domingo, 30 de janeiro de 2011

REGRESSA SEMPRE AO PONTO SÓLIDO

«Tens que acreditar na resposta afirmativa que te é devolvida quando perguntas «Amas-me?» Deves escolher este sim mesmo quando não o sentes.

Sentes-te esmagado por distracções, fantasias, pelo perturbante desejo de te lançares no mundo do prazer. Mas sabes de antemão que não será aí que vais descobrir uma resposta para a tua dúvida mais profunda. Tal como essa resposta não está em voltar a analisar minuciosamente acontecimentos passados ou na culpa ou recriminação. Tudo isso apenas contribui para te exaurir e fazer abandonar a rocha sobre a qual está construída a tua casa.

Tens de confiar nesse ponto sólido, no local onde podes dizer sim ao amor de Deus mesmo quando não o sentes. Neste momento nada sentes a não ser vazio e falta de força para escolher. Mas continua a repetir «Deus ama-me e o amor de Deus basta».
Tens que escolher uma e outra vez esse local sólido e regressar a ele após cada fracasso.

Henri Nouwen, A Voz Íntima do Amor

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

CORAÇÃO DE ÁGUIA




«Considero-me como débil passarinho coberto de leve plumagem. Não sou águia; só tenho dela os olhos e o coração, mas apesar da minha extrema pequenez, atrevo-me a olhar fixamente para o Sol divino, o Sol do amor, e o meu coração sente em si todas as aspirações da águia. 
O passarinho quisera voar até esse brilhante sol que fascina seus olhos. Que será dele? Morrerá de dor vendo-se impotente? Oh não! O passarinho nem sequer chega a afligir-se. Com um abandono audaz quer continuar a olhar fixamente para o seu divino sol. Nada o assusta, nem o vento nem a chuva. Se nuvens escuras vêm ocultar o Astro do Amor, o passarinho não muda de lugar; sabe que além das nuvens o seu Sol continua a brilhar, que o seu esplendor não poderá eclipsar-se nem um só momento» (1)
Somos apenas um pardal, mas temos coração de águia. Este é o mistério terrível e contraditório do homem: sentir-se, ao mesmo tempo, pardal e águia; ter um coração de águia e asas de pardal.

Que fazer? Sei que não posso voar tão alto. Nem tentarei. Nem sequer baterei as asas; entregar-me-ei às asas do vento; o vento é Deus. O resto fá-lo Ele. Sei que sou um pardal, mas sei também que, com uma grande paz, me entrego a Deus. Ele pode emprestar-me poderosas asas de águia. Haverá alguma coisa impossível para Ele? 
Sei que sou um montão de ruínas e desolação; mas sei também que, se me entrego a Deus, Ele pode transformar-me numa mansão deslumbrante. Ele é Poder e Graça.» 
Ignacio Larrañaga, em "Mostra-me o Teu Rosto"
(1) Santa Teresa do Menino Jesus

domingo, 23 de janeiro de 2011

AMAS-ME?

A afirmação simples «Deus é Amor» tem implicações de longo alcance a partir do momento em que começarmos a viver a nossa vida baseados nessa afirmação. Se Deus, que me criou, é amor e só amor, sou amado mesmo antes que qualquer ser humano me ame.

Quando era criança, perguntava constantemente ao meu pai e à minha mãe: «Gostas de mim?» Fazia esta pergunta tão frequente e persistentemente que se tornou uma fonte de irritação para os meus pais. Embora me garantissem centenas de vezes que me amavam, eu nunca parecia completamente satisfeito com as suas respostas e continuava a fazer-lhes a mesma pergunta. Agora, muitos anos depois, compreendo que pretendia uma resposta que eles não me podiam dar. Eu queria que eles me amassem com um amor eterno. E sei que o caso era esse, porque a minha pergunta «Gostas de mim?» era sempre acompanhada duma outra pergunta. «E tenho que morrer?» De alguma forma, já devia saber na altura que, se os meus pais me amassem com um amor total, ilimitado e incondicional, nunca morreria. Por isso mesmo, continuava a importuná-los com a estranha esperança de eu constituir uma excepção à regra que diz que toda a gente há-de morrer um dia.

Muita da nossa energia está resumida na pergunta: «Amas-me?,... Gostas de mim?» 
À medida que envelhecemos, vamos desenvolvendo muitas maneiras mais subtis e sofisticadas de fazer esta pergunta. Dizemos: «Confias em mim, preocupas-te comigo, aprecias-me, és-me fiel, apoias-me, dirás bem de mim?»... e assim por diante. 
Muita da nossa dor vem da nossa experiência de não ter sido bem amados.

O grande desafio espiritual é descobrir, com o passar do tempo, que o amor limitado, condicional e temporal que recebemos dos pais, cônjuges, filhos, professores, colegas e amigos, é um reflexo do amor ilimitado, incondicional e eterno de Deus.

