sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
SOBRE O SOFRIMENTO
"Um cirurgião vê-se obrigado a operar a sua própria filha. Em geral, os médicos não gostam de operar as pessoas da sua família, como os obstretas também não gostam de cuidar do parto de suas mulheres.
Naquele tempo não havia calmantes nem anestesias. O cirurgião teve de cortar com o bisturi a carne da filha, a quem seguravam os braços e as pernas. Ela grita. Mas de repente os seus olhos encontram os olhos do pai, e vê que nesses olhos só há amor.
S. Francisco de Sales acrescenta: a filha já não pode desprender os olhos de seu pai: e enquanto assim fizer, suporta a situação. Não diz que ela deixa de sofrer. O sofrimento é sempre sofrimento. Mas basta-lhe ver toda a ternura, todo o amor que há nos olhos do pai, para poder aguentar."
(François Varillon s.j. , em "Viver o Evangelho")
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
NO REINO DO AMOR PERFEITO
A vida espiritual é sempre uma vida unificada, orientada para um único anseio básico.
A espiritualidade cristã compõe-se de um coração e uma vontade unificados em Cristo e orientados para o Pai amoroso. (...)
Escolher Deus é escolher vida.
Escolher a vontade de Deus é nos permitir emergir da caverna de nossa gratificação egocêntrica e voltar para casa, para o Pai amoroso que pacientemente espera para nos dar uma festa.
Como somos cegos quando deixamos de ver que a vontade de Deus é o sonho de Deus para nós e o mundo.
É um sonho cheio de abundância. É um sonho de cura e integridade. É um sonho de vida juntos no reinado do Amor Perfeito."
(David G. Benner, em "Desejar a vontade de Deus")
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
UM CORAÇÃO NOVO
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
TOMA A TUA CRUZ
Quem não leva a sua cruz e não me segue, não pode ser meu discípulo.» (Lc 14, 27)
"Nossas cruzes - depois de abraçadas e carregadas em resposta ao convite de Cristo para segui-lo como ele seguiu a vontade de seu Pai celeste - tornam-se os lugares onde encontramos o poder divino que é o único agente possível de nossa transformação.
A cruz que tomo e carrego em resposta ao convite de Jesus para segui-lo torna-se o lugar não só da minha morte, mas também de minha ressurreição.
O caminho da espiritualidade cristã é a via-sacra. Não existe rota alternativa.
A vida cristã está cheia de pequenas mortes e pequenas ressurreições, pequenas sextas-feiras santas e pequenos domingos de Páscoa. Cada abraço de minha cruz é mais um passo para o reino de Deus, um reino que só alcançamos do outro lado da morte de nossos reinos de auto-suficiência e autodeterminação.
Tomar nossa cruz não é, em última análise, escolher entre sofrer ou não. Essa escolha não é nossa. Mas podemos escolher reconhecer o sofrimento em vez de ignorá-lo. E enquanto aguentamos, podemos escolher olhar para Deus. Se o fizermos, descobriremos Deus olhando para nós.
É no meio de nosso sofrimento e fraqueza que Cristo está mais presente. É aqui que a nossa vulnerabilidade e fraqueza encontram o poder transformador de Cristo.»
(David G. Benner, em "Desejar a vontade de Deus")
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
DANÇANDO CONFORME A MÚSICA (2 ª parte)

terça-feira, 20 de janeiro de 2009
DANÇANDO CONFORME A MÚSICA (1ª parte)

domingo, 18 de janeiro de 2009
ONDE ESTÁ DEUS?

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
DIÁRIO DE ETTY HILLESUM (5ª parte)

«Para mim, as pessoas são muitas vezes como casas com as portas abertas. E eu entro e vou deambulando pelos corredores e pelos quartos, e cada casa tem por sua vez uma decoração um pouco diferente e no entanto todas elas são parecidas. E cada casa deveria transformar-se numa morada sagrada para ti, meu Deus. E prometo-te, prometo-te procurar no maior número de casas possível morada e acolhimento para ti, meu Deus.
É realmente uma imagem engraçada. Meto-me a caminho e vou à procura de abrigo para ti. Há tantas casas vazias por aí, vou trazê-las até ti, o hóspede de honra.
