segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A GRAÇA MAIOR

«Tenho para mim que a Graça maior que nos pode acontecer na vida é percebermos que, o que nos salva não é a ambição. Nem o ter. Nem o poder! Muito menos o comprar! (...)

ter/ser coração de pobre é viver vazio e liberto de si mesmo para, alegremente e com leveza poder debruçar-se sobre o outro, ser dom para ele e… receber-se de volta, inteiro…

É aprender a dar Graças por não ter. Um não ter que seja uma porta aberta para a generosidade e para a presença gratuita de inimagináveis irmãos que, ao visitarem-nos a vida, ficam a fazer parte dela de modo irrecusável e reciprocamente agradecido.

Quanta falta ISSO faz ao homem moderno, que habita as nossas cidades, que enche de empurrões, desalentos, angústias e triste abandono o Metro e os transportes públicos… Só quem não os costuma usar é que não dá por isso… Quantos olhos tristes e desabitados! Sem sombra de Gente dentro deles…»

Podem ler o texto completo em:http://derrotarmontanhas.blogspot.pt/2014/09/os-espertos-os-ricos-e-os-totos.html

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

ACREDITAS NA VIDA ANTES DA MORTE?


"O verdadeiro problema não é o de saber se viveremos depois da morte, mas o de saber se estamos vivos antes de morrer"

- Marie de Hennezel, in «Morrer de Olhos Abertos»

domingo, 21 de setembro de 2014

A ARTE DE RECOMEÇAR, COMO CRIANÇAS


Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.

Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?

João 3:3-4

«Voltar a nascer não significa regressar ao ponto de partida e começar, outra vez, tudo do zero. A publicidade tenta enganar-nos, garantindo-nos que é possível. Mas a realidade desmascara-lhe a falsidade.
Nicodemos de oitenta anos não voltará a ser Nicodemos de oito. Os ponteiros da vida não param. O que se viveu não se anula, não se apaga, nem é ideal de vida viver fazendo de conta que se vive. Ao mesmo tempo, o melhor também não é necessariamente o que ficou para trás, tal como a pele lisa do bebé e as suas mãos mimosas não são mais belas do que o rosto enrugado ou as mãos deformadas de um ancião. A beleza da vida também se diz nas marcas que assinalam o corpo, este lugar de memória. (...)

Se, como disse alguém, «o verdadeiro paraíso não é, nunca é [...] aquele perdido, mas o reencontrado», o verdadeiro nascimento será aquele que não cessa de gerar e de trazer à vida. Da velhice do coração e da mente, à infância do afeto e da imaginação. Da rigidez e do torpor dos gestos, ao estilo de vida leve e gracioso. Da conquista, a todo o custo, da terra e do céu, do tempo e dos lugares, do conhecimento das coisas e do apreço dos demais, ao reconhecimento feliz de que «a rosa é sem porquê, floresce porque floresce», «não se preocupa consigo mesma, não procura nada ser vista», como disse tão bem A. Silesius.

A infância desejável tem que ver com este ambiente vital das coisas simples, o colo materno da confiança, a experiência de ser acolhido, acudido e, por isso, de poder arriscar o caminho do bem, de ousar viver bem, não sem uma certa ingenuidade e espírito lúdico, precisamente, da criança.
Tão gratos e tão implicados, chegaremos, assim, a nascer, não cessando de renascer pela vida que se aceita, uma e outra vez, receber-se de outro. Adultos, reaprenderemos a arte de recomeçar, como crianças.»

Pe. José Frazão Correia, sj