sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Dominique Voillaume - Viver para Deus (2ª parte)

Certa manhã Dominique deixou de aparecer no seu banco no parque. Os homens ficaram preocupados. Poucas horas depois ele foi encontrado morto na sua modesta habitação. Morreu na obscuridade de um cortiço parisiense.

Dominique Voillaume nunca tentou impressionar ninguém, nunca se perguntou se a sua vida era útil ou o seu testemunho significativo. Nunca sentiu que tinha de fazer algo grande para Deus.
O que ele de facto fez foi manter um diário. Foi encontrado pouco depois da sua morte na mesa-de-cabeceira junto da sua cama.
A sua última entrada é uma das coisas mais espantosas que já li:

«Tudo o que não é amor de Deus não tem sentido para mim. Posso honestamente dizer que não tenho interesse em coisa alguma que não seja o amor de Deus que está em Cristo Jesus. Se Deus quiser, a minha vida será inútil pela minha palavra e o meu testemunho. Se Ele quiser, a minha vida dará fruto através das minhas orações e sacrifícios. Mas a utilidade da minha vida é preocupação dEle, não minha. Seria indecente da minha parte preocupar-me com isso.»

Em Dominique Voillaume vi a realidade da vida vivida integralmente para Deus e para os outros. Depois de uma noite inteira de vigília de oração por parte dos seus amigos, ele foi enterrado numa caixa de pinho sem nenhum adorno no quintal da casa dos Irmãozinhos em Saint-Remy. Mais de sete mil pessoas de toda a Europa juntaram-se para presenciar o seu funeral.



Brennan Manning, em "O Evangelho Maltrapilho"

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Dominique Voillaume - Viver para Deus(1ª parte)


Dominique Voillaume é para a maioria de nós um completo desconhecido, um ser anónimo, um nome estranho. Para mim, também o era, até conhecer um pouco da sua história de vida através das palavras de Brennan Manning.

Brennan Manning conviveu muito de perto com Dominque, viveu e partilhou existência comunitária com ele. A forma como ele descreve o modo de vida, a maneira de ser, a capacidade de amar e doar-se de Dominique não nos pode deixar indiferentes perante o seu exemplo de serviço a Deus e ao próximo; o seu testemunho simples de fidelidade ao amor de Deus.

Eu não podia deixar de partilhar esta história real com todos vós, caros leitores, amigos, irmaõs...
Estou certo que todos os que lerem esta história serão enriquecidos e receberão motivação especial e forte encorajamento para prosseguir no Caminho.

O texto é extenso, por isso dividi-o em duas partes. Se Deus quiser, a 2ª parte será postada amanhã.

Brennan Manning diz: "Dominique Voillaume influenciou a minha vida como poucas pessoas fizeram...". Apesar de não conhecer pessoalmente Dominique, posso afirmar que o pouco que conheço do seu testemunho de vida influenciou profundamente a minha maneira de olhar e compreender o mundo, as pessoas, o perdão, o amor, o Evangelho...

Eis uma forma verdadeira, autêntica, simples, despojada, desinteressada e honesta de viver o Evangelho, de obedecer ao mandamento essencial que o Mestre Jesus nos deixou: «O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.» (João 15:12)

«Dominique Voillaume influenciou a minha vida como poucas pessoas fizeram. Certa manhã de ano novo em Saint-Remy, na França, sete de nós na comunidade dos Irmãozinhos de Jesus estávamos sentados ao redor de uma mesa numa antiga casa de pedra. Estávamos vivendo uma vida contemplativa e sem clausura entre os pobres, tendo os dias devotados ao trabalho manual e as noites envolvidas em silêncio e oração.
A mesa do café da manhã ganhou ânimo quando a nossa conversa direccionou-se para o nosso ofício diário. Um irmão alemão observou que o nosso salário estava abaixo do mínimo (sessenta centavos por hora). Comentei que os nossos empregadores nunca eram vistos na igreja da paróquia no domingo de manhã. Um irmão francês sugeriu que isso demonstrava hipocrisia. Um irmão espanhol disse que eles eram grosseiros e gananciosos. A tonalidade foi tornando-se mais cáustica e as salvas mais inclementes. Concluímos que os nossos patrões avarentos eram cretinos, mesquinhos e egocêntricos, que dormiam o domingo inteiro e jamais alçavam a mente em acção de graças a Deus.

Dominique estava sentado na ponta da mesa. Ao longo de toda a nossa discussão ele não havia aberto a boca. Olhei de relance para a ponta da mesa e vi lágrimas rolando ao longo das suas faces.
- Qual é o problema, Dominique? - perguntei.
A sua voz era quase inaudível. Tudo o que ele disse foi:
- Ils ne comprennent pas.
Eles não entendem.