Perdoa-me esta imagem um pouco indelicada. (...)
Em cada lugar deste mundo está-se «em casa», quando uma pessoa traz tudo consigo.
Muitas vezes senti-me, e ainda me sinto, como um navio que recolheu uma carga preciosa a bordo. Os cabos foram cortados e agora o navio navega plenamente livre e por todos os países levando consigo a carga preciosa.
Uma pessoa deve ser a sua própria pátria.(...)
Uma pessoa deve viver consigo própria como se vivesse com uma multidão inteira. E, interiormente, uma pessoa aprende então a conhecer todas as boas e más características da humanidade. E uma pessoa deve aprender a perdoar os seus próprios defeitos, se é que quer perdoar os outros.
Provavelmente para uma pessoa isto é o mais difícil de aprender, verifico isto frequentemente com outras pessoas (antigamente também comigo, agora já não): perdoar a si próprio os erros e deslizes cometidos. Para tal é preciso em primeiro lugar aceitar, aceitar prodigamente, que uma pessoa comete erros e deslizes.
Gostava muito de viver como os lírios do campo. Se as pessoas entendessem esta época, seriam capazes de aprender com ela a viver como os lírios do campo.
Agora, só restamos eu e Deus. Não há mais ninguém que me possa ajudar. (...)
Não me dá nada a sensação de empobrecimento, antes uma sensação de riqueza e tranquilidade: agora só restamos eu e Deus.
Quando eu quero alguma coisa à força, já há uma quebra no ritmo. Eu não devo querer as coisas, devo deixar que as coisas aconteçam comigo. E não é com isso que estou ocupada neste momento.
Não eu quero, mas sim: seja feita a Tua vontade.
Não existe um poeta dentro de mim, há sim um pedaço de Deus em mim que poderia desenvolver-se até se tornar poeta. Num campo assim tem de haver contudo um poeta que experiencie a vida lá, lá também, e que como poeta a possa cantar.
Dá-me um pequeno verso por dia, meu Deus. E se eu nem sempre o puder copiar por não haver papel ou luz, então hei-de declamá-lo baixinho para o teu grande céu, à noite, mas dá-me um pequeno verso de vez em quando.
É preciso lutar diariamente contra elas como se fossem pulgas, as muitas pequenas ralações dos dias que se seguem e que vão triturando as melhores forças criadoras no ser humano. Em pensamento uma pessoa trata de ajustar coisas para os dias seguintes, e as coisas passam-se de modo diferente, totalmente diferente. O dia de amanhã já terá as suas preocupações. As coisas que têm de ser feitas devem fazer-se e de resto uma pessoa não deve deixar-se infectar pelos muitos medinhos e preocupaçõeszinhas que são outras tantas moções de desconfiança contra Deus. (...)
O maior sofrimento do ser humano é o sofrimento que ele teme. E a matéria, sempre e continuamente a matéria, que atrai tudo o que é espírito em vez de vice-versa. (...)
O conceito de sofrimento (que não é realmente «sofrimento», pois sofrer é em si frutuoso e pode tornar a vida em algo precioso) deve ser desfeito. E se uma pessoa desfaz os conceitos, nos quais a vida está como que aprisionada entre grades, então a pessoa liberta a verdadeira vida dentro de si, mais as forças que lá tem dentro e, consequentemente, uma pessoa terá também as forças para arcar com o verdadeiro sofrimento presente na sua prórpria vida e na do resto da humanidade.(...)
Na realidade, esta é a nossa única obrigação moral: desbravar dentro de nós grandes planícies de tranquilidade, cada vez mais tranquilidade, para a poder irradiar sobre os outros. E quanto mais tranquilidade houver nas pessoas, mais tranquilidade haverá também neste mundo agitado. (...)»
Fonte: Diário de Etty Hillesum (1941-1943)
Nota: No Brasil, este livro foi editado com o título: "Uma Vida Interrompida - os Diários de Etty Hillesum" . Podem encontrar o livro aqui
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
O DIÁRIO DE ETTY HILLESUM (4ª parte)

E continuamos a nossa «perigrinação» pelos preciosos diários de Etty Hillesum.
