sábado, 30 de abril de 2016

EM SINTONIA COM JESUS

«Quando estiverem afinadas, Mestre,
todas as cordas da minha vida,
cada vez que as toques, cantarão de amor.»

[Rabindranath Tagore]
Afinar a nossa vida pela vida de Jesus.
Sintonizar o nosso coração com o coração do Mestre.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Uma pergunta pertinente de José Tolentino Mendonça:
«O que é que estamos a perder quando nos falta o desprendimento?»
Perante esta pergunta, ecoam em mim as palavras de Jesus ao jovem rico "Ainda te falta uma coisa...." (Mc 10:17-22). Assim como as que Jesus dirigiu a Marta, irmã de Maria: "Andas preocupada com tantas coisas, quando uma só é necessária" (Lc 10:38-42).

sábado, 23 de abril de 2016

DEIXAR-SE LEVAR


«Há um passo importante no nosso itinerário para Deus: deixar-se levar. As experiências que acompanham a maturidade na fé reconduzem-nos sempre à infância. Quanto mais nos aproximamos de Deus, mais captamos o sentido dos gestos simples que brotavam espontaneamente em nós quando éramos crianças. Por exemplo: dar a mão e deixar-se levar. (...)

Aprendemos a caminhar pela vida, assim, de mão dada, levados por outro, sem medo, com a alegria de ser amado.»

Carlos Maria Antunes, in "Só o Pobre se faz Pão"

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Amar é também saber dizer não

São Francisco abraçando um leproso, Julie Lonneman, 2014


«Jó define a lepra como a "primogénita da morte" (Jó 18, 13). De facto, os leprosos eram considerados como mortos e a sua cura eventual suscitaria o mesmo efeito de uma ressurreição da morte. O corpo do leproso é intocável não só por uma questão de higiene, mas pela simples razão de que ele é um cadáver e tocá-lo desencadearia uma impureza que impediria a participação nos actos religiosos da comunidade. 
No evangelho (Mc 1:40-45), o leproso desafia todas as normas, transgride a lei, aproximando-se de Jesus, mas coloca-se de joelhos à sua frente. Jesus é movido pela compaixão até às entranhas e transborda de ternura. Jesus toca o leproso e reafirma a transgressão iniciada por ele. Ele quer limpar o mundo dos estigmas e das exclusões que atentam contra a compaixão do seu Pai. E paga caro por esta atitude: "não pode entrar mais abertamente nas cidades, é forçado a ficar nos lugares desertos" (Mc 1, 45). (...)

Jesus se revela como a própria presença de Deus que destrói toda a falsa barreira legalista. É Aquele que rompe as fronteiras, derruba os muros seculares da separação, ultrapassa os preconceitos e aniquila as discriminações sociais e religiosas. A dor é o campo dramático em que se arrisca a fé: ou ela se cumpre ou se nega. Jesus está sempre presente nesta linha de fronteira da existência humana, nesta situação-limite em que a compaixão deve falar mais alto. Ele não conhece a hesitação dos puritanos nem o egoísmo dos bem situados e bem pensantes. Ele nos faz saber que onde está a dor devem estar presentes, sobretudo, os que O seguem. 

Nós, os cristãos, tantas vezes criamos “os leprosos”: os que não se comportam como as nossas ideias, os que nos incomodam e se tornam inoportunos. Quantos “leprosos” excluídos, escorraçados, ignorados, condenados ao isolamento no cenário teatral das nossas famílias, religiões e igrejas.(...)

A compaixão pode exigir-nos uma atitude de transgressão, pois o amor é maior do que tudo e leva-nos a confrontar todas as limitações, as imposições e, muitas vezes, a dizer um não a elas. Amar é também saber dizer não

Comunidade dos Manos da Terna Solidão
Pe. Paulo Botas, mts
Pe. Eduardo Spiller, mts

sexta-feira, 15 de abril de 2016

A EXPERIÊNCIA MAIS AUTÊNTICA DE DEUS

«A experiência mais autêntica de Deus é darmo-nos conta de que Ele está completa e incondicionalmente a favor do homem, que se colocou do nosso lado até ao extremo de assumir a nossa fragilidade, o nosso medo, a nossa noite.»
Pedro Miguel Lamet, s.j., in "As Palavras Vivas - confidências de João, o discípulo predilecto"

domingo, 10 de abril de 2016

A Santa Lei do Amor



Imagem: Yongsung Kim, "Forgive"

«O Senhor revela-nos que a fé não é algo que se possui, mas que somos possuídos e alcançados por Alguém. 

O Evangelho revela esta novidade por meio da contraposição entre as exigências implacáveis da Lei e a estratégia de misericórdia traçada por Jesus. Os acusadores negam à mulher a possibilidade de um novo começo e querem, com pedras, não só sepultar o passado desta pecadora, mas ela própria. 

