quinta-feira, 29 de abril de 2010

COMO AMEI?

Mateus dá-nos uma descrição clássica do Juízo Final:
o Filho do Homem senta-se num trono, e separa, como um pastor, os cabritos das ovelhas.
Neste momento, a grande pergunta do ser humano não será:"Como vivi?"
Será, isso sim: "Como amei?"
O teste final de toda busca da Salvação, será o Amor.
Não será levado em conta o que fizemos, em que acreditámos, o que conseguimos.
Nada disso nos será pedido. O que nos será pedido: será a maneira de amar o próximo.
Os erros que cometemos nem sequer serão lembrados.
Seremos julgados pelo bem que deixamos de fazer.
Pois manter o Amor trancado dentro de si é ir contra o Espírito de Deus, é a prova de que nunca O conhecemos, de que Ele nos amou em vão, de que Seu Filho morreu inutilmente.
Deixar de Amar significa dizer que Deus jamais inspirou os nossos pensamentos, as nossas vidas, e que nunca chegámos junto Dele o suficiente para sermos tocados pelo seu deslumbrante Amor. Significa que: "eu vivi por mim mesmo, pensei por mim mesmo, por mim mesmo, e ninguém mais como se Jesus jamais tivesse vivido, como se Ele jamais tivesse morrido."

É diante de Deus que as nações do mundo serão reunidas. É na presença de todos os outros homens que seremos julgados. E cada homem julgar-se-á a si mesmo. Ali estarão presentes aqueles que encontramos e ajudamos. Ali também vão estar aqueles que desprezamos e negamos. Não há necessidade de chamar qualquer Testemunha, pois a nossa própria vida se encarregará de mostrar, na frente de todos, o que fizemos.
Nenhuma outra acusação - além da falta de Amor - será proferida.

Não se enganem; as palavras que neste Dia ouviremos não virão da teologia, não virão dos santos, não virão das igrejas.
Virão dos famintos e dos pobres.
Não virão dos credos e das doutrinas.
Virão dos desnudos e desabrigados.
Não virão das Bíblias e dos livros de orações.
Virão dos copos de água que damos ou deixamos de dar.

Quem é Cristo?
É aquele que alimentou os pobres, vestiu os nus, e visitou os doentes.Onde está Cristo?
"Todo aquele que receber uma criancinha destas em meu nome, também me recebe."E quem está com Cristo?
Aquele que ama.
"O Dom Supremo", Henry Drummond

terça-feira, 27 de abril de 2010

O QUE É QUE ME VALORIZA?

Todas as pessoas têm o seu valor, porque são criaturas de Deus. (...)

Valoriza-me o facto de ser humano, de ter sido criado por Deus e por Ele escolhido.
E valoriza-me o facto de existir em mim qualquer coisa que pertence apenas a mim.
Ninguém sente as coisas da mesma maneira que eu.
Ninguém fala da mesma maneira que eu.
Ninguém respira da mesma maneira que eu.
Não devo ver o meu valor apenas naquilo que eu consigo fazer.
As minhas capacidades fazem parte do meu valor, mas não o esgotam. Apenas têm valor como parte da minha pessoa, que é única, e em que o próprio Deus se revela. (...)

O valor e a dignidade das pessoas consiste no facto de Deus ter criado o Homem à sua imagem e semelhança.
No ser humano resplandece, portanto, o rosto de Deus. É essa a mensagem da Bíblia.

Para os cristãos, isso teve, mais uma vez, outro aprofundamento, devido ao facto de Deus ter encarnado em Jesus de Nazaré.
Se acreditarmos nisso, vemos em cada rosto humano o rosto de Jesus Cristo. (...)
O facto de existir em nós uma vida divina, um espírito divino e um amor divino, constitui a mais profunda das nossas dignidades.

Anselm Grün, em "O Livro das Respostas"

domingo, 25 de abril de 2010

ESPIRITUALIDADE NO DIA A DIA

«O caminho da espiritualidade tem de conduzir ao quotidiano. Consiste simplesmente em fazer aquilo que é «necessário», aquilo que devo fazer no momento, aquilo que devo a mim e ao meu ser, aquilo que devo ao outro e aquilo que devo a Deus. (...)

A espiritualidade tem de ser uma coisa concreta. Esta revela-se na configuração do dia, através de rituais curativos. Revela-se num relacionamento amável com os seres humanos, na disponibilidade para ajudar quando os outros precisam do meu trabalho, e numa ocupação em que sirvo as pessoas e não a minha própria imagem.