Quantas vezes desde aquela manhã de ano novo essa única frase foi capaz de transformar o meu ressentimento em compaixão?
Quantas vezes tenho relido a história de paixão de Jesus nos evangelhos através dos olhos de Dominique Voillaume, visto Jesus nos espasmos da agonia da morte, espancado e intimidado, flagelado e cuspido, dizendo: "Pai, perdoa-os, ils ne comprennent pas".

No ano seguinte, Dominique, um sujeito esguio e musculoso de um metro e noventa de altura, sempre usando uma boina azul-marinho, descobriu aos 54 anos que estava a morrer de um cancro inoperável. Com a permissão da comunidade ele mudou-se para uma vizinhança pobre de Paris e começou a trabalhar como guarda nocturno numa fábrica. Voltando para casa todas as manhãs às oito ele ia directamente para um parquezinho no lado oposto da rua em que vivia e sentava-se num banco de madeira. Vadiando pelo parque havia marginais - vagabundos, bêbados e fracassados, velhos sujos que olhavam provocativamente as mulheres que passavam.
Dominique nunca os criticava, censurava ou repreendia. Ele ria, contava histórias, dividia os doces que trazia, aceitava-os como eram. Por viver tanto tempo do seu santuário interior ele transmitia uma paz, um sereno senso de autodomínio e hospitalidade de coração que levava os jovens cínicos e velhos derrotados a gravitarem ao redor dele como ovos ao redor do bacon. O seu testemunho simples consistia em aceitar os outros como eram sem fazer perguntas e permitindo que eles se sentissem em casa no seu coração. Dominique foi a pessoa menos incriminatória que jamais conheci. Ele amava com o coração de Jesus Cristo». (continua)


Brennan Manning, em "A assinatura de Jesus"

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Qualidades do serviço a Deus

Primeiramente deve ser sincero. Reparemos nesta pequena frase de S. Paulo, na segunda carta aos Coríntios (6, 6): «caritate non ficta, uma caridade não fingida». Aprofundemos isto, começando por perguntar-nos se a nossa caridade não será por encomenda. Tenhamos a preocupação de prestar um serviço sincero, para que possamos dizer como Cristo: «O meu alimento é fazer a vontade de meu Pai» (cfr. Jo 4, 34). O meu alimento, quer dizer, aquilo que eu tomo todos os dias, que é absolutamente necessário à minha vida. (...)

Em segundo lugar, esse serviço tem que ser muito real. Não podemos ficar em palavras. «Não são aqueles que dizem: "Senhor, Senhor" , que entrarão no Reino, mas aqueles que fazem [sempre o verbo fazer] a vontade do meu Pai» (Mt 7, 21). «Meus filhinhos, não amemos em palavras e com a língua, mas em actos e em verdade» ( 1 Jo 3, 18). (...)

Em terceiro lugar, o nosso serviço deve procurar ser perfeito - nunca o será, claro - porque se trata de Deus e a caridade fraterna é uma virtude teologal (...) . As virtudes teologais são as que nos ligam directamente a Deus. Tenhamos presente a grande cena do juízo final, em Mateus 25. O infeliz que alimentaste, o mendigo que vestiste, o prisioneiro que visitaste, o desgraçado a quem ninguém amava e que olhaste com amizade, era eu. Jesus está no mendigo, na religiosa marginalizada na sua comunidade por não ter um feitio fácil. E Jesus, é rigorosamente Jesus. É preciso respeitar Deus em todo e qualquer serviço humano. Isto exclui, à partida, a negligência voluntária.

Em quarto lugar, o serviço deve ser desinteressado. (...) A recompensa é amar como Deus ama. Não há outra. A recompensa do nosso desinteresse medíocre será um desinteresse absoluto. A nossa recompensa será a de nos apagarmos completamente e ficarmos felizes por não dizer «eu» durante toda a eternidade, de tal maneira seremos movimento puro para o outro e para os outros.(...)

Façamos a pergunta a nós mesmos: verdadeiramente, desejamos outra recompensa além dessa? Servimos os irmãos para assegurar a salvação? Espero que não. Servimos os irmãos porque somos amados. Qual é de facto a pureza do nosso serviço? É precisamente porque somos amados que não podemos deixar de querer amar sempre mais. (...) Tenho desinteresse porque sou amado. E o que Deus me dá em recompensa é um desinteresse ainda maior. Jesus diz para nos considerarmos «servos inúteis» (Lc 17, 10).

É evidente que servir a Deus não é prestar-Lhe um serviço. Que serviço poderíamos prestar a Deus? Servir a Deus é assemelharmos-nos a Ele. É ser verdadeira e plenamente homem. É sermos filhos dignos do nosso Pai. Creio que Deus não nos tratará como servos inúteis. Segundo o Evangelho, somos nós que devemos dizê-lo: «Quando tiverdes feito tudo o que tendes a fazer, dizei a vós mesmos: Somos servos inúteis». Mas não há o perigo que Deus nos diga isso. O que Ele quer é chamar-nos seus amigos. Nós é que entendemos que somos servos. Mas os serviços que prestamos são serviços de amigos de Jesus, mesmo que seja a mais ingrata das tarefas humanas, a mais monótona, a que mais vazia nos parece de toda a amizade humana.

