domingo, 28 de novembro de 2010

TORNAR-SE CRISTÃO

«Tornar-se cristão não é garantia de um prémio individual; não é a reserva privada de um bilhete de entrada no Céu, que nos permite olhar de cima para os outros e afirmar: «Tenho o que os outros não têm».
Tornarmo-nos cristãos não é algo que nos seja dado, para que nós, individualmente, o introduzamos num qualquer sistema e nos distanciemos dos outros, a quem isso não foi dado. Não: de certa forma, uma pessoa não se torna cristã para si própria, mas para o todo, para os outros, para todos. (...)

Tem de nos ser suficiente saber, na fé, que nós, ao nos tornarmos cristãos, nos colocamos à disposição para a prestação de um serviço para o todo. Desta forma, tornarmo-nos cristãos não é sinónimo de agarrar qualquer coisa só para nós; pelo contrário, significa deixar de lado o egoísmo, que só se conhece a si próprio e que só pensa em si próprio, e assumir a nova forma de existência daqueles que vivem uns para os outros. (...)

Ser cristão é essencialmente, e em primeira linha, a libertação do egoísmo daquele que vive só para si e o mergulho na grande orientação básica do estar à disposição dos outros. (...)

No fim, o movimento essencial da cristandade não é mais do que o movimento essencial do amor, no qual participamos no amor criador do próprio Deus

Joseph Ratzinger, em "Do sentido de ser cristão"

CONFIAR EM DEUS

«A nossa confiança em Deus pode ser reconhecida
quando se exprime no dom simples das nossas vidas:
é acima de tudo quando é vivida que a fé se torna credível e se comunica.»
Irmão Roger, de Taizé, em "Em tudo a paz do coração"

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O ESPÍRITO INEXTINGUÍVEL

“A Sagrada Escritura é como um ser humano. O Antigo Testamento é o corpo, o Novo Testamento é a alma, e o sentido do que ali está é o espírito.
De um outro ponto de vista, podemos dizer que toda a Escritura sagrada, Antigo e Novo Testamento, tem dois aspectos: o conteúdo histórico, que corresponde ao corpo, e o sentido profundo, o objetivo a que devemos aspirar, e que corresponde à alma. Se pensamos nos seres humanos, vemos que eles são mortais em seu aspecto visível, mas imortais em suas qualidades invisíveis. Assim é a Escritura. Ela contém a letra, o texto visível, que é transitório. Mas também contém o espírito escondido por trás da letra, e esse não se extingue nunca, e deveria ser o objeto da nossa contemplação”.

São Máximo Confessor

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O FILHO DO AMOR

"Ao dar-se conta de que havíamos esquecido nossa própria história, Deus enviou-nos Jesus como a personificação do amor.
O Filho veio para revelar o carácter do Pai e para nos levar de volta ao Pai, ou seja, de volta para o amor. (...)
Jesus veio a este mundo para nos levar de volta ao Amor.
Ele veio a este mundo para protagonizar a maior história de amor do mundo. Mas é óbvio que isso não foi feito por simples decreto.
Ele, o Filho do Amor, veio a este mundo para nos revelar que o amor é o nosso destino, a nossa cura e nossa realização.
Ele veio para revelar o Amor Perfeito que tanto desejamos e ao qual pertencemos. E Ele veio para nos mostrar como nossa entrega total ao amor deve ser feita."

David G. Benner, em "A Entrega Total ao Amor"

domingo, 21 de novembro de 2010

CONVIDAR E ACOLHER JESUS

Quando se aproximaram da aldeia para onde iam, fez menção de seguir para diante. Eles, porém, insistiam com Ele, dizendo: Fica connosco; porque é tarde, e já declinou o dia. E entrou para ficar com eles.» (Lc 24, 28-29)

«Estamos mais inclinados a pensar que é Jesus quem nos convida a partilhar a sua casa, a sua mesa, a sua refeição. Jesus, porém, quer ser convidado. Se não o for, prosseguirá viagem, em busca de outros lugares.
É muito importante percebermos que Jesus nunca nos força a aceitar a sua presença. A menos que nós o convidemos, continuará a ser um estranho, possivelmente um estranho muito atraente e inteligente, com quem podemos ter entabulado um diálogo interessante, mas que não deixa de ser um estranho...Sem um convite, que é expressão do desejo de uma relação perdurável, a boa notícia que ouvimos não poderá dar frutos duradouros...
Só mediante um convite a «fica comigo» um encontro interessante se pode transformar numa relação transformadora.

Jesus é uma pessoa muito interessante; as suas palavras são cheias de sabedoria. A Sua presença aquece o coração. A sua bondade e doçura tocam-nos profundamente. A Sua mensagem constitui um forte desafio.
Mas será que nós O convidamos para nossa casa? Porventura queremos que Ele venha conhecer-nos entre as paredes da nossa vida mais íntima? Porventura queremos apresentá-Lo a todas as pessoas com quem vivemos? Porventura queremos que Ele nos veja na nossa vida quotidiana? Queremos que Ele nos toque nos pontos em que somos mais vulneráveis? Porventura queremos que Ele entre na arrecadação de nossa casa, nessas divisões que nós próprios preferimos manter seguramente fechadas à chave? Desejamos verdadeiramente que Ele fique connosco quando vai caindo a noite e o dia já está no ocaso?»

Henri Nouwen, em "Não nos ardia o coração?"

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Deus ama-te apaixonadamente, tal como és. (...)
O Senhor é um Deus apaixonado por ti.
Deus é amor e não pode, não sabe, não é capaz de fazer outra coisa
senão amar-te, gostar de ti,
querer-te bem. (...)