O facto de um ser humano ser espiritual ou não é uma coisa que, segundo São Bento, conseguimos ler sempre no seu quotidiano: na sua maneira de lidar com as pessoas, como organiza o seu tempo e, não menos importante, como lida consigo próprio. Torna-se assim evidente se ele faz girar tudo à sua volta ou, em última análise, à volta de Deus.

Para São Bento, o objectivo de toda e qualquer espiritualidade é «que Deus seja glorificado em tudo». E, na sua regra, ele coloca este princípio precisamente num prosaico capítulo sobre os artíficies. A forma como trabalham e como lidam com o produto do seu trabalho é decisiva para avaliar se se deixam conduzir por cobiça ou avidez, ou se estão preocupados com a glorificação de Deus.»

Anselm Grun, em "O Livro das Respostas"

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A BELEZA VEM DO AMOR


«A beleza vem do amor.
O amor vem da atenção.
A atenção simples ao simples,
a atenção humilde aos humildes,
a atenção viva a todas as vidas...
Beleza é algo de que Cristo nunca fala.
Só lida com ela,
mas dando-lhe o seu verdadeiro nome: o amor.
A beleza vem do amor,
como o dia vem do sol,
como o sol vem de Deus,
como Deus vem de uma mulher esgotada pelo parto.»
Christian Bobin, em "Um Deus à Flor da Terra"

terça-feira, 20 de abril de 2010

NA CASA DE DEUS

«Na casa de Deus há muitas moradas. Há lugar para todos - um lugar único e especial. Se acreditarmos profundamente que somos preciosos aos olhos de Deus, então seremos capazes de descobrir também a valia dos outros e o lugar único que ocupam no coração de Deus.
Não é possível entrar em competição para ver quem é que ganha o amor de Deus. O amor de Deus é um amor que abraça a todos - cada um na sua própria unicidade. Só quando reivindicamos o nosso lugar no amor de Deus é que podemos experimentar o abraço total desse mesmo e incomparável amor e sentirmo-nos em segurança, não só em relação a Deus mas também em relação a todos os irmãos e irmãs.»

Henri Nouwen, Viver é ser amado

domingo, 18 de abril de 2010

AMA EM PROFUNDIDADE

«Não hesites em amar e amar profundamente. Talvez receies o sofrimento que o amor profundo pode causar. Quando aqueles que amas profundamente te rejeitam, abandonam ou morrem ficas com o coração despedaçado. Mas que isso não te impeça de amar em profundidade.

O sofrimento que provém do amor profundo torna o teu amor ainda mais profícuo. É como uma charrua que rasga o solo para permitir à semente ganhar raízes e tornar-se numa planta forte.
Sempre que experimentas a dor da rejeição, da ausência ou da morte, enfrentas uma escolha. Podes tornar-te amargo e decidir não amar de novo ou podes enfrentar a tua dor com bravura e deixar que o solo em que permaneces enriqueça e seja capaz de dar mais vida a novas sementes.
Quanto mais tiveres amado e permitido a ti próprio sofrer por esse amor, tanto mais capaz serás de deixar o teu coração alargar-se e aprofundar-se.
Quando o teu amor é verdadeiramente generoso e receptivo, aqueles que amas não deixarão o teu coração mesmo quando se afastam de ti. Tornar-se-ão parte de ti, construindo então uma comunidade dentro de ti.

Os que amaste profundamente tornar-se-ão parte de ti. Quanto mais longa for a tua vida tantas mais pessoas terás para amar e para fazer parte da tua comunidade interior. Quanto mais vasta se tornar a tua comunidade interior tanto mais fácil será reconheceres os teus próprios irmãos e irmãs entre os desconhecidos que te rodeiam. Os que estão vivos dentro de ti reconhecerão os que estão vivos à tua volta. Quanto mais vasta a comunidade do teu coração tanto mais vasta a comunidade que te rodeia. Assim, o sofrimento causado pelo desprezo, pela ausência e pela morte pode tornar-se frutífero.

Sim, à medida que amas profundamente, o solo do teu coração rasgar-se-á cada vez mais, mas regozijar-te-ás com a abundância dos seus frutos.»

Henri Nouwen, em «A Voz Íntima do Amor»

quinta-feira, 15 de abril de 2010

SE A NOSSA FÉ...

