segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Onde está o teu tesouro?


Desejo a todos os meus leitores, amigos e companheiros de caminhada: um ano novo repleto de conquistas e vitórias interiores. Peço a Deus que vos abençoe ricamente e vos conceda a Sua graça em abundância. Espero que sejam felizes com Cristo nos vossos corações!


O final do ano é, para a maioria das pessoas, um tempo de balanço e retrospectiva: "Realizei os meus sonhos? Atingi os objectivos que tinha traçado? Concretizei os planos e projectos que tinha delineado? ". Para o novo ano que se aproxima, podem eventualmente traçar novas metas e objectivos; almejar mudanças; tentar viver de acordo com as suas mais profundas convicções ou tentar realizar finalmente velhos sonhos que nunca deixaram de alimentar.

Quais são as tuas metas, objectivos e desejos para 2008? Que "tesouros" procuras e gostarias de encontrar?

É sobre tesouros que fala o último post que publico este ano.
Qual é o tesouro que consideras mais valioso? Qual é o tesouro que mais tentas conservar e proteger? Qual é o teu tesouro mais precisoso e onde ele se encontra?


«Não ajunteis para vós tesouros na terra; onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.» (Mt 6:19-21)

«Tesouros são coisas que tentamos conservar por causa do valor que lhes atribuímos. Podem não ter valor nenhum em si mesmos; no entanto, damos o sangue para protegê-los. (...) Revelamos os nossos tesouros naquilo que tentamos proteger, assegurar, conservar. (...)Examinar os nossos tesouros é na verdade analisar aquilo que valorizamos.

A primeira coisa que Jesus nos diz a respeito dos tesouros é que guardar coisas "sobre a terra" não é uma estratégia inteligente. Os tesouros da terra, pela sua própria natureza, simplesmente não podem conservar-se intactos. (...) A sabedoria de Jesus diz que devemos ajuntar "tesouros no céu" (6:20), onde as forças da natureza e a maldade humana não podem espoliá-los. Ou seja, devemos procurar fazer a diferença na esfera da substância espiritual sustentada e regida por Deus. Devemos investir a nossa vida naquilo que Deus faz, que não pode perder-se. Logicamente, isso significa investir no relacionamento com o próprio Jesus, e por intermédio Dele com Deus. Mas, além disso, e em íntima relação com isso, devemos dedicar-nos ao bem dos outros - daqueles que podemos influenciar e afectar. Esses estão entre os tesouros de Deus.(...)

Há ,creio eu, uma tendência para considerar esse tesouro no céu como algo "para depois". É como o chamado seguro de vida, cujos benefícios só vêm depois da morte. E de facto é fundamental compreender isso, pois somos amigos de Jesus Cristo, temos realmente "uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada nos céus para vós, que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que está preparada para revelar-se no último tempo" (1Pe 1:4-5). Isso é importante.(...)
Mas o tesouro que temos no céu é também algo perfeitamente disponível para nós hoje. Podemos e devemos recorrer a ele segundo as nossas necessidades, pois esse tesouro é nada menos que o próprio Deus e o magnífico convívio no Seu reino; reino que agora mesmo se entrelaça com a nossa vida.(...)A eternidade já começou. Estou hoje mesmo vivendo uma vida que durará para sempre. Do meu tesouro nos céus tiro o que preciso agora para as necessidades presentes.

Se, em função das minhas necessidades nesta vida, eu tivesse de escolher entre ter um bom crédito num banco e ter um bom crédito junto a Deus, eu não hesitaria nem um instante. Abro mão do banco, claro! O "tesouro" que eu ajunto no céu não é apenas o pouco que faço a fim de ir para lá. É o que eu amo lá e também o facto de depositar a minha segurança e felicidade. É Deus "o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações" (Sl 46:1). E, conforme o Apóstolo Paulo por experiência própria nos ensinou, "o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há-de suprir, em Cristo Jesus, cada uma das vossas necessidades" (Fp 4:19). Esse é o constante testemunho do texto bíblico ao Reino no Meio de Nós.

Dallas Willard, em "A Conspiração Divina"

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Nascer de novo

«Há em nós um impulso que nos leva à novidade, à renovação, à liberação do poder criativo. Procuramos despertar em nós mesmos uma força que realmente mude as nossas vidas de dentro para fora. Contudo, o mesmo instinto diz-nos que essa mudança é a recuperação do que temos de mais profundo, mais original, mais pessoal. Nascer de novo não é tornar-se outra pessoa, e sim tornar-nos nós mesmos.» (os grifos são meus)

Thomas Merton, in "Christian Humanism" in Love and Living

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

O Maior Drama da Humanidade

Mensagem do Cardeal- Patriarca de Lisboa, José Policarpo.