«Hoje em dia, é uma coisa ou outra: uma pessoa pode pensar «cruelmente» só em si mesma e em salvar a pele, ou deve distanciar-se de todos os seus desejos pessoais e render-se. E para mim a rendição não implica resignação, uma extinção, mas sim, lá onde Deus me puser por acaso, ser um amparo ainda naquilo que é possível, e não estar simplesmente repleta do próprio desgosto e privação.(...)
De minuto a minuto, vão-se despegando de mim mais desejos, anseios e vínculos a outros, estou pronta para tudo, para cada local deste mundo para onde Deus me enviar, e estou pronta a testemunhar sob qualquer circunstância e até à morte que esta vida é bela e prenhe de sentido, que não é culpa de Deus as coisas serem actualmente como são, mas culpa nossa. Foram-nos dadas todas as possibilidades para aceder a todos os paraísos (...)
Existem pessoas, a sério que é verdade, que no último momento põem aspiradores a salvo e garfos e colheres de prata em vez de ti, meu Deus. E há gente que quer salvar o corpinho no qual se acolhem somente mil medos e rancores. E dizem: «A mim não me lançam eles a garra.» E esquecem-se de que ninguém fica nas garras de ninguém, se estiverem nos teus braços.
Esta é a única coisa que podemos preservar nestes tempos, e também a única que importa: uma parte de ti em nós, Deus. E talvez possamos ajudar a pôr-te a descoberto nos corações atormentados de outros.
E, quase a cada batida do coração, torna-se-me isto mais nítido: que tu não nos podes ajudar, que nós devemos ajudar-te e que a morada em nós onde tu resides tem de ser defendida até às últimas.
Vou prometer-te uma coisa, Deus, só uma ninharia: não irei sobrecarregar o dia de hoje com igual número de preocupações em relação ao futuro, mas isso custa um certo exercício. Cada dia já tem a sua conta. Vou ajudar-te, Deus, a não me abandonares, apesar de eu não garantir com antecedência. (...)
Recomeço a ficar um bocadinho mais calma, Deus, por causa desta conversa contigo. Hei-de ter mais conversas contigo no futuro próximo e, deste modo, impedir que me fujas. Também hás-de viver tempos de maior privação em mim, meu Deus, não serás alimentado tão fortemente pela minha confiança, mas acredita que continuarei a trabalhar para ti e a ser-te fiel e não te expulsarei do meu território.
Toda a vida tive esta sensação: quem me dera que houvesse alguém que me pegasse pela mão e se ocupasse de mim; eu pareço forte e faço tudo sozinha, mas gostava tanto de me entregar completamente.»
Fonte: Diário de Etty Hillesum (1941-1943)
Nota: No Brasil, este livro foi editado com o título: "Uma Vida Interrompida - os Diários de Etty Hillesum" . Podem encontrar o livro aqui
domingo, 11 de janeiro de 2009
O DIÁRIO DE ETTY HILLESUM (3ª Parte)

Mais algumas palavras que nos abrem as portas da profunda e riquíssima vivência interior de Etty Hillesum.
«O que importa é escutar o próprio ritmo dentro de ti e tentar viver segundo esse ritmo. Escutar o que emana de ti. Muito daquilo que fazes é simplesmente imitação ou dever imaginário ou falsas ideias acerca do que uma pessoa dever ser.
A única certeza de como viver e o que fazer só pode provir das fontes que brotam lá no fundo de ti. (...)
E agora eu digo muito humilde e grata, e é a sério, embora eu saiba que mais uma vez hei-de rebelar-me e tornar-me irritável:
«Meu Deus, agradeço-te por me teres criado como eu sou. Agradeço-te por às vezes poder estar cheia de vastidão, essa vastidão não é senão o estar repleta de ti. Prometo-te que toda a minha vida há-de ser uma luta para atingir a bela harmonia e também humildade e amor verdadeiro de que me sinto ser capaz nos meus melhores momentos.(...)
Eu uso a oração como um escuro muro protector, na oração retiro-me como se estivesse na cela de um convento e, depois, saio cá para fora, mais «una» e fortalecida e mais completa.