Se a nossa fé
não nos fizer acreditar que o dia de hoje pode ser melhor do que o de ontem;
se não nos arrancar da mesquinhez egoísta que nos esmaga de solidão e morte;
se não nos puxar os braços para os outros, na gratuidade natural de quem respira;
se não fizer com que a poesia desça ao nosso peito e as crianças e velhos bebam luz dos nossos olhos;
se formos secos de ternura e apenas e só prudentes como as serpentes;
se não passarmos de atarefados medricas a fugir, dias fora, da própria sombra;
se faz tremer a verdade e não rói os alicerces à mentira;
se não estrangula o desespero e incendeia a alegria;
se não nos fizer pôr na vida a beleza das palavras que engendramos,
então não é fé, pelo menos não é cristã.


Agarra-nos pelos ombros e diz-nos outra vez: «se a tua fé fosse sequer do tamanho de um grão de mostarda, dirias a esta montanha: vai daqui para ali, e ela iria e nada te seria impossível.»

Henrique Manuel, em "Mas Há Sinais..."

terça-feira, 13 de abril de 2010

DOÇURA PROFUNDA


«Busco a doçura profunda,
a que nunca ninguém viu,
e cuja existência não pode ser posta em causa,
pois é a ela que devemos a beleza perfumada dos jacintos,
a luz nos olhos espantados dos animais e tudo o que,
sobre a terra e nos livros,
há de bom.»

Christian Bobin

domingo, 11 de abril de 2010

O MUNDO DO AMOR PURO E VERDADEIRO

«Aprender a dar e a receber gratuitamente pressupõe uma reeducação longa e laboriosa da nossa psicologia, que não está «estruturada» para um tal regime, pois está condicionada por milénios de necessidade de luta pela sobrevivência.

Diria talvez que a irrupção da revelação divina e do Evangelho no mundo, é como que um fermento evolutivo que tem por objectivo «transferir» o nosso psiquismo para uma lógica de gratuidade - a do Reino, a do amor. Trata-se de um processo de divinização, pois o objectivo é chegarmos a amar como Deus ama: «Sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste» (Mt 5, 48) (...)

Não podemos adoptar uma nova maneira de ser senão à custa do «luto» de muitos dos nossos comportamentos naturais, de uma espécie de agonia. No entanto, uma vez transporta a «porta estreita» da conversão da mentalidade, o universo ao qual acedemos é esplêndido: é o Reino, o mundo onde o amor é a única lei, um paraíso de gratuidade onde o amor pode permutar-se sem limites, dar-se e receber-se sem restrições, onde já não há «direitos» nem «deveres», nada a defender nem nada a conquistar, nenhuma oposição entre o «teu» e o «meu», onde o coração se dilata ao infinito.

Neste mundo novo, reina o amor, um amor terrivelmente exigente (pois quer tudo: enquanto não amarmos totalmente, não amamos de verdade), mas soberanamente livre, pois não tem outra lei senão ele próprio.»

(Jacques Philippe, em "A Liberdade Interior")

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A PAZ SEM VENCEDOR E SEM VENCIDOS

A paz sem vencedor e sem vencidos
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Que o tempo que nos deste seja um novo
Recomeço de esperança e de justiça.
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ler melhor a vida
Para entendermos vosso mandamento
Para que venha a nós o vosso reino
Dai-nos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Fazei Senhor que a paz seja de todos
Dai-nos a paz que nasce da verdade
Dai-nos a paz que nasce da justiça
Dai-nos a paz chamada liberdade
Dai-nos Senhor paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, 6 de abril de 2010

O RESSUSCITADO

«O Ressuscitado pede-nos para renascer, todos os dias,
para nos distanciarmos do nosso pequeno e prepotente eu,
para fazermos viver em nós um Tu maior,
para morrermos para os nossos apegos, as nossas certezas,
para darmos lugar ao deserto e esperarmos pela chuva.
Pela água que desce do céu e faz florescer até a areia.»

Susanna Tamaro, em "O Fogo e o Vento"

sexta-feira, 2 de abril de 2010

UMA SANTA PÁSCOA!


Desejo uma Santa Páscoa para todos os meus estimados amigos, visitantes, leitores...
Quero agradecer os vossos comentários e apreciações, que leio sempre com muita atenção e carinho.
As vossas palavras transmitem-me força, coragem e determinação para continuar a partilhar as dádivas de Deus.
Muito agradecido, do fundo do coração!

"Deus dá-nos tudo, mas o maior dos seus dons é o amor que devemos ter por Ele."
Não quero desprezar este dom,
Mas acolhê-lo sempre no meu coração.
Porque o Amor dá-me tudo;
E eu devo dar tudo pelo Amor.
O Amor é a vida que vence a morte.
Do fruto do Amor brota a coragem,
A alegria, a paz, a paciência,a bondade, a generosidade, a fidelidade...