«(...)Todas as formas de ateísmo, todas as formas existenciais de negação ou esquecimento de Deus, continuam a ser o maior drama da humanidade, que tiram todo o sentido ao Natal, que é a exultação e o grito de alegria e de esperança que brotou do reencontro do homem com Deus(...)

Abandonaram Deus, enquanto factor decisivo da felicidade humana, esqueceram a mensagem do Natal, esperança definitiva de reencontro de Deus com o homem, que redescobre em Deus o segredo da sua vida, a fonte da sua plenitude(...)

Se Cristo é a Vida, só Ele pode ser o fundamento da esperança verdadeira, que resiste a todas as dificuldades e vicissitudes(...)

Celebrar o Natal exige o reencontro profundo com a primazia de Deus na nossa vida, pede-nos que revejamos as noções de felicidade e de progresso, de sociedade perfeita e de liberdade(...)

A nossa vida descobre-se em Deus. E isso foi-nos tornado possível por aquele Menino que nasceu para nós, O Verbo eterno de Deus feito homem, concluiu José Policarpo, numa mensagem intitulada «A Encarnação do Verbo de Deus é o reacender da esperança». (os grifos são meus)

domingo, 23 de dezembro de 2007

O Melhor Presente do mundo


Então... como é costume dizer-se por estes dias: Desejo do fundo do coração, a todos vós, um Feliz e Santo Natal!
Este post é dedicado a todos os meus visitantes, amigos e irmãos em Cristo. Peço-vos que o leiam com o coração aberto e disponível e gravem no fundo do vosso ser as palavras que mais vos tocarem e enternecerem.

Uma pergunta muito comum por estes dias: Já receberam os vossos presentes?

Para mim, o melhor e mais precioso Presente que alguma vez recebi (incluindo todos os natais da minha infância) foi-me dado por Deus, o meu Amoroso e Ternurento Aba Pai.
Um "Presente" dado com um Amor que "nenhum pensamento o pode conter; nenhum vocábulo o pode exprimir. Ele está além de tudo o que possamos racionalizar ou imaginar " (1).
Ofereceu-me o "Presente" com estas palavras:" Amei o mundo, de tal maneira, que dei o meu Filho unigénito, para que todos aqueles que nele creiam, não pereçam, mas tenham a vida eterna." (parafraseando João 3:16).
Meu irmão e Apóstolo João também me ensinou que é desta forma que se manifesta o Amor de Deus para connosco (1 João 4:9).

O meu coração foi tocado por esse "Presente" divino que me foi entregue na Pessoa de Jesus - o Filho unigénito.
Jesus veio cheio de Amor, Graça e Misericódia à imagem e semelhança do Pai Ternurento e Amoroso. Em Jesus, Aba revela-Se a nós em toda a Sua Plenitude, Verdade e Vida Abundante. (Colossenses 1:19; João 14:6).

Um dia, "ouvi" estas palavras de Jesus: «Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. (...) e tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. (Lucas 11:9; João 14:13).
Então eu pedi em oração: Senhor Jesus, eu quero um coração novo. Quero um coração como o Teu, para amar como Tu me amas, e para amar o próximo com o Amor com que Tu nos amas. (João 13:34-35)
Quero um coração renovado, restaurado e transformado pelo poder, a ternura e a força do Teu Espírito.

Peço-Te um coração purificado e livre do egoísmo; dos maus pensamentos; dos falsos e injustos julgamentos; da mentira; da luxúria; do medo; do rancor; da inveja; da desconfiança; da ira; da autocondenação; da autosuficiência...
É do coração que "(...) procedem os maus pensamentos, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfémias." (Mateus 15:19)

Peço-Te, meu Amado e Amigo Jesus, que pelo Dom da Tua Graça, transformes o meu coração de pedra em coração de carne. Senhor Jesus, "eu quero ser um cristão no meu coração" (2)

Meu Amável e Compassivo Mestre, "ajuda-me a ver as pessoas com os teus olhos. Relembra-me de que sou muito perdoado. Enche-me até extravasar com o Teu Espírito Santo, de modo que possa derramar apenas amor para as pessoas(...)" (3)

Meu Terno e Amoroso Mestre, quero tanto permanecer em Ti e no Teu Amor Sem Limites. Não quero que me digas que "te honro com os lábios, mas que o meu coração está longe de Ti." (Mateus 15:8). "Quero ser um Cristão no meu coração".

