domingo, 30 de setembro de 2007

Sê um verdadeiro amigo


A amizade tem sido para ti fonte de grande sofrimento. Desejaste-a tanto que muitas vezes te perdeste na procura de um verdadeiro amigo ou amiga. Ficaste muitas vezes desesperado quando uma amizade pela qual ansiavas não se materializou ou quando uma amizade que iniciaste cheio de esperança não perdurou. Muitas das tuas amizades provieram da tua necessidade de afecto, de afirmação e de amparo emocional. Mas agora precisas de procurar amigos com os quais te possas relacionar a partir do teu centro, do lugar onde te sabes profundamente amado. A amizade torna-se cada vez mais possível à medida que te aceitas como uma pessoa profundamente amada. Então podes estar com os outros de uma forma não possessiva.

Os amigos verdadeiros encontram a sua correspondência interior onde ambos conhecem o amor de Deus. Lá o espírito conversa com o espírito e o coração com o coração. As verdadeiras amizades são duradouras, porque o verdadeiro amor é eterno. Uma amizade em que o coração fala ao coração é uma dádiva de Deus, e nenhuma dádiva divina é temporária ou fortuita. Tudo o que provém de Deus participa na vida eterna de Deus. O amor entre pessoas, quando dado por Deus, é mais forte que a morte. Neste sentido, as verdadeiras amizades permanecem para lá da morte.

Quanto amaste profundamente, esse amor pode tornar-se ainda mais forte após a morte da pessoa que amas. Esta é a mensagem fulcral de Jesus. Quando Jesus morreu, a amizade dos discípulos para com Ele não diminuiu. Pelo contrário, aumentou. Nisto se resume a descida do Espírito Santo. O Espírito de Jesus tornou eterna a sua amizade com os seus discípulos, mais forte e mais íntima do que antes da sua morte. Foi isto que Paulo entendeu quando disse: «Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim» (Gálatas 2, 20).Tens que confiar em que a verdadeira amizade não tem fim, que existe uma comunhão de Santos entre todos os que, vivos e mortos, amaram verdadeiramente Deus e uns aos outros. Sabes por experiência própria até que ponto isto é verdade. Os que amaste profundamente e já morreram continuam a viver em ti, não apenas como recordações mas como presenças reais.

Atreve-te a amar e a ser um amigo verdadeiro. O amor que dás e recebes é uma realidade que te conduzirá para cada vez mais perto de Deus bem como dos que Deus te deu para amares.
Henri Nouwen, A voz íntima do amor

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Enfrenta o inimigo

À medida que vês com mais clareza que a tua vocação é ser testemunha do amor de Deus no mundo, e à medida que vives essa vocação com maior determinação, os ataques do inimigo aumentam. Ouvirás vozes que dizem «és inútil, não tens nada para dar, és indesejável, antipático, ninguém gosta de ti».

Quanto mais sentes o chamamento de Deus tanto mais descobrirás na tua própria alma a batalha cósmica entre Deus e Satanás. Não tenhas medo. Continua a aprofundar a tua convicção de que o amor de Deus por ti é suficiente, de que estás em boas mãos e que alguém guia todos os teus passos. Não fiques surpreendido pelos ataques demoníacos, que irão aumentar, mas à medida que os fores enfrentando sem medo descobrirás que eles não têm poder algum. São impotentes.
O que é importante é continuares agarrado ao amor real, perene e inequívoco de Jesus. Sempre que duvidares desse amor, regressa ao teu lar espiritual interior e escuta aí a voz do amor. Só quando estiveres bem seguro, lá no mais fundo de ti, de que és intimamente amado é que poderás enfrentar as vozes funestas do inimigo sem te deixares seduzir por elas.

O amor de Jesus dar-te-á uma visão permanentemente transparente do teu chamamento, bem como das inúmeras tentações que te afastam desse chamamento. Quanto mais és chamado a falar do amor divino tanto mais necessitas de aprofundar o teu conhecimento desse amor no teu coração. Quanto mais longe te leva a tua caminhada exterior mais profunda deve ser a tua caminhada interior. Só quando as tuas raízes são profundas é que os teus frutos são abundantes. O inimigo está aí, à espera de te destruir, mas tu podes enfrentar o inimigo sem medo quando te sabes seguro no amor de Jesus.

