quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

ESCOLHE DEUS!

«Deus pede ao homem que se realize a si mesmo tendendo para Deus, escolhendo Deus, acolhendo o dom de Deus.
Não se pode ser verdadeiramente homem senão escolhendo a Deus como centro.

O pecado original é o homem, é qualquer homem que escolhe realizar-se a si mesmo, tapando os ouvidos para não ouvir o chamamento de Deus a que se crie a si mesmo; é o homem que escolhe a servidão fácil antes do que a dura exigência da liberdade.

O pecado original é a distância incomensurável entre o que é o homem entregue a si mesmo e o que ele deve ser vivendo da vida divina.»

(François Varillon s.j. , em "Alegria de Crer e Viver")

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A REGRA DE OIRO


Vamos mergulhar no mesmo oceano infinito do amor, através da regra de oiro.

Sabes qual é?

«Faz aos outros aquilo que queres que te façam a ti» (Lc 6, 31).


Faz, actua, age tu sempre e em tudo primeiro,
com esmero, com empenho,
com dedicação, com generosidade.
Ama, serve, ajuda, ampara, consola, alivia,
dedica-te de alma e coração, sem esperares nada em troca. (...)

Não esperes que o outro comece,
começa tu.
Não esperes que agradeça, que perceba, que retribua.
Faz tu, ama tu.
E quanto mais fores sentindo o que gostarias que os outros te fizessem,
faz tu sempre e primeiro. (...)

Queres que te amem?
Ama tu.
Queres que sejam delicados e atenciosos?
Sê tu primeiro.
Queres que te sirvam?
Serve tu a todos, com humildade.

Não desistas.
Não te canses.
E quando estiveres cansado de amar,
recomeça novamente,
rasga o coração,
ama outra vez.

Vive esta contínua ginástica do amor.
É um exercício que podes fazer a cada momento.
Se neste segundo não amaste,
podes amar no segundo seguinte.
Se agora não serviste bem,
com dedicação e humildade,
podes fazê-lo no minuto seguinte.

Podes e deves estar sempre a recomeçar.
É assim, contigo, comigo, com todos, o amor de Deus.
Sempre novo, nunca se repete,
sempre sopro divino do Espírito que renova a face da terra.

Porque esperas? Ama!
«onde não há amor, semeia amor e colherás amor».
Começa cada dia com este desejo,
renova-o ao longo da jornada vezes sem conta.

É a «regra de oiro».
E ficarás no céu com muitos tesouros à tua espera.

Dário Pedroso, s.j., em "Sinfonias do Amor" (adaptado)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

FILHO DO AMOR


"Ao dar-se conta de que havíamos esquecido nossa própria história, Deus enviou-nos Jesus como a personificação do amor.
O Filho veio para revelar o carácter do Pai e para nos levar de volta ao Pai, ou seja, de volta para o amor. (...)

Jesus veio a este mundo para nos levar de volta ao Amor.
Ele veio a este mundo para protagonizar a maior história de amor do mundo. Mas é óbvio que isso não foi feito por simples decreto.
Ele, o Filho do Amor, veio a este mundo para nos revelar que o amor é o nosso destino, a nossa cura e nossa realização.
Ele veio para revelar o Amor Perfeito que tanto desejamos e ao qual pertencemos. E Ele veio para nos mostrar como nossa entrega total ao amor deve ser feita."

David G. Benner, em "A Entrega Total ao Amor"

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A GRAÇA DIVINA

«Podem fazer entrar tudo nos seus cálculos excepto a graça, e é por isso que estes são vãos.» (Christian Bobin, em "Ressuscitar")


"A graça divina é totalmente estranha à psicologia humana. Queremos primeiro deixar nossa casa em ordem para então permitir que Deus nos ame e nos aceite. A psicologia da ética do trabalho e a da auto-avaliação são fundamentais para a psique humana e totalmente estranhas à graça divina.

