domingo, 29 de abril de 2007

Sedentos de Amor

Recentemente, conheci um pouco da história de vida de Henri Nouwen(http://pt.wikipedia.org/wiki/Henri_Nouwen) através de um livro de Philip Yancey - "Alma Sobrevivente". Senti-me deveras impressionado com a coragem, sabedoria, abnegação, humildade e amor demonstrados por este padre, escritor, teólogo...Sinto muito prazer em partilhar alguns pensamentos, reflexões e observações que Henri Nouwen fez a respeito das suas experiências de vida cristã, assim como a influência que este homem exerceu sobre Philip Yancey( e milhares de pessoas) e que ele descreve no livro que mencionei anteriormente.

"Quão pouco nós realmente sabemos sobre o poder do toque físi­co", escreveu Nouwen durante sua permanência no Peru. Ele visitara recentemente um orfanato em que as crianças, carentes de afeição, lutavam pelo privilégio de tocar nele. "Aqueles meninos e meninas queriam apenas uma coisa: serem tocados, abraçados, afagados e acari­ciados. É bem possível que a maioria dos adultos tenha as mesmas necessidades, mas tenham perdido a inocência e a consciência desinte­ressada de expressá-la. Há momentos em que vejo a humanidade como um mar de pessoas famintas por afeição, ternura, carinho, amor, aceita­ção, perdão e bondade. Parece que todo o mundo está dizendo: «Por favor, ame-me».

Durante alguns anos, Henri nouwen trabalhou numa clínica de doentes com sida. Na clínica, Nouwen ouvia histórias pessoais. "Sou um padre, este é meu trabalho. Ouço as histórias das pessoas. Elas se confessam a mim." O escritor Philip Yancey relata:"Ele me contou de jovens banidos de suas próprias famílias, forçados a se prostituir nas ruas. Alguns deles tinham centenas de parceiros com quem haviam se encontrado em casas de banho, cujos nomes nunca soube­ram, sendo que, de um desses parceiros, eles haviam contraído o vírus que agora os estava matando.Nouwen olhou para mim com seus olhos penetrantes, brilhando de compaixão e dor. «Philip, aqueles rapazes estavam morrendo - literal­mente - por causa da sua sede de amor.» Ele prosseguiu, contando-me histórias individuais que ouvira ali. Todos os relatos tinham em comum a busca por um lugar seguro, por um relacionamento estável, por um lar, por aceitação, por amor incondicional, por perdão - a própria busca de Nouwen, percebo hoje.

"Através dos olhos de Nouwen, passei a olhar essas pessoas com outros olhos. Não como imorais e ímpias, mas como sedentas, como pessoas que morriam por amor. Como a mulher samaritana no poço, elas haviam bebido uma água que não as satisfazia. Precisavam da Água Viva. Depois de conversar com Nouwen, todas as vezes que encontrava alguém cujo comportamento me ofendia ou revoltava, eu orava, dizendo: "Deus, ajude-me a ver esta pessoa não como alguém repulsivo, mas como uma pessoa sedenta.Quanto mais orava assim, mais me via do mesmo lado da pessoa que me causava repulsa. Eu também não tinha nada a oferecer a Deus, senão minha sede. Como o irmão mais velho da parábola, nunca pode­rei experimentar a graça de Deus limpando minha vida ou participar da festa da família, se ficar do lado de fora da sala do banquete, de braços cruzados, numa postura de superioridade moral. A graça de Deus vem como um presente gratuito, mas somente aquele que estiver com os bra­ços abertos poderá recebê-la.Pobreza, dor, luta, angústia, agonia e até mesmo escuridão interior podem continuar a fazer parte de nossa experiência. Tudo isso pode até mesmo ser a maneira de Deus nos purificar. Mas a vida deixa de ser maçante, rancorosa, depressiva ou solitária porque passamos a entender que tudo que acontece faz parte do caminho que trilhamos rumo à casa do Pai." - Philip Yancey, Alma Sobrevivente

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Entrevista com o autor de "O Mestre dos Mestres"

Hoje, tenho o prazer de partilhar alguns excertos duma entrevista televisiva concedida pelo Dr. Augusto Cury. Para quem não o conhece, recomendo a leitura dos posts que publiquei com marcador Análise da Inteligência de Cristo.

Se me pedissem para elaborar uma lista tipo "Os livros da minha vida", certamente que incluiria alguns livros escritos por este médico psiquiatra. Teria alguma dificuldade em seleccionar dois ou três, porque já li imensos e gostei de todos. Contudo, não hesitaria em colocar no topo dessa lista a colecção "Análise da Inteligência de Cristo" (O Mestre dos Mestres, O Mestre da Sensibilidade, O Mestre da Vida, O Mestre do Amor e O Mestre Inesquecível).

Foi através desta entrevista televisiva que, pela primeira vez, tive oportunidade de ver e ouvir falar o Dr. Augusto Cury(antes, apenas havia lido algumas entrevistas na internet, jornais e revistas). Nesta entrevista são abordados diversos assuntos: educação, família, padrões de beleza, depressão, ciência, atéismo, amor... Eu escolhi destacar alguns blocos da entrevista relacionados com Jesus Cristo( a sua Inteligência ímpar; os seus ensinamentos e comportamentos; o seu amor pela humanidade...). No entanto, recomendo que vejam e oiçam com atenção toda a entrevista, pois vale muito a pena!

Entrevista com o Dr. Augusto Cury - bloco 1, parte 1

bloco 1, parte 2

bloco 1, parte 3

bloco 1, parte 4


Para quem estiver interessado em seguir o resto da entrevista, basta clicar nos links abaixo:
Bloco 2, parte 1 - http://www.youtube.com/watch?v=Y9OqJEWtMME
Bloco 2, parte 2 - http://www.youtube.com/watch?v=AL494soLozE
Bloco 2, parte 3 - http://www.youtube.com/watch?v=dO4StE9zyHs

sexta-feira, 20 de abril de 2007

"Como Eu vos amei, amai-vos também vós uns aos outros"

Os livros são uma parte indissociável de mim.Há livros que são autênticas descobertas. Principalmente os livros que tenho lido ultimamente. A maior parte relacionados com Jesus e os ensinamentos dos evangelhos(mas não só). São livros que têm aumentado a minha percepção e conhecimento de Jesus e me aproximado cada vez mais do Deus Pai que Ele nos revelou. Recentemente, tem crescido o meu assombro e tocado profundamente o meu coração a forma como Jesus tratava e se relacionava com certas pessoas que, naquela época, eram consideradas a "escumalha" ou a "ralé" da sociedade. Gostaria de destacar esta questão, porque ela é pertinente e de um grande significado para os dias actuais, para a sociedade em que vivemos e a forma como vivemos e nos relacionamos uns com os outros.