Henri Nouwen, A voz íntima do amor

domingo, 23 de setembro de 2007

Continua a preferir Deus

Enfrentas escolhas permanentes. O problema está em saber se preferes Deus ou o teu eu duvidoso. Sabes qual é a escolha certa, mas as tuas emoções, paixões e sentimentos continuam a sugerir-te escolher o caminho da auto-exclusão.

A escolha radical está em confiar sempre em que Deus está contigo e te dará o que mais precisas. As tuas emoções de auto-exclusão talvez digam assim «Isto não vai dar em nada. Continuo a sentir-me tão angustiado como há seis meses. O mais provável é continuar a agir e a reagir do mesmo modo depressivo. De facto não mudei nada». Etc, etc. É difícil não dar ouvidos a estas vozes. Contudo, sabes que esta não é a voz de Deus. Deus diz-te: «Eu amo-te, estou contigo, quero que te aproximes de mim e experimentes a alegria e a paz da minha presença. Quero dar-te um coração e um espírito novos. Quero que fales com a minha boca, vejas com os meus olhos, oiças com os meus ouvidos, toques com as minhas mãos. Tudo o que é meu é teu. Limita-te a confiar em mim e deixa-me ser o teu Deus.»

Esta é a voz que deves escutar. E essa escuta exige uma escolha real, não apenas de vez em quando, mas a cada momento de cada dia e de cada noite. És tu quem decide o que pensar, dizer e fazer. Podes optar pela depressão, podes convencer-te a ser pobre em segurança e agir de modo a censuraras-te permanentemente. Mas tens sempre a oportunidade de escolher pensar, falar e agir em nome de Deus e assim caminhares para a Luz, a Verdade e a Vida.

À medida que vais concluindo este período de renovação espiritual confrontas-te uma vez mais com a escolha. Podes optar por recordar este tempo como uma tentativa falhada de renascimento total ou podes igualmente escolher recordar-te dele como do tempo precioso em que Deus iniciou em ti coisas novas que precisam de ser levadas à plenitude. O teu futuro depende de como decidires recordar o teu passado. Escolhe dentro da verdade que conheces. Não permitas que as tuas emoções ainda ansiosas te distraiam. Enquanto continuares a preferir Deus as tuas emoções deixarão gradualmente a sua rebeldia e converter-se-ão à Verdade que habita em ti.

Enfrentas uma verdadeira batalha espiritual. Mas não tenhas medo. Não estás só. Os que te guiaram durante este período não te vão abandonar. As suas orações e apoio estarão contigo onde quer que vás. Mantém-nos junto do teu coração para que eles te possam conduzir enquanto fazes as tuas escolhas.

Lembra-te, estás em segurança. És amado. Estás protegido. Estás em comunhão com Deus e com os que Deus te enviou. O que é de Deus permanecerá. Pertence à vida eterna. Escolhe-a e ela será tua.


Henri Nouwen, A voz íntima do amor

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Recado de JESUS aos Corações amedrontados

Este post merece uma introdução condigna.

Hoje, pela primeira vez, publico o mesmo post, em simultâneo, nos meus dois blogs. O objectivo é que o maior número de pessoas possível tenha acesso a este texto.
Há pessoas que visitam regularmente os meus dois blogs; outros que visitam apenas este, ou o Abrigo dos Sábios .Também há os que visitam os meus blogs e o do autor do texto que irei transcrever e que, por essa razão, provavelmente já leram o texto. Mas, será sempre proveitoso rele-lo, estou certo.
Desejo que todos os que me visitam sintam vontade de ler este texto; crentes, não crentes, ateus, agnósticos, pessoas de diferentes religiões e credos (o texto é dirigido a todos). Desejo que abram os vossos corações e recebam as palavras sábias e profundas escritas pelo meu caro amigo Rui Santiago, do blog: Derrotar montanhas( visitem-no sem demora).
Estou convicto que depois de lerem o texto sentirão a vossa alma mais leve, engrandecida, enriquecida, fortalecida, serena, grata( bem, já chega de adjectivos eloquentes)... E o vosso coração? Provavelmente, sentirá uma irresistível vontade de voar acima dos medos e entregar-se à liberdade suprema de um amor incondicional.
Boa leitura!