Cristo, com o seu perdão, liquida definitivamente o passado e entrega à mulher um futuro imaculado a ser construído por ela mesma. O castigo dos carrascos tornou-se estéril, pois a não condenação por Cristo reinventa a vida. 

As frias exigências gravam-se sobre a pedra, mas a misericórdia não está escrita sobre nenhuma matéria dura. A nova lei – a do amor – inscreve-se no terreno maleável do coração, sobre a tenra e terna carne da terra. Resta apenas matar a nossa curiosidade de saber o que escrevia Jesus, com o dedo, no chão do Templo. Jesus escrevia a condenação aos escribas e fariseus e continua até hoje escrevendo em silêncio aos moralistas de plantão que se evadem e se esquivam da barbárie do mundo degenerado que construíram: "Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus." (Mt 21, 31).»

Graças a: 
Comunidade dos Manos da Terna Solidão
Pe. Paulo Botas, mts 
Pe. Eduardo Spiller, mts

quinta-feira, 7 de abril de 2016

SOBRE O PEITO DE JESUS


Estou de acordo com Orígenes: para captarmos o significado profundo do Evangelho de João, precisamos reclinar a cabeça sobre o peito de Jesus

domingo, 3 de abril de 2016

A Alegria é o dom secreto da Compaixão


«Aos olhos de Deus, o mais importante é muitas vezes o mais escondido.» 


Henri Nouwen, in Adam, o Amado de Deus*


«A alegria que provém da compaixão é um dos segredos mais bem guardados da humanidade. É um segredo só conhecido de muito poucas pessoas, um segredo a descobrir continuamente. Eu, pessoalmente, tive umas «amostras» dela. 

Quando vim para Daybreak, uma comunidade com pessoas com deficiências mentais, pediram-me para passar algumas horas com Adam, um dos membros deficientes da comunidade. Todas as manhãs, tinha que o levantar da cama, dar-lhe banho, barbeá-lo, escovar-lhe os dentes, dar-lhe o pequeno-almoço e levá-lo para o lugar onde ele passa todo o seu dia. Durante as primeiras semanas, quase tive medo, sempre preocupado com não fazer nada mal ou com que ele tivesse algum ataque epiléptico. Mas, pouco a pouco, fui ficando mais calmo e comecei a apreciar a nossa rotina diária. Com o passar das semanas, descobri que já era com ansiedade que esperava por aquelas duas horas que passava com o Adam. Sempre que pensava nele durante o dia, experimentava um sentimento de gratidão por o considerar meu amigo. Embora ele não fosse capaz de falar e nem sequer de fazer um sinal de agradecimento, havia um autêntico amor entre nós. O meu tempo com Adam tornara-se o tempo mais precioso do dia. 

Quando uma visita amiga me perguntou um dia: «Não poderias passar melhor o tempo que a trabalhar com um homem deficiente? Foi para fazer esse tipo de trabalho que tiraste o teu curso?» , compreendi que não era capaz de lhe explicar a alegria que o Adam me trazia. Ele tinha que descobrir isso por si mesmo. 

A alegria é o dom secreto da compaixão. Continuamos a esquecer-nos disso e inconscientemente procuramo-la em outros lugares. Mas, cada vez que voltamos para onde existe a dor, conseguimos uma nova «amostra» de alegria que não é deste mundo.»

Henri Nouwen, in  Aqui e Agora



Na sua obra “Adam, o Amado de Deus”, Henri Nouwen revela como deixou a sua prestigiada profissão de professor numa das mais conceituadas universidades dos EUA, para dedicar-se integralmente à obra de tomar conta de pessoas com deficiências em Toronto, no Canadá. Dentre elas, estabeleceu uma relação de amizade muito bela e profunda com um jovem especial chamado Adam.

Adam, era um jovem que devido a um complicado quadro de epilepsia, exigia um cuidado extremo por parte dos que tomavam conta dele, pois nem mesmo as suas tarefas básicas conseguia realizar sozinho. Não falava uma palavra sequer, nem conseguia expressar-se muito bem, pois não coordenava os seus movimentos. No entanto, Henri Nouwen revela-nos que "a sua maravilhosa presença e o seu valor incrível iluminavam-nos para compreender que nós, assim como ele, também somos preciosas, agraciadas, amadas crianças de Deus, independentemente de nos vermos como ricas ou pobres, inteligentes ou deficientes, bonitas ou feias. (...) No relacionamento com ele, descobriríamos uma identidade mais profunda, mais verdadeira."

A experiência de Henri Nouwen com este jovem foi extraordinária e reveladora, ao ponto de nos confidenciar: "com Adam aprendemos que a beleza de cuidar de alguém não está só em dar, mas também em receber. Foi ele quem me abriu para a compreensão de que o maior dom que eu lhe podia ofertar era a minha mão e o meu coração abertos, para receber dele o precioso dom da paz. (...) Cuidar de Adam era permitir que o Adam cuidasse de nós, como nós cuidávamos dele.»