dos Apeninos: o prior do convento chamou o arquitecto e mandou-lhe construir uma cela isolada sem janelas, com frinchas que apenas deixassem entrar alguns raios de sol; nada mais dentro da cela a não ser uma inscrição com estas palavras: «Amo-te exactamente como és». Nessa cela, ia ser proibido qualquer pensamento ou tema de meditação para além deste: «Deus ama-me infinitamente, ternamente, Deus ama-me exactamente como sou». A cela destinava-se a algum monge que andasse triste ou ansioso a perguntar-se «como é que o Senhor pode amar alguém como eu?».

Quem não sabe amar a Deus entre na cela do monge e deixe-se lá ficar; veja a inscrição na parede e não pense em mais nada. «Deus que te ama gratuitamente, te ensinará a amar.»
Luís Rocha e Melo, in"Se tu soubesses o dom de Deus"

sábado, 17 de setembro de 2016

O teu próximo


«O teu próximo não é aquele que tu fazes entrar no horizonte das tuas atenções, mas próximo és tu quando assumes o cuidado de um homem: não quem tu amas, mas quando tu amas."
Ermes Ronchi

terça-feira, 13 de setembro de 2016

"Jesus é a corporização, em tons de urgência, do amor total!
Deixemos que a bondade brilhe. 

Que a paz se instale. 
Que a justiça floresça.
E que o amor vença.


Não foi por tudo isto que Ele deu a vida?"
Pe. João António - Blog http://theosfera.blogs.sapo.pt/

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Perdoar sem medida

"Senhor, quantas vezes devo perdoar se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” (Mt 18, 21).

Pedro e André não foram à escola. E Pedro só conseguiu contar até sete na tentativa de regulamentar o perdão ao fixar um tecto limite. Pedro fez uma tentativa para dissimular a sua limitação de quantificar a misericórdia e, na maior das boas intenções, tinha medo de “exagerar” e se mostrar generoso e excessivo no perdão, pois, talvez, poderia enfraquecer com isto a sua autoridade.

Pedro ainda não compreendera que o perdão não é um prémio, uma imposição, mas uma estupenda possibilidade; não um peso, mas uma libertação. O perdão é uma inacreditável possibilidade que nos é oferecida de fazer o mesmo gesto misericordioso e sem limites do Pai que anula todas as contas e dívidas.

Temos que aniquilar o perdão regulamentado porque ele é sempre de mão única e um perdão de superioridade: de cima para baixo e, portanto, um perdão sem as entranhas da compaixão.


Pedro só descobriu o perdão quando se tornou um devedor insolvente pela negação que fez de Jesus: “Não conheço este homem!” (Lc 22, 57).

O perdão cristão, como a misericórdia do Pai, não entra em nenhuma medida humana e, por isso, por mais que queiramos, será impossível tomar posse dele e reservá-lo para nós.

Que não sejamos nós a perguntar a Cristo: quantas vezes podemos ser generosos como foste connosco?

Adaptado de: http://matersol.blogspot.pt/2011/09/o-caminho-da-beleza-43-xxiv-domingo-do.html

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

«Fé é dar confiança ao amor (...) 
Fé quer dizer crer no amor, na vida que pode vencer a nossa morte. »

[Paolo Scquizzato, in "O Elogio da Imperfeição"]

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Abraçar Deus


«Abraçar Deus não é abraçar o vento ou abraçar uma ideia. 
Abraçar Deus na terra dói: dói no mínimo a dor do outro em nós.»

terça-feira, 30 de agosto de 2016


"Há barreiras em que é preciso ser pequeno para passar...
Há limites em que é preciso pensar menos para vencer...
Há fronteiras em que é preciso ser muito livre para atravessar...
Há regras diante das quais é preciso amar muito para desobedecer...

E até se ouve, vinda do fim, uma voz que nos segreda que só vivemos uma vez... 
Felizes aqueles em cujo íntimo esta voz se torna uma fonte de Sabedoria."

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

«Quem quiser falar sobre Deus, talvez deva olhar primeiro para o seu próprio coração para ver se este contém amor suficiente ou, pelo menos, um anseio de amor, uma disponibilidade para aprender a amar.»
Tomás Halik, in "Quero que tu sejas"

INDAGAÇÕES SOBRE O CARPINTEIRO

“A árvore é força vertical da natureza, da terra em direcção ao céu. Tem a postura da espécie humana. Por isso o cego que Jesus curou em Bet...