Recado de JESUS aos Corações amedrontados
Se tu soubesses do que és capaz, nem imaginas as cores com que se pintariam os teus dias! Se percebesses de uma vez por todas o teu verdadeiro tamanho, assim como eu próprio te vejo, e o lugar que ocupas no Coração do meu Pai, aprenderias de novo a dançar e a cantar como nos tempos de criança. Mas não dançarias mais como criança… Dançarias como fazem os Sábios de todos os tempos, cantarias como eles, sentirias o teu íntimo em Festa num sereno baile de Alegria e Paz...
Se tu soubesses do que és capaz, deixarias de fechar-te em ti próprio, e eu daria largas ao teu Coração, far-te-ia levantar voo acima dos teus medos, das tuas tristezas e das tuas desistências…
Deixa-me mostrar-te do que és capaz…
Todos os que dão crédito às minhas palavras, lentamente vão percebendo que não lhes minto! Dentro deles o Espírito Santo começa a fazer maravilhas, e eles sentem… Pouco a pouco, vão até aprendendo a colaborar com Ele, vão-lhe aprendendo os ritmos e percebendo os sinais… E, até hoje, nunca nenhum se sentiu defraudado em relação àquilo que lhe prometi! Bem pelo contrário…
Deixa-me mostrar-te do que és capaz…
Sou capaz de ensinar-te como se olha verdadeiramente para a Vida, para a História, para as Pessoas, e para os Desafios que tudo isto traz consigo! Sou capaz de libertar-te das forças autodestrutivas que às vezes ainda te minam o Coração: o ressentimento, o medo, a frustração, a impaciência, a desistência, a vingança, o desânimo…
Se tu soubesses do que és capaz adorarias voltar a ver-te ao espelho, e perceberias que tinhas renascido. Estas coisas escrevem-se-nos no rosto e nos olhos…
Lembras-te da quantidade enorme de desafios complicados que já venceste? São tantos, não são?!
Lembras-te de quantas vezes já pensaste “Desta não saio! Isto é demais! Nunca vou ultrapassar isto!”? Lembras-te?
Eu lembro-me bem, porque estive sempre contigo! Já vencemos juntos tantas coisas… E tudo isto, em vez de te fazer forte, muitas vezes só tem servido para complicares a Vida ainda mais por causa do passado e te assustares diante do rosto feio de alguns dias.
Por isso é que hoje tinha que falar-te assim, e andei às voltas a tentar arranjar uma maneira de o fazer! Porque quero muito que aprendas a olhar para ti como eu próprio te vejo!
Se tu soubesses do que és capaz, nem imaginas como os teus pés se tornariam ligeiros, as tuas pernas fortes, os teus braços vigorosos, o teu peito invencível, a tua cabeça inquebrável, o teu rosto terno, os teus olhos atentos…
Deixa-me mostrar-te do que és capaz!
Não perceberás tudo hoje, nem amanhã ainda… Mas começa hoje! Deixa-me mostrar-te do que és capaz…
Dentro de ti, quero ensinar-te a ver cada coisa com o seu real tamanho e valor, porque às vezes vês grandes demais problemas pequenos, e não prestas atenção a grandes maravilhas… Como tu!
Quando aprenderás a olhar para ti como se contempla uma maravilha? Quando aprenderás a ver-te como eu te vejo?
Não te olho à procura de perfeições, não existe em mim qualquer moralismo, não te exijo que sejas diferente do que és para gostar de ti e para me encantar ao olhar-te. Basta-me que sejas assim como és. Não compliques...
Se tu soubesses do que és capaz, tirarias finalmente muitos projectos da gaveta do teu Coração e darias passos que antes julgavas maiores do que as pernas. Porque se tu soubesses do que és capaz, as tuas pernas cresceriam…
Rui Santiago, Derrotar montanhas