O que faz sua graça ser extraordinária é o facto de que somente ela nos pode libertar dos nossos medos e nos tornar verdadeiramente completos e livres.

A entrega total ao amor de Deus nos oferece a possibilidade de nos libertar dos nossos sentimentos de culpa e dos esforços que fazemos para cair nas boas graças de Deus e de sermos livres para amá-Lo verdadeiramente e ao próximo do mesmo modo que somos amados pelo Pai."

(David G. Benner, em "A Entrega Total ao Amor")

domingo, 15 de fevereiro de 2009

SALMO DE QUEM PÕE AMOR EM TUDO

Feliz quem põe amor nas coisas,
Pois as coisas terão sentido,
Em contrapartida, pobre daquele que lhes retira o amor,
Porque tudo o que fizer se tornará vazio.

Feliz quem faz tudo por amor,
Pois o amor dá cor à vida,
Muda-a e faz com que se veja de outra forma,
Tudo o que é pesado, dificultoso, monótono...
se torna diferente quando o amor marca presença.
Mesmo tudo o que há de penoso nos mandamentos,
se torna completamente suave pelo amor.

Feliz quem se deixa conquistar pelo amor,
porque não há nada tão insensível e tão de ferro
que não possa ser moldado e fundido
pelo fogo do amor.

Feliz, também,
quem enche o pobre com a plenitude do seu amor,
porque a plenitude do amor de Deus
encherá a sua própria pobreza.

Felizes nós
se amarmos de coração a quem nos fez
e aos que connosco foram feitos,
porque amando o próximo a quem vemos,
limpamos os olhos para ver a Deus, a quem não vemos:
pois não há escada mais segura para subir ao amor de Deus,
do que o amor dos homens ao seu semelhante.

Ponhamos, pois, amor em tudo o que fizermos!
Porque as boas obras não se definem pela sua quantidade,
mas pela sua finura;
nem pelo peso, mas pela sua qualidade:
nem pelo quê, mas pelo porquê.

Ponhamos amor em tudo o que fizermos!
Se fizermos a paz, façamo-la por amor
Se nos lamentarmos, lamentemo-nos por amor.
Se corrigirmos, corrijamos por amor,
Se perdoarmos, perdoemos por amor...

Procuremos que o amor crie raízes nas nossas almas,
Pois dessa raiz só pode sair o bem;
Porque quem ama pode fazer o que quiser,
dizer o que quiser e viver como quiser.

(Composição e adaptação de vários pensamentos de Sto. Agostinho)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

DÁ-TE

O coração enriquece-se do que dá.
Quanto mais dá e mais se dá, mais rico,
pois mais cheio de Deus,
da sua presença, do seu amor...
será tanto mais rico
quanto mais se der,
quanto mais amar,
quanto mais sair de si mesmo.

Deus dá tudo e dá-Se a si próprio.
E o teu coração,
aquele que em ti é mais semelhante a Deus,
mais participação do divino,
vai-se tornando mais rico na medida em que imita Deus-Amor.
Se queres ser feliz,
ama, dá-te, sai de ti próprio
e inventarás a solução da vida que é o amor.
Ficarás mais rico,
mais cheio de Deus,
mais feliz.
Cantarás as alegres sinfonias do amor.

Dário Pedroso s.j. , em "Sinfonias do amor"

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

AMA E VIVERÁS

Já percebeste que para seres feliz e andares alegre só tens um caminho: amar?

Já entendeste até ao mais íntimo de ti próprio que a felicidade está mais em dar do que em receber?

Já assumiste com Cristo que o «mandamento novo» é que liberta e faz feliz?

Ama e viverás.
Ama e serás feliz.
Ama e serás santo.

Entra nesse mistério de dar sem esperar recompensa,
de amar sem ser amado,
de saíres de ti na entrega total e generosa.
Faz, age, concretiza o amor.

Esquece-te de ti,
não te centres no teu eu,
no teu problema, na tua doença, na tua «tragédia em copo de água».
Abre-te aos outros.
Abre-te ao amor.
Sê homem ou mulher de coração aberto.

