domingo, 7 de julho de 2013

REDESCOBRIR «O JESUS PERDIDO», REENCONTRAR «O CRISTO DESPERDIÇADO»


1. A nossa história é o lugar do encontro de Deus com o homem. Mas a nossa vida acaba por ser, também, o local do desencontro do homem com Deus.

Nestes vinte séculos de peregrinação pelas estradas do tempo, os cristãos obtiveram importantes ganhos. Mas manda a honestidade reconhecer que também coleccionaram bastantes perdas.

2. Muitas vezes, nem reparamos no que podemos estar a perder. Talvez não nos apercebamos de que — como adverte D. António Couto — podemos estar a perder «Cristo e o Seu estilo de vida».

Acontece que este é o maior (a bem dizer, o único)desperdício. Perder Cristo e o Seu estilo de vida não é perder alguma coisa; é perder tudo.

3. Fará sentido um Cristianismo sem Cristo, um Cristianismo longe de Cristo?

Não é Cristo que nos perde. Somos nós que nos perdemos de Cristo. Que fazer para redescobrir oJesus perdido e para reencontrar o Cristo desperdiçado?

4. É imperioso que o Evangelho perpasse, que nunca se desfaça e que sempre nos refaça.

É fundamental que as energias se gastem na missão e não se desgastem em tantas adiposidades que os séculos foram introduzindo.

5. A leveza do Evangelho reclama uma cura da obesidade burocrática que tão aprisionados nos retém.

Não raramente, parece que vivemos entalados entre uma bulimia funcionalista e uma anorexia vivencial.

6. É neste sentido que — como observa D. António Couto — todos, «bispos, padres, consagrados e fiéis leigos deverão ser muito mais evangelizadores e muito menos funcionários, administradores ou gestores».

A Igreja deve habituar-se a sair para que as pessoas possam entrar. No fundo, também estamos dentro quando evangelizamos fora. É que a Igreja não se faz só no edifício. Também se refaz no meio das pessoas, «com simplicidade, verdade, coragem». E sobretudo «com Cristo no coração».

7. O Evangelho não deve ser imposto de uma maneira pesada nem apressada.

Ele só pode ser anunciado de uma maneira leve e pausada: «sem ouro, prata, cobre ou alforge». E sem pressas.

8. Tenhamos presente que o mundo dispensa bem uma Cristandade fechada, ensimesmada, integrista.

Do que a humanidade está à espera é do Evangelho integral: em forma de palavra e em forma de testemunho de vida.

9. O Evangelho não é só para traduzir nas mais diversas línguas.

Acima de tudo e como nos lembra D. António Couto, o Evangelho é para ser «traduzido em gestos novos, porque convertidos, de oração, comunhão e missão».

10. É urgente oxigenar de novo a Igreja com a inalação refrescante do Evangelho. Só assim ela será escultora de um futuro diferente no hoje de cada dia.

Afinal, nem tudo está perdido quando nos perdemos em Jesus Cristo!

http://theosfera.blogs.sapo.pt/1938037.html

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