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Graça maravilhosa

Nós não só somos salvos pela graça, de graça, única, exclusiva e totalmente pelo que Jesus consumou, terminou e realizou na cruz, em nosso lugar; como nós, também somos aperfeiçoados, santificados, transformados e permanecemos na fé, única e tão somente, pela mesma graça maravilhosa de Deus. Tudo que recebemos de Deus é por Seu favor dispensado a nós. É aí que cessa todo o orgulho humano. É aí que terminam as vaidades humanas. É aí que param os juízos humanos. É aí que acabam as performances e os desempenhos de espiritualidade para os outros verem ou para provarmos para Deus ou para nós mesmos que somos santificados o bastante. É aí que acabam as competições de quem é o mais abençoado, o mais usado, a mais consagrado ou o mais fervoroso. Não queremos mais chamar a atenção para nós mesmos, mas para Jesus. Porque tudo é fruto da Sua bondade, amor, misericórdia e graça nas nossas vidas.
Somos todos vasos de barro com pés de argila, mendigos dizendo a outros mendigos onde nós encontramos pão. Crer na graça de Jesus nos despoja de todas as nossas pretensões e nos deixa despidos de toda e qualquer imagem de espiritualidade. Somos quem somos e Deus nos ama. Ele é quem vai nos transformar e aperfeiçoar, nos ensinar e corrigir, nos fortalecer e amadurecer, através da Sua graça e amor.
Crer na graça de Jesus pacifica o nosso ser. O discurso da religião sem amor e do culto da culpa não nos amedronta ou atormenta mais. Fomos conquistados pelo extraordinário amor de Deus. Cristo deu a Sua vida por nós. Ele entregou a Sua vida para que nós possamos viver.
Crer na graça de Jesus nos faz agir por pura gratidão, consciência, devoção e amor. É totalmente diferente. Somos constrangidos pelo amor de Jesus. É uma consciência que surge em nós e que gera generosidade, misericórdia, acções de graças e compaixão. E ao contrário do que dizem alguns: a graça não é grátis, mas custa caro; na verdade, a graça não custa nada para quem a recebe, mas custou tudo para quem a oferece a nós: Jesus, nosso amado Salvador.
Isso muda nossa visão. Muda até mesmo o modo como lemos as Escrituras. Mais do que isto, muda o modo como vemos as pessoas; os nossos valores na vida; a nossa busca; o que nos fascina; o que nos entusiasma e o que nos assombra. Não é do dia para a noite, mas algo que vai crescendo dentro de nós. Como escreveu Paulo, nós somos transformados pela renovação do nosso entendimento. Minha oração é que cada um de vós possa experimentar a graça de Jesus na sua vida e ficar tão tomado pela consciência deste favor imerecido e deste amor sem fim que as coisas comecem a mudar dentro de si: no seu entendimento, na sua visão, no seu modo de ver e entender as coisas, a vida, as pessoas e o Evangelho. Deus nos ajude.

Pr. Paulo Cardoso

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Deixar Cristo viver em nós

«Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.» - Gálatas 2, 20

A grande mudança do Evangelho não é "eu deixar de ser eu", mas "eu render-me à vontade do meu novo Senhor", isto é, não mais o meu eu, mas o Cristo que vive em mim(...)
A conversão não implica a despersonalização. A conversão não apaga tudo que vivi e fez de mim o que sou. Mas depois de me render a Cristo, toda a minha vida passa por uma revisão, e muita coisa que eu fazia necessariamente deixo de fazer, e muita coisa que não fazia passo a fazer. Não por obrigação ou culpa, mas por nova orientação da minha vontade; mudou o meu objecto de devoção.
Creio também que as figuras "morte e ressurreição" ou "novo nascimento", que simbolizam o antes e depois da experiência mística-espiritual cristã, não significam que deixei de ser o que sempre fui, mas que passei a viver orientado para outra direcção. Não é que eu mudei; o que mudou foi a maneira como convivo com o que sempre fui, e provavelmente vou continuar sendo.