E finalmente - mas nunca chegaríamos ao fim - o nosso serviço deve ser fiel, quer dizer, sem desistências, sem desânimos. Não há nada como os pequenos trabalhos humildes e monótonos para revelarem a verdadeira fidelidade do coração. É preciso muito mais amor para dar a vida gota a gota, de manhã à noite, dia após dia, sem afrouxar e sem desanimar, numa vida difícil de comunidade, do que para dar a vida toda de uma só vez. Não há nada mais difícil do que uma comunidade humana. Bonhoeffer dizia: «Não pode deixar de ser um dom de Deus». Creio que não há comunidade sem o Espírito Santo; fora dele é pura ilusão.

François Varillon S. J. , em "Viver o Evangelho"

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Servir a Deus

Cristo diz-nos. "Não vos chamo servos, chamo-vos amigos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor. E Eu dei-vos a conhecer tudo o que o meu Pai Me ensinou» (Jo 15, 15-16). Afirmação espantosa. É como se nos dissesse: sabeis tanto como Eu. É preciso ser-se tanto mais servo quanto menos se é tratado como servo. Em francês, há uma expressão que me parece vir aqui muito a propósito: prestar um serviço de amigo. É a síntese entre o servo e o amigo.

Não se pode fazer a vontade de Deus e continuar a ser simplesmente servo, porque a vontade de Deus é sempre uma vontade de amor. Fazer a vontade de Deus é necessariamente entrar na sua intimidade e já não ser pura e simplesmente servo, mas sim amigo e amigo íntimo. No entanto, é preciso que o facto de sermos amigos não nos impeça de continuarmos ao seu serviço. Deixaríamos automaticamente de ser amigos.

Reparemos em S. Mateus 12, 50: «Quem faz a vontade do meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão e minha irmã e minha mãe». Isto é: é meu íntimo. Serviço de amigo. O amigo não presta serviço como aquele que é apenas servo. É uma tonalidade completamente diferente. (...)

Não nos deixemos iludir. O serviço de Deus através do serviço aos irmãos significa dar a minha vida por eles, na totalidade e no pormenor. Ser o amigo que presta serviço, um serviço de amigo, é dar a própria vida.

François Varillon, em "Viver o Evangelho"


Quais devem ser as qualidades desse serviço?

Amanhã, se Deus quiser, publicarei a resposta a esta questão segundo a opinião do Pe. François Varillon. Contudo, gostaria de saber quais devem ser, na vossa opinião, as qualidades desse serviço?

Deixar-me ferir para Te encontrar

Senhor, porque será necessário deixar-me ferir para Te encontrar? E porque nunca Te impões ao homem, a tal ponto respeitas a sua profunda liberdade. Procuras a abertura por onde possas penetrar no seu coração, na sua vida.(...) a abertura de uma agonia, de uma profunda luta interior, que faz morrer para si mesmo e para mil coisas, para finalmente viver para Ti, para deixar o teu amor de fogo invadir o coração. Em si mesmo, todo o amor não é mais do que uma ferida. Não se ama realmente, se não se deixa o outro penetrar em si. Mas esta entrada do outro em nós mesmos exige, em primeiro lugar, que saiamos de nós próprios, que em nós se abra uma brecha, um rasgão, uma ferida que libertará o nosso coração(...)


Só deixando-me ferir é que Te encontrarei, Deus de amor. E a chaga não basta. Tu propões-Te levar-me até à agonia, até ao combate interior que acabará por me libertar de mim mesmo para viver de uma vida de amor, para viver de Ti, Senhor, que és Amor, para passar como Tu, Jesus, a uma vida de ressuscitado(...)


Só descobre a pérola do amor aquele que se deixa ferir intimamente pelo dardo do amor de Deus. Geralmente, o Senhor não dá um só grande golpe. Atendendo às nossas capacidades de O acolher, Ele procede por pequenos toques repetidos. Toques que não são nem contínuos nem de longa duração. Temos de estar abertos para percebê-los, termos fome de amar e deixar-nos amar. Temos de procurar Deus, humilde e pobremente; de reconhecer que, só aos pouquinhos, é que poderemos viver a nossa experiência de amor a Deus, experiência única, como é único o amor de Deus por cada um de nós. Temos de deixar-nos atrair e educar no amor, sem, no entanto, romper com a fonte onde se dessedenta o nosso dia a dia.