Senhor Jesus, quero tanto "... mais claramente ver-te, mais intensamente amar-te, mais proximamente seguir-te..." (4)

Meu Querido e Adorado Mestre, quero que estas palavras sejam verdade e realidade no meu coração e na minha vida: "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim." (Gálatas 2:20)



(1) Brennan Manning, O Obstinado Amor de Deus, pag 10.

(2) Dallas Willard, A Renovação do Coração, pag 25, verso de um hino tradicional americano de autoria desconhecida (N. da T.)

(3) Brennan Manning, O Obstinado Amor de Deus, pag 58.

(4) Idem, pag 20.

Template Novo!


Os meus visitantes regulares já devem ter reparado na renovação da imagem do blog. Este post serve para agradecer à autora deste belo template: o seu maravilhoso trabalho criativo e artístico; assim como toda a dedicação, paciência e amor que manifestou no desenvolvimento deste magnífico e fantástico template!

Toda esta obra de arte foi realizada pela Márcia Nunes, do http://mamanunestemplatesblogspot.blogspot.com/ , a quem quero agradecer do fundo do coração esta preciosa e estimada prenda de Natal. Bem haja!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

A Cruz e o Perdão


«Se há sabedoria rasa e pouco poder na nossa adoração e ministério, creio que é porque tão poucos de nós se entregaram ao que Paulo chama de morrer diariamente para o egocentrismo em todas as suas formas, incluindo a autopromoção e a autocondenação.

Fui padre franciscano durante 26 anos. Durante esse tempo, compreendi o motivo de o fundador da nossa comunidade, Francisco de Assis, não conseguir comer uma refeição num aposento onde tivessse uma Cruz ou crucifixo pendurada sem que lágrimas rolassem pelo seu rosto. É lembrado como o santo mais jubiloso da história cristã. Isso foi possível porque o foco da atenção de Francisco não estava no sofrimento em si, mas no Cristo sofredor. Francisco sabia que se ele tivesse sido a única pessoa a jamais caminhar sobre a terra, Jesus teria suportado a vergonha da Cruz por ele apenas(....)

O reconhecimento da dor de Cristo não pode estar separada do conhecimento do seu amor. Jesus Cristo crucificado não é meramente algum exemplo heróico para a igreja. É o poder e a sabedoria vivos de Deus, capacitando-nos a estender uma mão de cura a pessoas que nos defraudaram, prejudicaram ou nos voltaram as costas. Quando ouvimos a sua oração pelos seus executores: "Pai, perdoa-lhes pois não sabem o que fazem" (Lucas 23: 34), Ele lentamente transforma o nosso coração de pedra em coração de carne. Ao pé da cruz reconhecemos a nós mesmos como inimigos perdoados de Deus e somos capacitados a estender esse perdão e reconciliação.

Retorcendo-se em agonia na Cruz, Jesus diz: "Eu conheço cada momento de pecado, egocentrismo, desonestidade e amor degradado que tem desfigurado a tua vida, e eu não te julgo indigno de compaixão, perdão e salvação. Agora sê assim com os outros. Não julgues ninguém".

Apenas quando reivindicamos o amor do Cristo crucificado com convicção sentida, esse amor que transcende todos os julgamentos, somos capazes de superar qualquer medo de julgamento. Enquanto continuarmos a viver como se fossemos o que fazemos, como se fossemos o que possuímos, e como se fossemos o que os outros pensam de nós, permaneceremos repletos de julgamentos, opiniões, avaliações e condenações. Permaneceremos viciados à necessidade de colocar as pessoas nos seus lugares.»

Brennan Manning, em "A Assinatura de Jesus"

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

As Bem-Aventuranças

«As Bem-aventuranças ( Mt 5:3-12) não são ensinamentos sobre como ser bem-aventurado(...) Não indicam condições especialmente agradáveis a Deus ou boas para os homens. Na verdade, ali não se diz que ninguém está em boa situação por ser pobre, por chorar, por ser perseguido e assim por diante, ou que as condições listadas são formas recomendáveis de alcançar a felicidade perante Deus ou os homens.
Tão pouco, as bem-aventuranças indicam quem estará por cima "após a revolução". São explicações e exemplos, extraídos do ambiente circundante, da actual acessibilidade do reino via relacionamento pessoal com Jesus. Destacam exemplos para demonstrar que, em Jesus, o divino reino dos céus está verdadeiramente disponível mesmo em circunstâncias de vida absolutamente desesperadoras do ponto de vista humano(...)