O extraordinário nisto tudo é que já não sou obrigado a ser o que sempre fui, não estou escravizado a realizar a sina da minha personalidade e cumprir o vaticínio das marcas que a vida deixou em mim.Sou livre. Livre para me reinventar, livre para vir a ser e, inclusive, livre para continuar sendo o que sempre fui, mas relacionando-me de maneira tão diferente comigo mesmo que as pessoas ao meu redor dirão que pareço outra pessoa. Conheci a verdade, e a verdade libertou-me.

Ed René Kivitz - Outra espiritualidade

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Abba


Abba, apelativo coloquial utilizado por criancinhas judias para dirigirem-se aos seus pais e melhor traduzida como "Papá" ou "Paizinho", abriu a possiblidade de uma intimidade jamais sonhada e sem precedentes com Deus. Em qualquer outra religião mundial é impensável dirigir-se ao Todo-Poderoso Deus como "Abba"(...)

A experiência de Abba é a fonte e o segredo do ser de Cristo, da sua mensagem e maneira de viver. Ela pode ser compreendida apenas pelos que compartilham dela. Até que nos encontremos com o Pai de Jesus e o experimentemos como um Papá amoroso e perdoador é impossível compreender o ensino de Jesus a respeito do amor.
A fim de compreender a sua implacável ternura e amor apaixonado por nós, devemos sempre regressar á sua experiência de Abba. Jesus experimentou Deus como terno e amoroso, cortês e gentil, compassivo e perdoador: como riso pela manhã e conforto ao anoitecer(...)
Abba. As conotações desta pequena palavra sempre nos escaparão. Porém, nela sentimos uma intensa intimidade de Jesus com o seu Pai. Tocamos o coração da sua fé. Chegamos a compreender a mente de Cristo(...)

A proclamação do Reino nasceu da urgência no coração de Jesus. Foi crucial Ele ter trazido a Boa Nova do evangelho da graça. Bastaria que as pessoas percebessem o facto de serem amadas: as suas vidas seriam transformadas e um novo reino se levantaria nas suas existências.

Nós não somos apenas convidados, mas de facto chamados a penetrar nessa afectuosa e libertadora experiência de Deus como Abba. O Apóstolo Paulo é muito claro: "Porque não recebestes o espírito da escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adopção de filhos, pelo qual clamamos: «Abba, Pai» " (Romanos 8, 15).

Somos privilegiados de partilhar da intimidade que Jesus desfruta com o seu Pai. Somos chamados a viver e celebrar a mesma liberdade que tornou Jesus tão atraente e autêntico.


Brennan Manning, A assinatura de Jesus

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Renúncia por amor

“Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo”. (Lucas 14, 33)

Jesus nunca negociou a verdade para, desta forma, conseguir mais discípulos. Ele não esconde o facto de que segui-lo implica, sempre, abnegação. Existe uma cruz para cada um que deseja ir após o Salvador. A cruz, marca de vitória no cristianismo, deve ser, também, ainda hoje, um símbolo de abnegação, entrega, serviço e amor. Somente aqueles que compreendem isso podem, de facto, viver uma verdadeira vida cristã. Queremos as bênçãos provenientes da cruz; entretanto, não podemos fugir da renúncia que ela traz para a vida de todo aquele que, por crer, segue Jesus. Ser cristão é carregar as dores do outro para que este possa provar as bênçãos celestiais. Cruz e egoísmo não podem andar juntos. Cruz e egocentrismo se opõem, sempre.

Para aceitarmos uma cruz temos, certamente, que passar por um processo de mudança de paradigmas. Não conseguimos renunciar a nada deste mundo sem nos libertarmos do apego às coisas terrenas. A mente secular leva-nos a uma valorização e priorização de coisas que, no reino de Deus, estão em último lugar em importância. Por outro lado, coisas que o mundo despreza, no reino divino são as primeiras em prioridade e valor.
Entendendo estas verdades, podemos nos perguntar: por que sigo Jesus? Será que estou em Cristo pelas bênçãos tão claramente prometidas nas igrejas ou o amo de verdade? Estou disposto a renunciar a tudo pelo Redentor? Sigo-o para servir ou para ser servido? Estas são questões importantíssimas e que devem ser respondidas por cada um de nós, pessoalmente. Não somos salvos pelas nossas obras, mas, pela obra de Cristo. Todavia, todos os que já são salvos passam a fazer obras, por amar Deus e o próximo, obras manifestas pelo serviço e abnegação. Que esta renúncia, tão cara ao mundo, nos seja algo natural, proveniente de um amor intenso e sincero.