Pe. Constant Tonnelier, em "Quinze dias com São João da Cruz"

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Os bens da vida e a vontade de Deus

"A verdadeira santidade não consiste em tentar viver sem criaturas. Consiste em usar os bens da vida para fazer a vontade de Deus. Consiste em usar a criação de Deus de tal maneira que tudo que tocamos, vemos, usamos e amamos dê nova glória a Deus. Ser santo significa passar pelo mundo colhendo de cada árvore frutos para o céu e ceifando em cada campo a glória de Deus. O santo é alguém que está em contacto com Deus de todas as maneiras possíveis, em todas as direcções possíveis. Está unido a Deus pelas profundezas do seu próprio ser. Ele vê e toca Deus em tudo e todos ao seu redor. Onde quer que vá, o mundo soa e ecoa (mesmo silenciosamente) com as profundas harmonias da glória de Deus."

"Seasons of Celebration", de Thomas Merton(Farrar, Straus and Giroux, New York), 1965. p. 137

Fonte: Reflexões de Thomas Merton

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Jesus na igreja primitiva

«...A experiência de Deus em Jesus foi tão poderosa que transformou para sempre aquilo que os seguidores de Jesus quiseram dizer quando proferiam a palavra Deus. Como era Deus? Quem era Deus?

Quando pensavam no que haviam aprendido, visto, e experimentado em Jesus, sua compreensão foi revolucionada. Por fim, após alguns séculos de reflexão sobre Deus conforme revelado e experimentado através de Jesus (no contexto das grandes controvérsias com as formas variadas de filosofia grega), a igreja começou a descrever Deus como Pai-Filho-Espírito na Tri-unidade ou Trindade.

Para eles, Deus não poderia ser concebido meramente como "Deus A", um Poder, Mente ou Vontade única, solitária e dominante, mas como "Deus B", uma comunidade/família/sociedade/entidade unificada, eterna, misteriosa, relacional de Amor salvador.

Pense no tipo de universo que você esperaria se Deus A o tivesse criado: um universo de domínio, controle, limitação, submissão, uniformidade, coerção. Pense no tipo de universo que você esperaria se Deus B o tivesse criado: um universo de interdependência, relacionamento, possibilidade, responsabilidade, realização, novidade, mutualidade, liberdade.

Não estou certo sobre o quem vem primeiro - se o tipo de universo que você vê ou o tipo de Deus no qual crê, mas como um cristão que crê em Jesus como Filho de Deus, me encontro no universo B, conhecendo Deus B.»

Brian McLaren em "Ortodoxia Generosa" - Editora Palavra. (eu tive a honra de prefaciar a edição em português deste maravilhoso livro - não deixe 2007 acabar antes de devorá-lo).


terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Vencer-se a si mesmo

O que é "vencer-se a si mesmo" ? François Varillon disse: " Trata-se de nos tornarmos homens livres. O que Deus quer é a nossa liberdade. A liberdade é o esquecimento de nós mesmos, ou seja, uma outra forma de designar o amor. Mas adquiri-la não é espontâneo, nem automático. É preciso vencer-se. Antes de dizer: «Esqueci-me de mim» tenho que dizer a mim próprio: «Preciso de sair de mim mesmo». Em termos um pouco técnicos: o êxodo precede necessariamente o êxtase, isto é, não posso continuar centrado em mim mesmo, tenho que viver fora de mim, voltado para o outro.(...)

(...) Não poderei entrar em Deus enquanto o mais pequenino átomo de auto-contemplação, de olhar voltado para mim mesmo, não for queimado."



François Varillon S. J. , em "Viver o Evangelho"

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Indecisão

«Indecisão quer dizer que paramos de crescer por um período indefinido de tempo; ficamos travados. Com a paralisia da análise, o espírito humano começa a murchar. A consciência clara da nossa resistência à graça e da nossa recusa em permitir que o amor de Deus faça de nós quem realmente somos produz uma sensação de opressão. A nossa vida torna-se fragmentada, inconsistente, carente de harmonia e fora de sincronia. (...)

Apenas Jesus Cristo nos liberta da indecisão. As Escrituras não oferecem qualquer outra base para a conversão que não o magnetismo pessoal do Mestre.»