No Amor serás livre!
E o Amor tudo pode,
"Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta."

Deus é Amor, Deus é Amor, Deus é Amor...
Deus não é senão Amor.
A minha vocação é ser amor.
No Amor reside a verdadeira liberdade.
Se amares e acolheres o Amor serás livre!
Livre sobretudo da escravidão ao Pecado.

Devo amar sempre mais, mais e mais...
Nunca amarei o suficiente.
Mas buscarei sempre a pureza absoluta do amor;
um amor absolutamente purificado de todo o egoísmo;
um amor sempre em crescimento, em expansão, em contínua doação de si mesmo.

"Se não tiver amor, de nada me aproveita:
conhecer todos os mistérios e toda a ciência,
distribuir todos os meus bens,
entregar o meu corpo para ser queimado..."
Não, "se não tiver amor, de nada me aproveita."

Oiço-Te dentro de mim a perguntar:
"Paulo, tu amas-me?";
"Paulo, tu és deveras meu amigo?"
Ouso responder-Te: Jesus, quero muito amar-Te;
Quero muito ser Teu amigo.
Quero confiar absolutamente em Ti;
Ser-Te fiel em tudo.
Sei que queres todo o meu coração,
e a minha alma e a minha mente e o meu espírito.
Concede-me esse dom de Amar-Te acima de todas as coisas.
No fim da jornada, acredito que me "julgarás" segundo os critérios do amor.

Eis os teus critérios:"Faz aos outros o que gostararias que te fizessem a ti.
Cumpre a lei do Amor.
Ama-me naquele que tem sede e fome;
Nos doentes, nos prisioneiros, nos abandonados,
nos excluídos, nos pobres, nos marginalizados,
nos oprimidos, nos deprimidos...
Segue-me, toma a tua cruz, renuncia a ti mesmo;
Sê um reflexo de Mim; luz resplandecente que ilumina as trevas do mundo.
Perde a tua vida para te encontrares na que Te ofereço
Esvazia-te para te encheres de Mim."

O Amor é mais forte do que a morte.
Acredito que Hoje, Aqui e Agora, Tu estás vivo, Jesus.
Jesus, Tu estás Vivo!
Tu amaste até ao fim
Numa entrega absoluta de Ti mesmo,
Numa obediência pura e sem tréguas.
O Teu Amor sem limites venceu a morte e deu-nos a vida sem fim...

Concede-me a graça de ser fiel à Tua vontade,
ao Teu Mandamento de Amor Absoluto
ao Teu Projecto de Amor, reconciliação, justiça, alegria, paz, liberdade, fraternidade, união.
Concede-me a liberdade suprema de amar até ao fim,
A humildade para Te obedecer em tudo.
A verdadeira alegria de viver como Tu viveste
Para vencer a morte como Tu venceste!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

ASSUME A VITÓRIA

Ainda tens medo de morrer. O medo está relacionado com o receio de não seres amado. As tuas perguntas: «Amas-me?» e «Tenho que morrer?» estão profundamente ligadas. Interrogavas-te quando eras criança e ainda te interrogas.

À medida que te capacitas de seres completa e incondicionalmente amado, também te apercebes que não tens que temer a morte.
O amor é mais forte que a morte; o amor de Deus já te envolvia antes de teres nascido e permanecerá após a tua morte.Jesus chamou-te desde o momento da tua concepção no ventre da tua mãe. É a tua vocação para receber e dar amor.
Mas sentes desde o princípio a força da morte. Ela atacou-te durante todo o teu amadurecimento. Tens sido fiel à tua vocação, ainda que muitas vezes te tenhas sentido esmagado pelas trevas. Sabes agora que essas forças soturnas não terão nenhum poder final sobre ti. É a vitória de Jesus que te chamou. Ele venceu por ti as forças da morte para que tu pudesses viver em liberdade.

Tens que assumir essa vitória e não viver como se a morte ainda te controlasse. A tua alma conhece essa vitória, mas a tua mente e as tuas emoções ainda não a aceitaram completamente. Continuam a lutar. Neste aspecto continuas a ser uma pessoa de pouca fé.
Confia na vitória e deixa que as tuas emoções e a tua mente se convertam gradualmente à verdade. Experimentarás nova alegria e nova paz à medida que deixares essa verdade chegar a cada canto do teu ser. Não te esqueças: a vitória foi conquistada, as forças da morte já não governam, o amor é mais forte do que a morte.

Henri Nouwen, em " A voz íntima do amor"