Quem já leu a Bíblia, e mais concretamente os evangelhos, poderá ter-se deparado com uma passagem em que Jesus é descrito e acusado de ser "um comilão e um bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores" (Lucas 7:34) . Jesus partilhava muitas refeições com pessoas que, na sociedade do seu tempo, eram consideradas impuras, indignas, abomináveis ou repugnantes( prostitutas, publicanos, leprosos, adulteros, gentios...). Ele era criticado e condenado por determinados sectores da sociedade devido a esse comportamento, que era considerado estranho e invulgar. Porque é que Ele era criticado e rejeitado por alguns membros sociedade judaica que consideravam esse seu comportamento errrado e condenável? Porque é que Jesus tinha preferência pelos pobres, marginalizados e oprimidos? Porque é que Jesus se sentava à mesa com eles, comia e conversava com eles? Como é que essas pessoas se sentiam na sua presença? Como é que Jesus olhava para elas? Como é que Ele as tratava?

No seu livro "O Evangelho Maltrapilho", Brennan Manning diz:" No Judaísmo da Palestina do primeiro século o sistema de classes era colocado em vigor à risca. Era legalmente proibido misturar-se com pecadores à margem da lei: sentar-se à mesa com mendigos, cobradores de impostos(traidores da causa nacional, porque colectavam impostos do seu próprio povo para Roma, a fim de ganharem uma comissão) e prostitutas era tabu religioso, social e cultural(...)
No Oriente Médio, compartilhar de uma refeição com alguém é uma garantia de paz, confiança, fraternidade e perdão: a mesa compartilhada representa a vida compartilhada. Para um judeu ortodoxo, dizer «gostaria de jantar consigo» é uma metáfora que implica «gostaria de iniciar uma amizade consigo» (...)

A preferência de Jesus por gente de menor envergadura e a sua parcialidade em favor dos maltrapilhos é facto irrefutável na narrativa do Evangelho. Como disse o filósofo francês Maurice Blondel:«Se quiseres realmente compreender um homem, não ouças apenas o que ele diz, mas observa o que ele faz.»
Um dos mistérios do evangelho é essa estranha atracção de Jesus pelos que não tinham nada de atraente, esse estranho desejo pelos que não eram em nada desejáveis, esse estranho amor pelos que não tinham nada de amável. " Qual a chave deste mistério? "Jesus faz o que Ele vê o Pai fazer, Ele ama aqueles que o Pai ama. ( Joaõ 14:10; 12:44,45 ; 7:16-18).
Seu ministério era com aqueles que a sociedade considerava pecadores de verdade. Eles não tinham feito coisa alguma para merecer a salvação, ainda assim abriam o coração para a dádiva que lhes era oferecida." Como é que esses pecadores se sentiam perantes os gestos amorosos e acolhedores de Jesus? Como isso os afectava? Que impacto produzia nas suas vidas?

No seu livro B. Manning cita um escritor que diz:" Seria impossível subestimar o impacto que essas refeições devem ter tido sobre os pobres e os pecadores. Aceitando-os como amigos e como iguais Jesus havia removido a vergonha, a humilhação e a culpa deles. Ao demonstrar que eles importavam para ele como pessoas, Ele concedeu-lhes um senso de dignidade e libertou-os do seu antigo cativeiro. O contacto físico que Ele deve ter tido com eles à mesa( João 13:25) e que Ele obviamente nunca sonharia em condenar( Lucas 7:38,39) deve tê-los feito sentirem-se limpos e respeitáveis. Além disso, porque Jesus era visto como um homem de Deus e como profeta, eles teriam interpretado o seu gesto de amizade como a aprovação de Deus sobre eles(...)"

Por que é que Jesus tinha preferência por este tipo de pessoas e amava-as tanto? O que é que Ele via nelas? Como escreveu Helmut Thielicke:"... Seus olhos captavam a origem divina que está oculta por toda a parte - em cada homem!... Primeiro, e principalmente, Ele nos dá novos olhos...
Quando Jesus amava uma pessoa qualquer carregada de culpa e a ajudava, via nela um filho de Deus desviado. Via um ser humano a quem seu Pai amava e por quem se entristecia por ele andar em caminhos errados. Ele o via como Deus o concebera originalmente e queria que ele fosse e, portanto, olhava, por baixo da camada superficial da sujeira e da imundície, para o verdadeiro homem. Jesus não identificava a pessoa com o seu pecado, antes via nesse pecado alguma coisa estranha, alguma coisa que realmente não fazia parte da pessoa, alguma coisa que simplesmente a acorrentava e a dominava e da qual Ele a libertaria e a traria de volta para o seu verdadeiro eu. Jesus foi capaz de amar os homens porque Ele os amava da maneira certa através da camada de lama."

Que significado tinha para aquelas pessoas o facto de Jesus conviver com elas intimamente? Regressando ao livro "Evangelho Maltrapilho": "Os convidados pecadores de Jesus estavam muito conscientes de que a comunhão à mesa envolvia mais do que mera polidez ou cortesia. Ela significava paz, aceitação, reconciliação e irmandade(...)
Como é que eles viviam essa experiência? Como reagiam? "Os maltrapilhos descobriam que compartilhar de uma refeição com Ele era uma experiência libertadora de puro júbilo. Ele os libertava da autodepreciação, exortava-os a não confundirem a sua percepção de si mesmos com o mistério que de facto eram, dava-lhes o que precisavam mais do que qualquer coisa - encorajamento para a vida - e distribuía palavras reconfortantes como «Não vivam sob o domínio do medo, pequeno rebanho; não temam; o medo é inútil, necessária é a confiança; não se preocupem;animem-se - seus pecados são perdoados»"

Jesus repreendeu os fariseus( que tinham uma ética e moral insuperáveis) e acolheu as meretrizes e os publicanos. Chegou inclusive a afirmar que estes precederiam os fariseus no reino dos ceús"(Mateus 21:3) Qual destes grupos nós aprovaríamos e qual rejeitaríamos? Porque é que as meretrizes e os publicanos tinham vantagem em relação aos fariseus?
No livro "O Mestre da Vida", Augusto Cury responde que a vantagem está "nos sentimentos ocultos no coração(...) Os fariseus eram orgulhosos, arrogantes, auto-suficientes, não precisavam de um mestre e nem de um médico para reparar os pilares das suas vidas, por isso baniram drasticamente Aquele que dizia ser o filho do Altíssimo.
Por outro lado, as prostitutas e os publicanos reconheciam os seus erros, injustiças e fragilidades, e por isso amaram intensamente Jesus. Muitos deles choraram de gratidão pelo acolhimento carinhoso do Mestre da vida. Aquele que teceu o homem amou a todos, mas só conseguiu tratar dos que admitiam que estavam doentes, dos que tiveram a coragem de se chegar a Ele, ainda que com lágrimas."
Jesus aprecia a honestidade, a franqueza, a autenticidade. Jesus ama aqueles que, apesar das suas inúmeras falhas e pecados, são capazes de as reconhecer humildemente e arrepender-se.


