sábado, 31 de outubro de 2015

A FONTE DO PERDÃO

«Deus é a fonte e o mestre do perdão, e é à sua imagem e semelhança que aprendemos a perdoar (…)

O que dizemos acerca de Deus são sempre aproximações. Porque, verdadeiramente, só sabemos o que Deus é, tornando-nos naquilo que Deus é. Ora, o perdão é um dos lugares de excelência, onde experimentamos aquilo que Deus é. (...)

A única coisa que Deus nos pede é que nos lembremos do perdão.

O perdão não é uma coisa que eu crio em mim. É uma coisa que eu deixo Deus fazer em mim. Deixar que Deus venha à minha história e que a sua lógica se faça minha. Para conseguir perdoar, eu tenho de abrir a minha relação com o outro à presença de um terceiro que é Deus. E tentar que seja, de facto, a maneira de ver de Deus aquilo que predomina. »

José Tolentino Mendonça, in Pai-nosso que estais na terra

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

UM AMOR SEM MEDIDA

«Só percebe a necessidade do perdão quem experimenta a força extraordinária do Amor. Quem descobre como Deus esteve sempre a seu lado, como Deus o abraçou quando esteve caído, como Deus o vai conduzindo a uma maior fortaleza, a um maior compromisso de Amor. (...)


Perante as marcas do desamor em nós, os arranhões da ofensa, as ruturas do sofrimento, só o excesso de amor (e o perdão é isso, um excesso de amor) pode restabelecer a unidade da imagem e semelhança de Deus em nós. Só o excesso de Amor permite compreender o perdão. Este perdão imprevisível, este perdão sem condições nem medida, este perdão capaz de nos fazer levantar.»

José Tolentino Mendonça, in Pai-nosso que estais na terra

domingo, 25 de outubro de 2015

EXERCÍCIO DE ESPERANÇA

«Precisamos de alguém que nos olhe com esperança

Miguel Ângelo dizia que as suas esculturas não nasciam de um processo de invenção, mas de libertação. Ele olha­va para as pedras toscas, completamente em bruto, e conseguia ver aquilo em que se podiam tornar. Por isso, ao descrever o seu ofício, o escultor explicava: «O que eu faço é libertar.» 

Estou convencido que as grandes obras de criação (também a da criação e da recriação do Ho­mem) nascem de um processo semelhante, para o qual não encontro melhor expressão do que esta: exercício de esperança. Sem esperança só notamos a pedra, o carácter tosco, o obstáculo fatigante e irresolúvel. É a esperança que entreabre, que faz ver para lá das duras condições a riqueza das possibilidades ainda escondidas. A esperança é capaz de dialogar com o futuro e de o aproximar. A nossa existência, do princípio ao fim, é o resultado de uma profissão de fé.»

José Tolentino Mendonça, in Pai-nosso que estais na terra

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

A VONTADE DE DEUS

«Qual é a vontade de Deus? A vontade de Deus é o Amor. O nosso único dever é o Amor. E, quando a gente diz: «Seja feita a vossa vontade», sabe de antemão que isso significa «Seja cumprido, actualizado, redesenhado o Amor.»


Quando a nossa vontade se abre à vontade de Deus, o amor torna-se a sinfonia silenciosa da vida, a sua exalação humilde e profusa, o seu perfume. (…) Quem ama vive na atenção solícita, tem antenas, sensores, olhos que não se habituam nem conformam ao desamor. Como dizia Fernando Pessoa, «triste de quem está contente».

José Tolentino Mendonça, in Pai-nosso que estais na terra

domingo, 18 de outubro de 2015

«A pobreza é um grande brilho que vem de dentro» 

Rainer Maria Rilke

«No fundo, são as nossas pobrezas, fragilidades, aflições, mansidões, procuras e sedes que dão a substância da bem-aventurança, a matéria da santidade. É naquilo que somos e fazemos, no mapa vulgaríssimo de quanto buscamos, na humilde e mesmo monótona geografia que nos situa, na pequena história que dia a dia protagonizamos, que podemos ligar a Terra e o Céu. Falar de santidade em chave cristã passou a ser isso: acreditar que a humanidade do homem se tornou morada do divino de Deus.»

José Tolentino Mendonça, in Pai-nosso que estais na terra

Nada é grave...

"Nada é grave, a não ser perder o amor." [Irmão Roger de Taizé]