Fonte: http://www.devocionais.com.br/

terça-feira, 4 de setembro de 2007

A absoluta importância do motivo

A prova pela qual toda conduta será finalmente julgada é o motivo. Como a água não pode subir mais alto do que o nível da sua fonte, assim a qualidade moral de um acto nunca pode ir mais alto do que o motivo que o inspira. Por esta razão, nenhum acto procedente de um mau motivo pode ser bom, ainda que algum bem possa parecer provir dele. Toda a acção praticada por ira ou despeito, por exemplo, ver-se-á afinal que foi praticada pelo inimigo e contra o reino de Deus. Infelizmente, a natureza da actividade religiosa é tal que muita coisa dela pode ser levada a efeito por razões não boas, como a raiva, a inveja, a ambição, a vaidade e a avareza.

Nesta questão de motivos, como em muitas outras coisas, os fariseus dão-nos claros exemplos. Eles continuam sendo os mais tristes fracassos religiosos do mundo, não por causa de erro doutrinário, nem porque fossem pessoas de vida abertamente dissoluta. Todo o problema deles estava na qualidade dos seus motivos religiosos.
- Oravam, mas para serem ouvidos pelos homens, e deste modo o seu motivo arruinava as suas orações e as tornava não somente inúteis, mas realmente más.
- Contribuíam generosamente para o serviço do templo, mas às vezes o faziam para escapar do seu dever para com os seus pais, e isto era um mal, um pecado.
- Eles condenavam o pecado e se levantavam contra ele quando o viam nos outros, mas o faziam por sua justiça própria e por sua dureza de coração.
Assim era com quase tudo o que faziam. Suas actividades eram cercadas de uma aparência de santidade, e essas mesmas actividades, se realizadas por motivos puros, seriam boas e louváveis. Toda a fraqueza dos fariseus jazia na qualidade dos seus motivos. Que isso não é uma coisa pequena infere-se do facto de que aqueles religiosos formais e ortodoxos continuaram na sua cegueira até que finalmente crucificaram o Senhor da glória sem um pingo de noção da gravidade do seu crime.

Actos religiosos praticados por motivos vis são duplamente maus - maus em si mesmos e maus porque praticados em nome de Deus. Isso é equivalente a pecar em nome d'Aquele Ser que é sem pecado, a mentir em nome d'Aquele que não pode mentir, e a odiar em nome d´Aquele cuja natureza é amor. Os cristãos, especialmente os muito activos, frequentemente devem tomar tempo para sondar as suas almas para certificar-se dos seus motivos. Muito cântico é cantado para exibição; muito sermão é pregado para mostrar talento; muita igreja é fundada como uma bofetada nalguma outra igreja. Mesmo a actividade missionária pode tornar-se competitiva, e a conquista de almas pode degenerar, passando a ser uma espécie de plano de vendedor de escovas, para satisfazer a carne. Não se esqueçam, os fariseus eram grandes missionários, e circundavam mar e terra para fazer um converso. Um bom modo de evitar a armadilha da actividade religiosa vazia é comparecer ante Deus sempre que possível com as nossas Bíblias abertas no capítulo 13 de I Coríntios. Esta passagem, conquanto considerada como uma das mais belas da Bíblia, é também uma das mais severas das que se acham nas Escrituras Sagradas.
O apóstolo toma o serviço religioso mais elevado e o consigna à futilidade, a menos que seja motivado pelo amor. Sem amor, profetas, mestres, oradores, filantropos e mártires são despedidos sem recompensas.Para resumir, podemos dizer simplesmente que, à vista de Deus, somos julgados, não tanto pelo que fazemos como por nossas razões para fazê-lo. Não o que, mas por que, será a pergunta importante quando nós cristãos comparecermos no tribunal para prestarmos contas dos actos praticados enquanto no corpo.