Sentirás cansaço, porventura repugnância,
sentirás medo,
sentirás às vezes quase revolta quando os outros
não sentem o teu dom,
não agradecem, não retribuem.
É aí que tu és cristão ou cristã a sério.
Não desanimes.
Só o amor é caminho de santidade, de felicidade.
E não desistas nunca de amar,
mesmo quando não sentes o fruto concreto desse amor.

Que a tua única resposta,
a tua «vingança» seja amar mais, amar melhor,
lançar-te ainda mais a um amor mais forte.

Dário Pedroso, s.j., em "Sinfonias do amor"

domingo, 8 de fevereiro de 2009

CONTEMPLAR JESUS

Atticus Finch disse: "Você nunca entenderá um homem enquanto não calçar seus sapatos e olhar o mundo através de seus olhos".

Paulo olhava de forma tão resoluta para si mesmo, para outros e para o mundo, através dos olhos de Jesus, que Cristo se tornou o ego do apóstolo — "Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim" (Gl 2:20). Dídimo de Alexandria disse que "Paulo estava pleno de Cristo".(...)

A contemplação, definida como olhar para Jesus enquanto o amamos, leva não somente à intimidade, mas também à transformação da pessoa que o contempla.

No famoso conto de Nathaniel Hawthorne, The great stone face, um garotinho olha fixamente para a face esculpida no granito e sempre pergunta aos turistas, na cidade, se sabem a identidade da face na montanha. Ninguém sabe. Na vida adulta, na meia-idade e na idade avançada, ele continua olhando fixamente para a face na montanha, até que, num dia, um turista que ia passando exclama àquele garotinho, que agora é um homem velho, desgastado pelo tempo: "É sua a face na montanha!"

A consciência contemplativa do Jesus ressurreto forma nossa semelhança com ele, e nos torna as pessoas que Deus pretendia que fôssemos.»

Brennan Manning, em "O Impostor que vive em mim"

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

UM DEUS DELICADO

Como Amor, tinha que respeitar e, de algum modo, depender da nossa liberdade e das nossas opções e escolhas.

Chama-nos, convida-nos, seduz-nos mas não violenta. Bate à porta (Ap 3, 20), mas aguarda, delicado, que Lhe demos licença para entrar.

Inspira-nos, ilumina-nos, mas deixa-nos livres para aderir, para responder.

O nosso Deus, o Pai do Céu, ensina-nos a divina delicadeza do amor.
Confia no homem, respeita a sua liberdade e sabe esperar.

Por delicadeza do amor, Deus não castiga, não fere, não magoa.

Está debruçado sobre nós, com amor, para nos abraçar na sua divina ternura, para nos repassar do seu carinho, para nos pegar no colo.

Cantemos a sinfonia do amor delicado do nosso Deus.

E aos poucos o nosso amor, o nosso coração, a nossa maneira de ser e agir será cada vez mais como a d`Ele, delicada, mansa, paciente, carinhosa, terna.

É que o cântico da sinfonia do amor delicado vai-nos transformando por um divino encanto.

E ficaremos mais semelhantes ao nosso Deus e nosso Pai.

Que bela aventura a do amor delicado...

(Dário Pedroso s.j., em "Sinfonias do amor")

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O Filho Amado (2ª parte)

A morte de Jesus na cruz dá a forma final, definitiva e eterna de sua identidade espiritual e confiança íntima, amorosa em Deus.

John Shea comenta: "Deus não ressuscitou Jesus dos mortos porque este nunca hesitou, replicou ou questionou, mas, havendo hesitado, replicado e questionado, ele permaneceu fiel".

