quinta-feira, 31 de março de 2016

Renascemos na Misericórdia de Deus

Imagem: O Retorno do Filho Pródigo.
Séc. XVII. Por Rembrandt, atualmente no Museu Hermitage, em São Petersburgo.

No "Regresso do Filho Pródigo - Meditações sobre um quadro de Rembrandt" Henri Nouwen, conta-nos a história de um pai e dos seus dois filhos (que encontramos no capítulo 15 do Evangelho de Lucas) a partir dum quadro de Rembrandt, um pintor flamengo do século XVII. 

O primeiro encontro de Henri Nouwen com este quadro de Rembrandt marca o início de uma fascinante aventura espiritual, em que aquela imagem do pai terno e misericordioso , será uma presença constante e fonte de belas e profundas reflexões, ao ponto de ele se referir ao quadro da seguinte forma: «Contém todo o Evangelho. Nele está toda a minha vida e a dos meus amigos. Este quadro converteu-se numa misteriosa janela através da qual posso pôr um pé no Reino de Deus»

Fruto de contemplações demoradas e pacientes, o autor partilha as suas impressões, pensamentos e sentimentos sobre detalhes específicos do quadro. Por exemplo, sobre a imagem dos braços e das mãos do Pai, escreveu: 

«É neste Deus que quero acreditar: um Pai que, desde o princípio da criação, abre os braços numa bênção cheia de misericórdia, sem forçar ninguém, mas esperando sempre; sem deixar cair os braços, e esperando sempre que os filhos regressem para lhes poder falar com palavras de amor e para deixar que os braços cansados repousem nos seus ombros. O seu único desejo é abençoar

O pai quer simplesmente que saibam que o amor de que andaram à procura pelas mais variadas vias, esteve, está e sempre estará presente para eles. 

O núcleo do quadro de Rembrandt são as mãos do pai... Nelas, a misericórdia faz-se carne; nelas se reúnem o perdão, a reconciliação e a cura e, por meio delas, encontram descanso não só o filho cansado, mas também o ancião-pai. »

Uma das mais belas passagens do livro acontece quando Henri Nouwen medita mais profundamente sobre o significado da imagem do manto vermelho: «Com a sua cor cálida e a forma curva oferece um lugar de acolhimento onde dá gosto estar. Sugere as asas protetoras de um passarinho-mãe. Lembrava-me das palavras de Jesus sobre o amor materno de Deus: «Ó Jerusalém, Jerusalém... Quantas vezes quis reunir os teus filhos, como a galinha acolhe os seus pintainhos sob as suas asas, e tu não quiseste!» (Mateus 23, 37-38).

E assim, sob a figura de um velho patriarca judeu, emerge também um Deus maternal que recebe o seu filho em casa.

Agora, quando olho de novo para o ancião de Rembrandt inclinado para o filho recém-chegado e que lhe toca nos ombros com as mãos, começo a ver que não é só o pai que «aperta o filho nos braços», mas a mãe que acaricia o seu menino, o envolve com o calor do seu corpo, o aperta contra o ventre de onde saiu. Assim, «o regresso do filho pródigo» transforma-se no regresso ao ventre de Deus, no regresso às próprias origens do ser e volta a fazer-se eco da exortação de Jesus a Nicodemos: tens que nascer de novo.»

domingo, 20 de março de 2016

A ORAÇÃO

© Foto Miguel Cardoso
Highlands, Scotland

«A oração é como um remanso no curso de um rio; permite parar um momento, decantar as impurezas e ver melhor o que acontece no fundo.» 
[RT Jaime Tatay SJ @JaimeTatay]

quinta-feira, 17 de março de 2016

QUEM RESISTE A UM OLHAR PLENO DE AMOR E TERNURA?


Imagem: Peter's Denial -  Carl Heinrich Bloch, pintor dinamarquês, Séc. XIX

«Os perdões arrogantes geram revolta; os reticentes esmagam; os sem amor não conseguem libertar nem salvar. Só o verdadeiro perdão, fruto de um amor puríssimo, pode fazer brotar uma nascente de vida no coração do infiel e regenerar quem fracassou no amor fazendo-o renascer para ele.

Também para Deus, e antes de mais para Deus, perdoar é amar, amar com um amor tal que faça surgir na escuridão e na impureza da alma um amor inteiramente novo que a purifica, transforma e encaminha para uma perfeição também inteiramente nova.

Pensemos no olhar de Cristo sobre Pedro quando este acabou de negá-lo... Não foi, como toda a certeza, um olhar de censura ou de cólera. Foi, o que é muito mais terrível, um olhar de amor, de amor intenso, exprimindo uma ternura mais solícita, mais calorosa e mais envolvente que nunca.
Pedro não pôde resistir-lhe; partiu-se-lhe o coração e soltaram-se-lhe as lágrimas, ao mesmo tempo amargas e doces. Simultaneamente, pela ação conjugada do olhar de Jesus e do Espírito de Cristo operando nele, um amor novo apoderou-se de todo o seu ser. De tal modo que, poucos dias depois da sua negação, ele ousou afirmar sem hesitações: «Tu sabes que eu sou deveras teu amigo». E Pedro não mente: esse amor novo que o olhar do seu Mestre fez jorrar nele levá-lo-á ao dom da sua vida numa cruz, depois de uma existência passada a pregar às multidões o amor com que Deus nos ama.»

Henri Caffarel, in "Nas Encruzilhadas do Amor"

domingo, 13 de março de 2016

Parafraseando José Tolentino Mendonça:
A maior parte do tempo, aquilo que nos falta é dar de comer e beber, é vestir, é ir visitar, é ir ver, é hospedar o estrangeiro, é isso que verdadeiramente nos falta.

quinta-feira, 10 de março de 2016

NO CENTRO, OS QUE SOFREM


«No centro da religião de Jesus não está um Livro ou uma Lei, mas as Pessoas, concretas, situadas, magoadas, com as suas dores e deficiências. No centro, os que sofrem. (...)
É por isso que não me convence nenhuma "fé" que não humaniza os crentes dela. Não me convence nenhum "culto" que não torna mais amáveis os seus cumpridores. Porque estou rendido a Jesus, e uma vida como a dele é que me convence. Só o que é Humano é digno de fé. Até Deus.»
Rui Santiago Cssr, in Ora Vê

domingo, 6 de março de 2016

UMA VIDA BEM-AVENTURADA

«Através de Jesus sabemos que Deus é bom e nos ama. 
Não necessitamos de saber muito mais.» 
[Karl Rahner]

Se vivermos seduzidos pela Bondade de Deus, se confiarmos sem reservas, que a Sua Vontade coincide sempre com nosso bem; se nos entregarmos inteiros ao Seu Amor absoluto e incondicional, a nossa vida será bem-aventurada.

quarta-feira, 2 de março de 2016


«O que de mais elementar está em jogo, desde o início, é a graça de confiar que se é amado. E a perdição, a dúvida de o ser.»

 [Pe. José Frazão, in A Fé Vive de Afeto]