"Quando proclamamos «o meu conhecimento teológico é melhor do que o dos outros», «a minha moral é mais elevada do que a deles», será que Aquele que vê em secreto se agrada desses comportamentos?Talvez alguns miseráveis da nossa sociedade, aqueles para quem facilmente apontamos o dedo, tenham um coração melhor do que o nosso. Não disse Jesus que "com o mesmo critério que julgarmos os outros seremos julgados?(Mateus 7:2) Se empregamos tolerância e compreensão, o Autor da vida compreender-nos-á e nos tratará com tolerância(...) Os que empregam tolerância compreendem as próprias limitações e, por conhecê-las, vêem melhor as fragilidades dos outros(...) Os homens que não se conhecem são especialistas em apontar o dedo aos outros(...) O homem que não é juiz de si mesmo nunca está apto para julgar o comportamento dos outros."
Leiam as parábolas: Lucas 18:9-14; Mateus 18:23-35.

Jesus disse que não veio chamar os justos, mas os pecadores.(Mateus 9:13) Quem necessita de médico:os sãos ou os doentes? (Lucas 5:31) Aqueles que eram desprezados, excluídos, oprimidos, rejeitados, discriminados pela sociedade da época, eram perdoados, acolhidos e compreendidos e sarados por Jesus. (João 8:3-11; João 4:6-30; Mateus 8:1-4; Mateus 20:29-34)

Perante tudo isto, creio que é importante ponderar uma série de questões importantes: Será que os cristãos estão a seguir os passos de Cristo no que diz respeito ao modo como tratam o seu semelhante?Não nos disse Jesus para amarmos os nossos inimigos e amarmo-nos uns aos outros como Ele nos amou? Somos fortes e evitamos atitudes de exclusão, discriminação, rejeição; ou pelo contarário, somos fracos e não toleramos aqueles que são diferentes de nós?
Somos compassivos, pacientes, compreensivos e ajudamos aqueles que pecam e precisam do nosso perdão, do nosso acolhimento e encorajamento; ou pelo contrário, mostramos ser juizes frios, implacáveis e insensiveis à dor e sofrimento dos maltrapilhos que nos rodeiam? Com que frequência julgamos e condenamos atitudes e comportamentos que somos incapazes de reconhecer em nós mesmos?
Não disse Jesus que Deus perdoa os nossos pecados na medida em que nós perdoamos os dos outros? Será que Deus nos julga pela aparência, pela grandiosidade das nossas obras ou pelas virtudes exemplares que julgamos possuir? Será que quando pecamos temos de nos sentir permanentemente culpados e indignos da aprovação e do perdão de Deus?Acreditamos verdadeiramente no amor e na graça de Deus?


Tenho meditado imenso sobre estas e outras questões e, de uma coisa estou certo: sou um ser incompleto, pecador, injusto, limitado, imperfeito, frágil... Por isso(e por muito mais razões), tenho necessidade de me voltar para Deus(e o seu Amor incondicional) em oração e pedir-Lhe que me complete, me perdoe os pecados, me fortaleça e me ajude a seguir de perto os passos de Cristo, que nos mostrou o caminho e nos legou um modelo para seguir com humildade, honestidade, fé, alegria, esperança, amor, perseverança e dedicação.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

O Tesouro do coração


Hoje, abri um livro de poesia e, dentro dele, encontrei algumas folhas soltas com poemas escritos por um grande e insubstituível amigo que, apesar da distância e do tempo, permanece no meu coração como um tesouro inestimável. Gostaria de partilhar um poema que ele escreveu faz imenso tempo(tantas saudades)... o poema fala por si...

Se encontrares um tesouro no teu coração
ninguém te roubará nada,
e o teu olho será a porta
onde irei penetrar e adormecer descansado;
E a tua boca produzirá
palavras que não serão apenas palavras,
serão mãos estendidas aos pobres,
serão fome e sede curadas.

Irei penetrar nos teus olhos
a caminho do teu coração.
Quando eu chegar lá,
serei curado pela batida pura,
pela bondade e compreensão.

Se encontrares uma fonte,
dá de beber ao pobre.
Se encontrares uma árvore,
dá de comer ao pobre.
Se encontrares o tesouro no teu coração,
dá amor ao pobre.

terça-feira, 17 de abril de 2007

A eternidade no coração do homem


Gosto imenso de um blog com um nome compridíssimo: "tens a eternidade estampada no rosto".
A Bíblia diz em Eclesiastes 3:11 que "Deus colocou a ideia de eternidade na mente(ou no coração) do homem."
Creio que grande parte de nós já sentiu ou experimentou esse anseio de eternidade, de transcendência. Em cada ser humano existe o instinto, o desejo de superar a finitude, a dor, o sofrimento, as angústias existenciais e o caos da morte.
"Quem não almeja a eternidade? Todos. Mesmo as pessoas que pensam em suicídio têm sede e fome de viver. Eles apenas querem exterminar a dor que estrangula a sua emoção e não a vida que pulsa dentro de si mesmas. Fazemos seguros, colocamos fechaduras nas portas, tomamos medicamentos quando doentes, desenvolvemos uma complexa medicina, ciências biológicas e agrárias, porque temos sede de viver."(1)

Quem é que nunca se sentiu encantado, extasiado ou comovido perante a beleza de uma paisagem, de um quadro ou monumento? Quem é que nunca chorou ou riu ao ver um filme, ouvir uma música ou ler um bom livro? "C.S. Lewis chamou «Gotas de graça» aqueles rumores de transcendência que ele experimentava quando ouvia música, lia mitologia grega ou visitava uma catedral. Todos sentimos esse anseio ás vezes: no sexo, na beleza, na música, na natureza, no amor.
De onde veio nosso senso de beleza e prazer? Para mim essa parece uma questão gigantesca - o equivalente filosófico, para os ateus, ao problema do sofrimento para os cristãos(...) G. K. Chesterton considera o prazer, ou eternidade no seu coração, o sinal que um dia o conduziu a Deus: Tinha surgido na minha mente uma vaga e esmagadora impressão de que, de alguma forma, todo o bem era remanescente de alguma ruína dos primórdios a ser guardado e mantido em lugar sagrado. O homem tinha resgatado o seu bem como Robinson Crusoé salvara os seus: este os tinha resgatado de um naufrágio. Tudo isso eu sentia, e a idade não me dava coragem para senti-lo. E todo esse tempo nem tinha pensado em teologia cristã" (2)