As Bem-aventuranças simplesmente não podem ser "boa nova" se forem compreendidas como uma série de instruções para que a pessoa alcance a felicidade. Nesse caso não passariam de um novo legalismo. Não serviriam para abrir as portas do reino - muito pelo contrário. Imporiam um novo tipo de farisaísmo, uma nova forma de fechar a porta - e também novas possibilidades, e bem gratificantes, para a engenharia humana da rectidão(...)

Elas servem para esclarecer a mensagem fundamental de Jesus: a graciosa disponiblidade do governo e da justiça de Deus para toda a humanidade pela fé no próprio Jesus - a pessoa que hoje, livre, está no mundo e no meio de nós(...)Essa evidência do amor e da provisão de Deus prova a todos que nenhuma condição humana exclui a bem-aventurança, que Deus pode estender a mão a qualquer pessoa com o seu amor e a sua libertação(...)

Em geral, muitos daqueles que o mundo considera bem aventurados ou "primeiros" são infelizes ou "últimos" para Deus, e muitos daqueles considerados amaldiçoados ou "últimos" pelo mundo podem muito bem ser bem-aventurados ou "primeiros" para Deus, desde que se arraiguem no reino de Jesus. Muitos, mas não necessariamente todos.
As Bem-aventuranças representam listas dos "últimos" segundo os homens, que, sendo tocados pelos céus, tornam-se "primeiros" segundo Deus. O evangelho do reino afirma que ninguém está excluído da bem-aventurança, pois o divino governo dos céus está ao alcance de todos. Todos podem alcançá-lo, e ele pode alcançar a todos. A forma correcta de encarar as Bem-aventuranças de Jesus é viver como se fosse assim, com relação aos outros e a nós mesmos.

Dallas Willard, em "A Conspiração Divina" (alguns grifos são meus)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

O Reino no Meio de Nós

Jesus veio viver entre nós para mostrar e ensinar a vida para a qual fomos criados. Ele veio com muita mansidão, deu acesso ao governo de Deus com Ele e colocou em marcha uma conspiração de liberdade na verdade entre os homens. Tendo vencido a morte, Ele permaneceu no meio de nós. Confiando na Sua Palavra e na Sua presença, podemos reintegrar o pequeno reino que compõe a nossa vida ao reino infinito de Deus. E essa é a vida eterna. Sob o activo domínio de Deus, as nossas obras tornam-se integrantes da eterna história de Deus. São aquilo que nós e Deus fazemos juntos tornando-nos parte da Sua vida e ele parte da nossa(...)

A realidade do reino de Deus, e todos os meios que esse reino implica, está presente em acto e disponível com e pela pessoa de Jesus. Esse é o Evangelho de Jesus(...) Várias passagens do Novo Testamento deixam bem claro que esse reino não é algo a ser "aceite" agora e desfrutado depois, mas algo em que se pode entrar agora (Mt 5:20; 18:3; Jo 3:3, 5). É algo que já tem cidadãos de carne e osso (Jo 18:36; Fp 3:20) que para lá foram transportados (Cl 1:13) e nele são cooperadores (Cl 4:11).

O Apóstolo Paulo em certa ocasião o define simplesmente como "justiça, e paz, e alegria" de espécie tal que só ocorre "no Espírito Santo" (Rm 14:17). O facto de não ser deste (ou derivado deste) mundo ou "daqui" não significa que não é real ou que não está neste mundo (Jo 18:36). Está, como disse Jesus, continuamente dentro da vida humana( Lc 17:21, cf. Dt 7:21). Na verdade significa que é mais real e está mais presente do que qualquer instituição humana jamais poderia(...)

A capacidade de ver e a prática de ver a Deus e o mundo de Deus desenvolvem-se pelo processo de procurar e cultivar intimidade com Ele. (...)
A vida eterna de que fala Jesus não é conhecimento sobre Deus, mas um relacionamento íntimo e interactivo com Ele. (...)
Deus está em torno de nós em Cristo, cercando-nos por todos os lados, com a sua graça multifacetada e plenamente suficiente. Só o que precisamos fazer é abrir o nosso coração.(Ole Hallesby, citado na revista "Christianity Today, 15 de agosto de 1994, pag 40.)
Os céus gradualmente se abrem para nós à medida que o nosso carácter e o nosso entendimento se sintonizam com as realidades do governo de Deus.(...)
O Reino no Meio de Nós é simplesmente o próprio Deus e o reino espiritual dos seres sobre os quais a Sua vontade está perfeitamente presente - "como no céu".