O Senhor ama-te porque Ele é bom,
porque é amor.
Não está à espera que tu sejas anjo ou santo para te amar.
Ele sabe que és barro, que és frágil e por isso te ama,
te quer bem.
Não duvides deste amor e abre-te a Ele. (...)

Recorda o que o Senhor disse a Catarina de Sena:
«faz-te receptiva e Eu serei torrencial».
Aprende a ser receptivo,
aprende a ter um coração pobre, despojado e humilde,
e o Senhor será, em ti, torrencial,
encher-te-á, mais e sempre mais, do seu amor. (...)

Deixa Deus ser Deus,
deixa Deus amar-te, abraçar-te, beijar-te,
acariciar-te como faz o Pai do pródigo.
Não fujas, não recues, não te afastes,
não coloques obstáculos.
Deixa-te amar por Deus. (...)

Antes de pensares nos teus pecados,
contempla o amor que Deus tem por ti,
antes de olhares as tuas misérias,
descobre a ternura amorosa do teu Deus. (...)
Convence-te, cada dia sempre mais,
que Ele não é capaz de deixar de te amar. »

Dário Pedroso, s.j. , em "Sinfonias do Amor" (adaptado)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O Céu

" O Céu é o contacto do ser do homem com o ser de Deus,
o encontro íntimo de Deus e do homem."

François Varillon, s.j. , em "Alegria de Crer e Viver"

domingo, 14 de novembro de 2010

A PAZ DO CORAÇÃO

«O coração alcança paz quando,
depois de ter sido ferido ou humilhado,
confia a Deus, sem hesitar um instante sequer,
aqueles que o feriram ou maltrataram.»

Irmão Roger, de Taizé, em "Em tudo a paz do coração"

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O In-comparável

"Deus nunca será propriamente um objecto de inteligência, porque nada há na mente que não haja previamente passado pelos sentidos. Como não pode ser objecto directo de inteligência, o Senhor é, em compensação, objecto de fé. Só na fé Ele pode «ser entendido» cabalmente. (...)

Deus «entende-se» de joelhos: assumindo-O, acolhendo-O, vivendo-O. (...)
O difícil e necessário é deixar-se conquistar por Ele. (...)
O verdadeiro crente entrega-se na escuridão e só então começa a entender o mistério e nasce a certeza.


Deus é completamente diferente das nossas ideias, conceitos e preconceitos, representações e imagens. Diz Santo Agostinho:

«Julgas saber o que é Deus? Julgas saber quem é Deus? Não é nada do que imaginas, nada do que o teu pensamento abarca.
Ó Deus que estás acima de todo o nome, acima de todo o pensamento, para além de qualquer ideal e de qualquer valor, ó Deus vivo.»


O Senhor é muito maior, muito mais admirável e magnífico que tudo o que possamos conceber, sonhar, desejar, imaginar. Realmente Ele é o In-comparável.

Deus só se assume na fé. Mais do que objecto de inteligência, é objecto de contemplação.


Na noite profunda da fé, quando a alma, como terra cega e sedenta se abre docilmente à acção divina e acolhe o Mistério Infinito como chuva mansa que cai e inunda e fecunda..., só assim, entregues, receptivos, começaremos a «entender» o Ininteligível.»

Ignacio Larrañaga, em "Mostra-me o Teu Rosto"

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O Homem

«Com o facto da Encarnação renunciou a todas as vantagens de ser Deus e submeteu-se a todas as desvantagens de ser homem...

...Aceitou-se a si mesmo como homem; e aceitou-se sem evasões nem compensações, sem recorrer à Sua divindade para utilidade própria; fê-lo sim, mas para utilidade dos outros. Foi totalmente fiel ao homem.
Nunca «atraiçoou» a Sua condição humana.
Tudo isso está expresso quando a Escritura diz que Jesus «desceu» até à condição de servo, feito igual a qualquer homem (Flp. 2, 5 ss).»

Ignacio Larrañaga, em "Mostra-me o Teu Rosto"

domingo, 7 de novembro de 2010

ENTREGA

"O explorador do fundo do mar ou o astronauta,
na sua nave espacial,
lançam-se à aventura em nome da ciência.
Quando tu deixares tudo por amor a Deus,
talvez arriscando todo o teu ser por Ele,
então a autenticidade da tua vida interior tornar-se-á evidente aos olhos dos outros."

Francisco Xavier Nguyen Van Thuan

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

IMPELIDOS PELO AMOR

"Não digas: «Perdi a inspiração.»
Por que haverias de trabalhar sob inspiração?
O trabalho de Deus não é de modo algum equiparável à criação poética.
Trabalha, impelido pelo amor e pela certeza de que nunca perderás o amor de Deus."

Francisco Xavier Nguyen Van Thuan

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

COMO AS CRIANCINHAS


«As crianças a brincar juntas mostram-nos a alegria de estarem juntas, assim..., nem mais nem menos.
Um dia, quando eu estava muito ocupado a entrevistar uma artista que admirava bastante, a sua filhinha de cinco anos disse-me: «Fiz um bolo de aniversário com areia. Agora tem de vir e fingir que o está a comer e que gosta dele. Vai ser divertido!»
A mãe sorriu e disse-me: «É melhor você brincar com ela antes de falar comigo. Talvez ela tenha mais a ensinar-lhe do que eu.»

A alegria simples e directa duma criança recorda-nos que Deus se manifesta nos lugares onde há sorrisos e até risadas. Os sorrisos e as risadas abrem as portas do reino. Eis por que Jesus faz um apelo a que nós sejamos como crianças.»

Henri Nouwen, em "Aqui e Agora"