Os seguidores de Cristo, que exercem fé na Palavra de Deus e no sacrifício resgatador de Jesus, sabem por que "Deus colocou a eternidade no coração do homem"; sabem também que isso não é um sonho, mas que se tornou realidade por intermédio da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Ele é a "ressurreição e a vida" (João 11:25); "o caminho, a verdade e vida" (João 14:6).
Os verdadeiros seguidores de Cristo trazem "a eternidade estampada no rosto" como reflexo da fé, da esperança, do amor, da alegria de conhecer e seguir Aquele que os conduz a uma vida infindável, abundante e gloriosa.

(1) "O Mestre inesquecível", Augusto Cury
(2) " A Bíblia que Jesus lia", Philip Yancey

sábado, 14 de abril de 2007

A arte da pergunta e da dúvida

Jesus Cristo foi realmente um mestre sublime, brilhante, criativo e ousado. Augusto Cury teve a perspicácia e o discernimento necessários para estudar e explicar as principais características e funções da inteligência Cristo. Um estudo e uma análise que pode ajudar cada um de nós a expandir a arte de pensar.
No seu livro "O Mestre dos Mestres" ele afirma: "Estudar a ousada, criativa e elegante inteligência de Cristo poderia expandir a arte de pensar dos estudantes de qualquer idade e nível escolar, do ensino fundamental ao universitário. Entre as habilidades da sua inteligência estão a arte da pergunta e da dúvida.
Grande parte dos alunos das escolas clássicas não desenvolve a arte da pergunta e da dúvida. Eles têm receio de perguntar, de expor as suas dúvidas e de discutir abertamente o conhecimento que lhe é transmitido(...)
O incentivo que se dá à arte da pergunta e à arte da dúvida é tão frágil nas escolas clássicas que é insuficiente para estimular a arte de pensar. O deleite do saber está reduzido. A resposta é oferecida de maneira pronta, elaborada. E a resposta pronta esmaga a arte da pergunta, retrai a arte da dúvida, esgota a curiosidade e a criatividade.
O que é mais importante: a resposta ou a dúvida? Num primeiro momento, é sempre a dúvida, pois ela esvazia-nos e estimula o pensamento. O que determina o tamanho da resposta é o tamanho da dúvida(...)
O trabalho mais difícil de um mestre não é fornecer respostas, mas estimular os seus alunos a desenvolver a arte de pensar. Todavia, não há como estimulá-los a pensar se não aprenderem sistematicamente a perguntar e duvidar.
Cristo era um exímio perguntador. Era um mestre que estimulava continuamente as pessoas a duvidar dos seus dogmas e a desenvolver novas possiblidades de pensar. Quem analisar com atenção as suas biografias descobrirá essa característica da sua personalidade. Às vezes, Ele perguntava mais do que respondia. Há várias situações em que respondia às perguntas não com respostas, mas com outras perguntas(Lucas 20, 2-3).
Certa vez, Cristo perguntou aos seus discípulos:«Quem diz o povo que Eu sou?» Ele sabia o que o povo dizia dele, mas fazia perguntas para estimular os seus discípulos a pensarem. Numa outra ocasião, perguntou à mulher adúltera:«Mulher, onde estão os teus acusadores?» Ele sabia que os acusadores já se tinham retirado, pois ficaram perturbados perante a sua inteligência, mas queria que aquela mulher se interiorizasse e reflectisse sobre a sua história(...)
Cristo falava constantemente por parábolas. Ele preocupava-se mais com a arte da pergunta do que em satisfazer a ansiedade da resposta(...)
Cristo queria que os seus discípulos recebessem uma outra natureza e fossem transformados nas suas raízes íntimas(...)
O mestre dos mestres fornecia poucas regras e ensinamentos religiosos. A sua preocupação fundamental era conduzir o homem a ser um caminhante nas trajectórias do seu próprio ser e ampliar o seu foco de visão sobre os amplos aspectos da existência. A actuação surpreendente de Cristo, numa época em que não havia qualquer recurso pedagógico, valoriza muito o papel dos mestres nas sociedades modernas.
Os professores são heróis anónimos, fazem um trabalho clandestino. Eles semeiam onde ninguém vê, nos bastidores da mente. Aqueles que colhem os frutos dessas sementes raramente se lembram da sua origem, do labor dos que as plantaram. Ser mestre é exercer um dos mais dignos papeís intelectuais da sociedade, embora seja um dos menos reconhecidos. Os alunos que não conseguem avaliar a importância dos seus mestres na construção da inteligência nunca conseguirão ser mestres na sinuosa arte de viver.
A história de cristo evidencia que os mestres são insubstituíveis numa educação profunda, numa educação que promove o desenvolvimento da inteligência multifocal, aberta e ampla, e não unifocal, fechada e restrita."