Dallas Willard, em "Conspiração Divina" (alguns grifos são meus)

A União com Cristo


Muitas vezes olhar para Jesus como igual a nós é algo que parece completamente absurdo. Sua santidade, sua pureza, confrontados com nossa frágil humanidade corrompida, nos faz colocá-lo a uma considerável distância. Unir-se a Jesus não é o mesmo que dividir a vida com outro ser humano. A identificação é difícil. E o que era para gerar integração e união pode se transformar em uma total separação.

Mas o princípio para o qual Deus nos chamou para viver é baseado na comunhão com Ele e com o próximo – não necessariamente como um relacionamento humano, que se torna mais fácil de acordo com a empatia. Por isso, necessitamos de um total desprendimento do que somos para nos unirmos a Ele.

Essa união se concretizada, é tão intensa que nos fará assumirmos a forma de Cristo.
Para tanto, seu convite a nós é: Negue-se a si mesmo”. Jesus deseja unir-se ao homem porque o homem foi criado para ser um com Deus. Não somos aquilo pelo qual fomos criados para ser, e o processo de restauração envolve perdas que gerarão ganhos não necessariamente imediatos.

O negar-se a si mesmo pode implicar em uma nova mentalidade diante da vida. Começaremos a ver as coisas com os olhos de Cristo; não de baixo para cima, mas de cima para baixo. Explico: na comunhão com Cristo até os conceitos de vitória e derrota se modificam completamente.

Um rei surrado, humilhado e pendurado numa cruz parece absurdamente derrotado. Seus seguidores sendo massacrados por leões nas arenas romanas não parecem estar triunfando. As pessoas que ainda hoje seguem os ensinamentos de Cristo podem em várias situações parecer fracassadas. A questão é que a vitória, humanamente falando, não vai além do que os olhos vêem. As vitórias proporcionadas por Deus têm um eco eterno.

João Eduardo Cruz, em "Como o Nascer do Sol" (os grifos são meus)



«Quanto mais deixamos que Deus assuma o controle sobre nós, mais autênticos nos tornamos - pois foi ele quem nos fez. Ele inventou todas as diferentes pessoas que eu e você tencionávamos ser (...) É quando me viro para Cristo e me rendo à sua personalidade que pela primeira vez começo a ter minha própria e real personalidade.» - C.S. Lewis

«Ser cristão é viver em Cristo e a partir de Cristo como filho bem amado de Deus Pai.» - Jovens Redentoristas

«Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.» - Gálatas 2, 20

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

A Fuga de Deus

«(...) A nossa civilização está presentemente nos estágios avançados daquilo que Max Picard definiu como "a fuga de Deus". A ideia de um mundo de Deus, mundo que tudo envolve e tudo permeia, que toca cada aspecto da nossa vida, onde podemos estar sempre completamente à vontade e em segurança, independentemente do que aconteça na dimensão visível do universo, é comumente considerada ridícula. Não é difícil enxergar a forma concreta e opressora que a fuga de Deus assume hoje. Não há, por exemplo, nenhuma especialidade das actividades humanas em que a relação com Deus faça obrigatoriamente parte da teoria ou da prática a ser dominada para que a pessoa seja considerada competente. Isso vale para a química e a administração pública, mas também para a educação, a enfermagem, o trabalho policial e muitas vezes, surpreendentemente, para o próprio ministério cristão. Vale para o casamento e a criação dos filhos. Basta observar como as pessoas são ensinadas, avaliadas ou julgadas competentes em qualquer um desses campos: você se verá frente a frente com o panorama da fuga de Deus(...)

Em qualquer área na qual as pessoas devam ser inteligentes e bem informadas, até o cristão mais ponderado e devoto achará difícil fazer uma apresentação convincente da relevância de Deus e do seu mundo espiritual para a "vida real"(...)

