quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O AMOR É MAIS FORTE QUE TUDO

- Papai…!
- O que foi, filha?
- Estou com medo…
- Medo de quê?
- De monstros!
- Monstros?
- É… Eles estão aqui!
- Filhinha… Deixa eu te dizer uma coisa: onde existe amor não há lugar para monstros. Os monstros têm medo do amor. O amor é maior que os monstros. O amor é maior que tudo. E você é muito amada, minha flor.
- Quer dizer que onde não tem amor os monstros vêm?
- É, querida, você disse uma grande verdade… Onde não há amor nossos monstros, nossas feras, nossos demônios aparecem, entram e fazem moradas.
A essa altura do meu discurso metafísico sobre as implicações do conflito apocalíptico entre os monstros que habitam a imaginação fértil de minha filha recém-adotada e o amor, meus olhos, encarando-a com toda a ternura do mundo se encheram de lágrimas, enquanto os seus, verdes e claros como o mar de Natal, sorriram pra mim, ante a constatação de que o amor estava presente ali entre nós, que os monstros haviam se dissipado todos como fumaça, e que era hora de dormir na mais profunda paz de criança.Nosso breve tratado filosófico-teológico se encerrou num abraço apertado (de ambos), molhado (por minhas lágrimas) e cheio desse mesmo amor de que falamos.

…estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demónios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do AMOR…
Carta de São Paulo aos Romanos, capítulo XVIII

Fonte: Jorge Camargo

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

SENHOR DO IMPOSSÍVEL

"Tornamo-nos verdadeiramente cristãos quando descobrimos que Deus é o senhor do impossível e que precisamos do Espírito Santo para fazer o que não podemos fazer por nós próprios.

A vida do discípulo é ir até ao fim, até que se torne impossível e descobrir então que Deus pode tornar possível o impossível."

Jean Vanier, em "A Fonte das Lágrimas"

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O SERMÃO DO MONTE

«A maior parte das pessoas lê a Bíblia como se ela fosse um código moral revestido de autoridade sagrada, um conjunto de prescrições cuja estrita observância deveria nos assegurar uma existência isenta de culpa. Bela utopia, na verdade! 
Mas como a Bíblia não pode ser obediência em todos os seus detalhes, nasce um desespero, uma angústia neurótica de cometer algum sacrilégio, uma culpa que não encontra solução. (...)

O sentido do Sermão do Monte não será o de uma receita para se libertar da culpa por uma conduta meritória. Muito pelo contrário. É a palavra que abala, que sacode, que convence de morte aquele que não perjurou; de adultério aquele que não o cometeu; de ódio aquele que vangloriou de amor, e de hipocrisia aquele que era conhecido por sua piedade.Como se vê, é totalmente o contrário de um código moral; pode-se muito mais compará-lo com um diálogo socrático sobre a impotência do homem em atender à virtude autêntica e assim se justificar por sua conduta impecável.»

Paul Tournier, em "Culpa e Graça"