Brennan Manning, em "O Evangelho Maltrapilho"



Que Deus nos dê fé, humildade, coragem e capacidade de abnegação para viver as palavras desta oração na sua plenitude:

Oração do abandono (Charles Foucauld)
Meu Pai,
Eu me abandono a Ti,
Faz de mim o que quiseres.
O que fizeres de mim,
Eu Te agradeço.
Estou pronto para tudo, aceito tudo.
Desde que a Tua vontade se faça em mim
E em tudo o que Tu criastes,
Nada mais quero, meu Deus.
Nas Tuas mãos entrego a minha vida.
Eu Te a dou, meu Deus,
Com todo o amor do meu coração,
Porque Te amo
E é para mim uma necessidade de amor dar-me,
Entregar-me nas Tuas mãos sem medida
Com uma confiança infinita
Porque Tu és... Meu Pai!
(Charles de Foucauld)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

O homem espiritual

Observemos algumas características que devem estar presentes no homem espiritual:

1. Primeiro é o desejo de ser santo, antes que ser feliz.
2. O homem pode ser considerado espiritual quando quer ver a honra de Deus promovida através da sua vida, mesmo que isto signifique que ele próprio deva sofrer desonra ou perda temporária.
3. O homem espiritual deseja levar a sua cruz. Muitos cristãos aceitam a adversidade ou a tribulação com um suspiro e dizem que é a sua cruz, esquecidos de que essas coisas sobrevêm igualmente ao santo e ao pecador. A cruz é aquela adversidade extraordinária que nos sobrevém como resultado da nossa obediência a Cristo. Esta cruz não nos é imposta; nós a tomamos voluntariamente com pleno conhecimento das suas consequências.
4. Ainda, o cristão é espiritual quando vê todas as coisas do ponto de vista de Deus. A capacidade de pesar todas as coisas na balança divina, e de atribuir-lhe o mesmo valor atribuído por Deus, é sinal de vida cheia do Espírito.
5. Outro desejo que caracteriza o homem espiritual é morrer com rectidão antes que viver no erro.
6. O desejo de ver outros progredirem às suas custas é outra característica do homem espiritual. Quer ver outros cristãos acima dele, e fica feliz quando eles são promovidos e ele é deixado de lado.
7. O homem espiritual habitualmente faz julgamentos segundo a eternidade, e não julgamentos temporais.

A.W.Tozer

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Evita todas as formas de autocensura

Deves evitar não só culpar os outros mas também a ti mesmo. Tens tendência a recriminar-te pelas dificuldades que sentes nos relacionamentos que entabulas. Mas a auto-recriminação não é uma forma de humildade. É uma forma de autocensura, na qual ignoras ou negas a tua própria virtude e beleza.

Quando uma amizade não floresce, quando uma palavra não é acolhida, quando um gesto de amor não é apreciado, não te censures a ti mesmo, porque isso é falso e doloroso. Sempre que te rejeitas idealizas os outros. Queres estar com os que consideras melhores, mais fortes, mais inteligentes e mais dotados do que tu. Assim, tornas-te emocionalmente dependente, levando os outros a sentirem-se incapazes de satisfazerem as tuas expectativas e a afastarem-se de ti. O que faz com que te censures ainda mais e entres numa espiral perigosa de auto-rejeição e carência.

Evita todas as formas de autocensura. Reconhece as tuas limitações, mas assume as tuas virtudes únicas e começa a viver como um igual entre iguais. Assim libertar-te-ás das tuas necessidades obsessivas e possessivas e darás a ti próprio a oportunidade de dar e receber afecto e amizade verdadeiros.


Henri Nouwen, em "A voz íntima do amor"

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Rende-te a Cristo!

Espantoso este texto do escritor C.S. Lewis. Leiam com atenção, reflictam, enfrentem a verdade e rendam-se:

«Quanto mais tiramos do caminho aquilo que agora chamamos de "nós mesmos" e deixamos que Ele tome conta de nós, tanto mais nos tornamos aqui­lo que realmente somos. Ele é tão grande que milhões e milhões de "pequenos Cristos", todos diferentes, não se­rão suficientes para expressá-lo plenamente. Foi Ele que os fez a todos. Ele inventou — como um escritor inventa os personagens de um romance - todos os homens di­ferentes que vocês e eu devemos ser. Nesse sentido, nos­sos verdadeiros seres estão todos Nele, esperando por nós. De nada vale procurar "ser eu mesmo" sem Ele. Quan­to mais resisto a Ele e tento viver sozinho, tanto mais me deixo dominar pela minha hereditariedade, a minha criação, os meus desejos naturais e o meio em que vivo. Na verdade, aquilo que chamo com tanto orgulho de "eu mesmo" é simplesmente o ponto de encontro de miríades de cadeias de acontecimentos que não foram ini­ciadas por mim e não poderão ser encerradas por mim. (...)

(...) No meu estado natural, não sou tanto uma "pes­soa" quanto gosto de pensar que sou: a maior parte da­quilo que chamo de "eu" pode ser facilmente explicada por outros factores. É só quando me volto para Cristo, quando me entrego à personalidade dele, que começo a ter uma verdadeira personalidade minha.
No começo eu disse que há Personalidades em Deus. Agora vou mais longe e afirmo que em nenhum outro lugar há personalidades verdadeiras. Você não terá um eu verdadeiro enquanto não entregar a Ele o seu eu. A igualdade ou semelhança existe sobretudo entre os mais "naturais" dos homens, não entre os que se rendem a Cristo. Quão monótona é a semelhança que iguala to­dos os grandes tiranos e conquistadores; quão gloriosa é a diferença dos santos!