Quando essa estratégia de abordagem do "mundo real" triunfa entre aqueles que professam Cristo, eles podem então até ter fé na fé, mas terão pouca fé em Deus. Pois Deus e o seu mundo simplesmente não são "reais" para eles. Podem acreditar na crença, mas não serão capazes de confiar em Deus - como muitas pessoas da nossa sociedade que amam o amor, mas na prática são incapazes de amar gente de carne e osso. Podem acreditar na oração, considerá-la realmente uma coisa boa, mas serão incapazes de orar acreditando e, portanto, dificilmente vão chegar a orar de verdade.
Pessoalmente convenci-me de que muitas pessoas que crêem em Jesus não acreditam na realidade em Deus. Dizendo isso não quero condenar ninguém, mas tentar explicar por que a vida dos crentes está hoje como está, muitas vezes seguindo na direcção contrária daquilo que eles sinceramente pretendem.»

Dallas Willard, em "A conspiração divina" (os grifos são meus)

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Metanóia vs Paranóia

«A palavra bíblica para conversão é metanóia, que significa uma transformação radical do eu interior. Descobrimos que um relacionamento pessoal com Jesus Cristo não pode mais ser contido num código de faça e não faça. Ele torna-se, como escreveu Jeremias, uma aliança escrita nas tábuas de carne do coração e gravada no coração mais profundo do nosso ser.
A conversão abre-nos para uma nova agenda, novas prioridades, uma diferente hierarquia de valores.

"O oposto de conversão é aversão. O outro lado da metanóia é paranóia. A paranóia é normalmente compreendida em termos psicológicos. É caracterizada por medo, suspeita, fuga da realidade. A paranóia resulta comumente em elaboradas alucinações e auto-ilusão. No contexto bíblico a paranóia implica mais do que desequilíbrio emocional ou mental. Ela diz respeito a uma atitude de ser, uma postura do coração. A paranóia espiritual é uma fuga de Deus e do nosso verdadeiro eu.
É uma tentativa de escapar da responsabilidade pessoal. É a tendência de evitar o custo do discipulado e buscar uma rota de fuga das exigências do evangelho. A paranóia de espírito é uma tentativa de negar a realidade de Jesus de tal modo que racionalizamos o nosso comportamento e escolhemos o nosso próprio caminho." - John Heagle, On the Way».( os grifos são meus)

Fonte: Brennan Manning, em "A assinatura de Jesus"

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

"A Hora de Falar Acabou"


"Não percas de vista o final da vida. Não esqueças o teu propósito e destino como criatura de Deus. O que tu és à vista Dele é o que tu és, e nada mais. Lembra-te que quando deixares esta terra não poderás levar contigo nada que recebeste - sinais efémeros de honra, paramentos do poder -, mas apenas o que te foi dado: um coração pleno enriquecido por honesto serviço, amor, sacrifício e coragem." - Francisco de Assis

Para Francisco, o discipulado - seguir a Cristo - não era apenas a coisa mais importante da vida - era a única coisa. Era literalmente uma questão de vida ou morte: sou o que sou aos olhos de Deus e nada mais. O discipulado exige que coloquemos de lado os acessórios, paremos de fazer jogos de palavras e cheguemos á essência das coisas.
Para o seguidor de Jesus a essência está em viver pela fé e não pela religião. Viver pela fé consiste em constantemente redefinir e reafirmar a nossa identidade com Jesus, medindo-nos a partir do padrão que é Ele - não medindo a Ele a partir dos nossos dogmas eclesiásticos e heróis locais.
Jesus é a luz do mundo. Na sua luz descobrimos que não é mera retórica o que Jesus exige, mas renovação pessoal, fidelidade à Palavra e conduta criativa. Como disse Emile Leger quando deixou a sua mansão em Montreal para viver numa colónia de leprosos em África: "A hora de falar acabou."


Brennan Manning, em "A assinatura de Jesus"

domingo, 9 de dezembro de 2007

Viver como Jesus viveu

John Poulton, escreveu: "A pregação mais eficaz provém daqueles que vivem conforme aquilo que dizem. Eles próprios são a mensagem. Os cristãos têm de ser semelhantes àquilo que falam. A comunicação acontece fundamentalmente a partir da pessoa, não de palavras ou ideias. É no mais íntimo das pessoas que a autenticidade se faz entender; o que agora se transmite com eficácia é, basicamente, a autenticidade pessoal".
Havia um professor universitário hindu na Índia que, certa vez, sabendo que um dos seus alunos era cristão, disse-lhe: "Se vocês, cristãos, vivessem como Jesus Cristo viveu, a Índia estaria aos seus pés amanhã mesmo".
Eu penso que a Índia já estaria aos seus pés hoje mesmo, se os cristãos vivessem como Jesus viveu. Oriundo do mundo islâmico, o Reverendo Iskandar Jadeed, árabe e ex-muçulmano, disse: "Se todos os cristãos fossem cristãos — isto é, semelhantes a Cristo —, hoje o islã não existiria mais". - Ed René Kivitz