Recolher-me na cela fechada da oração torna-se para mim uma realidade cada vez maior e também uma necessidade. Esta concentação interior ergue muros altos em meu redor, dentro dos quais novamente me reencontro, formo um todo, fora do alcance de todas as dispersões. E consigo imaginar que pode vir uma época em que me encontrarei ajoelhada dias a fio, até finalmente sentir que surgiram muros protectores à minha volta, dentro dos quais não me posso dispersar, nem perder-me, nem arrasar-me.(...)
«Uma pessoa deve arrancar e exterminar muita coisa dentro de si, a fim de criar um espaço amplo e contínuo para os grandes sentimentos e ligações na sua totalidade, sem que eles sejam cruzados por pequenas reacções de um nível mais baixo (...)
Tantos pedacinhos pequenos do próprio eu, que impedem o caminho para áreas mais amplas. Aquele eu restrito, com os seus desejos, somente orientados para a satisfação do altamente limitado eu, há que eliminá-lo e apagá-lo. (...)
Às vezes, é como se dentro de mim existisse uma grande oficina onde se trabalha no duro, se martela, e sei mais lá o quê. E, às vezes, parece-me que sou feita de granito, um pedaço de rocha, e nessa rocha batem constantemente torrentes que a vão furando. Uma gruta de granito que vai sendo cada vez mais escavada e onde são cinzelados contornos e formas. E pode ser que um certo dia as formas fiquem prontas para uso, com contornos nítidos em mim, e que eu só precise reproduzir o que encontro cá dentro.»
Fonte: Diário de Etty Hillesum (1941-1943)
Nota: No Brasil, este livro foi editado com o título: "Uma Vida Interrompida - os Diários de Etty Hillesum" . Podem encontrar o livro aqui
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
O DIÁRIO DE ETTY HILLESUM 1941-1943 (continuação)
Acho deveras impressionante a força interior com que Etty enfrentava as dificuldades, o sofrimento, o extermínio iminente. Ela encontrou Deus dentro de si, através do sofrimento, do silêncio e da oração; e fora de si, nos outros, ela procurava um bocadinho de Deus e tentava despertá-Lo.
«Nova certeza: que querem o nosso extermínio. Também isso eu aceito. Sei-o agora. Não vou incomodar outros com os meus medos, não vou ficar amargurada se outras pessoas não entenderem do que se trata, para nós, judeus. Esta certeza não vai ser corroída ou invalidada pela outra. Trabalho e vivo com a mesma convicção e acho a vida prenhe de sentido, cheia de sentido apesar de tudo, embora já não me atreva a dizer uma coisa dessas em grupo.
O viver e o morrer, o sofrimento e a alegria, as bolhas nos meus pés gastos e o jasmim atrás do quintal, as perseguições, as incontáveis violências gratuitas, tudo e tudo em mim é como se fosse uma forte unidade, e eu aceito tudo como uma unidade e começo a entender cada vez melhor, espontaneamente para mim, sem que ainda o consiga explicar a alguém, como é que as coisas são, gostava de viver longamente para no fim, mais tarde, conseguir explicar, e se isso não me for dado, pois bem, nesse caso uma outra pessoa irá fazê-lo e então um outro continuará a viver a minha vida, ali onde a minha foi interrompida, e por isso tenho de viver a minha vida tão bem e tão completa e convincentemente quanto possível até ao meu derradeiro suspiro, para que o que vem a seguir a mim não precise de começar de novo nem tenha as mesmas dificuldades. (...)
«Dentro de mim há um poço muito fundo. E lá dentro está Deus. Às vezes consigo lá chegar. Mas acontece mais frequentemente haver pedras e cascalho no poço, e aí Deus está soterrado. Então é preciso desenterrá-lo.
Imagino que há pessoas que rezam com os olhos apontados ao céu. Essas procuram Deus fora de si. Há igualmente pessoas que curvam profundamente a cabeça e a escondem nas maõs, penso que essas procuram Deus dentro de si. (...)
Gosto imenso das pessoas, porque em cada uma amo um pedaço de ti, meu Deus. E procuro-te por toda a parte nas pessoas e, muitas vezes, acho um bocadinho de ti. E tento desenterrar-te nos corações dos outros, meu Deus.(...)