A autoconsciência de Jesus e o zelo incansável demonstrado em seu ministério devem ser compreendidos como relacionados direta e incessantemente à sua vida interior de crescente intimidade com o Pai. Não devemos perder de vista esta ligação lógica: a primazia da missão e seu profundo zelo em proclamar o reino de Deus não derivam de reflexão teológica, do desejo de edificar os outros, da espiritualidade da moda ou de um sentimento indefinido de boa vontade para com o mundo. Sua fonte é a santidade de Deus e a autoconsciência que Jesus possui de sua relação com Deus. (...)

O coração de Deus é o esconderijo de Jesus, um forte e protetor espaço onde Deus está próximo, onde a relação é renovada, onde a confiança, o amor e a autoconsciência nunca morrem, mas são continuamente reacesos.

Em tempos de oposição, rejeição, ódio e perigo, Jesus retira-se para aquele esconderijo onde é amado. Em tempos de fraqueza e temor, nasce ali um vigor suave e uma perseverança poderosa. Em face ao aumento da incompreensão e da desconfiança, somente o Pai o compreende. "Ninguém sabe quem é o Filho, a não ser o Pai..." (Lc 10:22). (...)

Muitas vezes nos esquecemos de que temos o mesmo acesso a Deus desfrutado por Jesus. Mas jamais deveríamos nos esquecer de que o nosso Criador cuida de nós. Deus conhece cada um de nós pelo nome e está profundamente envolvido nos dramas de nossa existência pessoal.

"Até os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados" (Lc 12:7).


Dentro desse clima de confiança, podemos tranquilamente procurar discernir a vontade de Deus. É em tal atmosfera que todas as decisões se tornam claras e todas as ações florescem. O resultado é menos vago, ambíguo e incerto do que poderíamos supor.
Os sons da paz interior ressoam no coração afinado com Deus, enquanto o coração desafinado, iludido em cantar sua própria canção, pulsa com agitação, conflito, dissonância e contratempos.

Brennan Manning, em "Convite à Loucura"

domingo, 1 de fevereiro de 2009

O Filho Amado (1ª parte)


Quando Jesus recebeu o batismo de João no rio Jordão, passou por uma fundamental experiência de identidade. Os céus se abriram, o Espírito desceu na forma de uma pomba e Jesus ouviu a voz de seu Pai: "Tu és o meu Filho amado; em ti me agrado" (Lc 3:22). (...)

Independentemente das evidências externas, Jesus experimentou no Jordão uma confirmação interior, decisiva, de que era o Filho, o Servo e o Amado do Pai. George Aschenbrenner diz: "Essa clara e essencial experiência de identidade origina-se da profunda intimidade com o seu Pai, é por ela produzida e a celebra". (...)

As tentações no deserto desafiaram a autenticidade da experiência do Jordão. Todos os três estratagemas de Satanás ("se és o Filho de Deus...") tiveram a intenção de enfatizar a mesma questão: Jesus era realmente o Filho-Servo amado? Ou a experiência no Jordão foi somente uma ilusão? Alguém mais ouviu a voz que Jesus ouviu? (...)

Na aridez, na simplicidade, na vastidão e no despojamento do deserto, Jesus interpretou, em novo e decisivo nível, sua existência e sua missão no mundo, emergindo do deserto com o sopro de Deus em sua face. (...)

A confiança de Jesus no Pai não se amparava em uma única decisão que o deixava certo da sua missão e imune ao Tentador. A luta com o Diabo no deserto foi o primeiro de uma série de desafios à sua autoconsciência e identidade interna como Filho-Servo-Amado do Pai.

A constante tentação de seu ministério seria a de cumprir sua missão de modo contrário ao propósito de Deus. Ele poderia começar com uma demonstração flamejante de poder, transformando pedras em pão, e terminar com uma exibição sensacional de poder, descendo da cruz para vingar-se dos inimigos de Deus. O fascínio pelo aumento de segurança, prazer e poder é o caminho mundano de Satanás. Jesus rejeitou isso totalmente.

Brennan Manning, em "Convite à Loucura"

Nada é grave...

"Nada é grave, a não ser perder o amor." [Irmão Roger de Taizé]