Dar a outra face

A maior parte de nós conhece esta expressão e reconhece-a como um ensinamento de Jesus. Contudo, acredito que poucos compreendem o alcance, a essência e o verdadeiro significado deste ensinamento. Retomando o livro " O Mestre dos Mestres" , podemos encontrar uma explicação interessante sobre dar a outra face.
"Cristo não falava da face física, da agressão física que compromete a preservação da vida. Ele falava da face psicológica.
Se fizermos uma análise superficial, poderemos equivocar-nos e crer que dar a outra face é uma atitude frágil e submissa. Todavia, temos de nos perguntar: dar a outra face é um sinal de fraqueza ou de força? Dar a outra face incomoda pouco ou muito uma pessoa agressiva e injusta? Se analisarmos a construção da inteligência, constataremos que dar a outra face não é um sinal de fraqueza, mas de força e segurança. Só uma pessoa forte é capaz de dar a outra face. Só uma pessoa segura dos seus próprios valores é capaz de elogiar o seu agressor. Quem dá a outra face não se esconde, não se intimida, mas enfrenta o outro com tranquilidade e segurança.
Quem dá a outra face não tem medo do agressor, pois não se sente agredido por ele, e nem tem medo da sua própria emoção, pois não é escravo dela. Além disso, nada perturba tanto uma pessoa agressiva como dar-lhe a outra face, como não responder à sua agressividade com agressividade. Dar a outra face incomoda tanto essa pessoa que é capaz de lhe causar insónia. Nada incomoda tanto uma pessoa agressiva como ter para com ela uma atitude complacente.
Dar a outra face é respeitar o outro, é procurar compreender os fundamentos da sua agressividade, é não usar a violência contra a violência, é não se sentir agredido diante das ofensas que lhe desferem. Somente uma pessoa que é livre, segura e que não gravita em torno do que os outros pensam e falam de si é capaz de agir com tanta serenidade.
Cristo era uma pessoa audaciosa, corajosa, que enfrentava sem medo as maiores dificuldades da vida. Era totalmente contra qualquer tipo de violência. Todavia, Ele não discursava sobre a prática da passividade. A humildade que proclamava não era fruto do medo, da submissão passiva, mas da maturidade da personalidade, confeccionada por intermédio de uma emoção segura e serena.
Cristo, através do discurso de dar a outra face, queria proteger a pessoa agredida, fazê-la transcender a agressividade imposta pelo outro e, ao mesmo tempo, educar o agressor, levá-lo a perceber que a sua agressividade é um sinal de fragilidade(...)
Na proposta de Cristo, o agressor passa a rever a sua história e a compreender que se esconde atrás da violência."

segunda-feira, 9 de abril de 2007

O meu caminho

Se há alguns anos atrás me dissessem que hoje estaria aqui a falar da minha fé em Jesus como Filho de Deus e nosso Salvador, provavelmente veria com cepticismo essa possibilidade. Nessa altura, lia com entusiasmo os filósofos ateus e incorporava algumas das suas ideias e concepções mais radicais a respeito de Deus em geral e do cristianismo em particular. Sempre que me envolvia em discussões sobre Deus expunha com paixão e fervor os meus argumentos baseados nas ideias desses filósofos. Confesso que por vezes me excedia e não soube exercer a tolerância.

Depois dessa fase recordo-me de ter explorado outras filosofias e pensamentos, nomeadamente, de origem oriental. Também investiguei um certo misticismo hoje em dia muito em voga, que despertou a minha curiosidade e me envolveu durante algum tempo. Procurava o caminho da felicidade e respostas para inúmeras questões que me atormentavam o espírito.Qual o sentido da vida? Por que existimos? De onde viemos?Para onde vamos? Julguei encontrar algumas respostas...mas logo surgiam mais perguntas e a inquietação e a sede de conhecimento brotavam do âmago do espírito.

Hoje, quando olho para trás , tenho a nítida sensação que Deus esteve sempre do meu lado, mas não interferiu nas minhas escolhas, nas minhas opções, na minha busca de respostas. Deu-me liberdade para conhecer, descobrir, explorar, pensar, reflectir. No fundo, eu procurava-O inconscientemente.

Rapidamente rejeitei o deus da minha infância do qual sempre guardara reminiscências, mas que para mim sempre fora um deus distante, ausente, sofredor...um deus imposto pela tradição, pelo medo...um deus venerado em rituais desprovidos de sentido...um deus lembrado em ocasiões especiais, mas cujos mandamentos e preceitos raramente eram interiorizados e aplicados diariamente. Um deus que não tocou o meu coração, não o iluminou com a luz da fé e a chama do amor.Durante grande parte da adolescência pouco ou nada me interessei por Deus. Tenho a sensação que atravessei um deserto até chegar à fonte que hoje sacia a minha sede. Uma fonte da qual brota água viva. Como cheguei a essa fonte? Quem me conduziu a ela?

A minha busca foi quase sempre solitária e marcada pela dor, a sensação de vazio e insatisfação, a inquietação, a solidão. Mas reconheço que Deus esteve sempre ao meu lado, que me consolou e fortaleceu, apesar da minha rejeição, da minha rebeldia, da minha falta de fé.Cheguei à Bíblia(um livro do qual tanto ouvira falar, mas que me era praticamente desconhecido e constituía um imenso mistério) de uma forma curiosa. As filosofias e religiões orientais conduziram-me a uma conferência sobre uma filosofia ou conhecimento milenar, um assunto até aí desconhecido para mim. Depois da conferência fui convidado para me reunir com outras pessoas que também demonstraram interesse nos assuntos abordados na conferência e desejavam aprofundar os seus conhecimentos. Os assuntos e temas tratados nas reuniões eram os mais diversos e enigmáticos. Era um vasto universo de conhecimentos religiosos, místicos e ancestrais. Estudavam-se civilizações antigas, alquimia, psicologia, filosofia, mitos, lendas(em termos filosóficos posso aplicar neste contexto o termo sincretismo). Confesso, que tudo aquilo me fascinava mas, ao mesmo tempo, deixava-me confuso e desorientado. Entre os assuntos que eram abordados, chegámos a falar da Bíblia e de Jesus, embora o "livro sagrado" daquela seita seja outro e a Bíblia considerada de menor relevância. Eu não podia ter acesso à "bíblia" deles por ser considerado apenas um estudante e como desejava saber mais sobre Jesus e confirmar a veracidade das teorias e filosofias que aprendia, comecei a ler a Bíblia. Tinha um exemplar em casa que fora oferecido ao meu falecido pai, com a dedicatória:"amizade cristã".

Quando comecei a ler a Bíblia queria apenas confirmar se ela falava de assuntos como o "Karma" , a "Reencarnação" . Comecei a le-la com esse espírito, com ideias pré-concebidas. Mas, com o tempo, comecei a ter "alguma luz" e o que mais me fascinava e intrigava eram os relatos da vida de Jesus, os seus ensinamentos simples, os seus discursos tão fortes e cativantes, as suas parábolas misteriosas, a fé das pessoas que o seguiam, os milagres poderosos, a promessa da vida eterna e dum Reino Celestial.

Entretanto, continuava a participar nas reuniões semanais daquela "sociedade secreta". Éramos 6 ou 7 pessoas e duas professoras. Um grupo pequeno que se considerava uma elite, um conjunto de eleitos com acesso a conhecimentos ocultos, secretos.

