quinta-feira, 8 de novembro de 2012

PESCADORES DE HOMENS (1ª parte)


Jesus nunca procurou rodear-se de letrados na Lei, nem fariseus, nem gente piedosa de Jerusalém, que gravitavam à volta do Templo e do seu deus sempre insatisfeito. Queria gente calejada da vida, que conhecesse os meandros das experiências humanas mais profundas e reais, ainda que não as soubessem dizer com palavras bonitas, gente que soubesse comungar com as dores das pessoas que encontrassem no caminho, ainda que não fossem capazes de ler uma leitura na sinagoga aos sábados nem fazer um comentário à volta das minúcias desta ou daquela profecia…

Jesus entrava na vida destes homens e abria-lhes uma esperança, tocava dentro deles num ponto qualquer misterioso que os fazia sentirem-se desejosos de experimentar a aventura do Reino tal como ele a propunha, como um caminho de libertação das pessoas, de compromisso vital com elas no mais concreto, aí onde a vida acontece, onde a vida dói e morre às vezes, mas também se cura e re-suscita: “Pescadores de Homens”! Tudo parecia possível…. Com ele, sim! Inundava-os de uma esperança capaz de abandonar os barcos, as redes ou a mesa de cambista…


Quando os chama a serem seus companheiros e discípulos, não os chama em função de si mesmo, nem em função do que eles têm que “fazer”. Não lhes propõe que se voluntariem em função de uma causa “fora” deles… É mais profundo! Jesus compromete-se com eles: “Eu farei de vós…” “Eu farei de vós pescadores de homens”, diz-lhes Jesus. Não é um novo ofício que lhes está a dar, uma nova ocupação em regime de voluntariado solidário… É uma nova vida que lhes promete e com a qual se compromete ele mesmo: “Eu farei de vós...”Promete-lhes que ele mesmo fará dos seus outra coisa, fará neles coisas novas, lhes dará um futuro que sozinhos não constroem.


Rui Santiago

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