quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O Filho Amado (2ª parte)

A morte de Jesus na cruz dá a forma final, definitiva e eterna de sua identidade espiritual e confiança íntima, amorosa em Deus.

John Shea comenta: "Deus não ressuscitou Jesus dos mortos porque este nunca hesitou, replicou ou questionou, mas, havendo hesitado, replicado e questionado, ele permaneceu fiel".

A autoconsciência de Jesus e o zelo incansável demonstrado em seu ministério devem ser compreendidos como relacionados direta e incessantemente à sua vida interior de crescente intimidade com o Pai. Não devemos perder de vista esta ligação lógica: a primazia da missão e seu profundo zelo em proclamar o reino de Deus não derivam de reflexão teológica, do desejo de edificar os outros, da espiritualidade da moda ou de um sentimento indefinido de boa vontade para com o mundo. Sua fonte é a santidade de Deus e a autoconsciência que Jesus possui de sua relação com Deus. (...)

O coração de Deus é o esconderijo de Jesus, um forte e protetor espaço onde Deus está próximo, onde a relação é renovada, onde a confiança, o amor e a autoconsciência nunca morrem, mas são continuamente reacesos.

Em tempos de oposição, rejeição, ódio e perigo, Jesus retira-se para aquele esconderijo onde é amado. Em tempos de fraqueza e temor, nasce ali um vigor suave e uma perseverança poderosa. Em face ao aumento da incompreensão e da desconfiança, somente o Pai o compreende. "Ninguém sabe quem é o Filho, a não ser o Pai..." (Lc 10:22). (...)

Muitas vezes nos esquecemos de que temos o mesmo acesso a Deus desfrutado por Jesus. Mas jamais deveríamos nos esquecer de que o nosso Criador cuida de nós. Deus conhece cada um de nós pelo nome e está profundamente envolvido nos dramas de nossa existência pessoal.

"Até os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados" (Lc 12:7).


Dentro desse clima de confiança, podemos tranquilamente procurar discernir a vontade de Deus. É em tal atmosfera que todas as decisões se tornam claras e todas as ações florescem. O resultado é menos vago, ambíguo e incerto do que poderíamos supor.
Os sons da paz interior ressoam no coração afinado com Deus, enquanto o coração desafinado, iludido em cantar sua própria canção, pulsa com agitação, conflito, dissonância e contratempos.

Brennan Manning, em "Convite à Loucura"

2 comentários:

Marcus Henrick disse...

Agradeco por partilhar palavras tão edificantes..
Uma semana de PAZ !!

Ecclesiae Dei disse...

Concordo com o amigo acima. Obrigado pela partilha de tão edificantes palavras. Me fizeram muito bem.
Abraços

Nada é grave...

"Nada é grave, a não ser perder o amor." [Irmão Roger de Taizé]