«Se de facto vivessemos uma vida de imitação à sua, o nosso testemunho seria irresistível. Se ousássemos viver além da preocupação connosco; se recusássemos recuar diante da possibilidade de sermos vulneráveis; se não assumíssemos coisa alguma para além de uma atitude compassiva em relação ao mundo; se fossemos uma contracultura ao desejo insano da nossa nação pelo orgulho da posição, do poder e dos bens materiais; se preferíssemos ser fiéis a sermos bem-sucedidos, as muralhas da indiferença contra Jesus ruiriam. Um punhado de nós seria talvez ignorado pela sociedade; mas, centenas, milhares, milhões desses servos poderiam abalar o mundo. Cristaõs cheios do compromisso autêntico e da generosidade de Jesus seriam o sinal mais espectacular da história da raça humana. O chamado de Jesus é revolucionário. Se o implementássemos, mudaríamos o mundo em poucos meses.» - Brennan Manning, em "A assinatura de Jesus"

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

A Igreja em que acredito (3ª parte)

Repudio a igreja dos sacerdotes de templo, a casta que se considera superior à “reles gente”, os insubstituíveis da relação de Deus com o Seu povo, homens vaidosos e inchados que quase sempre se tornam um dos extremos da mediocridade: inúteis ou mercenários. A igreja dos sacerdotes de templo é aquela em que os peritos do culto querem mandar e perceber mais que o Espírito Santo quando se trata da relação do Homem com Deus. O cumprimento das normas substitui facilmente a Verdade, os ritos ocupam o lugar do Amor e a função do sacerdote esgota toda a acção da comunidade.

Acredito numa Igreja de Discípulos, aquela em que a atitude fundante de todas as opções e escolhas é a escuta orante e sem preconceitos da Palavra do Mestre, fonte permanente de Sabedoria, novidade e apelos de mudança. A Igreja dos Discípulos é aquela em que ninguém se considera superior a ninguém e as comunidades se estruturam de maneira fraterna. O único Mestre é Jesus Cristo e a única Sabedoria que se procura é a do Espírito Santo. Os irmãos que estão especialmente capacitados para explicar o Mistério da Fé e as maravilhas do Amor de Deus fazem-no como um serviço alegre e um Carisma comunitário para o bem de todos, e não como forma de superioridade ou domínio sobre os outros.

Acredito numa Igreja de Profetas, na dinâmica comunitária daqueles que estão implicados na Palavra que proclamam e celebram, aqueles que assumem a totalidade das consequências da sua Fé, da sua Esperança e do seu Amor. A Igreja dos Profetas é aquela que dá à luz gente capaz de morrer por Cristo, é a Igreja indomável diante dos poderes do mundo, contexto comunitário de amadurecimento pessoal de homens e mulheres que não se deixam domesticar pelas “falinhas mansas” de todos os anti-evangelhos de rosto sedutor que por aí andam.

Rui Santiago, Derrotar Montanhas

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

A Igreja em que acredito (2ª parte)

Repudio a igreja dos falsos profetas, aqueles que ousam pôr na boca palavras que ainda não lhes passaram pelo Coração, os que vivem à custa de um Deus que não amam nem servem.
A igreja dos falsos profetas é o submundo apodrecido dos que se servem daquele Deus a Quem dizem servir, os que usam o Seu Nome para procurar os seus próprios interesses, consolações e riquezas, os que não estão implicados nas palavras que debitam, quase sempre iguais, nem são para ninguém Palavra Viva das palavras que dizem!

Acredito numa Igreja de Pobres e Pequenos, aqueles que são capazes de perceber que a Vida é a sua maior riqueza, os que não têm os dias sempre cheios demais para dar importância quotidiana à Palavra de Deus, os que não estão sempre a pensar no que podem ganhar ou perder em cada opção que haja a tomar.
A Igreja dos Pobres e Pequenos é aquela em que as comunidades não querem possuir nem dominar, onde cada um está disponível para partilhar com os outros o que tem, sabe e é. Os Pobres são aqueles que não se recusam a aderir aos projectos de Cristo por medo do que possam perder ou ter que deixar em seu Nome. Os Pequenos são os que não precisam de ser grandes para se sentirem felizes, porque já têm maturidade suficiente para perceber que a única grandeza verdadeira é a do Coração, porque só essa é eterna. A “grandeza” que empequenece os outros à sua volta é uma mentira, nada mais que uma pequenez aumentada até ao ponto de oprimir outros. A verdadeira grandeza é aquela que engrandece os que estão ao lado.
Na Igreja dos Pobres e Pequenos todos são profundamente Ricos e Grandes, porque recupera-se o gosto pelas coisas simples e o maravilhamento pelas belezas não maquilhadas da Vida e da Criação. A Palavra de Deus e o Espírito Santo não deixam que se embruteça o Coração com a brutidade da presunção e da vaidade.