Entretanto, a minha leitura pessoal da Bíblia prosseguia com muito interesse e entusiasmo. Foi durante essa fase que, num Domingo de manhã, enquanto fazia mais uma incursão pela Bíblia, recebi a visita de duas pessoas que me falaram da promessa de um Paraíso e afirmavam basear a sua fé nas escrituras sagradas. Como estava muito interessado na Bíblia conversei um pouco com elas e no fim da visita ofereceram-me revistas que abordavam assuntos bíblicos. Combinámos novo encontro na semana seguinte. Eu li as revistas, mas confesso que pouco interesse me despertaram. Entretanto, no Domingo seguinte recebi novamente a sua visita e como estava interessado em saber mais sobre a Bíblia aceitei um estudo bíblico que me propuseram. Falei-lhes das reuniões que frequentava quando iniciámos o estudo e eles rapidamente me demonstraram através das escrituras que as teorias, filosofias, profecias ou ensinamentos que não estejam em harmonia com a mensagem bíblica não têm a aprovação de Deus. Agradeço-lhes até hoje por me terem esclarecido sobre essa e outras questões.

Não abandonei a "sociedade secreta" de imediato, pois não estava totalmente convencido dos argumentos bíblicos. Um acontecimento estranho acabou por influenciar a minha decisão de abandonar aquele grupo, embora as razões fundamentais estivessem relacionadas com as verdades que ia descobrindo na Bíblia. Prossegui o estudo da Bíblia que aceitara e, mais tarde, comecei a frequentar as reuniões daquela organização religiosa. Sentia-me deveras entusiasmado com o que aprendia e com o entendimento progressivo das verdades bíblicas. Nas reuniões fui muito bem acolhido e integrei-me com alguma facilidade. Mais tarde, cheguei a participar em algumas actividades daquela religião e estive quase a fazer a minha dedicação através do baptismo. Contudo, não o fiz. Comecei a ter dúvidas e havia muitas questões que me perturbavam e para as quais não encontrava resposta. Mas, eu fazia de tudo para esquecer ou contornar essas questões e não usava de espírito crítico para questionar e confirmar a veracidade dos ensinamentos que me eram transmitidos. Ainda permaneci dentro da organização durante algum tempo, até que um dia decidi não continuar. Embora acreditasse na quase totalidade das "verdades" que me ensinaram, pesara mais o sentimento que não valia a pena continuar, se não estava disposto a aceitar e cumprir determinadas normas e regras de conduta baseadas em interpretações duvidosas de textos bíblicos.

Hoje, tenho muitas razões para acreditar que fiz a escolha certa, mas nem sempre vivi essa convicção e, devo confessar que durante muito tempo, pensei que tinha traído a Deus, que O abandonara ao afastar-me da "verdade". Considerava-me indigno da Sua aprovação. Acreditava que fora daquela organização não havia salvação e que toda a minha busca de Deus fora dela seria vã e infrutífera. Considerava-me um condenado espiritual, um dissidente, um apóstata( termo utilizado por aquela organização para definir os que se afastam ou são afastados da organização por não viverem em harmonia com os seus preceitos e regras).

Um dia(alguns anos depois do meu último contacto com essa religião), decidi investigar alguns sites que andava a evitar e cujo conteúdo me surpreendeu e abriu novas perspectivas. Senti um grande alívio e consolação quando descobri que outras pessoas também viveram as minhas dúvidas, dilemas e questionamentos. Também me deparei com revelações que me arrancaram a ténue e frágil venda que trazia nos olhos. Durante muitos dias e longas horas mergulhei naquelas páginas de informação preciosa e estudei, investiguei, reflecti sobre tudo o que me havia sido ocultado e que eu não tive a perspicácia nem o discernimento para perceber. Por vezes, acreditamos naquilo que queremos acreditar, sem passarmos as crenças pelo filtro da razão, da consciência crítica, do estudo profundo, e não é isso o que Deus requer de nós. A sua Palavra exorta-nos:"Examinai tudo. Retende o bem( I aos TESS. 5, 21).Quero sublinhar que nem tudo o que aprendi e vivi no seio daquela religião está errado... há muitas coisas boas para destacar e elogiar. Eu acredito que a maioria dos seus membros são sinceros, zelosos, honestos e dedicados. Esforçam-se deveras para agradar a Deus. Todavia, creio que as palavras do Apóstolo Paulo são adequadas neste contexto: "Porque lhes dou testemunho de que têm zelo de Deus, mas não com entendimento. Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus. Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê. " (Romanos 10: 2-4).

Quando falo de dúvidas e questionamentos não me refiro à minha fé em Deus ou nas escrituras, mas em reivindicações e interpretações(de homens que se dizem escolhidos por Deus como canal exclusivo para divulgar a Sua mensagem) que parecendo ter base bíblica, quando analisadas e estudadas com critério e isenção podem ser facilmente contestadas e refutadas. A reivindicação de se possuir a "verdade" exclusiva e classificar todas as outras religiões como falsas, creio ser uma atitude perigosa, preconceituosa e radical que, em alguns casos, tem tido resultados catastróficos.

Eu não falo de uma verdade filosófica, científica ou académica, mas da Verdade essencial, suprema. O que é a verdade? Jesus Cristo afirmou com determinação, segurança e convicção:"Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida...". A propósito desta afirmação, Augusto Cury diz:" Quando Cristo disse que era o caminho, a verdade e a vida, foi tão perturbador que se identificou como a própria verdade essencial, como a própria essência da vida. Ele não disse que possuía a verdade académica, ou seja, que possuía um conjunto de conhecimentos, de ideias e de pensamentos verdadeiros, mas sim que Ele mesmo era o caminho que conduz à fonte da verdade essencial, o caminho que atinge a própria essência da vida. Que vida era essa? A vida eterna, infindável e inesgotável, que Ele afirmava possuir."

Diante desta e de outras extraordinárias e contundentes afirmações de Cristo todo o ser humano tem uma escolha pessoal e íntima a realizar; uma decisão com implicações profundas e transcendentais. É uma questão de fé acreditar ou não nas palavras de Jesus. Eu acredito e quanto mais o conheço mais próximo me sinto Dele e mais forte se torna a Sua presença na minha vida.Em síntese, este foi o caminho que percorri até chegar ao limiar de um novo Caminho.