Procuraste Deus por toda a parte, em cada coração humano que para ti se abriu - e muitos foram - e em toda a parte achaste um pedacinho de Deus. Nunca desistias, eras capaz de ser muitíssimo impaciente em relação a pequenas coisas, mas em relação às grandes eras extremamente paciente, tão infinitamente paciente.(...)
Bom, deixai-me ser um bocadinho da vossa alma. Deixai-me ser a barraca de acolhimento do que de melhor há em vós, que com certeza há-de existir. Não preciso de fazer muita coisa, quero só estar presente. Deixai-me ser simplesmente a alma deste corpo. E em cada uma das pessoas achei por vezes um gesto ou um olhar, que os transcendia em muito, e do qual provavelmente quase não se tinham apercebido. E eu sentia-me a sua guardiã.»
Fonte: Diário de Etty Hillesum (1941-1943)
Nota: No Brasil, este livro foi editado com o título: "Uma Vida Interrompida - os Diários de Etty Hillesum" . Podem encontrar o livro aqui
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
O DIÁRIO DE ETTY HILLESUM 1941-1943

Iniciei há poucos dias a leitura de um Diário (cliquem aqui) fascinante, cativante, que nos revela a riqueza interior de uma vida, infelizmente, breve, mas intensa, profunda... É fascinante acompanhar o "trabalho interior" que Etty desenvolve com a ajuda de Deus; a forma como ela O vai descobrindo dentro de si e se abre a um Amor mais puro, abrangente, vasto, universal...
Em pleno ambiente de perseguição e extermínio judeu, a 9 de Março de 1941, quando Esther (Etty) Hillesum, de origem judaica, começou a escrever, no primeiro dos oito cadernos de papel quadriculado, o texto que viria a ser o seu Diário, estava-se longe de pensar que começava aí uma das aventuras literárias e espirituais mais significativas do século. Ela tinha vinte e sete anos de idade e morreria sem ter feito trinta.
A partir de hoje, vou partilhar convosco alguns trechos desse magnífico Diário.
«O sofrimento exigiu sempre o seu lugar e os seus direitos, e tem sinceramente alguma importância a forma que ele toma? O que interessa é o modo como as pessoas o carregam e se uma pessoa lhe sabe dar espaço, continuando porém a aceitar a vida.(...)
Soa quase paradoxal: por causa de excluírem a morte da vida, as pessoas não vivem uma vida completa, e ao acolher a morte dentro da vida, ela fica mais rica e mais ampla...
Podem tornar-nos as coisas algo complicadas, podem roubar-nos alguns bens materiais, alguma aparente liberdade de movimentos, mas somos nós que cometemos o maior roubo a nós próprios, roubamo-nos as nossas melhores forças através da nossa mentalidade errada. Através de nos sentirmos perseguidos, humilhados e oprimidos. Através do nosso ódio. Através de fanfarronice que esconde o medo. Bem, podemos às vezes sentir-nos tristes e abatidos por causa daquilo que nos fazem, isso é humano e compreensível. Porém, o maior roubo que nos é feito somos nós mesmos que o fazemos. Eu acho a vida bela e sinto-me livre. Os céus dentro de mim são tão vastos como os que estão por cima de mim...
Não sinto que esteja nas garras de ninguém, só sinto estar nos braços de Deus - para dizer isto de um modo muito bonito - e, seja aqui à beira desta secretária que me é muitíssimo querida e familiar ou daqui a um mês num quarto despojado no bairro judeu, ou talvez num campo à guarda das SS, acho que irei sentir-me sempre nos braços de Deus. E pode ser que consigam arrasar-me fisicamente, mas mais do que isso não. E talvez caia em desespero e sofra privações que nem nas minhas fantasias mais delirantes eu consiga imaginar. E contudo tudo isto é muito relativo comparado com a vastidão incomensurável da confiança em Deus e da capacidade de vivência interior.»Fonte: Diário de Etty Hillesum 1941-1943
Nota: No Brasil, este livro foi editado com o título: "Uma Vida Interrompida - os Diários de Etty Hillesum" . Podem encontrar o livro aqui
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
O Teu Amor - minha Vida e Liberdade

INDAGAÇÕES SOBRE O CARPINTEIRO
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