Acredito numa Igreja de Caminhantes, os caminhantes da Liberdade, como aquele povo que se viu livre do Egipto pelo Amor de predilecção de Deus.
A Igreja dos Caminhantes é aquela em que as comunidades são espaços pessoais de libertação, em que acontece a destruição interior de todos os “faraós” opressores e a marcha da Liberdade pelo “deserto” das dúvidas e da procura até à “Terra Prometida” que é saborear um Novo Sentido para viver, pleno, largo, sereno, perene, fonte de paz e fonte de fortaleza.

Rui Santiago, Derrotar Montanhas

A Igreja em que acredito

Repudio a igreja dos fariseus, aqueles que se consideram a medida perfeita de Deus e dos Homens, os que se têm a si próprios como critério para falar de Deus e avaliar os outros. A igreja dos fariseus é a forma mais subtil de ser Anticristo, muitas vezes até em seu Nome! Os fariseus são os que substituíram o Coração por uma régua, trocaram os olhos por microscópios, as mãos por algemas, e quando falam vemos-lhes a língua bifurcada dentro da boca, se estivermos atentos. Fazem mal a toda a gente, a começar por si próprios, porque são o oposto da imagem e semelhança de Deus revelada em Jesus Cristo.

Acredito numa Igreja de Pecadores e Imperfeitos, aqueles para quem Deus pode ainda ser Graça, aqueles que se sentem tantas vezes pisados e desprezados pelos “puros e perfeitos” que já há uns anos também maltrataram o Mestre. A Igreja dos Pecadores e Imperfeitos é aquela em que as comunidades não conhecem divisões entre puros e impuros, aquelas em que, sem ingenuidades nem mediocridades, cada um é aceite tal como é e amado pela Verdade que procura no seu Coração. Para os Pecadores as iniciativas amorosas de Deus são sempre Graça e de graça, e não pagamentos divinos dos seus méritos. Para os Imperfeitos aos olhos dos que se consideram “perfeitos”, a Salvação é o Dom maior e mais admirável do nosso Deus, e não a recompensa eterna pelas suas virtudes. A Igreja dos Pecadores e dos Imperfeitos é aquela em que Deus tem espaço para ser Graça, e todos têm espaço para serem acolhidos sem se sentirem julgados.

Rui Santiago, Derrotar Montanhas

sábado, 1 de dezembro de 2007

Os primeiros cristãos

"Eles caminham com toda a humildade, e bondade e a falsidade não é encontrada entre eles, e amam-se mutuamente. Não desprezam a viúva e não entristecem o órfão. Aquele que tem distribui liberalmente com o que não tem. Se vêem um estranho, trazem-no sob o seu tecto, e regozijam-se com relação a ele como se fosse seu próprio irmão: pois chamam a si mesmos de irmãos, não pelo sangue, mas pelo Espírito de Deus; mas quando um dos seus pobres passa deste para outro mundo, e qualquer deles o vê, provê para o seu sepultamento segundo a sua capacidade; e se ouve de algum dos seus que está preso ou oprimido pelo nome do seu Messias, todos provêem para as suas necessidades, e se for possível ele ser livrado, eles o livram. E se há entre eles alguém pobre e necessitado, e eles não têm em abundância as coisas necessárias, jejuam dois ou três dias para poderem suprir o necessitado com o alimento necessário". (Aristides - filósofo que descreveu os cristãos em 125 d.C.)





«(...) E o Pai brada:"Vais à igreja todos os domingos e lês a Bíblia,
mas o corpo do meu Filho está partido!
Memorizas versículo e capítulo e honras todas as tradições,
mas o corpo do meu Filho está partido!
Recitas o credo e defendes a ortodoxia,
mas o corpo do meu Filho está partido!
Remetes-te de volta à tradição e progrides em direcção a uma renovação,
mas o corpo do meu filho está partido!»
Brennan Manning, em "A assinatura de Jesus" (adaptado)