Alguém me convida a segui-Lo: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve." (Mateus 11:28-30). Posso recusar o convite. Posso renegar o "jugo suave" e a promessa de uma vida com verdadeiro sentido; com paz, esperança, plenitude, alegria e satisfação. Sou livre para escolher entre um caminho largo e espaçoso( que conheço e sei quais as suas consequências e recompensas) e o "Caminho apertado que conduz à vida" (Mateus 7:13,14). É um Caminho que exige fé, amor, perseverança, coragem, abnegação, determinação... São muitas as provações, as contrariedades, as lutas que temos de travar... mas, não estamos sós nem desamparados. Embora, ás vezes, nos invada um sentimento de abandono e solidão, Deus não está ausente. Podemos confiar Nele. "Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. Pelo que não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares." (Salmos 46:1,2)

Sobre Jesus

"Os quatro Evangelhos, todos eles, dão-nos o retrato de uma personalidade muito definida, obrigando-nos a dizer: Esse homem existiu. Isso não pode ser inventado."- H. G. Wells

"Quanto mais deixamos que Deus assuma o controle sobre nós, mais autênticos nos tornamos - pois foi ele quem nos fez. Ele inventou todas as diferentes pessoas que eu e você tencionávamos ser (...) É quando me viro para Cristo e me rendo à sua personalidade que pela primeira vez começo a ter minha própria e real personalidade." - C. S. Lewis

"Deus nos ama não por aquilo que somos ou que fizemos, mas por aquilo que Deus é. A graça flúi para todos aqueles que a aceitam. Jesus perdoou uma adúltera, um ladrão na cruz, um discípulo que o negou, mesmo conhecendo-o. A graça é absoluta e abrange todas as coisas. Ela se estende inclusive para as pessoas que pregaram Jesus na cruz: `Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem´ está entre as últimas palavras que Ele disse aqui na terra (Lucas 23:34)." - Philip Yancey"

"Em meio à história do mundo encontra-se uma figura, inserida nessa história em todos os seus aspectos, mas que a tudo sobrepuja. É Jesus Cristo. Ele é completamente diferente, Ele é singular. Ele é o único que podia ousar colocar-se diante de uma multidão hostil e fazer-lhe a pergunta: «Quem dentre vós me convence de pecado?» A única resposta foi o silêncio da platéia, uma resposta eloquente. Sua vontade estava plenamente inserida na vontade de Deus. Sua postura era completamente dirigida por Deus e direccionada para Deus. Nele não havia discrepância, não havia imperfeição alguma." - H. Bender

"Na área religiosa, Jesus é a figura mais genial que jamais viveu. Seu brilho é de natureza eterna e Seu reinado jamais acaba. Ele é único em qualquer sentido e não pode ser comparado a ninguém. Sem Cristo não se entende a história." - Ernst Renan

"Conseguir inventar ou criar a história de uma vida como a de Jesus seria um milagre maior do que foi Sua existência real."- Rousseau

O Jesus que eu nunca conheci


Ler um livro pode ser uma experiência gratificante, fascinante, enriquecedora, transformadora...foi com essa sensação que fiquei depois de ler "O Jesus que eu nunca conheci" de Philip Yancey. Depois de ouvir e ler tantos comentários e críticas ao livro fui vencido pela curiosidade e confesso que as minhas expectativas foram superadas. O escritor conduz-nos numa viagem reflexiva e pessoal através dos evangelhos e da história e revela-nos a vida, os ensinamentos e os atributos de Jesus que a maior parte dos crentes desconhecem. O meu conhecimento sobre Deus foi enriquecido com a leitura deste livro. A minha fé foi fortalecida e a minha compreensão de Deus aprofundou-se. Sinto-me mais próximo Dele e acredito cada vez mais num Deus que é amor e graça.
Pouco a pouco, vou-me libertando da imagem de um Deus legalista, autoritário, controlador e punitivo.Jesus Cristo revela-nos um Deus que deseja ser o nosso melhor Amigo. Um Deus que nos convida(não pressiona, não impõe) a seguir um Caminho que conduz à vida e à felicidade plena. Um Caminho que, à primeira vista, nos parece difícil de trilhar face ás "exigências" que nos são apresentadas. Yancey escreve a certa altura no livro:" Durante anos pensei que o sermão do monte fosse um modelo para o comportamento humano que ninguém conseguiria seguir. Lendo-o de novo, descobri que Jesus pronunciou essas palavras não para nos sobrecarregar, mas para nos dizer como Deus é. O carácter de Deus é a matriz do sermão do monte. Por que deveríamos amar os nossos inimigos? Porque o Pai clemente faz o seu sol nascer sobre maus e bons. Por que ser perfeito? Porque Deus é perfeito. Por que acumular tesouros no céu? Porque o Pai vive lá e vai-nos recompensar prodigamente. Por que viver sem medo e sem preocupações? Porque o mesmo Deus que veste os lírios e a vegetação do campo prometeu cuidar de nós. Por que orar? Se um pai terrestre dá pão e peixe ao filho, quanto mais o Pai no céu dará boas dádivas àqueles que lhe pedirem."
Creio que só muito recentemente comecei a conhecer verdadeiramente Jesus e simultaneamente Deus. Li várias vezes na Bíblia que "Deus é amor", mas só há pouco tempo comecei a perceber o que esse amor realmente significa. "Jesus revela um Deus que nos busca, um Deus que dá lugar à nossa liberdade mesmo quando isso custa a vida do Filho, um Deus vulnerável. Acima de tudo, Jesus revela um Deus que é amor...". Um Deus que nos ama e nos acolhe independentemente das nossas falhas, dos nossos erros, das nossas imperfeições...

Análise da Inteligência de Cristo


Augusto Cury, médico psiquiatra, psicoterapeuta e cientista ligado à área da Inteligência e dos fenómenos que gerem a construção dos pensamentos e da memória, trabalhou ao longo de quase 20 anos numa teoria que denominou de "Inteligência Multifocal"( para quem quiser saber mais:http://pt.wikipedia.org/wiki/Intelig%C3%AAncia_multifocal) . Depois de desenvolver esta nova teoria, ele decidiu aplicar os seus princípios ao estudo da fascinante, intrigante e misteriosa inteligência do Homem que dividiu a história: Jesus Cristo. Envolveu-se neste projecto durante anos tentando encontrar respostas para inúmeras questões: Cristo poderia ter sido fruto da imaginação humana? Se Ele não tivesse feito nenhum milagre, teria dividido a história? Houve alguém na história que tenha discursado sobre pensamentos semelhantes aos dele? Quais as dimensões e implicações dos pensamentos de Cristo? Estas e outras questões são respondidas numa colecção de livros denominada "Análise da Inteligência de Cristo". Nesses livros Cury faz uma análise psicológica ímpar, fascinante, despreconceituosa e surpreendente da inteligência e personalidade de Cristo. Ele confessa que durante anos se considerou céptico e ateu, mas que ao estudar a inteligência e a personalidade de Cristo teve de mudar os seus paradigmas e reescrever a sua história pessoal. Ele rendeu-se e prostrou-se aos pés do "Mestre dos Mestres"( é este o título do primeiro livro da série "Análise da Inteligência de Cristo"). Brevemente falarei dele.