Mas o eu precisa ser entregue de verdade. Você tem, por assim dizer, de lançá-lo fora "às cegas". Cristo de facto lhe dará uma personalidade nova, mas não é por causa disso que você deve buscá-lo. Enquanto estiver preocupado com a sua personalidade, você não estará ca­minhando na direcção dele de modo algum. O primei­ro passo consiste em procurar esquecer completamen­te de si mesmo. Seu novo eu, seu eu verdadeiro (que é de Cristo e também é seu, e é seu justamente porque é dele) não surgirá enquanto você o estiver procurando. Só surgirá quando o objecto da sua procura for Ele. Aca­so isso parece estranho? Saiba que o mesmo princípio vigora em assuntos muito mais terrenos. Mesmo na vida social, você jamais causará boa impressão a outras pes­soas enquanto não parar de pensar na impressão que está causando. Mesmo na literatura e na arte, ninguém que se preocupe especificamente com a originalidade pode­rá jamais ser original; ao passo que, se você tentar falar a verdade (sem ligar a mínima a quantas vezes a mesma verdade já foi declarada no passado), nove vezes em dez será original sem percebê-lo. Esse princípio rege a vida inteira, do começo ao fim.

Entregue-se, pois assim você encontrar-se-á a si mesmo. Perca a sua vida para salvá-la. Submeta-se à morte, à morte quotidiana das suas ambições e dos seus maiores desejos e, no fim, à morte do seu cor­po inteiro: submeta-se a ela com todas as fibras do seu ser, e você encontrará a vida eterna. Não guarde nada para si. Nada que você não deu chegará a ser verdadei­ramente seu. Nada que não tiver morrido chegará a ser ressuscitado dos mortos. Se você buscar a si mesmo, no fim só encontrará o ódio, a solidão, o desespero, a fúria, a ruína e a podridão. Se buscar a Cristo, encontrá-Lo-á; e, junto com Ele, encontrará todas as coisas.»



C.S. Lewis, em "Cristianismo puro e simples"

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Novas Criaturas

«Para nos tornarmos novas criaturas, temos de perder o que agora chamamos de "nós mes­mos". Temos de sair de nós mesmos e entrar em Cristo. A vontade Dele tem de ser a nossa e temos de pensar seus pensamentos; temos de "ter a mente de Cristo", como diz a Bíblia.

As novas cria­turas já estão espalhadas, aqui e ali, por toda a superfí­cie da Terra. Algumas, como eu mesmo admiti, ainda não são reconhecíveis, mas outras podem ser reconhe­cidas. De quando em vez, encontramos uma delas. As próprias vozes e rostos delas são diferentes dos nossos: mais fortes, mais tranquilos, mais felizes, mais radiantes. Elas partem de onde a maioria de nós mal consegue chegar.

Como eu disse, são reconhecíveis; mas você pre­cisa saber o que procurar. Não se assemelham em nada à ideia de "pessoas religiosas" que você formou a partir das suas leituras. Não chamam a atenção para si. Você tende a pensar que está sendo gentil com elas, quando na verdade são elas que estão sendo gentis com você. Amam-no mais do que os outros homens, mas precisam menos de você. (Aliás, temos de superar a vontade de nos sentirmos necessários: em certas pessoas "boazinhas", especialmente mulheres, essa é a tentação mais difícil de vencer.)
Em geral, parecem ter tempo de sobra; fica­mos a pensar de onde vem esse tempo. Depois de reco­nhecer a primeira dessas novas criaturas, você reconhece­rá com muito mais facilidade a segunda.
E tenho a forte suspeita (mas como vou saber com certeza?) de que elas mesmas se reconhecem umas às outras de modo imediato e infalível, por cima de todas as barreiras de cor, sexo, classe social, idade e até mesmo de credo. Nesse senti­do, santificar-se é como entrar numa sociedade secreta. No mínimo, no mínimo, deve ser uma coisa extrema­mente divertida.»



C.S. Lewis, em "Cristianismo puro e simples"

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

A boa infecção

(...)No cristianis­mo, Deus não é um ente estático - nem mesmo uma pessoa estática -, mas uma actividade pulsante e dinâmi­ca; é uma vida dotada de grande complexidade interna. É quase -por favor, não me julguem irreverente - como uma dança. A união entre o Pai e o Filho é algo tão vivo e concreto que ela mesma é também uma pessoa. (...)