Se conseguirmos dar esse grande salto de fé, então chegaremos a compreender que a morte já não é o fim mas a entrada para a plenitude do Amor Divino.»

Henri Nouwen, em "Aqui e Agora"

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

UMA DESINTEGRAÇÃO ATÓMICA

«Deus é um risco total. Abrir-se a Deus é dar um salto mortal.

O amor descentra e liberta. Mas é preciso começar por mergulhar. Por saltar da cama tépida e confortável. Quem perde a sua vida, salva-a. Mas importa, primeiramente, aceitar «perder». É indispensável passar por este despojamento doloroso.

Passar do egoísmo para o amor é quase tão violento como uma desintegração atómica. Coisa parecida.

O que constitui a integridade do átomo é ele ser um sistema fechado onde os electrões giram, continuamente, em redor do seu núcleo.
Tudo salta, tudo estremece, tudo se anima, quando um electrão, por virtude dum inaudito dinamismo, se desprende desta ronda infernal, se interessa por um centro que não é o seu e ingressa no circuito de um outro.

Quando nos pomos a amar, quer dizer a preferir à nossa vontade a vontade de alguém que não somos nós, opera-se uma reviravolta psicológica da mesma ordem.

Mas é este o preço da vida eterna. Porque a vida eterna é amor.»

Louis Evely, em "Sofrimento"

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

DEUS É AMOR

«Em que consiste o amor? 
Na reconciliação do homem com Deus em Jesus Cristo. 
A cisão do homem com Deus, com os outros homens,
com o mundo e consigo mesmo,
chegou ao fim. 
A origem é-lhe de novo oferecida. (...)

Ninguém sabe o que é o amor, excepto na auto-revelação de Deus. 
Portanto, o amor é a revelação de Deus.» 


Dietrich Bonhoeffer

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

AMA E VIVERÁS

Já percebeste que para seres feliz e andares alegre só tens um caminho: amar?

Já entendeste até ao mais íntimo de ti próprio que a felicidade está mais em dar do que em receber?

Já assumiste com Cristo que o «mandamento novo» é que liberta e faz feliz?

Ama e viverás.
Ama e serás feliz.
Ama e serás santo.

Entra nesse mistério de dar sem esperar recompensa,
de amar sem ser amado,
de saíres de ti na entrega total e generosa.
Faz, age, concretiza o amor.

Esquece-te de ti,
não te centres no teu eu,
no teu problema, na tua doença, na tua «tragédia em copo de água».
Abre-te aos outros.
Abre-te ao amor.
Sê homem ou mulher de coração aberto.

Sentirás cansaço, porventura repugnância,
sentirás medo,
sentirás às vezes quase revolta quando os outros
não sentem o teu dom,
não agradecem, não retribuem.
É aí que tu és cristão ou cristã a sério.
Não desanimes.
Só o amor é caminho de santidade, de felicidade.
E não desistas nunca de amar,
mesmo quando não sentes o fruto concreto desse amor.

Que a tua única resposta,
a tua «vingança» seja amar mais, amar melhor,
lançar-te ainda mais a um amor mais forte.

Dário Pedroso, s.j., em "Sinfonias do amor"

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O AMOR NUNCA ME FALHARÁ...



Rain or shine
This street of mine is golden
Rain or shine
This street of mine is golden
Rain or shine
This street of mine is golden

With the gold of hickory leaves
I can walk under these clouds
Rain or shine
This street of mine is golden

God is love
And love will never fail me
God is love
And love will never fail me

If I'm driving there today
And I really am this afraid
God is love
And love will never fail me

Some birds I know are moving on this weekend
Some birds I know are moving on this weekend
And I'm under the sky, I am on the ground, with my coat
Some birds I know are moving on this weekend

God is love
And love will never fail me
God is love
And love will never fail me

And some days I will decide
To let everything else go by
God is love
And love will never fail me
Love will never fail me

sábado, 1 de janeiro de 2011

FELIZ ANO NOVO!

Feliz aquele que cedo se levanta para procurar a Sabedoria
Encontra-a sentada à sua porta


Feliz aquele que se consagra ao inútil e ao gratuito
Entra na liberdade na casa de Deus


Feliz aquele que perde o tempo de simplesmente existir
Encontra o Autor do sétimo dia


Feliz aquele que mergulha nas raízes do seu ser
Sente a Fonte a brotar em si


Feliz aquele que se reconhece mendigo de Absoluto
Dá o nome à fome do seu grito


Feliz aquele que descobre o seu rosto interior
Tropeça na alegria


Feliz aquele que até esquece os seus pecados
Conhece o repouso do Amor


Feliz aquele que olha o outro como Deus o vê
Torna-se aquilo que contempla

Jacques Gauthier