quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Há vidas, vivências e palavras que são testemunho fiel e próximo da nossa caminhada pessoal...

"Tarde te amei,
beleza tão antiga e tão nova, 
tarde te amei. (...)
Tu estavas comigo e eu não estava contigo. (...)
Chamaste, e clamaste, e rompeste a minha surdez;
brilhaste, cintilaste, e afastaste a minha cegueira;
exalaste o teu perfume, eu aspirei e suspiro por ti;
saboreei-te, e tenho fome e sede;
tocaste-me, e abrasei-me no desejo da tua paz. " (Sto. Agostinho, em "Confissões")

«Eu perdi o meu coração no empoeirado caminho deste mundo;
Mas Tu o tomaste em Tuas mãos.
Eu buscava alegria e apenas colhi tristezas;
Mas a tristeza que me enviaste tornou-se alegria em minha vida.
Os meus desejos se espalharam em mil pedaços;
Mas Tu os recolheste e reuniste em Teu amor.
E enquanto eu vagava de porta em porta,
Cada passo meu me estava conduzindo ao Teu portal.»
(Rabindranath Tagore)

«Fizeste-nos, Senhor, para ti, e o nosso coração anda inquieto enquanto não descansar em ti». (Sto. Agostinho, em "Confissões")

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

SE QUISERES...

Se quiseres podes curar-me
e amar tudo em mim, 

amar tudo o que me dói. 


Se quiseres podes tocar-me,
arrancar o meu coração só, e cheio de mim,
e limpar as minhas feridas.

Se eu deixar podes amar-me
e fazer abraços dos meus braços,
fazer caminho dos meus pés.
E com as minhas mãos magoadas…
…arrancar das pedras a alegria.

domingo, 26 de janeiro de 2014

A PAZ DE CORAÇÃO

«Nunca aceitar, no nosso quotidiano, ignorar a paz… A paz não é uma atitude de indiferença perante o mal e a injustiça; não é um tranquilizante diante da história. A paz, a paz de coração, exige-nos uma luta não violenta em favor do que é mais profundo em cada ser humano: a sua dignidade de ser único e irrepetível.» Grão de Mostarda

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

NUNCA DESACREDITAR A ESPERANÇA



«Nunca desacreditar, no nosso quotidiano, a esperança… A desesperança é uma atitude de descrédito para com a vida; conduz-nos ao fatalismo e acomoda-nos à desumanização. 
A esperança é um caminho de decisões atuantes, pequenas luzes nas escuridões da vida, em favor da fraternidade universal.» Grão de Mostarda

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

NASCENTE



"Quando reconhecemos a nascente, transformamo-nos, naturalmente, num rio que vai levando água fresca a tantos lugares." 


Carlos Maria Antunes, em "Só o Pobre se faz Pão"


sábado, 18 de janeiro de 2014

DOM E GRAÇA




"Achar que Deus se utiliza apenas das nossas habilidades, dons e talentos para promover seu Reino é delimitar drasticamente suas ações. Se há algo que Deus usa para manifestar sua graça e amor são os nossos vazios, imperfeições e cicatrizes. É justamente onde há trevas que Ele acende a luz" 

Luciana Leitão

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O MILAGRE DO ENCONTRO


«Quando acontece que, de facto, nos encontremos com alguém, sem termos de provar ou esconder nada, é de um milagre que se trata. Quando as palavras sinceras e os gestos generosos de Jesus se encontram com a desgraça e o desespero do leproso ou da prostituta, do paralítico ou da adúltera, a salvação já acontece. Na capacidade de Jesus de ceder o lugar e de dar a palavra a quem encontra no seu caminho, toda a realidade é tocada e retocada. (...)

A fé em Jesus não é menos do que a restituição de cada um à confiança elementar na existência. Porque, sem esta, não se pode viver senão no medo e na fuga, no ressentimento e na retaliação. (...)

A autenticidade da vida de Jesus restitui à verdade e à autenticidade da existência de cada um. (...) A fé desenha-se existencialmente como reconhecimento grato e assentimento confiado ao Deus-digno-de-confiança, fragilmente revelado como Abbá na história da liberdade que é Jesus de Nazaré.» 

José Frazão Correia, em "A Fé vive de afeto"

domingo, 5 de janeiro de 2014

O DOM DIVINO

«O dom divino se destina a acender uma relação vital de acolhimento grato e de resposta franca, só possível na dádiva livre e no livre reconhecimento. O mais promissor traz consigo a maior fragilidade. Fora de um laço de vida, digno de aceitação e de resposta, Deus não quer ser para nós.
Não se quer impor como se impõem os poderosos (...) Quer ser livremente reconhecido como digno da confiança dos nossos desejos mais profundos e dos nossos afetos mais sinceros. (...)

O acolhimento grato do dom incondicionado que Deus faz de si em Jesus é, assim, o reconhecimento feliz de que o amor é a vida que, desde sempre e para sempre, nos faz viver. É a bênção das origens e o feliz destino das nossas biografias, a vitalidade dos afetos e a força íntima dos laços.
Porque vive de graça e de liberdade (de quem dá e de quem acolhe), a fé é dom frágil, assim como é frágil o modo de o partilhar com outros. (...)

Por isso, o sinal da fé não poderá ser a bandeira triunfante de um irresistível exército em marcha, mas, sim, o gesto desarmante do Filho que dá a vida, dando-se até à morte de cruz. (...)
O único recurso acessível à transmissão da fé é a fragilidade do testemunho. Tão arriscado. Tão desprendido. Graças a Deus.»

José Frazão Correia, em "A Fé vive de afeto"

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

A CORAGEM DOS RECOMEÇOS


«Dá-nos Senhor, a coragem dos recomeços.

Mesmo nos dias quebrados faz-nos descobrir limiares límpidos.
Não nos deixes acomodar ao saber daquilo que foi: dá-nos largueza de coração para
abraçar aquilo que é. Afasta-nos do repetido, do juízo mecânico
que banaliza a história, pois a desventra de qualquer surpresa e esperança.
Torna-nos atónitos como os seres que florescem.
Torna-nos inacabados como quem precisa e deseja e antecipa um amanhã.
Torna-nos confiantes como os que se atrevem a olhar tudo, e a si mesmos,
com o encanto e a disponibilidade de uma primeira vez.»

José Tolentino de Mendonça

Nada é grave...

"Nada é grave, a não ser perder o amor." [Irmão Roger de Taizé]