(...) Aquilo que nasce da vida conjunta do Pai e do Filho é uma pes­soa real; é, com efeito, a terceira das três pessoas de Deus. Essa Terceira Pessoa é chamada, em linguagem téc­nica, de Espírito Santo ou "Espírito de Deus". Não se preocupe nem se surpreenda se achar essa pessoa mais vaga e misteriosa que as outras duas. Penso que existe uma razão para que isso aconteça. Na vida cristã, nós não costumamos olhar para ele. Ele está sempre agindo através de nós. Se você imagina o Pai como algo que está "fora", à sua frente, e imagina o Fi­lho como alguém que está ao seu lado, ajudando-o a orar, tentando fazer de você também um filho de Deus, então tem de conceber a terceira pessoa como algo dentro de você, ou atrás de você. Talvez algumas pessoas achem mais fácil começar pela terceira pessoa e fazer o caminho inverso. Deus é amor, e esse amor opera atra­vés dos homens — especialmente através de toda a co­munidade cristã. Mas esse espírito de amor é, desde toda a eternidade, um amor que se dá entre o Pai e o Filho.

Bem, e qual a importância disso? É a coisa mais im­portante do mundo! A dança, o enredo dramático ou a complexidade interna dessa vida tripessoal deve se de­senrolar dentro de cada um de nós. Vendo a questão do outro lado, cada um de nós tem de penetrar nessa com­plexidade interna, assumir seu lugar nessa dança. Não existe outra maneira de se alcançar e usufruir a felici­dade para a qual fomos criados. Saiba você que não só as coisas más, mas também as boas, são contraídas como uma espécie de infecção. Se você quer aquecer-se, tem de se aproximar do fogo; se quer molhar-se, tem de ir para debaixo d'água. Se quer a alegria, o poder, a paz e a vida eterna, tem de se aproximar ou mesmo penetrar naquilo que as contém. Essas coisas não são prémios que Deus poderia, se quisesse, simplesmente conceder a qual­quer pessoa. São uma grande fonte de energia e de be­leza que jorra a partir do próprio centro da realidade. Se você estiver próximo da fonte, as rajadas de água o mo­lharão; se se mantiver afastado, continuará seco. Quan­do o homem está unido a Deus, como poderia não vi­ver para sempre? Quando está separado de Deus, o que pode fazer senão definhar e morrer?(...)

(...)A ofer­ta que o cristianismo faz resume-se no seguinte: se dei­xarmos Deus agir, poderemos vir a compartilhar da vida de Cristo. Então, partilharemos de uma vida que foi gerada, não criada; uma vida que sempre existiu e sem­pre existirá. Cristo é o Filho de Deus. Se participarmos desse tipo de vida, também seremos filhos de Deus. Amaremos o Pai como o Filho o ama, e o Espírito San­to despertará em nós. Cristo veio a este mundo e se fez homem a fim de disseminar nos outros homens o tipo de vida que Ele possui - por meio daquilo que chamo de "boa infecção". Todo cristão deve tornar-se um peque­no Cristo. O propósito de se tornar cristão não é outro senão esse.



C.S. Lewis, em "Cristianismo puro e simples"

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

O Grande Pecado

De acordo com os mestres cristãos, o vício fun­damental, o mal supremo, é o orgulho. A devassidão, a ira, a cobiça, a embriaguez e tudo o mais não passam de ninharias comparadas com ele. É por causa do orgulho que o diabo se tornou o que é. O orgulho leva a todos os outros vícios; é o estado mental mais oposto a Deus que existe.

(...)O orgulho é es­sencialmente competitivo — por sua própria natureza -, ao passo que os outros vícios só o são acidentalmente, por assim dizer. O prazer do orgulho não está em se ter algo, mas somente em se ter mais que a pessoa ao lado. Dizemos que uma pessoa é orgulhosa por ser rica, inte­ligente ou bonita, mas isso não é verdade. As pessoas são orgulhosas por serem mais ricas, mais inteligentes e mais bonitas que as outras. Se todos fossem igualmente ri­cos, inteligentes e bonitos, não haveria do que se orgu­lhar. É a comparação que torna uma pessoa orgulhosa: o prazer de estar acima do restante dos seres.

(...). A cobiça pode levar os homens a com­petir entre si se não existe o suficiente para todos; mas o homem orgulhoso, mesmo que tenha mais do que ja­mais poderia precisar, vai tentar acumular mais ainda só para afirmar seu poder.

(...) Evi­dentemente, é do poder que o orgulho realmente gos­ta: nada faz o homem sentir-se tão superior aos outros quanto o facto de poder movê-los como soldadinhos de brinquedo(...) O que faz um líder político ou uma nação inteira quererem expandir-se indefinidamente, exigindo tudo para si? De novo, o orgulho. Ele é competitivo pela pró­pria natureza: é por isso que se expande indefinidamen­te. Se sou um homem orgulhoso, enquanto existir al­guém mais poderoso do que eu, ou mais rico, ou mais es­perto, esse será meu rival e meu inimigo.