O Mestre dos Mestres


No seu livro "O Mestre dos Mestres" , o psiquiatra Augusto Cury faz uma interessante análise psicológica e social da vida de Cristo. Este e outros livros da colecção "Análise da Inteligência de Cristo" ajudaram-me a compreender certos aspectos da inteligência e personalidade do nosso Salvador que não havia percepcionado e apreendido.O grande propósito de Cristo ao descer à terra foi sem dúvida morrer pela humanidade e resgastar-nos da nossa condição pecaminosa. Para libertar-nos do pecado, Ele teve de morrer na cruz e ressuscitar. Jesus demonstrou um Amor incondicional pela humanidade...Ele ama-nos apesar de todos os nossos defeitos e falhas. Contudo, Ele não deseja que sejamos vítimas dos nossos defeitos, das nossas imperfeições...Ele deseja a nossa transformação interior, a vivência e a construção de uma nova vida sob os alicerces dos seus ensinamentos e do modelo de vida que nos deixou como exemplo.Cristo ensinou e instruiu os seus discípulos para que dessem continuidade à obra que Ele havia iniciado e, ao mesmo tempo, com os seus ensinamentos, gestos e atitudes, operou uma transformação radical da personalidade daqueles que Ele havia escolhido para seus principais discípulos. Augusto Cury fala na "escola da existência de Cristo" e mostra-nos como Ele foi um Mestre incomparável, único...Num próximo post escreverei sobre essa escola da existência.

A escola da existência

No seguimento do meu post anterior vou partilhar o que Augusto Cury escreveu sobre esta questão. O que é a escola da existência? "A escola da existência é a escola da vida, dos eventos psicológicos e sociais. Na escola da existência escrevemos as nossas histórias particulares. Essa escola penetra nos meandros da existência: nos nossos sonhos, expectativas, projectos socioprofissionais, relações sociais, frustrações, prazeres, inseguranças, dores emcionais, crises existenciais(...) A escola da exitência envolve toda a trajectória de um ser humano. Envolve não só os pensamentos e emoções que manifestamos socialmente, mas também o corpo de pensamentos e emoções represados dentro de cada um de nós. Envolve as lágrimas não derramadas, os temores não expressos, as palavras não verbalizadas, as inseguranças não comunicadas, os sonhos silenciosos."Augsuto Cury confronta a escola da existência com a escola clássica(educacional) :"Na escola clássica sentamo-nos em fila; somos, infelizmente, frequentemente receptores passivos do conhecimento. E o conhecimento que recebemos tem pouca relação com a nossa história, no máximo tem alguma relação com a nossa profissão. Na escola da existência, porém, todos os eventos têm uma relação directa com a nossa história. Na escola clássica temos de resolver os problemas da matemática; na da existência temos de resolver os problemas da vida. Na escola clássica aprendemos as regras gramaticais; na da existência temos de aprender a difícil arte de dialogar. Na escola clássica temos de aprender a explorar o mundo em que estamos, ou seja, o pequeno átomo da química e o imenso espaço da física; na da existência temos de aprender a explorar os territórios do mundo que somos. Portanto, a escola da existência inclui a clássica e vai muito além dela."

A escola da existência de Cristo

" A escola da existência de Cristo possui incomuns características; não é uma escola de pensamento, filosófica, de regras comportamentais, de ensino religioso-moralista e nem de aperfeiçoamento do carácter. O projecto de Cristo era muito mais complexo e ambicioso.As biografias de Cristo revelam que Ele não queria reformar o homem, mas produzir uma transformação no seu interior, reorganizar intrinsecamente a sua capacidade de pensar e viver emoções. Cristo queria produzir um novo homem. Um homem solidário, tolerante, que supera as ditaduras da inteligência, que se vacina contra a paranóia do individualismo, que aprende a cooperar mutuamente, que aprende a se conhecer, que tem consideração pela dor do outro, que aprende a perdóa-lo, que se interioriza, que se repensa, que se coloca como aprendiz diante da vida, que desenvolve a arte de pensar, que expande a arte de ouvir, que refina a arte de contemplação do belo(...) Ele não queria melhorar o homem, mas mudar a sua natureza intrínseca.A escola da existência de Cristo era muito diferente de uma escola clássica. Não tinha muros nem espaço físico definido. Erguia-se nos lugares menos clássicos: no deserto, à beira-mar, nos montes, nas sinagogas judaicas, no pátio do templo de Jerusalém, no interior das casas. Erguia-se também nas situações menos clássicas: nos jantares, nas festas, numa conversa infromal...Cristo não tinha preconceitos. Ele falava em qualquer sítio com as pessoas. Não perdia uma oportunidade para levar o ser humano a se interiorizar. Por onde passava actuava como mestre e iniciava a sua escola. Nesta não havia secretária, carteiras, lousas, giz, computadores ou estratégias pedagógicas. A sua técnica eram as sas próprias palavras, os seus gestos e os seus pensamentos(...)Cristo mesclava-se com os seus alunos, entrava na história deles. Não havia um fosso entre o mestre e os seus alunos. As histórias deles cruzavam-se. Por intermédio desse viver íntimo e aberto Ele conquistava-os e conhecia as angústias e necessidades de cada um. Aproveitava cada circunstância, cada momento, cada erro e dificuldade dos seus alunos para os conduzir de forma a repensarem e reorganizarem as suas histórias.Na escola de Cristo não há reis, políticos, intelectuais, iletrados, moralistas e imorais. São todos apenas o que sempre foram, ou seja, seres humanos(...) No projecto de Cristo todos possuem a mesma dignidade, não há hierarquias(...) Para o mestre dos mestres, ninguém é indigno e desclassificado por qualquer condição ou situação. Uma prostituta tem o mesmo valor que um moralista. Uma pessoa iletrada e sem qualquer tipo de cultura formal tem o mesmo valor que um intelectual, um versado escriba. Uma pessoa excluída tem o mesmo valor que um rei(...)Cristo teve uma atitude arriscada, corajosa e desafiadora. Ele faz uma escolha incomum para levar a cabo o seu complexo desejo. Escolheu um grupo de homens iletrados e sem grandes virtudes intelectuais para os transformar em engenheiros da inteligência e torná-los propagadores(apóstolos) de um plano que abalaria o mundo, atravessaria os séculos e conquistaria centenas de milhões de pessoas de todos os níveis culturais, sociais e económicos..."
Augusto Cury "O Mestre dos Mestres"

Nada é grave...

"Nada é grave, a não ser perder o amor." [Irmão Roger de Taizé]