Extraído do livro 'A RAIZ DOS JUSTOS' de A.W.Tozer

sábado, 1 de setembro de 2007

O Amor de Jesus

Jesus ama-nos como somos e não como deveríamos ser, já que nenhum de nós é como deveria ser.
A vida do Apóstolo Paulo está ancorada na sua amizade íntima com Jesus. "Para mim o viver é Cristo" (Filipenses 1, 21). Diariamente, Paulo entrega a sua vida a Jesus, confia Nele, louva-O, pede-Lhe aquilo de que precisa, encontra Nele a sua razão de ser e com gratidão aceita o seu amor, sabendo que ele não conhece sombra de mudança.
Ele "amou-me e entregou a si mesmo por mim (Gálatas 2, 20). Nunca deixe que estas palavras sejam interpretadas como mera intelectualização de Paulo. O amor de Jesus Cristo era uma realidade ardente e divina para ele, e a sua vida é incompreensível excepto em termos dele. Paulo teria sido soterrado na história como um zelote desconhecido, não fosse o seu amor imenso e intransigente pela pessoa de Jesus. Se algum de nós abordasse Paulo e quisesse discutir a reforma paroquial ou a adoração contemporânea, ele responderia: "Não tenho nenhuma compreensão de igreja ou de religião excepto em termos do homem sagrado, Jesus, que me amou e entregou-se por mim."

Brennan Manning -"A assinatura de Jesus"

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Cristão verdadeiro

«Um cristão verdadeiro é uma pessoa estranha em todos os sentidos. Ele sente um amor supremo por alguém que ele nunca viu; conversa familiarmente todos os dias com alguém que não pode ver; espera ir para o céu pelos méritos de outro; esvazia-se para que possa estar cheio; admite estar errado para que possa ser declarado certo; desce para que possa ir para o alto; é mais forte quando ele é mais fraco; é mais rico quando é mais pobre; mais feliz quando se sente o pior. Ele morre para que possa viver; renuncia para que possa ter; doa para que possa manter; vê o invisível, ouve o inaudível e conhece o que excede todo o entendimento.»
A.W. Tozer

sábado, 25 de agosto de 2007

Carta do Irmão Roger, de Taizé


No seu Evangelho, numa fulgurante intuição, São João exprime quem é Deus em três palavras: «Deus é amor.» Basta compreendermos estas três palavras para podermos ir longe, muito longe.
O que nos cativa nestas palavras? É encontrar nelas esta certeza luminosa: Deus não enviou Cristo à terra para condenar quem quer que seja, mas para que todo o ser humano se saiba amado e possa encontrar um caminho de comunhão com Deus.
Mas por que razão há pessoas que o amor deslumbra, que se sabem amadas, realizadas? Por que razão há outras que julgam ser desprezadas?
Se cada um de nós compreendesse: Deus acompanha-nos mesmo na nossa solidão mais insondável. Ele diz a cada um de nós: «És precioso aos meus olhos, eu estimo-te e amo-te.» Sim, Deus só pode dar o seu amor, aí se encontra todo o Evangelho.
O que Deus nos pede e nos oferece é que recebamos a sua infinita misericórdia.
Que Deus nos ama é uma realidade por vezes pouco acessível. Mas quando descobrimos que o seu amor é antes de tudo perdão, o nosso coração encontra sossego e acaba por transformar-se.
Eis que nos tornamos capazes de confiar a Deus o que perturba o nosso coração: encontramos então uma fonte onde buscar nova vitalidade.
Estaremos bem conscientes? Deus confia tanto em nós que dirige a cada um de nós um chamamento. O que é esse chamamento? É o convite a amar como ele nos ama. E não há amor mais profundo do que ir até ao dom de si próprio, por Deus e pelos outros.
Quem vive de Deus escolhe amar. E um coração decidido a amar pode irradiar uma bondade sem limites.
Para quem procura amar com confiança, a vida enche-se de uma beleza serena.
Quem procura amar e dizê-lo através da sua vida é levado a interrogar-se sobre uma das questões mais prementes: como aliviar as penas e o tormento daqueles que estão próximo ou longe?
Mas o que é amar? Será partilhar o sofrimento dos mais maltratados? Sim.
Será ter uma bondade infinita de coração e esquecer-se de si próprio por causa dos outros, de forma desinteressada? Sim, certamente.
E ainda: o que é amar? Amar é perdoar, viver reconciliados. E a reconciliação é sempre uma Primavera da alma.