Os cristãos estão com a razão: o orgulho é a causa principal da infelicidade em todas as nações e em todas as famílias desde que o mundo foi criado. Os outros ví­cios podem, às vezes, até mesmo congregar as pessoas: pode haver uma boa camaradagem, risos e piadas entre gente embriagada ou entre devassos. O orgulho, porém, sem­pre significa a inimizade - é a inimizade. E não só ini­mizade entre os homens, mas também entre o homem e Deus.
Em Deus defrontamos com algo que é, em todos os aspectos, infinitamente superior a nós. Se você não sabe que Deus é assim — e que, portanto, você não é nada comparado a Ele -, não sabe absolutamente nada sobre Deus. O homem orgulhoso sempre olha de cima para baixo para as outras pessoas e coisas: é claro que, fazen­do assim, não pode enxergar o que está acima de si.



C.S. Lewis, em "Cristianismo puro e simples"

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

O Caminho, a Verdade e a Vida



Sem o Caminho, não há progresso; sem a Verdade, não há conhecimento; sem a Vida não se pode viver. Eu sou o Caminho que tu deves seguir; a Verdade em que deves acreditar; a Vida em que deverás ter esperança. Eu sou o Caminho imperecível, a Verdade infalível, a Vida eterna. Eu sou o mais nobre dos Caminhos, a Verdade última, a Vida verdadeira, abençoada e não criada. Se percorreres o Meu caminho, conhecerás a Verdade, e a Verdade libertar-te-á, e será tua a Vida eterna.

Se quiseres entrar na Vida, observa os Meus Mandamentos. Se desejas conhecer a Verdade, crê em Mim. Se quiseres ser perfeito, vende tudo o que tens. Se quiseres ser Meu discípulo, renuncia a ti mesmo. Se desejas possuir a Vida abençoada, despreza a tua vida presente. Se queres ser exaltado no Céu, sê humilde neste mundo. Se desejas reinar Comigo, leva a cruz Comigo(...)

Thomas H. Kempis, em "A Imitação de Cristo"

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Autenticidade

"A vida em torno do falso eu gera o desejo compulsivo de apresentar ao público uma imagem perfeita, de modo que todos nos admirem e ninguém nos conheça."

"Só pode haver dois amores fundamentais, escreveu Agostinho, "o amor a Deus, numa negligência do meu eu, ou o amor do eu, numa negligência de Deus."

Thomas Merton disse que a vida dedicada à sombra é uma vida de pecado. Pequei na minha recusa covarde - por temer ser rejeitado - de pensar, de sentir, de agir, de responder e de viver a partir do meu eu autêntico. Recusamos ser o nosso verdadeiro eu até mesmo com Deus - e depois perguntamo-nos por que nos falta intimidade com Ele.(...)

Aceitar a realidade da nossa pecaminosidade, significa aceitar o nosso eu autêntico. Judas não conseguiu encarar a sua sombra; Pedro conseguiu.(...)
Quando aceitamos a verdade do que realmente somos e a rendemos a Jesus Cristo, somos envoltos em paz, quer nos sintamos em paz, quer não. Quero dizer com isso que a paz que ultrapassa o entendimento não é uma sensação subjectiva de paz; se estamos em Cristo, estamos em paz, mesmo quando não sentimos nenhuma paz.

manning

Brennan Manning, em "O Obstinado Amor de Deus"

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Vida Eterna


Se a minha meta é a vida eterna, então essa vida deve ser atingível já agora, onde eu estou, porque a vida eterna é a vida em e com Deus, e Deus está onde eu estou, aqui e agora.
O grande mistério da vida espiritual – a vida em Deus – é que não temos de esperar por ela como algo que acontecerá depois. Jesus diz: «Estai em Mim como Eu estou em vós.» É a presença activa de Deus no centro do meu viver – o movimento do Espírito de Deus dentro de nós – que nos dá a vida eterna.

Seja como for, o que será a vida depois da morte? Quando vivemos em comunhão com Deus, pertencemos à própria casa de Deus, onde não há mais nenhum «antes» ou «depois». A morte deixa de ser a linha divisória. A morte perde o seu poder sobre aqueles que pertencem a Deus, porque Deus é o Deus dos vivos e não dos mortos. Logo que tenhamos provado a alegria e a paz que vem do facto de sermos abraçados pelo amor de Deus, sabemos que tudo está bem e estará bem. «Não tenhais medo», disse Jesus, «Eu venci as forças da morte… vinde morar comigo e ficai a saber que, onde Eu estou, aí está Deus».
Se a vida eterna é a nossa meta, então não é uma meta longínqua. É uma meta que se pode alcançar no momento presente. Quando o nosso coração compreende esta verdade divina, estamos a viver a vida eterna. (os grifos são meus)

Henri Nouwen, em “Aqui e Agora”