Irmão Roger, de Taizé

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Jesus: o centro da nossa fé

«Não somos agentes de viagem entregando folhetos turísticos de lugares que nunca visitamos. Somos exploradores de fé de um país sem fronteiras, país que descobrimos, pouco a pouco, não ser um lugar, mas uma pessoa. A nossa fé inclui as nossas crenças, mas também as transcende, pois a realidade de Jesus Cristo nunca pode ser confinada dentro de formulações doutrinárias.
A pergunta, portanto, não é mais: Jesus de facto é semelhante a Deus?, mas: Deus de facto é semelhante a Jesus? Esse é o sentido tradicional da declaração de que Jesus é a Palavra de Deus. Não é Deus que nos revela Jesus, é Jesus que nos revela Deus. Não podemos deduzir nada sobre Jesus do que pensamos que sabemos a respeito de Deus; devemos deduzir tudo a respeito de Deus do que sabemos sobre Jesus.»

Brennan Manning, A Assinatura de Jesus

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Continua a viver onde Deus está

Viver uma vida disciplinada é viver de tal modo que queres estar apenas onde Deus está contigo. Quanto mais aprofundares a vivência da tua vida espiritual, tanto melhor discernirás a diferença entre viver com Deus e viver sem Deus, e mais fácil será saíres dos locais onde Deus deixa de estar contigo. Aqui o maior desafio reside na fidelidade, que deve ser vivida nas escolhas de cada momento. Quando a tua comida, bebida, trabalho, divertimento, conversa ou escrita deixam de ser para glória de Deus, deves parar imediatamente, por que já não estás a viver para a glória de Deus, começas a viver para tua própria glória. Assim, separas-te de Deus e prejudicas-te.
A tua principal preocupação deve ser sempre se estás ou não a viver com Deus. Possuis conhecimento interno suficiente para responder a esta pergunta. Cada vez que fazes alguma coisa orientada pela tua necessidade de aceitação, de afirmação ou de afecto, e de cada vez que fazes alguma coisa que aumenta estas carências sabes que não estás com Deus. Elas nunca serão satisfeitas; apenas aumentam quando lhes cedes. Mas cada vez que fizeres alguma coisa para glória de Deus, conhecerás a paz de Deus no teu coração e lá encontrarás descanso.

Henri Nouwen, A Voz Íntima do Amor

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Regressa sempre ao ponto sólido

Tens que acreditar na resposta afirmativa que te é devolvida quando perguntas «Amas-me?» Deves escolher este sim mesmo quando não o sentes.Sentes-te esmagado por distracções, fantasias, pelo perturbante desejo de te lançares no mundo do prazer. Mas sabes de antemão que não será aí que vais descobrir uma resposta para a tua dúvida mais profunda. Tal como essa resposta não está em voltar a analisar minuciosamente acontecimentos passados ou na culpa ou recriminação. Tudo isso apenas contribui para te exaurir e fazer abandonar a rocha sobre a qual está construída a tua casa.Tens de confiar nesse ponto sólido, no local onde podes dizer sim ao amor de Deus mesmo quando não o sentes. Neste momento nada sentes a não ser vazio e falta de força para escolher. Mas continua a repetir «Deus ama-me e o amor de Deus basta». Tens que escolher uma e outra vez esse local sólido e regressar a ele após cada fracasso.

Henri Nouwen, A Voz Íntima do Amor

INDAGAÇÕES SOBRE O CARPINTEIRO

“A árvore é força vertical da natureza, da terra em direcção ao céu. Tem a postura da espécie humana. Por isso o cego que Jesus curou em Bet...